A revista Forbes Portugal acaba de lançar, na edição em papel que está agora em banca, a sua lista anual que destaca as mulheres portuguesas Mais Poderosas no mundo dos negócios. Tal como já aconteceu em 2024, o ranking deste ano foi novamente organizado por 11 categorias, correspondentes aos vários setores de atividade em que atuam.
Carla Rebelo, 53 anos, acabou de assumir uma nova função depois de ter estado como CFO no Grupo Adecco, na Suíça, entre janeiro e julho deste ano. Acaba de regressar a casa para chefiar a Randstad Portugal, empresa que atua na gestão de talento, para a qual já trabalhou, durante oito anos, ocupando a função de CFO entre 2003 e 2007. Em Portugal, esta multinacional tem uma equipa de 450 colaboradores e, de forma indirecta, coloca cerca de 30 mil pessoas a trabalhar diariamente através das suas delegações, contact centers e localizações Inhouse. Ocupa, esta edição da lista das mulheres portuguesas Mais Poderosas nos negócios a primeira posição da categoria de Serviços, com uma avaliação toal de 75 pontos.
Licenciada em Contabilidade e Controlo Financeiro, no ISCAL, Carla Rebelo tem ainda um doutoramento em Gestão, com foco na Ciências da Decisão, e várias pós-graduações, nomeadamente em Neurociências e Comportamento, em Black Belt Lean Six Sigma e é Internacional Certified Coach pela ICC. A gestora portuguesa esteve como diretora-geral da Adecco em Portugal, entre 2015 e 2022, e foi a primeira portuguesa a assumir um cargo internacional de grande responsabilidade na multinacional. Com três décadas de carreira, a executiva passou já por diversos cargos internacionais, nomeadamente no Brasil, com diretora-geral da Hays e da Kelly Services.
Com uma avaliação total de 75 pontos, a executiva Carla Rebelo, CEO da Randstad Portugal, ocupa a primeira posição da categoria de Serviços do ranking de 2026 da Forbes Portugal.
Carla Rebelo é hoje uma das executivas portuguesas mais conceituadas fora de fronteiras. A sua veia empreendedora cedo se manifestou. Aos 16 anos foi vender enciclopédias e, mesmo sem que a família o entendesse, foi trabalhar num gabinete de contabilidade, tendo optado, mais tarde, por fazer essa licenciatura, no ISCAL. Nasceu em Lisboa e refere ter tido uma infância muito feliz com os seus dois irmãos. Aos 18 anos entrou para a Nestlé Waters e conseguiu, com o apoio do seu chefe, ser chief accountant, função que ocupou quase cinco anos. “Comecei a trabalhar cedo porque gostava do mundo dos adultos e sentia necessidade de ter as minhas coisas e de ser independente”, explica. E acrescenta: “Enquanto as outras crianças brincavam com bonecas, carrinhos, brinquedos, eu passava muitas horas a organizar os papéis lá de casa. Sentava-me numa secretária e organizava os papéis todos”, recorda.
Organizada, analítica, focada e líder empática, a carreira de Carla Rebelo foi ascendente. Subiu a CFO da Deloitte Portugal, em 2001, passou a CFO na Randstad Portugal, atingindo uma função global, em Amesterdão, nos Países Baixos, como senior grupo Controller. A primeira posição de CEO deu-se na Kelly Services, no Brasil, tendo passado depois para a Hays Brasil. Entrou no grupo Adecco, em 2025, como diretora-geral em Portugal, tendo assumido diversas funções internacionais no universo do grupo.
Aceitou agora, com agrado, voltar à Randstad, empresa que a formou e que conhece bem, e afirma que o seu “principal desafio é transformar a empresa de modo que consiga integrar as novas variáveis tecnológicas que os nossos clientes nos exigem com uma equipa de trabalho que queremos que seja a melhor do mercado, com uma capacidade de entrega excelente e, sobretudo, ter pessoas muito felizes, pessoas muito satisfeitas”. E reforça: “Porque pessoas felizes fazem organizações com bons resultados. Pessoas felizes têm boa saúde, porque sendo o stress o principal veneno e a desmotivação algo que nos corrói por dentro, que destrói o nosso corpo, se tivermos pessoas felizes, as pessoas não ficam doentes”.
“Eu até queria ser médica, mas percebi que não podia ver sangue. E como sou muito versátil, e gostava também de números, pensei comigo mesma: então vou ser médica de empresas”, diz Carla Rebelo.
