Air Trading: “Angola é o primeiro passo de um processo mais alargado de expansão”

A Air Trading é uma empresa de formação em mercados financeiros fundada em 2019 por Bernardo Barcelos e Bruno Janeiro. A sigla AIR que lhe dá o nome vem de Aprender, Investir e Rentabilizar para cumprir o propósito de apoiar quem se quer transformar no seu próprio gestor de carteira. Com uma atuação em Portugal…
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A Air Trading, empresa de formação em mercados financeiros, expandiu o negócio para Angola. O cofundador da Air Trading, Bernardo Barcelos, revela que a aposta será, sobretudo, na vertente institucional para ajudar na construção de estratégias financeiras mais robustas.
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A Air Trading é uma empresa de formação em mercados financeiros fundada em 2019 por Bernardo Barcelos e Bruno Janeiro. A sigla AIR que lhe dá o nome vem de Aprender, Investir e Rentabilizar para cumprir o propósito de apoiar quem se quer transformar no seu próprio gestor de carteira. Com uma atuação em Portugal e Espanha, a empresa dá agora os primeiros passos rumo à internacionalização com a entrada em Angola. Em entrevista à Forbes Portugal, o cofundador da Air Trading, Bernardo Barcelos, explica que os argumentos que levaram a avançar com esta aposta estratégica resulta do facto de aquele país lusófono ser uma economia com forte exposição a dinâmicas globais, ter uma população jovem e uma necessidade clara de maior sofisticação financeira, sobretudo ao nível institucional.

Bernardo Barcelos acredita que Angola tem um potencial elevado, sendo que a prioridade da Air Trading está no segmento institucional, onde o impacto tende a ser mais profundo e estruturante. E detalha que é um mercado onde muitas decisões empresariais estão diretamente ligadas a fatores macroeconómicos e financeiros, desde o câmbio até às commodities. O que, na sua ótica, cria uma necessidade real de maior capacidade de análise e gestão de risco dentro das organizações. Em termos de presença na lusofonia, admite que a Air Trading não se vai ficar por Angola. E admite que a expansão para outros mercados lusófonos é um passo natural.

 

A Air Trading está a iniciar a atividade em Angola. O que motivou esta aposta estratégica no mercado angolano?

Angola representa uma combinação muito interessante de fatores. É uma economia com forte exposição a dinâmicas globais, uma população jovem e uma necessidade clara de maior sofisticação financeira, sobretudo ao nível institucional. A nossa decisão foi motivada por essa oportunidade estrutural. Não estamos a entrar apenas para oferecer formação, mas para contribuir para um processo mais profundo de capacitação, tanto de investidores como, principalmente, de empresas que enfrentam diariamente decisões com impacto financeiro relevante.

Que análise de mercado realizaram antes de avançar para Angola e quais foram os principais fatores que pesaram na decisão?

A nossa análise foi muito prática e baseada em contacto direto com o mercado. Falámos com investidores, empresários e diferentes acionistas para perceber onde estavam as reais necessidades. Identificámos três fatores chave. Uma elevada exposição a variáveis externas, como petróleo e câmbio. Uma crescente procura por alternativas de investimento. E uma lacuna evidente ao nível de soluções estruturadas com acompanhamento. Foi essa combinação que nos deu confiança para avançar com uma visão de médio e longo prazo.

Qual é o potencial que veem no setor em Angola: tanto em termos de formação como de outras áreas de atuação? Há segmentos prioritários?

O potencial é elevado, mas a nossa prioridade está claramente no segmento institucional. Angola é um mercado onde muitas decisões empresariais estão diretamente ligadas a fatores macroeconómicos e financeiros, desde o câmbio até às commodities. Isso cria uma necessidade real de maior capacidade de análise e gestão de risco dentro das organizações. Acreditamos que conseguimos acrescentar valor ao ajudar empresas a tomar decisões mais informadas, seja na otimização de custos, na gestão de exposição ou na construção de estratégias financeiras mais robustas. Paralelamente, temos os nossos serviços disponíveis para investidores particulares, mas a nossa aposta estratégica está sobretudo na vertente institucional, onde o impacto tende a ser mais profundo e estruturante.

Quais são os principais desafios que anteveem para operar em Angola nos próximos 12 a 24 meses?

O contexto cambial será um dos principais desafios, nomeadamente a volatilidade do Kwanza, que tem implicações diretas na forma como se gerem investimentos, custos e decisões financeiras no país. Outro desafio importante será a adaptação ao contexto local, tanto do ponto de vista económico como cultural e operacional. Ainda assim, há algo que não é negociável. A consistência e a qualidade do nosso serviço. Esses são pilares que garantimos internamente e que não dependem do mercado onde operamos. O desafio está em adaptar a forma de entrega, nunca em comprometer o padrão.

