Galp admite novos investimentos em Sines mas pede maior previsibilidade regulatória

A Galp admite novos investimentos em Sines, mas só se existir um enquadramento regulatório que permita antecipar a procura futura de combustíveis, disse fonte oficial da empresa à Lusa. “A Galp equaciona promover investimentos adicionais, mas estes só serão viáveis com um enquadramento regulatório que permita antecipar a procura futura de longo prazo”, afirmou fonte…
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A Galp admite promover investimentos adicionais em Sines, mas alerta que estes só serão viáveis com um enquadramento regulatório que permita antecipar a procura futura de longo prazo.
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A Galp admite novos investimentos em Sines, mas só se existir um enquadramento regulatório que permita antecipar a procura futura de combustíveis, disse fonte oficial da empresa à Lusa.

“A Galp equaciona promover investimentos adicionais, mas estes só serão viáveis com um enquadramento regulatório que permita antecipar a procura futura de longo prazo”, afirmou fonte oficial petrolífera, em resposta a perguntas da Lusa, na sequência do apelo da Comissão Europeia para travar o encerramento de refinarias e aumentar a produção de combustíveis na União Europeia (UE).

Questionada sobre a possibilidade de aumentar a produção na refinaria de Sines com a capacidade já instalada, a Galp indicou que a unidade tem operado “muito perto da sua capacidade máxima”, pelo que seriam necessários investimentos adicionais.

A Galp atribui os elevados níveis de utilização da refinaria aos investimentos realizados ao longo dos anos na modernização e manutenção das instalações, apontando como exemplos a paragem programada no último trimestre de 2025, que classificou como a maior de sempre, e uma intervenção atualmente em curso numa unidade que considera essencial para responder às necessidades nacionais de gasóleo e combustível para aviação.

Segundo a empresa, os investimentos atualmente em curso em Sines, nomeadamente na produção de hidrogénio verde e na construção de uma unidade de produção de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e combustíveis renováveis para transporte rodoviário (HVO), permitem assegurar o cumprimento das metas nacionais obrigatórias de incorporação destes combustíveis até 2030.

Contudo, a Galp salienta que “não existe ainda qualquer iniciativa regulatória que suporte investimentos em capacidade adicional para a década seguinte”, contrastando a situação portuguesa com a de Espanha, onde já são conhecidas as metas de incorporação até 2040, acrescentou.

A petrolífera aponta também diferenças nos incentivos concedidos nos dois países, referindo que uma unidade de eletrólise de 100 megawatts (MW) em Espanha, equivalente à que tem praticamente concluída em Sines para a produção de hidrogénio verde, beneficiou de apoios de 150 milhões de euros.

Já em Portugal, segundo a empresa, ao apoio concedido de “nove milhões de euros, sucede-se a imposição de um imposto extraordinário”.

Assim, a Galp sublinha que “qualquer decisão de investimento adicional será naturalmente avaliada em função das perspetivas de mercado, das condições de competitividade e da previsibilidade do enquadramento regulatório aplicável”.

A empresa vê, ainda assim, “com satisfação” o lançamento do Diálogo Estratégico da Comissão Europeia sobre as refinarias europeias, considerando que representa um reconhecimento da importância do setor para a economia, a competitividade industrial e a segurança energética.

A Galp considera que o roteiro conjunto anunciado para a transformação da indústria, o acompanhamento técnico das medidas de curto prazo e o apoio político da Comissão à elaboração de uma Estratégia para a Refinação constituem “um bom ponto de partida para promover a competitividade e a transformação do setor”.

Defende, no entanto, que esta iniciativa deve traduzir-se em “medidas concretas que promovam condições de competitividade, previsibilidade regulatória e investimento na modernização e transformação da capacidade industrial europeia”.

As declarações surgem depois de a Comissão Europeia ter defendido, na quarta-feira, a necessidade de travar o encerramento de refinarias e aumentar a produção de combustíveis na UE.

Após uma reunião com representantes da indústria, em Bruxelas, o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, alertou que cerca de um quarto das refinarias da UE encerrou nos últimos 20 anos, reduzindo a capacidade de refinação do bloco em aproximadamente 10%.

Relativamente ao abastecimento de combustíveis durante o inverno de 2026/2027, a Galp destacou o papel da refinaria de Sines na segurança energética nacional, sublinhando os “elevados níveis de eficiência e fiabilidade operacional” da unidade.

Segundo a empresa, a refinaria “apresenta uma produção excedentária de gasolina face às necessidades do mercado nacional e dispõe de capacidade de produção de gasóleo, complementada pela atividade de aprovisionamento da Galp nos mercados internacionais, para responder às necessidades dos seus clientes”.

Lusa

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