Hoje assinala-se o Dia Mundial da Poupança, data instituída em 1924, e a Fundação Francisco Manuel dos Santos fez as contas à situação financeira das famílias. Através da sua base estatística Pordata, a Fundação divulgou o estudo “Poupança, despesas e dívidas: para onde vai o dinheiro das famílias?” onde se conclui que “em Portugal, a poupança das famílias superou os 26 mil milhões de euros, em 2025, um valor superior ao registado no ano anterior, mas que, descontando o efeito da inflação, revela uma evolução negativa”.
O mesmo relatório refere que, “quase dois milhões de agregados tinham dívidas e as despesas com habitação absorviam cerca de quatro em cada 10 euros gastos pelas famílias”.
O estudo detalha que, no ano passado, as famílias residentes em Portugal pouparam 26,4 mil milhões de euros, mais 302 milhões de euros do que em 2024, correspondendo a um aumento nominal de 1,1%. No entanto, em valor real, descontando o efeito da inflação, registou-se uma diminuição de 1%. A taxa de poupança fixou-se em 12,3% do rendimento bruto em 2025, abaixo dos 12,5% registados em 2024, mas acima dos 12,1% observados em 2020, ano de pandemia em que mais de três quartos dos países da União Europeia atingiram máximos de 15 anos. “Portugal regista uma taxa de poupança abaixo da média europeia (14,3%), mas o crescimento dos anos recentes tem contribuído para a convergência”, pode ler-se no relatório.
Portugal destaca-se na União Europeia
Numa comparação entre os períodos de 2016–2020 e 2021–2025, “os dois últimos períodos de cinco anos, a poupança média das famílias em Portugal aumentou 53% em termos reais, o quinto maior crescimento entre os 27 países da União Europeia”. No conjunto da UE, 21 países registaram um aumento, com Chipre, Malta e Chéquia a apresentarem o crescimento mais expressivo. Portugal destaca-se ainda por nunca ter registado poupança negativa desde 1995, ao contrário da Bulgária, da Grécia e da Roménia, que apresentaram valores negativos nos três anos mais recentes.
De acordo com as contas da Pordata, cerca de 42% dos 4,5 milhões de agregados familiares residentes em Portugal tinham algum tipo de dívida, em 2024, o equivalente a cerca de 1,9 milhões de famílias. A proporção diminuiu cinco pontos percentuais face a 2020, devido à redução do número de agregados com empréstimos para a compra da residência principal. A hipoteca da residência principal era o tipo de dívida mais frequente, abrangendo quase uma em cada quatro famílias (24,7%). Seguiam-se os empréstimos sem garantia imobiliária, dívidas contraídas por cerca de uma em cada cinco famílias (18,7%) e as dívidas de cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários, que afetavam um em cada dez agregados (10,3%).
Os cálculos da Pordata mostram que a prevalência de dívida varia com a idade: ultrapassa metade dos agregados cujo indivíduo de referência tem menos de 35 anos (54%) e aproxima-se de dois terços entre os 35 e os 54 anos, diminuindo progressivamente a partir daí, até 8% nos agregados com 75 ou mais anos, refletindo em parte a redução das hipotecas da residência principal.
Habitação fica com maior fatia das despesas
O Inquérito às Despesas das Famílias de 2022/2023 revela ainda que cada agregado familiar gastava, em média, 23.900 euros por ano. As famílias com maiores despesas gastavam, em média, mais do dobro dos agregados com menos despesas.
A habitação (incluindo despesas associadas) representava cerca de 39% da despesa total, seguindo-se a alimentação, com quase 13%, e os transportes, com cerca de 12%. Em conjunto, estas três categorias absorviam mais de 64% dos gastos familiares. O peso das despesas essenciais era ainda maior entre as famílias com menores despesas, em que a habitação representava quase 42% do orçamento e a alimentação quase 16%. Nas famílias com maiores despesas, estes valores eram de cerca de 40% e 10%, respetivamente. A composição do orçamento familiar ajuda, assim, a compreender a margem que pode existir para poupar depois de asseguradas as despesas correntes.





