Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 17,6% entre janeiro e julho, face ao mesmo período de 2025, apesar de terem abrandado em relação ao primeiro semestre. Segundo dados do Gabinete Nacional de Estatística chinês (NBS, na sigla em inglês), os lucros destas empresas atingiram cerca de 4,58 biliões de yuan (584,7 mil milhões de euros) nos primeiros sete meses de 2026.
Apesar do abrandamento, o resultado ficou significativamente acima da previsão do portal especializado Trading Economics, que antecipava uma desaceleração mais acentuada, para 16%. Para elaborar esta estatística, o GNE considera apenas empresas industriais com uma faturação anual superior a 20 milhões de yuan (cerca de 2,5 milhões de euros).
Em 2025, os lucros das empresas industriais chinesas registaram a primeira evolução positiva em quatro anos, com uma subida de 0,6%, após três anos consecutivos de quedas. Os lucros recuaram 2% em 2022, 2,3% em 2023 e 3,3% em 2024.
Só em julho, os lucros destas empresas aumentaram 11,2%, em termos homólogos. O estatístico do GNE Yu Weining destacou o setor da eletrónica, cujos lucros mais do que duplicaram face ao período homólogo, graças à expansão da inteligência artificial (IA) e à crescente procura por sistemas de computação, que fez subir os preços e aumentou “rapidamente” os resultados das empresas.
Dos 17,6% de crescimento do indicador global, mais de metade – 9,3 pontos percentuais – deveu-se ao setor da eletrónica, onde alguns segmentos, como o dos semicondutores, multiplicaram os lucros por mais de 18 vezes.
Yu destacou também o “papel de liderança” da indústria transformadora de alta tecnologia e de setores ligados às matérias-primas, como o dos metais não ferrosos, cujos lucros aumentaram 91,8%, impulsionados pela subida dos preços do alumínio na sequência da guerra no Médio Oriente.
O responsável não mencionou, contudo, a situação da indústria automóvel, envolvida numa prolongada guerra de preços devido aos problemas de procura no mercado interno, que levou a uma queda de 20,4% dos lucros do setor.
Na análise dos dados, Yu reconheceu, porém, as “contradições proeminentes entre uma oferta forte e uma procura fraca no mercado interno” e apontou ainda outros fatores de risco, incluindo uma conjuntura internacional “complexa e grave”.
Em 2025, os lucros das empresas industriais chinesas registaram a primeira evolução positiva em quatro anos, com uma subida de 0,6%, após três anos consecutivos de quedas. Os lucros recuaram 2% em 2022, 2,3% em 2023 e 3,3% em 2024.
(Lusa)





