As celebridades que continuam a gerar milhões depois da morte: quem são as mais bem pagas de 2026?

Poucos artistas construíram uma obra tão diversificada e premiada como Quincy Jones. O lendário produtor musical — que morreu de cancro do pâncreas no final de 2024, aos 91 anos — trabalhou em êxitos tão distintos como “Thriller”, de Michael Jackson, e “Fly Me To The Moon”, de Frank Sinatra, e ajudou a moldar a…
ebenhack/AP
Quincy Jones, Dolly Parton e Diane Keaton juntam-se ao grupo habitual de músicos e atletas que continuam a gerar milhões de dólares mesmo depois da morte. A lista anual da Forbes revela quais são as 13 celebridades falecidas que mais receitas geraram nos últimos 12 meses, com direitos musicais, licenciamento, parques temáticos, filmes e outros negócios a manterem vivas - e rentáveis - as suas marcas.
Listas

Poucos artistas construíram uma obra tão diversificada e premiada como Quincy Jones. O lendário produtor musical — que morreu de cancro do pâncreas no final de 2024, aos 91 anos — trabalhou em êxitos tão distintos como “Thriller”, de Michael Jackson, e “Fly Me To The Moon”, de Frank Sinatra, e ajudou a moldar a música de inúmeras estrelas, entre as quais Ray Charles, Donna Summer, Miles Davis, Count Basie e Aretha Franklin. Foi cofundador da revista Vibe, produtor executivo do sucesso televisivo “O Príncipe de Bel-Air”, maestro do tema “We Are The World”, de 1985, e recebeu duas nomeações para os Óscares pela banda sonora do filme “A Cor Púrpura”, de Steven Spielberg, também de 1985.

“Se Deus tiver uma jukebox, sei qual é o nome que aparece em mais seleções do que qualquer outro. Começa por Q”, afirmou Bono, vocalista dos U2, numa entrevista à JAZZIZ em 2008. “E também termina aí.”

No mínimo, Jones lidera agora noutra categoria celestial. É a celebridade falecida mais bem paga de 2026, depois de o seu património ter vendido, em março, a grande maioria das participações nos ativos acima referidos – bem como o catálogo pessoal e os direitos editoriais enquanto artista, incluindo os do êxito “Soul Bossa Nova” – à empresa de gestão de catálogos HarbourView Equity Partners, apoiada por capital privado. A Forbes estima que o negócio tenha rondado os 150 milhões de dólares (128 M€).

Este é o 26º ano em que a Forbes acompanha as celebridades que continuam a gerar receitas depois da morte e apenas a quarta vez que alguém que não Michael Jackson ocupa o primeiro lugar desde que o cantor morreu, em 2009. Em todos os casos, a mudança de liderança resultou de uma venda significativa de ativos. Os outros três foram Elizabeth Taylor, em 2012, Roald Dahl, em 2021, e J.R.R. Tolkien, em 2022. Ironicamente, os royalties de 10% que Jones recebia como produtor dos três primeiros álbuns a solo de Jackson – “Off The Wall”, “Thriller” e “Bad”, responsáveis por mais de dois terços do total anual de reproduções globais do catálogo do cantor – ajudaram a aumentar o valor da venda do património de Jones.

Ainda assim, também foi um ano extraordinário para o património de Michael Jackson. Os responsáveis arriscaram cerca de 25 milhões de dólares (21 M€) do seu próprio dinheiro para financiar novas filmagens de partes do atribulado processo de produção do filme biográfico “Michael”. O investimento acabou por compensar quando o filme ultrapassou os mil milhões de dólares (850 M€) de receitas nas bilheteiras mundiais. A Forbes estima que o património venha a receber mais de 50 milhões de dólares (43 M€) em participação nos lucros do filme, distribuídos ao longo dos próximos anos.

O sucesso nas salas de cinema também impulsionou todo o portefólio de negócios associados ao cantor, incluindo as reproduções em streaming da sua música, um espetáculo do Cirque du Soleil em Las Vegas, várias produções de “MJ: The Musical” em diferentes países e uma atividade de licenciamento de marca. No conjunto, estas fontes de receita geraram 140 milhões de dólares (119 M€) nos últimos 12 meses.

