Um dos papamóveis mais improváveis da história foi espanhol. E cabia onde os outros não entravam

Sob o lema “Levantai o olhar”, o Papa Leão XIV está em Espanha entre 6 e 12 de junho, naquela que é a sua primeira viagem apostólica ao país desde a eleição para o pontificado, em maio de 2025. Como acontece em qualquer deslocação papal, os olhos estarão voltados para os encontros com os fiéis,…
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Durante a visita do Papa Leão XIV a Espanha, os papamóveis voltam a estar sob os holofotes. Mas poucos conhecem a história do pequeno Seat Panda que, em 1982, foi transformado à pressa num veículo papal para resolver um problema logístico e acabou por se tornar uma das mais curiosas peças da história automóvel espanhola.
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Sob o lema “Levantai o olhar”, o Papa Leão XIV está em Espanha entre 6 e 12 de junho, naquela que é a sua primeira viagem apostólica ao país desde a eleição para o pontificado, em maio de 2025. Como acontece em qualquer deslocação papal, os olhos estarão voltados para os encontros com os fiéis, mas também para um dos símbolos mais reconhecíveis do Vaticano: o papamóvel.

Nesta viagem a Espanha, Leão XIV utilizará um Mercedes-Benz Classe G 500 para percorrer as ruas de Madrid, Barcelona e Ilhas Canárias. Ao longo das décadas, os papamóveis transformaram-se em verdadeiros ícones da mobilidade institucional. Blindados, tecnologicamente sofisticados e concebidos para responder a exigentes requisitos de segurança, estes veículos representam uma combinação única de engenharia e protocolo. Mas nem sempre foi assim.

Há 44 anos, durante a primeira visita de João Paulo II a Espanha, o Vaticano enfrentou um problema inesperado. O papamóvel oficial simplesmente não conseguia entrar nos acessos do Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, nem do Camp Nou, em Barcelona. O Papa precisava de chegar ao centro dos relvados para saudar os milhares de fiéis presentes, mas o veículo previsto era demasiado grande. A solução surgiu de um dos modelos mais populares da indústria automóvel espanhola: o Seat Panda.

Visita de João Paulo II a Espanha, em 1982

Um projeto concluído em apenas duas semanas

Em 1982, a Seat recebeu um pedido urgente para desenvolver um veículo alternativo: criar um automóvel suficientemente compacto para circular dentro dos estádios, mas que permitisse ao Papa ser visto por dezenas de milhares de pessoas. A resposta chegou em apenas 15 dias.

Partindo da plataforma do Panda, então um dos automóveis mais vendidos em Espanha, os engenheiros transformaram o utilitário numa espécie de descapotável funcional. O veículo perdeu as janelas laterais, recebeu uma plataforma traseira reforçada para que João Paulo II pudesse permanecer de pé e incorporou apoios específicos para garantir estabilidade durante os percursos.

Pintado de branco, decorado com as bandeiras de Espanha e do Vaticano e equipado com elementos visuais inspirados no então novo Panda Marbella, o pequeno automóvel ganhou uma presença institucional improvável para um modelo concebido originalmente para a mobilidade urbana.

Nos dias 3 e 7 de novembro de 1982, em Madrid e Barcelona, o veículo transportou João Paulo II perante estádios lotados, tornando-se, por alguns momentos, um dos automóveis mais observados do planeta.

Mais de quatro décadas depois, o Panda Papamóvel continua preservado praticamente no estado original. Integrado na coleção histórica da Seat, em Barcelona, permanece como uma das peças mais singulares do património da marca.

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