Do zero até mil milhões: Uri Levine sobre a criação de “unicórnios”

Uri Levine, um duocorn que fundou duas empresas (Waze e Moovit) com uma avaliação superior a 1000 milhões de dólares (unicórnios), apresentou-se no Global Agri Forum 2026, realizado no auditório da sociedade de advogados Vieira de Almeida, em Lisboa. Com uma t-shirt onde se lia "apaixone-se pelo problema, não pela solução", o empreendedor abordou o…
ebenhack/AP
Uri Levine, que fundou a Waze e Moovit, dois unicórnios, foi um dos oradores do Global Agri Forum 2026, realizado no auditório da sociedade de advogados Vieira de Almeida, em Lisboa.
Líderes

Uri Levine, um duocorn que fundou duas empresas (Waze e Moovit) com uma avaliação superior a 1000 milhões de dólares (unicórnios), apresentou-se no Global Agri Forum 2026, realizado no auditório da sociedade de advogados Vieira de Almeida, em Lisboa. Com uma t-shirt onde se lia “apaixone-se pelo problema, não pela solução”, o empreendedor abordou o tema “building unicorns from zero to a billion”.

O empreendedor, que começou a sua apresentação por falar dos seus dois livros e da Startup Academy, uma escola online criada por ele, dividiu a sua apresentação em quatro tópicos: empreendedorismo, disrupção e inovação corporativa, inteligência artificial e relevância da agricultura.

Um projeto começa por algo que apaixona o seu fundador, ou algo com que sempre sonhou, mas existe sempre aquele momento em que se está ou não disposto a fazer alguns sacrifícios. “Esse momento é critico”, garantiu Uri. Os que avançam iniciam uma jornada que o empreendedor compara a uma montanha-russa.

Para o fundador da Waze, criar um projeto ou apaixonar-se por alguém são coisas muito parecidas. Um começa com uma ideia e o outro com um encontro, são coisas que levam o seu tempo, o primeiro feedback é sempre negativo e há sempre um momento em que decidimos não ouvir essas vozes exteriores. “E é preciso estar-se apaixonado para avançar nesta jornada”, defendeu.

Importante é que essa ideia inicial seja um problema. Sendo que logo a seguir se deve ter noção se esse é um problema individual ou uma experiência partilhada. Se for partilhada, começa a procura pela solução e nasce um projeto. “Com a IA, vejo muitas pessoas a começarem pela solução porque é mais fácil, mas ninguém se importa com isso. As pessoas importam-se com o problema que lhes estás a resolver. Se começares pelo problema, a tua história será mais cativante”, afirmou.

Depois é tentar, errar e tentar outra vez. Para Uri, “construir um unicórnio acaba por ser uma coisa muito simples”. Os passos essenciais são os seguintes: um grande mercado, product market fit, modelo de negócio, crescimento do número de utilizadores e a globalização estão resolvidos e o x factor, que Uri considera ser “coolness”. Ainda assim, apenas uma de mil startups se torna um unicórnio.

Talvez nem todas estejam dispostas a sacrificar o seu tempo, que é um ponto essencial, como mencionado anteriormente. É que quando se trata de criar um unicórnio, a primeira década é apenas o início do processo. Segundo os dados apresentados pelo empreendedor, 4% do valor das grandes empresas tecnológicas foi criado na primeira década, 96% é criado a partir daí. “Criar valor leva tempo”, disse.

Uma velocidade diferente

Com a velocidade a que o mundo está a mudar, é difícil olhar para o futuro e conseguir fazer alguma previsão. Ainda assim, Uri Levine tem algumas ideias. “Quantas das empresas que estão no top10 das empresas mundiais vão continuar lá?”, questionou a audiência. E arriscou uma resposta: “Obviamente não sabemos, mas são menos de metade. Quais são, não sabemos. O mais interessante é que empresas vão entrar para o top 10. Isto mostra como o mundo está a mudar rapidamente”.

Já quando o tema é inteligência artificial, o cenário muda um pouco. “A IA é diferente”, afirmou Uri. Ainda que a fase de desenvolvimento tenha sido parecida, uma vez que a OpenAI demorou sete anos a chegar ao momento que vive hoje em dia, a verdade é que hoje conta já com mais de mil milhões de utilizadores no ChatGPT em pouco tempo, um crescimento muito mais acelerado.

“A IA é diferente porque podemos pensar em várias revoluções, e várias que não funcionaram como os carros voadores, mas quando olhamos para a IA é muito mais rápida e profunda”, afirmou.

Aqui também é possível perceber que há oportunidades que não se podem perder. Se a OpenAI demorou sete anos a lançar o seu produto, a Google demorou apenas dois meses a lançar o concorrente. Naturalmente, não demoraram dois meses a desenvolve-lo, mas como pretendiam manter os utilizadores no seu motor de pesquisa, foram atrasando esta solução. “A espera tirou-lhes a liderança”, considerou o empreendedor.

É este risco que o setor da agricultura não pode correr. “Se na agricultura continuarmos a fazer como os nossos pais faziam, alguém vai usar a IA e vai superar o nosso negócio”, disse. Até porque, considera: “Isto não é uma competição, é um jogo injusto”.

Mais Artigos