APAL: “Queremos pôr Albufeira no mapa novamente de uma forma positiva”

A APAL – Agência de Promoção de Albufeira definiu como estratégia dar a conhecer o melhor da oferta menos conhecida da região, sem esquecer que o sol e praia já são cartões de visita apreciados pelos turistas. Numa press trip em que a Forbes Portugal participou foi possível perceber que a oferta turística de Albufeira…
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A APAL - Agência de Promoção de Albufeira tem no terreno a estratégia para conquistar novos turistas mostrando que, além do sol e praia, há outras potencialidades como a cultura ou a componente histórica. O presidente da APAL, Desidério Silva, realça que os mercados nacional e espanhol estão no centro do trabalho de promoção.
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A APAL – Agência de Promoção de Albufeira definiu como estratégia dar a conhecer o melhor da oferta menos conhecida da região, sem esquecer que o sol e praia já são cartões de visita apreciados pelos turistas. Numa press trip em que a Forbes Portugal participou foi possível perceber que a oferta turística de Albufeira inclui cultura, história, gastronomia e até mesmo turismo de aventura através, por exemplo, da realização de safáris pelas zonas mais interiores. Em entrevista à margem da visita, o presidente da APAL, Desidério Silva, detalha a estratégia no terreno para mostrar o que de positivo se pode encontrar na região e afastar a ideia de que Albufeira são apenas duas ruas onde, por vezes, acontecem situações que deixam uma imagem menos boa. Desidério Silva lembra ainda que a região quer conquistar novos públicos de diferentes mercados sem negligenciar o turista nacional e o espanhol que defende devem ser bem tratados e acarinhados.

Quando se pensa em Albufeira, remetemos apenas para o sol e praia. Mas a oferta turística tem outros ativos e querem mudar essa imagem?

O sol e a praia é uma imagem que tem sempre de ser mantida. O que nós queremos é dar a conhecer outros produtos e outras ofertas que Albufeira tem e que, normalmente, não são muito trabalhadas, não são muito promovidas. A ideia é mostrar sítios que, normalmente, poucas pessoas utilizam, mas que passarão a conhecer através da informação que os jornalistas levarem daqui. E, então, optámos por fazer uma visita numa vinha e numa adega de Albufeira. Temos mais outra que fica na zona da Guia. Depois, optámos também por escolher o centro antigo para fazer uma visita. Porque, normalmente, mostra-se a Albufeira mais da animação, mas, a Albufeira da cultura e das tradições também existe. E é essa que nós queremos, também, dar a conhecer. E, depois, também uma experiência única que é fazer um passeio num iate que tem condições excelentes para fazer um jantar a bordo, para se apreciar a costa, o pôr-do-sol e também a gastronomia. Depois através de um passeio de jipe para a zona do interior, onde há o Algarvensis, a zona onde tem o geoparque, em Paderne. Interessa-nos, além daquilo que fazemos sobre a praia e sobre a vida em Albufeira, mostrar outras valências, outras potencialidades.

E a estratégia que a APAL – Agência de Promoção de Albufeira tem no terreno é, precisamente, para mostrar essa diversificação?

A Agência tem uma estratégia que é de promover toda a parte positiva que Albufeira pode oferecer, combater aquilo que é, muitas das vezes, a publicidade negativa que vai passando e que nós temos de, também, contrariar, dizendo que há mais Albufeira do que duas ruas. E essa é a nossa prioridade: é dizer que Albufeira é mais do que duas ruas. Ou seja, nós temos zonas fantásticas, temos praias galardoadas, temos adegas, temos património, temos cultura, temos interior. E, agora, com o Geoparque, também, associada a Silves e a Loulé. Ou seja, há muita coisa para ver, para conhecer e que nós queremos, claramente, que seja valorizado e seja divulgado.

Acredita que, com esta estratégia, vão conseguir captar novos públicos?