Que oportunidades específicas existem no contexto angolano que não se encontram em outros mercados africanos ou lusófonos?

Uma das principais oportunidades está na fase de desenvolvimento do mercado. Angola ainda não está saturada neste tipo de oferta, o que permite construir desde cedo uma abordagem mais estruturada e alinhada com boas práticas. Além disso, existe uma ligação muito forte entre a economia real e os mercados globais. Quando bem trabalhada, essa ligação permite integrar conhecimento financeiro diretamente na tomada de decisão empresarial, com impacto concreto.

Qual será a vossa proposta de valor diferenciadora em Angola e como a adaptaram ao contexto local?

A nossa diferenciação está na forma como transformamos conhecimento em decisão. Não nos limitamos a transmitir conceitos. Trabalhamos a estruturação de processos que permitem analisar, decidir e executar com consistência em contexto real. Num mercado como Angola, essa abordagem ganha ainda mais relevância, sobretudo ao nível institucional, onde as decisões têm impacto direto no negócio. A nossa proposta foi ajustada para garantir essa aplicabilidade prática, mantendo sempre os mesmos pilares. Método, gestão de risco e consistência.

Quais são os vossos objetivos concretos em Angola para os próximos dois anos?

O nosso objetivo não passa apenas por crescimento quantitativo, mas sobretudo por consolidação qualitativa. Queremos construir uma presença sólida, com uma base de clientes institucionais relevante, parcerias estratégicas e uma reputação assente na consistência. Naturalmente, isso traduzir-se-á em crescimento em número de clientes e projetos, mas o foco está na construção de valor sustentável.

Têm planos para parcerias locais? Em que moldes?

Sim, as parcerias são um pilar fundamental da nossa estratégia. Acreditamos que a melhor forma de entrar num mercado é em colaboração com quem já conhece o terreno. Estamos abertos a trabalhar com empresas, instituições e eventualmente universidades, numa lógica de cocriação de soluções, formação adaptada e projetos com impacto direto na economia real.

Como vão medir o sucesso da operação em Angola: por receita, impacto social, número de formandos, empregabilidade, outros?

O sucesso será medido de forma multidimensional. Naturalmente, olhamos para métricas como crescimento e receita, mas damos igual ou maior importância à retenção de clientes, à qualidade das parcerias e ao impacto real nos resultados de quem trabalha connosco. Para nós, o verdadeiro indicador de sucesso é a consistência, tanto na entrega como na evolução dos nossos clientes.

Existe a ambição de replicar este modelo noutros países lusófonos no futuro?

Sim, faz parte da nossa visão. A expansão para mercados lusófonos é um passo natural, mas sempre com uma abordagem adaptada a cada realidade. Angola é o primeiro passo de um processo mais alargado.

A Air Trading foi fundada em 2019. Que balanço fazem destes primeiros anos de atividade?

O balanço é claramente positivo, mas acima de tudo sustentado. Crescemos num setor exigente, onde a credibilidade não se constrói com promessas, mas com consistência ao longo do tempo. Desde o início, tivemos a preocupação de construir uma base sólida, tanto ao nível da metodologia como da comunidade. Isso permitiu-nos crescer de forma orgânica, com um elevado nível de retenção e com clientes que acompanham a nossa evolução ao longo dos anos. Mais do que crescimento em volume, valorizamos o facto de termos conseguido posicionar a marca como uma referência assente em método, disciplina e acompanhamento contínuo. Esse tem sido o verdadeiro ativo da empresa.

Quais foram os principais marcos de crescimento: clientes, projetos emblemáticos ou expansão geográfica?

Houve vários momentos importantes ao longo do percurso. Um dos principais foi a consolidação da nossa comunidade, que passou a ser um dos pilares centrais do negócio. Outro marco relevante foi a certificação dos nossos cursos de formação por parte do regulador, o que reforça não só a qualidade do conteúdo, mas também o reconhecimento institucional do trabalho que temos vindo a desenvolver. Mais recentemente, a criação do nosso departamento research representa um passo estratégico muito importante. Permite-nos aprofundar a análise, reforçar a qualidade da informação que disponibilizamos e apoiar melhor a tomada de decisão dos nossos clientes, tanto a nível individual como institucional. Este conjunto de evoluções mostra uma transição clara de uma empresa focada na formação para uma estrutura mais completa e integrada.

A Air Trading tem vindo a desenvolver novas áreas de negócio. Pode explicar quais são e como se articulam entre si?

