Papa Leão XIV diz que receios sobre segurança da IA não são “fake news” e critica CEO da Nvidia

Ao falar com jornalistas a bordo do avião papal, durante a partida de França na segunda-feira, Leão XIV afirmou acreditar que as preocupações manifestadas por muitos especialistas e investigadores de inteligência artificial “devem ser levadas a sério”. O Papa acrescentou que não considera que estas preocupações sejam “fake news, como alguns disseram”, com o objetivo…
ebenhack/AP
O Papa Leão XIV afirmou que os alertas de investigadores sobre os riscos da inteligência artificial devem ser levados a sério, contrariando a posição do Presidente norte-americano Donald Trump e criticando Jensen Huang, CEO multimilionário da Nvidia, pelas suas declarações contra novas limitações ou regulamentação da IA.
Líderes

Ao falar com jornalistas a bordo do avião papal, durante a partida de França na segunda-feira, Leão XIV afirmou acreditar que as preocupações manifestadas por muitos especialistas e investigadores de inteligência artificial “devem ser levadas a sério”.

O Papa acrescentou que não considera que estas preocupações sejam “fake news, como alguns disseram”, com o objetivo de obter benefícios financeiros ou outros tipos de vantagens.

Leão XIV sublinhou, contudo, que não está em “modo de pânico” perante esta questão e acrescentou: “Durmo à noite.”

O Papa defendeu a necessidade de reunir líderes políticos, executivos de empresas de inteligência artificial e responsáveis de organizações sociais para analisar “o que já está a acontecer e o que poderá acontecer mais à frente”.

A Igreja Católica, afirmou, está a procurar continuar a promover o “diálogo, estudo, investigação” para garantir que a inteligência artificial não chegue a um ponto em que possa destruir a humanidade. Acrescentou: “Estou relativamente otimista de que isso possa acontecer.”

O Papa não mencionou Trump diretamente nas suas declarações, mas a sua posição contrasta com a do Presidente norte-americano, que rejeitou as preocupações relacionadas com a segurança da IA, classificando-as como uma “FRAUDE” (HOAX) e uma “conspiração DOENTIA”.

O que disse o Papa sobre o CEO multimilionário da Nvidia?

Leão XIV também mencionou o lançamento, pela Nvidia, de um novo sistema de segurança anunciado na segunda-feira. A empresa afirma que a tecnologia pode impedir agentes de inteligência artificial de ultrapassarem os ambientes de teste e obterem acesso não autorizado a sistemas externos, como aconteceu no ataque à OpenAI através da plataforma Hugging Face no início deste ano.

O Papa, contudo, criticou depois o CEO do fabricante de chips, Jensen Huang, afirmando: “É o mesmo que… diz que não devem ser colocados limites e que não deve haver regulamentação governamental, etc., etc.”

O que disse Jensen Huang sobre a regulamentação da segurança da IA?

No início deste mês, Huang rejeitou fortemente os apelos a um abrandamento coordenado do desenvolvimento da inteligência artificial de fronteira e a uma maior regulamentação governamental da IA, perante os receios relacionados com a segurança.

Durante o evento anual Dreamforce, da Salesforce, Huang afirmou que a escolha entre segurança e velocidade no desenvolvimento da IA era uma “falsa” dicotomia e que “é perfeitamente possível ter as duas coisas ao mesmo tempo”.

De seguida, defendeu: “Não precisamos de novas leis — não precisamos de novas regulamentações.”

O multimilionário também recebeu uma chamada em direto de Trump durante a All-In Summit, em São Francisco. Na ocasião, o Presidente norte-americano afirmou que as pessoas que se opõem à inteligência artificial e à construção de centros de dados estavam a “jogar diretamente nas mãos” dos céticos e da China, declarando: “Não vamos deixar que isso aconteça.” Huang respondeu: “Tem razão. Não vamos deixar que isso aconteça, senhor.”

O contexto

Em maio, o Papa publicou a sua primeira encíclica, na qual alertou que o esforço para expandir a utilização da inteligência artificial, a automação em larga escala e os avanços tecnológicos está a ser usado para construir uma moderna “Torre de Babel”, refletindo um mundo marcado pela ganância, pela imoralidade e pela falta de respeito pela vida humana.

O manifesto papal considerou desejável que a IA liberte os seres humanos de “tarefas árduas, repetitivas ou perigosas” e forneça “apoio inteligente”. Mas defendeu que a “procura de lucro” não deve conduzir a decisões que “sacrifiquem sistematicamente empregos”.

A encíclica criticou também a utilização de inteligência artificial em sistemas de armas autónomas, que poderiam tornar a “guerra mais ‘viável’ e menos sujeita ao controlo humano”.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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