James “Jim” Moylan, antigo engenheiro da Ford Motor Company, morreu a 11 de dezembro de 2025, aos 80 anos, no Hospital Henry Ford, em Detroit. Natural de Plymouth, no Michigan, construiu uma carreira de 34 anos na indústria automóvel e deixou um legado que continua presente em praticamente todos os automóveis modernos. Não através de um grande avanço tecnológico, mas de uma pequena seta no painel de instrumentos.
O nome pode não soar familiar, mas a ideia é imediatamente reconhecível. A pequena seta junto ao indicador de combustível, que mostra de que lado está a tampa do depósito, é hoje um elemento quase universal. Um detalhe tão integrado na experiência de condução que poucos questionam a sua origem. Mas foi Moylan quem a concebeu.

Na década de 1980, Moylan tinha acesso frequente à frota de veículos da Ford, conduzindo modelos diferentes consoante as necessidades. Em 1986, ao parar para abastecer um desses automóveis, estacionou do “lado errado” da bomba. Só depois percebeu que a tampa do depósito ficava no lado oposto. O erro obrigou-o a mover o veículo debaixo de chuva intensa, ficando completamente encharcado. Um contratempo menor, mas suficientemente incómodo para gerar uma ideia simples e definitiva.

Nesse mesmo dia, Moylan redigiu uma “product convenience suggestion”, uma proposta interna de melhoria, acompanhada por um esboço que mostrava uma tampa de combustível aberta. No texto, defendia que um pequeno indicador no painel eliminaria dúvidas frequentes, sobretudo em veículos partilhados, carros de empresa ou automóveis de aluguer. Mesmo que, no futuro, todos os modelos viessem a ter o bocal de abastecimento do mesmo lado, o custo para a empresa seria reduzido e o ganho em conveniência significativo para os utilizadores.

A resposta chegou cerca de sete meses depois. R.F. Zokas, então diretor de design de interiores da Ford, informou Moylan de que, devido à sua proposta, uma seta passaria a ser incluída no painel dos modelos do ano de 1989 que estavam em desenvolvimento. O Ford Escort e o Mercury Tracer foram os primeiros a integrar o novo elemento, rapidamente seguidos por outros modelos da marca.

O impacto foi imediato e duradouro. A chamada “Moylan Arrow” revelou-se tão intuitiva e eficaz que acabou por ser adotada por praticamente todos os fabricantes automóveis. Hoje, está presente na quase totalidade dos veículos de produção, incluindo modelos elétricos e híbridos, tornando-se um exemplo raro de padronização espontânea motivada apenas pela utilidade.
Segundo o obituário, Moylan iniciou a sua carreira na Ford como desenhista e progrediu até cargos de gestão em engenharia, num percurso feito de aprendizagem contínua e adaptação. A família assume grande orgulho por ver a sua invenção espalhada por veículos em todo o mundo e por saber que o nome “Moylan Arrow” passou a identificar um detalhe que ajuda diariamente milhões de condutores. Ainda assim, Jim Moylan considerava que o maior feito da sua carreira não foi a seta, mas as amizades construídas ao longo de décadas de trabalho.
A história de Moylan é um retrato claro do empreendedorismo silencioso. Não o do fundador mediático ou do inventor solitário, mas o de quem, dentro de uma grande empresa, observa um problema real, propõe uma solução prática e persiste até a ver implementada. Uma ideia pequena, nascida de um erro trivial, que acabou por melhorar o quotidiano de pessoas em todo o mundo.
Da próxima vez que olhar para o painel de instrumentos e olhar para a seta do indicador de combustível para lhe permitir estar do lado certo da bomba de gasolina/gasóleo, vale a pena lembrar Jim Moylan.