Hoje operamos com três pilares principais. Formação, mentoria e a área institucional, aos quais se junta o departamento de análise e investigação (research) como elemento transversal. A formação corresponde aos cursos que temos desenvolvidos, enquadrados numa lógica de formação certificada, e que permitem criar uma base sólida de conhecimento. A mentoria diz respeito ao acompanhamento contínuo que fazemos com a nossa comunidade, nomeadamente através de webinars semanais, onde trabalhamos a aplicação prática da metodologia, a leitura de mercado e a consistência na execução. A área institucional foca-se no trabalho com empresas e organizações, onde aplicamos este conhecimento em contexto real, apoiando decisões com impacto direto no negócio. O departamento de análise e investigação funciona como suporte a todas estas áreas, permitindo elevar a qualidade da análise e reforçar a consistência da nossa abordagem. No conjunto, trata-se de um ecossistema integrado que acompanha diferentes perfis e necessidades.

Como funciona a vossa abordagem em termos de formação, consultoria e mentoria? Há um modelo único ou por segmentos?

A nossa abordagem assenta numa metodologia clara e transversal a todas as áreas de negócio. Independentemente de estarmos a falar de formação, mentoria ou trabalho com empresas, os princípios são os mesmos. Processo, gestão de risco, disciplina e consistência. O que muda não é a base, mas a forma como essa metodologia é aplicada. Adaptamos a execução ao perfil de cada cliente e ao contexto em que está inserido, mas mantemos sempre a mesma estrutura de pensamento. Essa consistência metodológica é, na prática, o que garante coerência nos resultados e permite que diferentes áreas do negócio funcionem de forma integrada.

A formação é apenas técnica ou incorpora também componentes de liderança, soft skills e empregabilidade?

A componente técnica é apenas uma parte do processo. Nos mercados financeiros, o conhecimento por si só não é suficiente para gerar consistência. Trabalhamos de forma muito intencional aspetos como disciplina, controlo emocional, capacidade de decisão sob pressão e pensamento crítico. Estes são fatores que têm um impacto direto nos resultados, muitas vezes maior do que o conhecimento técnico isolado. Além disso, estas competências são altamente transferíveis para outras áreas, nomeadamente contexto profissional e empresarial, o que acaba por aumentar o valor da formação para além do próprio trading ou investimento.

Têm casos de sucesso que possam ilustrar o impacto da vossa formação/mentoria em carreiras ou negócios?

Temos vários casos de evolução consistente, sobretudo em clientes que permanecem connosco no tempo. Um dos indicadores mais relevantes é a taxa de renovação dos nossos serviços, que ronda os 70%, o que demonstra não só satisfação, mas também continuidade no processo. Observamos ainda uma correlação clara entre o tempo que os clientes passam connosco e a evolução dos seus resultados, o que reforça a ideia de que este é um processo progressivo.

Onde gostariam de ver a Air Trading daqui a cinco anos? Qual é a vossa visão para 2030?

A nossa ambição é afirmar o grupo AIR Trading como uma referência no espaço lusófono, com uma presença internacional consolidada e uma oferta cada vez mais integrada. Queremos combinar formação, mentoria, institucional e research numa estrutura coesa, capaz de responder a diferentes necessidades com elevado nível de exigência. Mais do que crescer em escala, o nosso foco será crescer mantendo consistência e qualidade, algo que nem sempre é fácil à medida que as organizações se expandem. A visão para 2030 passa por termos um impacto real não só na formação de investidores, mas também na forma como empresas e instituições tomam decisões financeiras.

Quais são as principais tendências que vão moldar o setor de formação e consultoria nos próximos anos?

Destacaria três. A integração de tecnologia, nomeadamente inteligência artificial. A crescente personalização dos serviços. E o aumento da exigência por parte dos clientes. Num mercado com mais informação disponível, a diferenciação passará pela qualidade, pela capacidade de filtrar e pela entrega de valor real.

Se pudessem dar um conselho a jovens profissionais que começam agora a trabalhar ou a empreender, qual seria?

Invistam em conhecimento, mas sobretudo na capacidade de pensar e decidir. Vivemos numa era com excesso de informação, onde a vantagem competitiva não está em saber mais, mas em saber filtrar melhor. É fundamental desenvolver pensamento crítico, disciplina e capacidade de execução. São estas competências que permitem transformar conhecimento em resultados. E talvez o mais importante: Ter uma visão de longo prazo. Seja numa carreira ou num negócio, a consistência acaba sempre por superar o entusiasmo inicial. Quem conseguir manter foco e método ao longo do tempo estará sempre mais bem posicionado.

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