Ásia-Pacífico deverá manter liderança do crescimento económico mundial

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou hoje que, apesar de as economias da Ásia-Pacífico continuarem vulneráveis a choques energéticos e a um agravamento das tensões geopolíticas, a região continuará a liderar o crescimento mundial nos próximos anos. Na apresentação das perspetivas económicas regionais, o diretor do Departamento Ásia-Pacífico do FMI, Krishna Srinivasan, afirmou que a…
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que, apesar de as economias da Ásia-Pacífico continuarem vulneráveis a choques energéticos e a um agravamento das tensões geopolíticas, a região continuará a liderar o crescimento mundial nos próximos anos.
Economia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou hoje que, apesar de as economias da Ásia-Pacífico continuarem vulneráveis a choques energéticos e a um agravamento das tensões geopolíticas, a região continuará a liderar o crescimento mundial nos próximos anos.

Na apresentação das perspetivas económicas regionais, o diretor do Departamento Ásia-Pacífico do FMI, Krishna Srinivasan, afirmou que a evolução recente da região tem sido moldada por três fatores principais: os choques energéticos iniciados em fevereiro, o forte investimento associado ao setor tecnológico e da inteligência artificial (IA) e os impactos das tensões comerciais e aumentos tarifários registados em 2025.

“A região depende fortemente de energia e grande parte dessa energia é importada do Médio Oriente”, afirmou Srinivasan, numa conferência de imprensa durante as Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial em Banguecoque.

Segundo o responsável, a intensidade energética da Ásia-Pacífico equivale a cerca de 4% do PIB, aproximadamente o dobro da registada na União Europeia. A intensidade energética é um indicador que mede a quantidade de energia necessária para gerar uma unidade de valor económico (como o produto interno bruto).

“Uma grande parte da energia é importada e isso exerce pressão tanto sobre a inflação como sobre o potencial de crescimento”, afirmou.

Apesar dessa vulnerabilidade, Srinivasan considerou que as economias asiáticas responderam de forma eficaz ao choque energético. “Os países da região adaptaram-se muito bem. Muitos recorreram mais às energias renováveis, reduziram inventários e implementaram políticas para proteger as populações”, disse.

O responsável apontou os casos da China, Coreia do Sul e Japão, que utilizaram reservas energéticas para atenuar o impacto da subida dos preços.

“A questão é saber até que ponto conseguem continuar a adaptar-se”, afirmou. “Há muito potencial para avançar nas energias renováveis, mas existem limites para continuar a reduzir inventários”, disse.

Srinivasan advertiu que, caso esses países regressem em força aos mercados internacionais para reconstituir reservas, poderão exercer nova pressão sobre os preços da energia.

“Se este choque energético continuar durante mais tempo, vai afetar muito mais os países asiáticos”, afirmou, acrescentando que este é um dos principais riscos negativos identificados pelo FMI.

“Na ASEAN, por exemplo, a intensidade energética ronda 7% do PIB. É um valor muito elevado e alguns países são particularmente vulneráveis”, afirmou.

O Fundo prevê que o crescimento da Ásia desacelere de 5% em 2025 para 4,8% em 2026 e 4,4% em 2027, continuando ainda assim acima da média mundial e representando cerca de 68% do crescimento global.

Segundo Srinivasan, uma das principais razões para esse desempenho é o ciclo tecnológico impulsionado pela inteligência artificial. “A procura de infraestruturas de IA levou a um forte aumento da procura de semicondutores e ao investimento em centros de dados”, afirmou.

O responsável acrescentou que o comércio regional também tem resistido melhor do que o esperado aos efeitos das tarifas impostas pela administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, “apoiado pela diversificação dos mercados de exportação e pela solidez das trocas intrarregionais”.

Ainda assim, alertou para riscos significativos, incluindo uma eventual escalada das tensões no Médio Oriente, custos de financiamento mais elevados, vulnerabilidades orçamentais e os impactos do fenómeno El Niño.

O FMI identificou ainda quatro prioridades estruturais para a região: reduzir o desemprego jovem e os desajustamentos de competências num contexto de expansão da IA, reforçar a proteção social, aumentar a segurança energética através da diversificação e das energias renováveis e aprofundar a integração económica regional.

No plano das políticas económicas, Srinivasan defendeu que os governos devem privilegiar apoios direcionados.

“O princípio deve ser proteger as pessoas e não os preços”, afirmou.

Nelson Moura/Lusa

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