Dolores Huerta falou à Forbes sobre o seu legado e ativismo um ano antes da sua morte

Dolores Huerta, líder dos direitos civis, feminista e ativista sindical, bem como cofundadora da organização que deu origem à United Farm Workers, faleceu na passada quarta-feira aos 96 anos. Mas apenas um ano antes, a lendária organizadora concedeu uma entrevista à Forbes para falar sobre o seu legado e o seu trabalho como ativista, que…
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A ativista dos direitos civis e dos direitos laborais que inspirou o slogan "yes, we can" faleceu na passada quarta-feira, aos 96 anos, segundo informou a sua família.
Forbes Women

Dolores Huerta, líder dos direitos civis, feminista e ativista sindical, bem como cofundadora da organização que deu origem à United Farm Workers, faleceu na passada quarta-feira aos 96 anos. Mas apenas um ano antes, a lendária organizadora concedeu uma entrevista à Forbes para falar sobre o seu legado e o seu trabalho como ativista, que na altura ainda estava em curso.

A família de Huerta confirmou a sua morte numa publicação nas redes sociais na quarta-feira, e o seu porta-voz revelou posteriormente ao New York Times que ela sofria de cancro.

Huerta tinha 95 anos quando participou na Forbes Power Women’s Summit no ano passado, mas disse à editora sénior da Forbes Women, Maggie McGrath, que continuava envolvida na política e que tirava energia de “todo o trabalho que precisamos de fazer, porque sabemos que a democracia está a ser ameaçada neste momento e temos de nos mobilizar”.

Na cimeira, Huerta refletiu sobre o seu trabalho com a Feminist Majority Foundation para eleger mulheres para cargos políticos e falou com orgulho sobre o número de mulheres que agora ocupam cargos de legisladoras ou governadoras.

A entrevista teve lugar pouco depois de uma decisão do Supremo Tribunal ter permitido que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) continuasse a realizar rusgas “itinerantes” na Califórnia, que Huerta classificou como “terríveis”: “A economia tem sido devastada por estas rusgas do ICE, especialmente na Califórnia e, em particular, na comunidade latina”.

Huerta apelou a que as pessoas se envolvessem mais politicamente e defendeu a Proposta 50 da Califórnia, a iniciativa eleitoral aprovada no ano passado que redesenhou os distritos eleitorais do estado para favorecer os democratas, depois de o presidente Donald Trump ter pressionado os estados republicanos a procederem a um redesenho dos distritos a meio da década para favorecer os republicanos.

Huerta apelou também aos jovens para que se envolvessem em organizações comunitárias e aprendessem a organizar-se: “Precisamos de voluntários. Toda a gente precisa de voluntários. A minha fundação, a Fundação Dolores Huerta, está sempre à procura de voluntários para nos ajudar a fazer o trabalho árduo que precisamos de realizar”, afirmou Huerta. Ela encorajou as pessoas a oferecerem-se como voluntárias, mesmo que nunca o tivessem feito antes, acrescentando: “Assim que se envolverem, vão aprender”. Huerta afirmou ainda que esperava ser lembrada como ativista e organizadora, e que os seus descendentes seguissem o seu exemplo: “Acho que, se todos trabalharmos juntos de forma coletiva, podemos realmente tornar o mundo um lugar melhor. Basta-nos apenas fazer o trabalho”.

Huerta é provavelmente mais conhecida pelo seu trabalho de organização dos trabalhadores agrícolas migrantes, que teve início na década de 1960, e também falou com veemência sobre o tratamento dado aos trabalhadores imigrantes em 2025. “São estas as pessoas que realmente contribuem”, afirmou. “Não só estão lá fora a colher os nossos alimentos todos os dias, sob um sol escaldante e no frio cortante do inverno, a preparar a terra e a semear, a preparar os alimentos que vão alimentar os americanos, como também estão a trabalhar nas nossas casas, a cuidar dos nossos filhos, a cuidar dos jardins, a construir os nossos edifícios e, mesmo assim, tratamo-los como se fossem pessoas que realmente não importassem”. Mais tarde, ela observou que “os imigrantes contribuem não só através do trabalho que mencionei, mas também através dos impostos que pagam e do consumo que geram na economia. Por isso, perseguir as pessoas que fazem o trabalho árduo é errado”.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Rita Meireles. 

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