É este tipo de ecossistema de negócios interligados que está por trás das receitas de várias das lendas desta lista, incluindo o habitual Elvis Presley e a estreante Dolly Parton. Ambos têm destinos físicos – Graceland e Dollywood – que funcionam como centros das respetivas estruturas empresariais, além de numerosas extensões das suas marcas.

Ainda assim, o encerramento, em janeiro, do espetáculo dedicado a Bob Marley no Mandalay Bay, em Las Vegas, e o insucesso nas bilheteiras do filme sobre Bruce Springsteen, “Springsteen: Deliver Me From Nowhere”, em outubro passado, reforçam uma lição que muitos produtores aprenderam nos últimos anos: o sucesso nunca está garantido, mesmo para as maiores estrelas.

Vários novos projetos vão pôr essa ideia à prova. O mais recente filme de “O Gato do Chapéu”, de Dr. Seuss, estreia no próximo fim de semana [em Portugal, a estreia é a 5 de novembro, n.d.r.], enquanto o espetáculo de Dolly Parton na Broadway chega em dezembro. Elvis Presley tem um concerto com holograma previsto para 2027, e a expectativa já cresce em torno dos quatro filmes sobre os Beatles que deverão estrear em 2028.

Uma coisa é clara: num mercado de conteúdos cada vez mais competitivo e difícil, um dos ativos mais valiosos que alguém pode ter é a propriedade intelectual. E, no caso destas 13 lendas que já morreram, as marcas pessoais provaram ser eternas.

As celebridades falecidas mais bem pagas de 2026

1.º — 150 milhões de dólares (128 M€)

Quincy Jones

3 de novembro de 2024 (91 anos) • Causa da morte: cancro

Os especialistas do setor acreditam que o património de Jones conseguiu obter um valor acima da média pelos direitos musicais e outros ativos vendidos à HarbourView em março. Não apenas pelas receitas que estes geram todos os anos, mas também pela reputação extraordinária que Jones construiu na indústria musical, que poderá ajudar a HarbourView a atrair futuras aquisições de catálogos.

Para a HarbourView, o momento da operação não podia ter sido melhor. Quando o filme biográfico “Michael” se transformou num êxito mundial, os royalties de 10% que Jones recebia como produtor dos três primeiros álbuns de Michael Jackson renderam receitas avultadas.

2.º — 140 milhões de dólares (119 M€)

Michael Jackson

25 de junho de 2009 (50 anos) • Causa da morte: overdose/homicídio

Apesar do percurso longo e atribulado até chegar ao grande ecrã, o filme biográfico “Michael” voltou a demonstrar, em abril, a popularidade inesgotável do Rei da Pop, ao ultrapassar os mil milhões de dólares (850 M€) nas bilheteiras mundiais.

A Forbes estima que o património venha a receber cerca de 25% dos lucros líquidos do filme, num total superior a 50 milhões de dólares (43 M€) ao longo dos próximos anos. O sucesso nas salas de cinema também impulsionou as reproduções da música de Jackson em todo o mundo e as vendas de bilhetes para o espetáculo do Cirque du Soleil em Las Vegas e para o musical na Broadway, além das residências na Alemanha e na Austrália e de um espetáculo itinerante nos Estados Unidos.

3.º — 80 milhões de dólares (68 M€)

Dr. Seuss

24 de setembro de 1991 (87 anos) • Causa da morte: cancro

Mais de três décadas depois da morte do escritor, a Dr. Seuss Enterprises continua a encontrar novas formas de rentabilizar as suas adoradas histórias infantis. Este ano, criou uma “agência de viagens Dr. Seuss”, que encaminha potenciais viajantes para diferentes títulos dos seus livros, e lançou o primeiro manuscrito póstumo do autor em mais de dez anos: “Sing The 50 States!”.

O livro estreou-se no primeiro lugar da lista de mais vendidos do The New York Times na categoria de livros ilustrados.

4.º — 75 milhões de dólares (64 M€)

Elvis Presley

16 de agosto de 1977 (42 anos) • Causa da morte: ataque cardíaco

Os titulares dos direitos da música de Elvis, incluindo o acionista maioritário Authentic Brands Group, apresentaram na passada sexta-feira uma ação judicial contra a gigante da inteligência artificial Anthropic, exigindo mais de 41 milhões de dólares (35 M€). Alegam violação de direitos de autor e afirmam que a empresa treinou os seus modelos utilizando canções de Presley.

