Michael Jordan está em Lisboa esta terça-feira e explicou a quem esteve na Meo Arena, no âmbito da SBC Summit, a perceção das emoções dos adeptos de desporto para alguém que dominou o jogo e que tem agora a oportunidade de analisar a indústria. O melhor basquetebolista de todos os tempos ganhou seis títulos da NBA pelos Chicago Bulls e medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992.
“Como jogador nunca me foquei no que as pessoas estavam a apostar, estava completamente longe desse cenário. Depois comecei a perceber toda a envolvência à volta do desporto e a forma como os adeptos se querem envolver. E muito deles sentem-se envolvidos no jogo através de uma aposta por no desporto”, destacou o antigo basquetebolista e investidor.
Jordan partilhou uma memória com o público da SBC Summit: “Lembro-me de crescer a ver um jogo na televisão e hoje temos a oportunidade de ver vários jogos ao mesmo tempo. Agora os adeptos estão muito perto daquilo que representam os jogadores”.

Na perspectiva do atual ambiente de consumo em torno do desporto, Michael Jordan acentuou as diferenças entre a sua juventude e o atual entorno digital: “Cresci num ambiente diferente em que estes miúdos estão a viver neste momento. O consumo baseia-se muito na forma como se pode fazer uma conexão com o jogo, neste caso. Se isso não estiver a acontecer, é porque algo não está a resultar”.
Jordan destacou ainda as mudanças que estão a acontecer no entorno desportivo: “Os desportos femininos, por exemplo, estão muito fortes e essa é uma mudança enorme. Os conteúdos estão a ganhar cada vez mais espaço, na televisão e no ambiente digital. E é importante que a indústria se pergunte: o que é que entretém as pessoas”.
Conhecido investidor das corridas Nascar, Jordan recordou a sua infância e como gostava de ir às corridas com a família: “Lembro-me de ir às corridas Nascar com a minha família e mais tarde, tentei perceber como é que se podia potenciar esse desporto. Quando entrei nessa indústria, tentei perceber formas como se podia elevar essa modalidade, tal como aconteceu com a Fórmula 1. Se puder causar impacto, já valeu a pena o esforço”.
E será que Michael preferia jogar hoje em dia? A resposta é clara: “Se jogasse hoje? Bem, o jogo é diferente. Nunca me preocupei com as estatísticas… queria lá saber das apostas, queria ganhar o jogo. Hoje em dia, há uma ligação muito forte ao ambiente das apostas. Na altura, só me preocupava com o que o meu adversário ia fazer. Como atleta, só quero jogar o jogo”.
“Há vinte anos só queria fazer dos Bulls a melhor equipa do mundo. Hoje, vejo muitos jogadores preocupados com a marca, com o logo, com a imagem de mercado… adoro que tenha jogado no tempo que joguei, a ligação ao jogo era genuína. Só queria ganhar e não que aquilo fosse rentável para outros”, realçou.
Jordan sublinhou que “quem apostasse na altura em que jogava e quisesse ganhar dinheiro com um mau resultado dos Bulls, teria que apostar nalguma fraqueza minha e, muito honestamente, eu não tinha pontos fracos”.
E prosseguiu neste raciocínio: “Sou um péssimo exemplo nesta indústria das apostas: eu ia para onde quisesse, para a esquerda, para a direita… para onde fosse preciso. Iriam perder muito dinheiro se apostassem contra mim. Sou muito competitivo, detesto perder”.
Para acabar uma curiosidade: qual é a aplicação no telemóvel que Michael Jordan abre assim que acorda: “A primeira app que abro de manhã? A da meteorologia. Gosto de saber como está o tempo para perceber se posso ir jogar golfe”.
A intervenção daquele que é considerado o melhor basquetebolista de todos os tempos aconteceu em Lisboa, no âmbito da abertura da SBC Summit 2026, evento que acontece na capital até 1 de outubro e que agrega o setor do entretenimento digital e indústrias relacionadas como iGaming e apostas desportivas.
O SBC Summit está a viver a sua terceira edição e reúne 40 mil participantes internacionais de mais de 150 países, incluindo executivos de topo, empreendedores, media e marcas globais.





