AICEP abre escritório para apoiar negócios entre empresas lusas e venezuelanas

A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), vai abrir em breve um escritório comercial junto da embaixada lusa em Caracas para servir de apoio a negócios entre empresas portuguesas e venezuelanas. O anúncio foi feito em Caracas pelo assessor do Conselho da Administração da AICEP, João Mota Pinto, no âmbito de…
ebenhack/AP
A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), vai abrir em breve um escritório comercial junto da embaixada lusa em Caracas para servir de apoio a negócios entre empresas portuguesas e venezuelanas.
Negócios

A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), vai abrir em breve um escritório comercial junto da embaixada lusa em Caracas para servir de apoio a negócios entre empresas portuguesas e venezuelanas.

O anúncio foi feito em Caracas pelo assessor do Conselho da Administração da AICEP, João Mota Pinto, no âmbito de uma visita de uma semana à Venezuela.

“Vim à Venezuela com uma missão dupla. A primeira missão é inteirar-me das condições económicas da Venezuela, porque a nossa agência vai abrir um escritório comercial junto da embaixada [de Portugal], para que possamos apoiar as empresas portuguesas, a fazer um negócio com empresas venezuelanas e fazer negócios na Venezuela”, disse à Lusa.

João Mota Pinto precisou que a segunda missão da deslocação, foi preparar a visita do ministro de Economia, Manuel Castro Almeida, a Caracas, em finais de outubro, durante a qual se fará acompanhar com representantes de empresas portuguesas.

“Para mim tem sido uma surpresa muito positiva, o que tenho encontrado na Venezuela. É um país, obviamente, que está em mudança. É um país que ainda tem grandes desafios, mas que, acima de tudo, tem imensas oportunidades para as empresas portuguesas”, disse o assessor.

No entanto, Mota Pinto frisou que “é preciso é entrar no mercado com alguma cautela, com alguns cuidados, dar passos seguros, mas é um mercado que tem um potencial enorme e que para as empresas que possam e saibam navegar bem o mercado, poderão ter muito sucesso”.

Sobre as áreas em que identificou oportunidades, o assessor referiu que “é um espetro muito grande de oportunidades” desde “a área de construção, da parte de toda a maquinaria, de máquinas, para a indústria, da parte alimentar, até da parte de alguns serviços ligados à energia elétrica”.

“Pensamos que existem muitas oportunidades, mas que não se ficam por aí.  Existem em todos os setores com quem falamos e existem oportunidades na Venezuela”, disse Mota Pinto.

O assessor confirmou que os luso-venezuelanos poderiam também aproveitar essas oportunidades: “O nosso objetivo com esta visita é trazer empresas portuguesas que possam fazer parcerias com empresas locais de forma a entrar no mercado”.

João Mota Pinto frisou ainda que sentiu uma enorme esperança em todas as pessoas e instituições com que tem falado.

“A Venezuela é um país que está em profundas mudanças, mas acima de tudo, há muita esperança e as pessoas olham com uma nova esperança para este país, que o futuro vai ser risonho e vai crescer muito”, concluiu o assessor.

Ministro da Economia português visita Venezuela em outubro

O ministro de Economia de Portugal, Manuel Castro Almeida, prevê visitar a Venezuela no final de outubro, anunciou o embaixador luso na Venezuela, Manuel Frederico Pinheiro da Silva.

“Está-se a programar essa visita, de uma forma muito avançada. O plano é realmente esse. É que, em finais de outubro, o senhor ministro, provavelmente também o seu secretário de Estado das comunidades [Emídio Sousa], e uma delegação empresarial (…), virão à Venezuela, para contactos com o tecido empresarial, com as autoridades da Venezuela, mas também com o empresariado português e luso-venezuelano”, disse o diplomata, sem precisar a data exata em que decorrerá a visita.

Pinheiro da Silva falava à Lusa em Caracas, na residência oficial da Embaixada de Portugal, durante um encontro com empresários, em que esteve presente também o assessor da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), João Mota Pinto.

O diplomata recordou que o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, já esteve duas vezes na Venezuela, depois da operação militar norte-americana que em 03 de janeiro levou à captura do presidente Nicolás Maduro, em Caracas, afastando-o do poder.

“Portugal continua a ser o único país da União Europeia que até à data depois dos acontecimentos de janeiro deste ano, enviou membros do seu governo a este país para dialogar, para encorajar reformas, para encorajar, portanto, a marcha que está em curso, para patamares mais elevados de estado direito, de democracia, de respeito pelos humanos, de inclusão dos venezuelanos no debate e na discussão do futuro do seu país”, disse o embaixador.

E Pinheiro da Silva sublinhou ser “esse o conceito base” das visitas.

“Também manter um contacto permanente com a nossa comunidade, que está sempre na primeira linha de todas as nossas perspetivas e, portanto, Portugal continua a diferenciar-se por ter tido, de facto, esse reflexo, que muito nos orgulha porque julgamos que é um contributo válido para encorajar as autoridades da Venezuela, a progredir nesse caminho que já está em marcha, da democratização, de inclusão e de democracia”, disse o diplomata.

Na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, garantiu que Portugal estará disponível para “construir pontes” e “contribuir para uma Venezuela mais estável” durante o seu mandato no Conselho de Segurança das Nações Unidos.

A posição foi transmitida após o encontro de Rangel com o homólogo venezuelano, Félix Plasencia, à margem da Assembleia Geral da ONU, que realiza esta semana a 81.ª edição em Nova Iorque.

Numa nota na rede social X, a diplomacia portuguesa considerou o encontro importante, sublinhando “uma relação com uma dimensão humana única, marcada pela forte comunidade luso-venezuelana que Portugal continuará a acompanhar de perto”.

“Manter abertos os canais de diálogo é essencial. Também no próximo mandato no CSNU [Conselho de Segurança das Nações Unidas], Portugal continuará disponível para construir pontes, promover o diálogo e contribuir para uma Venezuela mais estável, democrática e próspera”, pode ler-se.

Lusa

Mais Artigos