Mesmo décadas depois da sua morte, a popularidade do Rei continua a ultrapassar o universo da música. Graceland recebe centenas de milhares de visitantes todos os anos e os produtos licenciados associados ao cantor vendem milhões de unidades. O próximo projeto será um espetáculo de concertos com holograma, que deverá estrear-se em Las Vegas até ao final de 2027.

5.º — 46 milhões de dólares (39 M€)

Dolly Parton

25 de agosto de 2026 (80 anos) • Causa da morte: cancro

De acordo com a Themed Entertainment Association, o parque temático Dollywood, situado na cidade natal da cantora de “9 to 5”, Pigeon Forge, no Tennessee, recebeu 3,4 milhões de visitantes em 2025. Foi um crescimento impressionante de 8%, num ano em que a maioria dos parques norte-americanos registou ligeiras quebras de afluência.

Tendo em conta que Dolly Parton detém os direitos da sua música e 50% do Dollywood, do parque aquático vizinho Splash Country -que recebeu 390 mil visitantes em 2025 – e dos hotéis associados, é bastante provável que o património registe receitas significativamente superiores no próximo ano, à medida que os fãs continuam a demonstrar o seu enorme carinho e apreço pela artista feminina mais bem-sucedida de sempre da música country.

6.º — 25 milhões de dólares (21 M€)

Bob Marley

11 de maio de 1981 (36 anos) • Causa da morte: cancro

Apenas seis meses depois da sua abertura, o espetáculo “Bob Marley: Hope Road”, no casino Mandalay Bay, em Las Vegas, entrou numa “breve pausa” em janeiro e nunca mais regressou.

O espetáculo era uma colaboração entre o património de Marley e a Primary Wave, empresa de aquisição de catálogos apoiada por capital privado que comprou uma participação maioritária no catálogo musical e nos direitos editoriais do artista em 2018.

A família manteve os direitos sobre o nome, a imagem e a identidade de Marley, transformando-os numa fonte de receitas através do licenciamento de uma grande variedade de produtos inspirados na cultura rastafári.

7.º — 24 milhões de dólares (20 M€)

Prince

21 de abril de 2016 (57 anos) • Causa da morte: overdose

Quase uma década depois da sua morte, em 2016, o património de The Purple One continua a lançar música inédita em parceria com a Primary Wave. Em agosto, foi editado o álbum “Timeless”, que alcançou o top 10 da tabela Top Album Sales da Billboard.

Entre as faixas estão uma gravação de demonstração de 1977, feita por Prince quando era adolescente, e uma gravação ao vivo de 2016, retirada da sua última digressão.

Entretanto, a propriedade Paisley Park recebeu em junho um festival de cinco dias para assinalar o 10º aniversário da morte do artista, com atuações e exposições.

8.º — 22 milhões de dólares (19 M€)

Diane Keaton

11 de outubro de 2025 (79 anos) • Causa da morte: pneumonia

Depois de uma carreira de 50 anos em Hollywood, tanto como protagonista carismática, de “Annie Hall” a “Something’s Gotta Give” (“Alguém Tem que Ceder”), como numa série de icónicos papéis maternais em filmes como “Father of the Bride” (“O Pai da Noiva”) e “The Family Stone” (“A Família Stone”), Diane Keaton morreu em outubro passado, aos 79 anos.

Este ano, o seu património vendeu por 18 milhões de dólares (15 M€) a casa de Brentwood que a atriz passou décadas a renovar e que foi tema do seu livro de 2017, “The House That Pinterest Built”.

O património estabeleceu também uma parceria com a Bonhams para leiloar roupa e objetos pessoais da atriz, incluindo um guião original de “Annie Hall”. O leilão gerou mais 4,2 milhões de dólares (3,6 M€), antes de comissões.

9.º — 18 milhões de dólares (15 M€)

John Lennon

8 de dezembro de 1980 (40 anos) • Causa da morte: homicídio

O ambicioso projeto da Sony de produzir e lançar quatro filmes sobre os Beatles em semanas consecutivas, em 2028, está atualmente em produção. Harris Dickinson, ator de “Triangle of Sadness” (“O Triângulo da Tristeza”), deverá interpretar John Lennon.

