A Renova, empresa de artigos de produtos de papel tissue, reforçou a aposta na descarbonização com um investimento de 11 milhões de euros na instalação de uma central de biomassa na fábrica 2. Este passo insere-se no projeto Descarbonizar@Renova e permite substituir o gás natural por uma fonte de energia renovável para produzir energia térmica necessária para o fabrico dos guardanapos, papel higiénico e lenços que saem das linhas de produção.
Durante a inauguração desta central de biomassa, o CEO da Renova, Paulo Pereira da Silva, “segue-se a 12 anos de investimento aqui em Torres Novas, na Zibreira. Nestes 12 anos nós investimos mais de 150 milhões de euros aqui”.
Paulo Pereira da Silva realçou que o investimento que a empresa inaugurou “é importantíssimo para nós nesta área da responsabilidade ecológica e do futuro da marca. E é muito importante ter isto no nosso desenvolvimento, nos nossos produtos”. O gestor assumiu que “com este projeto, demos um passo gigantesco para nós na transição energética e na descarbonização, que serão as coisas, como sabem, essenciais”.
E garantiu que o projeto “trouxe-nos poupança de energia, competitividade, redução da pegada de dióxido de carbono e muita coerência para os nossos produtos”.
Dar cartas no mundo
Paulo Pereira da Silva salientou ainda que “acima de tudo, a Renova é uma marca. Nós vendemos produtos debaixo da nossa marca, que é uma coisa rara em Portugal, e acho que um dos problemas gravíssimos que nós temos é que não temos marcas globais”. E sublinhou que a Renova é uma marca histórica e forte em Portugal no segmento em que atua. No entanto, face à pequena dimensão do País e para continuar a crescer e resistir à concorrência de outras multinacionais revelou que “a Renova achou que a única maneira que tinha de sobreviver e de se desenvolver era internacionalizar a marca. O instrumento que nós temos de desenvolvimento da internacionalização foi a marca”.
“É possível ser uma marca portuguesa no mundo” com resistência e com tempo, realçou o gestor. Ao mesmo tempo lembrou que a Renova compete com grandes multinacionais em mais de 70 países e regista cerca de 10 milhões de atos de compra mensais em todo o mundo.
Sobre a nova central de biomassa, o diretor de projetos da Renova, Filipe Almeida, referiu que inicialmente a previsão era conseguir uma redução de 43% das emissões de dióxido de carbono. Mas o objetivo foi ultrapassado em 2025 atingindo uma redução de 50,6% face a cinco anos antes. Face a esta aposta, Filipe Almeida revelou que a biomassa já é a “a maior fonte de energia térmica”.

Presente na cerimónia de inauguração, o secretário de Estado da Energia, Jean Barroca, destacou que “a descarbonização industrial não pode ser uma ideia abstrata. Ganha forma nas decisões de investimento das empresas, na modernização das unidades produtivas e na redução de consumos”.