O que eu acredito é que nós, este ano – que é um ano em que o mundo tem estas convulsões – que o mercado nacional e o mercado espanhol são aqueles onde nós temos de fazer uma aposta mais forte, porque há muita gente que está com algum receio de se deslocar para países onde normalmente viajavam, mas, com estas confusões todas, optarão muito pelo mercado nacional. E, sendo assim, obviamente, nós contamos que essa vossa presença nos ajude a chegar mais próximo do mercado nacional, porque é aquele que, normalmente, é um grande mercado, mas que é preciso também valorizá-lo. E, normalmente, o que eu digo aos empresários é que não se esqueçam que o mercado nacional é aquele que vocês devem acarinhar e devem tratar e devem receber bem. E, portanto, tem sido também essa a nossa estratégia.

Quais os indicadores que pode divulgar sobre a região de Albufeira?

No âmbito da Associação, nós temos 240 associados. Representamos à volta de 30 mil camas, 25 restaurantes, mais sete ou oito bares, e mais uma série de serviços, de rent-a-cars e imobiliárias. Portanto, temos aqui, em termos de associados, um número significativo. Albufeira tem quase oito milhões de dormidas por ano, o que equivale a dizer que um município que tem 50 mil pessoas, no verão passa a ter quase 450 a 500 mil. E é preciso também dizer que dessas 500 mil, são quatro ou cinco mil que acabam por chamar a atenção pela negativa e nós queremos, obviamente, contrariar isso, valorizando os outros 500 mil.

Em termos dos mercados que visitam o território, há o tradicional britânico, mas que outros mercados é que, além do nacional e do espanhol, está no vosso radar?

Nós estamos a trabalhar também muito o mercado canadiano e norte-americano. Vamos lá em outubro, quer ao Canadá, quer aos Estados Unidos. Trabalhamos também o mercado francês, o mercado alemão, o mercado holandês e também algum mercado do norte da Europa, o mercado escandinavo. Aí não promovemos mais ou não temos mais, porque temos de contar muito com os voos. Não podemos estar a promover Albufeira em sítios onde não haja forma de as pessoas cá chegarem. Portanto, vamos fazendo também uma estratégia em função daquilo que são o número de voos que chegam a Faro, as rotas. Há esta preocupação sempre de acompanhar todo este movimento do aeroporto de Faro, que é a grande porta da entrada também. E atacar em termos de promoção o mercado nacional e o mercado espanhol, nesta altura.

 Os voos são o principal constrangimento para trazer esses novos clientes para Albufeira ou para o Algarve? Isto tendo em conta que no turismo nacional continuamos a não ter um novo aeroporto em Lisboa, ainda há filas enormes nos aeroportos, o que dá uma má imagem, além da escassez da mão de obra e de habitação.

Repare que muitas dessas decisões estão na mão do Governo. Não são decisões locais que nós não conseguimos desenvolver se não for através do Governo. E o Governo tem que rapidamente decidir e iniciar as obras de novo aeroporto. Tem de ter em conta também aquilo que são os constrangimentos da entrada dos turistas nos aeroportos. E obviamente que tem de continuar a fazer a promoção no âmbito do Turismo de Portugal, naqueles mercados mais fortes, onde só eles conseguem entrar, quer de verbas, quer de outras formas, porque nós aqui estamos um pouco sempre dependentes daquilo que for a estratégia também do turismo nacional. Procuramos também não estar desalinhados nem com o turismo nacional nem com o próprio município.

Como perspetiva o turismo em Albufeira nos próximos três anos?

Estamos a procurar recuperar, no âmbito da associação, um pouco da identidade de Albufeira. Vamos começar a trabalhar muito e recuperar a história de Albufeira no âmbito dos primeiros hotéis que foram criados nos anos 60. Vamos procurar também divulgar bastante outras ofertas sem ser só a praia, não deixando a praia. Uma área que é muito positiva e que é preciso trabalhar também é a questão da gastronomia, seja ela junto ao mar, seja ela no barrocal. E, portanto, vamos procurando. Eu costumo dizer que quando sai uma notícia negativa nós temos de arranjar dez notícias positivas para contrapor com aquilo que é a nossa vontade de pôr Albufeira no mapa novamente de uma forma positiva, porque nem sempre tem sido dessa forma. E, portanto, é o que nós procuramos.

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