As crises económicas, nomeadamente com a pandemia e as guerras, têm vindo a suceder-se e mantêm os preços dos produtos, especialmente os de primeira necessidade, em patamares elevados, alertou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).
“Observamos que os preços dos produtos de primeira necessidade, em relação aos de outros bens, continuam a subir (…) e permanecem elevados por um período prolongado”, aponta o FMI numa publicação no blog que acompanha o lançamento de um novo relatório.
“Os consumidores enfrentam, assim, não apenas uma subida temporária nos preços de alimentos e energia, mas também uma deterioração duradoura na acessibilidade financeira aos produtos de primeira necessidade em comparação com outros bens”, acrescenta a instituição.
A pandemia de Covid-19 perturbou a maioria das cadeias de fornecimento, enquanto a guerra na Ucrânia afetou, sobretudo, a produção e a circulação de alimentos e hidrocarbonetos. O conflito no Médio Oriente provocou uma nova disparada nos preços de energia e fertilizantes, estes últimos geralmente derivados do petróleo.
Em todo o mundo, as famílias têm enfrentado a subida do custo de vida, com os salários a apresentar dificuldade em acompanhar esse ritmo.
As famílias de menores rendimentos, para as quais os produtos de primeira necessidade representam, comparativamente, uma fatia maior das despesas mensais, sofrem de forma desproporcional esse impacto.
Consequentemente, tal evolução tem um impacto “considerável” no agravamento da pobreza e das desigualdades de renda, avaliou o Fundo.
A guerra no Irão, iniciada em fevereiro passado, deve elevar a inflação global para 4,7% este ano, segundo cálculos da instituição sediada em Washington (leste dos Estados Unidos), em comparação com 4,1% em 2025.
O FMI deve publicar uma atualização dos seus dados sobre o aumento de preços e o crescimento na próxima semana.
A instituição já alertou que as consequências dos “choques de oferta” se prolongam no tempo e que a trajetória dos preços “poderia complicar” a tarefa dos bancos centrais.
As principais instituições monetárias globais optaram recentemente por elevar suas taxas básicas de juros para conter a inflação. No entanto, tal medida também tende a desacelerar a atividade económica, e encontrar o equilíbrio pode ser difícil, especialmente para os países em desenvolvimento.
O Fundo recomendou aos países que priorizem “transferências de ajuda direcionadas e temporárias” em vez de subsídios generalizados. Contudo, devido aos seus níveis de endividamento, alguns países não dispõem da margem de manobra necessária para implementar essas medidas de apoio.
Lusa





