“Queremos ser uma marca de confiança”: CEO da Geely Europa revela estratégia para Portugal

A Geely acaba de iniciar a sua operação comercial em Portugal, num mercado onde encontra já uma presença significativa de outras marcas chinesas. Para Aiden He, a prioridade passa agora por crescer de forma gradual: "Somos muito novos neste mercado. Acabámos de lançar a marca e temos apenas seis meses de atividade. Por isso, queremos avançar…
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Aiden He, CEO da Geely Brand Europe, afirma que a marca chinesa tem grandes ambições para Portugal, mas começa por estabelecer uma meta concreta: atingir 1% de quota de mercado. Recém-chegada ao país pela mão da Salvador Caetano, a Geely quer avançar passo a passo, conquistar confiança num mercado onde a concorrência chinesa já ganhou espaço, mas que o responsável considera estratégico para a expansão europeia da marca.
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A Geely acaba de iniciar a sua operação comercial em Portugal, num mercado onde encontra já uma presença significativa de outras marcas chinesas. Para Aiden He, a prioridade passa agora por crescer de forma gradual: “Somos muito novos neste mercado. Acabámos de lançar a marca e temos apenas seis meses de atividade. Por isso, queremos avançar passo a passo”, explica.

O primeiro objetivo está definido: 1% de quota de mercado, o que significará estar a vender cerca de 2000 veículos num ano. “Precisamos primeiro de garantir a nossa presença e sobreviver neste mercado. Depois, queremos aproximar-nos dos principais players”, afirma o responsável.

Aiden He, CEO da Geely Brand Europe

Aiden He aponta como referência marcas como a MG e a BYD, que vendem, cada uma, em média na casa de 5.000 unidades por ano (em 2025, a BYD matriculou 6.059 veículos em Portugal, enquanto a MG comercializou 4.074 unidades): “Penso que esse é um objetivo que podemos estabelecer para nós próprios. Mas, novamente, para garantir a nossa presença, precisamos primeiro de atingir 1% e depois, passo a passo, aproximarmo-nos dos restantes players.”

“Portugal é um mercado importante na expansão europeia da Geely”, assume Aiden He, acrescentando que “a parceria com a Salvador Caetano permite-nos aliar a nossa capacidade de desenvolvimento tecnológico e industrial a um conhecimento profundo do mercado local, aproximando os nossos veículos de um número crescente de consumidores”.

“Queremos ser uma marca de confiança”

Para uma marca que acaba de chegar a Portugal, conquistar a confiança dos consumidores será uma das principais prioridades. “Em primeiro lugar, queremos que os clientes nos vejam como uma marca local e, acima de tudo, como uma marca de confiança”, afirma Aiden He. A segurança surge como uma das palavras-chave da estratégia da marca, mas o objetivo é também criar uma relação de proximidade com os consumidores. “Queremos que o nosso automóvel seja associado à confiança. Queremos que seja visto como um amigo.”

Aiden He, CEO da Geely Brand Europe

A estratégia passa igualmente por prestar bons níveis de serviço, que se traduzem em particular na assistência e disponibilidade de peças. Para Aiden He, contudo, a confiança será conquistada sobretudo através da experiência de utilização dos seus automóveis. “À primeira vista, tudo pode parecer bom. Mas é preciso utilizar o carro todos os dias. É isso que vai demonstrar se os nossos automóveis têm a qualidade e a inteligência necessárias para conquistar a confiança dos clientes.”

Portugal estava identificado

A Geely refere que acompanha o mercado português há cerca de uma década e identifica no ritmo de eletrificação uma das razões fundamentais para a entrada no país: “Portugal é um mercado realmente importante para nós. Há cerca de dez anos comecei a olhar para este mercado”, revela Aiden He que destaca a evolução dos veículos elétricos e dos híbridos plug-in, considerando que Portugal apresenta características particularmente adequadas ao atual portefólio da marca: “Portugal é um mercado que quer eletrificar-se e está a fazê-lo de forma muito eficiente”, considera, acrescentando que a taxa de eletrificação e a procura por híbridos plug-in fazem com que os produtos da Geely estejam “muito bem alinhados com as necessidades do mercado”.

A parceria com a Salvador Caetano – volta a destacar Aiden He – assume também, neste contexto, um papel central na estratégia de entrada no país. Para a Geely, trata-se de combinar a experiência industrial e tecnológica do grupo chinês com o conhecimento que o parceiro português tem do mercado nacional.

Da Volvo à Mercedes-Benz

A entrada direta da Geely no mercado europeu acontece depois de duas décadas de envolvimento com a indústria automóvel do continente. O grupo fornece tecnologia a fabricantes como a Volvo, a Smart e a Mercedes-Benz e mantém uma joint-venture com a Renault, a Horse, dedicada às tecnologias de propulsão. Agora, a estratégia passa por levar parte desse conhecimento para o mercado de massas através da própria marca: “A nossa visão agora é que não podemos limitar estas tecnologias aos segmentos premium. Queremos também disponibilizá-las ao mercado de massas”, explica Aiden He.

A empresa, que já possui produção através de uma joint venture em Espanha (em Almussafes, Valência), admite continuar a aprofundar a sua integração industrial no continente: “Neste momento, vamos começar pelas joint ventures”, afirma o responsável. A filosofia passa por trabalhar com parceiros locais e continuar a aprender com os mercados europeus. “Apesar de estarmos na Europa há 20 anos, continuamos a ser estudantes.”

Na área das baterias, a Geely está a analisar a regulamentação europeia e a trabalhar com fornecedores e parceiros: “Precisamos de falar com empresas como a CATL e outros fornecedores para perceber se podem trazer a produção de baterias para a Europa e onde essa produção poderá ser instalada”, explica.

Elétrico não é a única resposta

Apesar da forte aposta na eletrificação, a Geely não pretende colocar todas as suas fichas no automóvel 100% elétrico: “Não penso que os veículos elétricos sejam a única resposta”, afirma o CEO da Geely Brand Europe: “Se os clientes procuram produtos diferentes, queremos ser capazes de os disponibilizar.”

O grupo trabalha com diferentes tecnologias de propulsão, incluindo elétricos, híbridos plug-in, motores de combustão, hidrogénio e soluções baseadas em etanol. Ainda assim, a empresa admite que a importância dos motores de combustão interna (gasolina e Diesel) deverá diminuir progressivamente. “Talvez venhamos simplesmente a reduzir a percentagem de veículos com motores de combustão interna”, acrescenta.

Com a Salvador Caetano como parceiro em Portugal, uma gama que vai crescer rapidamente e uma estratégia europeia que combina diferentes tecnologias de propulsão e produção europeia, a Geely inicia agora a sua corrida pelo mercado português. O primeiro passo está definido: 1% de quota. Depois, o objetivo é subir, degrau a degrau, para colocar a marca no topo.

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