Carla Rebelo diz que tem, como líder, “uma espécie de termómetro: gosto quando na empresa começo a ouvir as pessoas a falar, a rir à gargalhada, a brincarem umas com as outras, bem-dispostas. Gosto quando começo a ouvir aquele burburinho bom, aquele barulho que ouvimos nos corredores, perto dos elevadores, perto das escadas, perto das zonas de café. Isso é, para mim, o primeiro indicador: aumentar o nível de barulho natural do ser humano na empresa”. Além de um doutoramento em Gestão, com foco nas Ciências da Decisão, a gestora fez várias pós-graduações, nomeadamente em Neurociências e Comportamento, em Black Belt Lean Six Sigma e é Internacional Certified Coach pela ICC, pois adora estudar o comportamento humano. Acredita que o mercado a vê como uma líder da transformação. “Eu acredito que sou uma gestora de transformação. E quando o trabalho está feito vou fazer outra coisa, porque não sou de me acomodar”, diz.
Quando questionada sobre se alguma vez pensou que poderia ter feito outra carreira, a executiva diz: “Eu até queria ser médica, mas percebi que não podia ver sangue. E como sou muito versátil, e gostava também de números, pensei comigo mesma: então vou ser médica de empresas”. Mas uma “médica holística”, porque entende que não é possível ter uma empresa sustentável e com bons resultados, sem começar primeiro pelas pessoas. “É engraçado, no mundo da Inteligência Artificial, não vejo muita gente a preocupar-se primeiro como é que funciona a inteligência natural. O que é que as pessoas precisam? Como é que nós fazemos as pessoas sentirem em si a vontade de avançar, a vontade de se desenvolverem?”, refere.
“As mulheres deveriam estar muito mais nos planos de sucessão do que estão hoje. Não é só com quotas que chegamos lá, é dar a mesma a oportunidade a uma mulher e a um homem, terem condições de igualdade”, refere Carla Rebelo.
Relativamente ao tema da liderança, acredita que o líder serve para inspirar e não para “aspirar”, que não deve anular os outros, porque ninguém consegue algo sozinho. E, para ela, a liderança nunca foi tão importante como agora, com a Inteligência Artificial. “Bem aplicada, a IA é uma ferramenta que ajuda a libertar tempo dos humanos, de tudo o que seja tarefas automatizáveis, de repetição. Mas estarão os líderes preparados para o trabalho em equipa que isto exige? O papel da liderança nunca foi tão crítico como agora”, diz. No que diz respeito à liderança feminina, entende que “as mulheres deveriam estar muito mais nos planos de sucessão do que estão hoje. Não é só com quotas que chegamos lá, é dar a mesma a oportunidade a uma mulher e a um homem, terem condições de igualdade”. Acredita que não há superioridade de género, mas também é verdade que a mulher tem um perfil de resiliência, de resolução de problemas, que ainda não é muito utilizado.
A metodologia aplicada nas avaliações da Forbes Portugal
O ranking das mulheres portuguesas com mais poder nos negócios, dentro e fora de fronteiras, é elaborado com base numa avaliação de centenas de empresas e instituições, das quais são retirados e avaliados mais de 150 nomes de CEO, diretoras-gerais, administradoras, acionistas e empreendedoras.
A avaliação é feita com base em cinco critérios, pontuados de zero a 20, obtendo-se assim uma pontuação final para cada nome analisado. A Forbes avaliou e pontuou estes nomes pela Fortuna, pessoal ou familiar; pelo Poder de Decisão – se é CEO, presidente do Conselho de Administração, administradora ou acionista -, Poder de Influência, ou seja a sua projeção fora da empresa, seja em programas de responsabilidade social e cívica em que se envolve, seja associações em que participa, artigos que escreve e participação ativa nas redes sociais (sobretudo Linkedin); pela Dimensão do negócio – se são grandes negócios internacionais, em que países estão presentes, qual a área geográfica de ação; e pelo seu Empreendedorismo, se apenas fez carreira numa área, ou se envolveu na criação de empresa, etc.
A avaliação da Forbes Portugal é feita com base em cinco critérios ou dimensões, pontuados de zero a 20, obtendo-se assim uma pontuação final para cada nome analisado.
Tal como a lista de 2024, também este ano o ranking foi organizado por setores de atividade. Depois de pontuados, os nomes foram organizados por 11 categorias entrando na lista apenas as cinco primeiras de cada categoria. Nas categorias com mais elementos, como a da Banca, Finanças e Investimento e a de Indústria, as duas com mais nomes analisados, ficaram inúmeras mulheres bem pontuados de fora, com pontuações mais elevadas do que as primeiras cinco de outras categorias.





