Entre 2016 e 2025 as exportações nominais de serviços não turísticos aumentaram 127% e ganharam peso no peso total das exportações nacionais. Esta fatia passou de 18,4%, há dez anos, para os atuais 23,5%. As empresas de investimento direto estrangeiro (IDE) tiveram um papel importante nesta evolução, explicando cerca de 70% deste crescimento. Os serviços que mais contribuíram para este aumento foram os de transporte, os outros serviços empresariais e os serviços de telecomunicações, informáticos e de informação. Estas conclusões estão presentes Boletim Económico do Banco de Portugal, referente a outubro de 2026, e a sua análise dos dados foi feita pela economista Ana Correia.
Olhando para uma série mais alargada, de três décadas, entre 1996 e 2025, o peso das exportações destes serviços no PIB aumentou de 3,1% para 10,3%, enquanto o saldo no comércio passou de um ligeiro défice para um excedente de 3,6% do PIB. De referir que as exportações portuguesas de serviços não turísticos ganharam relevância nestas últimas três décadas, contribuindo assim para uma alteração da especialização externa da economia. Assim, neste período as exportações de serviços não turísticos aumentaram a um ritmo médio anual de 8,5% nas últimas três décadas, o turismo e os bens cresceram em média 7,4% e 4,9%, respetivamente. O peso destes serviços no total das exportações de bens e serviços passou de 11,8% em 1996 para 23,5% em 2025, ultrapassando o peso do turismo.
Os dados do Banco de Portugal mostram que a percentagem de empresas exportadoras de serviços não turísticos com participação de IDE aumentou de 27% em 2016 para 36% em 2025.
Em 2025, a estrutura das exportações portuguesas de serviços não turísticos distingue-se, pelo maior peso dos serviços de transportes quando comparado com a média de União Europeia (UE), tal como o peso dos outros serviços empresariais. No sentido oposto, os serviços de telecomunicações, informáticos e de informação, os serviços financeiros e os direitos de propriedade intelectual são mais relevantes nas exportações da UE do que nas portuguesas.
Além disso, estas exportações estão fortemente concentradas num número reduzido de empresas: entre 2016 a 2025, metade das exportações de serviços não turísticos foram realizadas, em média, por apenas 1,1% das empresas exportadoras, correspondendo a 94 empresas. As quatro maiores exportadoras detinham, em 2025, um peso de 20,1% no total das exportações, enquanto o peso das 20 maiores exportadoras era de 33,8%.
Olhando para o papel das empresas objecto de IDE – entidades residentes em que pelo menos 10% dos direitos de votos são detidos por entidades não residentes, conferindo controlo ou influência significativa sobre a empresa residente em Portugal -, este foi importante para esta evolução significativa das exportações. Segundo a análise do boletim, a entrada de IDE pode traduzir-se num maior crescimento das empresas recetoras destes fundos e pode proporcionar acesso a tecnologias e práticas de gestão mais eficientes. Ou seja, segundo o research do Banco de Portugal, a participação de uma empresa multinacional facilita a integração em cadeias de valor globais e o acesso às redes comerciais e logísticas do investidor, reduzindo os custos fixos associados à entrada em novos mercados. Ora, estes mecanismos poderão induzir ganhos de produtividade, aumento da capacidade produtiva e expansão das exportações.
Os dados do Banco de Portugal mostram que a percentagem de empresas exportadoras de serviços não turísticos com participação de IDE aumentou de 27% em 2016 para 36% em 2025. Em termos de valor exportado, as percentagens são ainda superiores: 41% em 2016 e 58% em 2025. Nos principais subsetores, o peso das exportações das empresas com participação de IDE aumentou de forma mais notória nos serviços de telecomunicações, informáticos e de informação, situando-se em 85% em 2025, e nos outros serviços empresariais, que foi de 73%.





