Cabo Verde promove economia azul e verde para dar alternativas às famílias

Cabo Verde lançou um projeto de cerca de 36 milhões de euros para proteger os recursos naturais e criar oportunidades de rendimento para as comunidades de quatro ilhas, através da agricultura, pesca e turismo sustentáveis e acesso a financiamento. "Na prática, isto significa investir na conservação do solo e da água, na transição agroecológica, na…
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Com o objectivo de proteger os recursos naturais e criar oportunidades de rendimento para as comunidades de quatro ilhas, Cabo Verde lança projeto de 36 milhões de euros
Economia

Cabo Verde lançou um projeto de cerca de 36 milhões de euros para proteger os recursos naturais e criar oportunidades de rendimento para as comunidades de quatro ilhas, através da agricultura, pesca e turismo sustentáveis e acesso a financiamento. “Na prática, isto significa investir na conservação do solo e da água, na transição agroecológica, na co-gestão pesqueira, na recuperação do habitat e na valorização dos serviços dos ecossistemas”, explicou a responsável do programa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Kátia Neves.

A economia azul tem por princípio usar recursos marinhos e costeiros para gerar emprego e rendimento, preservando os ecossistemas, segundo o Banco Mundial, enquanto a economia verde procura melhorar o bem-estar social, reduzindo os riscos ambientais e utilizando os recursos de forma mais eficiente, segundo o Programa das Nações Unidas para o Ambiente. O projeto “Acelerar a transição de Cabo Verde para a economia azul e verde” terá uma duração de cinco anos, é financiado pelo Fundo Global para o Ambiente (GEF), implementado pela FAO e executado pelo Ministério do Ambiente, Ação Climática e Energia, através da Direção Nacional do Ambiente.

As ações abrangem áreas marinhas, costeiras e terrestres, incluindo áreas protegidas e parques naturais, e vão apoiar a agricultura e a pesca sustentáveis, o turismo de natureza e o acesso a financiamento. Segundo Kátia Neves, a iniciativa pretende conciliar a conservação da biodiversidade com o desenvolvimento económico, através do uso sustentável dos recursos naturais e do reforço das cadeias de valor da agricultura, das pescas e do turismo comunitário.

O projeto prevê ainda mecanismos de financiamento para facilitar o acesso de produtores, associações comunitárias e pequenas e médias empresas a investimentos ligados à economia azul e verde. Estão também previstas medidas para reforçar os mecanismos nacionais de financiamento climático e ambiental e capacitar instituições de microfinanças, de forma a assegurar a continuidade das iniciativas apoiadas depois dos cinco anos de duração do projeto.

As ações abrangem áreas marinhas, costeiras e terrestres, incluindo áreas protegidas e parques naturais, e vão apoiar a agricultura e a pesca sustentáveis, o turismo de natureza e o acesso a financiamento.

O ministro do Ambiente, Ação Climática e Energia, Carlos Varela, afirmou que a iniciativa deve contribuir para melhorar as condições de vida das famílias que dependem dos recursos naturais. “Vamos conjugar essas intervenções para que, efetivamente, façamos uma gestão sustentável e promoção de atividades económicas também sustentáveis”, disse. Entre os beneficiários estão pescadores, mulheres que comercializam pescado e outras comunidades que dependem dos recursos marinhos e terrestres para a sua subsistência.

Carlos Varela anunciou também que o Governo está a preparar um programa nacional para reduzir a apanha de areia e criar alternativas de rendimento para as famílias que dependem da venda deste material ao setor da construção. O ministro defendeu que a redução da apanha de areia deve ser acompanhada por alternativas económicas e pela identificação de áreas onde a exploração possa ser feita de forma controlada.

“O nosso objetivo é, efetivamente, tentar condicionar de forma efetiva a apanha de areia”, afirmou, considerando irreversíveis os impactos ambientais provocados por essa atividade. A retirada de areia das praias e zonas costeiras favorece a erosão e pode provocar perda de habitats, ao reduzir a quantidade de sedimentos que protege naturalmente a costa. O Governo pretende ainda aumentar a produção de areia a partir da britagem de rocha e criar condições para atrair investimento privado para o setor.

“É claro que isto exige um envolvimento em termos de produção de areia mecânica”, disse Carlos Varela, acrescentando que o objetivo é envolver também as famílias que dependem atualmente da apanha de areia. O projeto deverá servir, nesta primeira fase, como modelo de intervenção nas quatro ilhas abrangidas, podendo depois ser alargado às restantes ilhas de Cabo Verde.

(Com Lusa) 

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