O navio da Marinha Indiana Trishul, uma fragata furtiva lança-mísseis de primeira linha, fará escala em Lisboa de 18 a 22 de outubro de 2026, no âmbito do seu destacamento prolongado no Mediterrâneo e no Atlântico. Aumentado ao efetivo da Marinha Indiana em 2003, o navio dispõe de armamento e sensores avançados e de um helicóptero multimissão, e soma um historial de operações de combate à pirataria e de segurança marítima.
A tripulação irá realizar visitas de cortesia a altos responsáveis portugueses e participar noutros intercâmbios profissionais. Está igualmente prevista, durante a visita, a realização de um exercício de passagem (PASSEX) com a fragata portuguesa NRP Álvares Cabral e uma receção a bordo a personalidades portuguesas, a membros do corpo diplomático e à diáspora indiana.
Uma escala é um dos instrumentos mais visíveis da diplomacia naval. Leva um navio de guerra — e, com ele, a bandeira do país — ao porto de um parceiro, gerando uma confiança que os documentos, por si só, não conseguem criar. As visitas permitem também que as duas marinhas conheçam os equipamentos e os procedimentos uma da outra, o que favorece a interoperabilidade. Estas também funcionam como embaixadas itinerantes, transmitindo mensagens de confiança e boa vontade.
A Índia e Portugal partilham mais de cinco séculos de história marítima. Esta visita surge na sequência da visita do INS Sudarshini, navio-escola à vela da Marinha Indiana, concluiu em agosto de 2026 uma escala de três dias em Lisboa. Realizaram ainda um PASSEX com o navio-escola português NRP Sagres. A visita do Trishul vem aprofundar esse intercâmbio, centrado na formação, acrescentando-lhe a participação de um navio de guerra operacional. Portugal contribui com a sua posição atlântica, uma longa tradição naval, a pertença à NATO e à UE e competências industriais especializadas. A Índia contribui com a sua escala, a competitividade dos seus custos e um interesse crescente pela exportação, sendo também uma grande potência marítima com uma indústria naval e de defesa em expansão. Importa, pois, que ambos dialoguem.
A visita demonstra igualmente a presença crescente da Índia como marinha oceânica e o seu interesse em estabelecer parcerias para lá do oceano Índico, na linha da visão marítima indiana «MAHASAGAR» (Progresso Mútuo e Holístico para a Segurança e o Crescimento entre Regiões). Visitas de meios de primeira linha como o INS Trishul contribuem decisivamente para reforçar o compromisso comum com uma ordem marítima baseada em regras, com linhas de comunicação marítimas (SLOC) livres e com a liberdade de navegação.
Ao conjugar capacidades de hard power com diplomacia pública e o estreitamento de redes na indústria de defesa, as visitas de navios continuam a ser uma pedra angular da expansão das relações de defesa da Índia no Mediterrâneo, no Atlântico e nos espaços comuns globais.
Numa altura em que Nova Deli alarga a sua presença global no domínio da defesa e Lisboa reforça os seus laços estratégicos para além dos enquadramentos tradicionais, a parceria entre a Índia e Portugal destaca-se como um exemplo de cooperação inter-regional em matéria de segurança, alicerçada em valores democráticos partilhados, em interesses marítimos comuns e no empenho conjunto em reforçar ainda mais as relações bilaterais entre a Índia e Portugal.
Puneet R. Kundal,
Embaixador da Índia em Portugal