O início das filmagens principais representou mais uma fonte de receitas para os Fab Four, que gerem os seus negócios em conjunto através da sociedade holding Apple Corps Ltd.. A empresa registou este ano um aumento das receitas de licenciamento, que quase atingiram os 10 milhões de dólares (8,5 M€), face aos seis milhões de dólares (5,1 M€) do ano anterior.

10.º — 15 milhões de dólares (13 M€)

George Harrison

29 de novembro de 2001 (15 anos) • Causa da morte: cancro

O outro Beatle já falecido será interpretado no grande ecrã por Joseph Quinn, conhecido pelas séries “Stranger Things” e pelo filme “Quarteto Fantástico”.

Enquanto o vasto catálogo de composições dos Beatles de Lennon e Paul McCartney passou pelas mãos de diferentes proprietários empresariais ao longo das décadas – incluindo Michael Jackson -, a Harrisongs, a editora musical criada por Harrison em 1968, continua na posse da família, sob a gestão da mulher, Olivia, e do filho, Dhani.

O catálogo inclui êxitos como “Here Comes The Sun”, “While My Guitar Gently Weeps” e “Something”, além da carreira a solo de Harrison, composta por 12 álbuns, que passou a integrar o catálogo da sua editora Dark Horse Records a partir de 1974.

11.º — 15 milhões de dólares (13 M€)

Jimmy Buffett

1 de setembro de 2023 (76 anos) • Causa da morte: cancro

Está agendado para janeiro um julgamento sem júri no condado de Palm Beach, na Florida, para decidir se o controlo do fundo matrimonial de 275 milhões de dólares (234 M€) de Buffett deve ser retirado à viúva, Jane, ou ao gestor financeiro, Richard Mozenter. Ambos são responsáveis pela gestão do património e apresentaram ações judiciais para afastar o outro.

Em causa está uma participação de 20% no império empresarial Margaritaville e a parte de Buffett dos direitos musicais detidos através da Mailboat Records.

12.º — 14 milhões de dólares (12 M€)

Kobe Bryant

26 de janeiro de 2020 (41 anos) • Causa da morte: acidente de helicóptero

Quando Jalen Brunson conduziu os New York Knicks a um improvável título da NBA neste verão, fê-lo com as sapatilhas “Statue of Liberty” Nike Kobe 6 Protro, em vez de utilizar o seu próprio modelo.

A escolha provocou um aumento significativo das vendas das sapatilhas de Bryant, tanto no mercado primário como no secundário. A Nike continua a lançar dezenas de novas versões todos os anos, ao abrigo de um acordo de licenciamento com a família do antigo basquetebolista, renovado em 2022.

13.º — 13 milhões de dólares (11 M€)

Arnold Palmer

25 de setembro de 2016 (87 anos) • Causa da morte: doença cardiovascular

As vendas da bebida com o nome da lenda do golfe têm diminuído nos últimos anos, mas o icónico logótipo do guarda-chuva de quatro cores de Palmer continua presente em peças de vestuário da Puma e da Smathers & Branson, bem como em copos, cintos e outros acessórios de golfe.

Entretanto, o Arnold Palmer Invitational continua a ser um dos maiores torneios do calendário do PGA Tour.

Metodologia

A lista das celebridades falecidas mais bem pagas de 2026 inclui receitas antes de impostos provenientes de vendas, reproduções em streaming, acordos de licenciamento e outras fontes de rendimento entre 1 de outubro de 2025 e 30 de setembro de 2026, bem como aquisições de património realizadas ou anunciadas durante o mesmo período.

Cada celebridade foi considerada como uma entidade individual, sendo-lhe atribuídas todas as receitas que gerou, independentemente de os beneficiários do património continuarem ou não a deter ou controlar os direitos sobre as obras, o nome, a imagem e a identidade do artista. Esta metodologia representa uma alteração face à lista de 2025, que estimava os montantes efetivamente recebidos pelos beneficiários dos patrimónios.

A Forbes compila os valores com o apoio de dados da Luminate e de entrevistas a especialistas do setor. Os honorários de agentes, gestores e advogados não são deduzidos.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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