Ouro recupera e atinge máximo de dois meses após um verão de pouca movimentação

O ouro voltou a ganhar força nos mercados internacionais. O preço do metal precioso atingiu $4.557,60 (€3.900), o valor mais elevado desde 4 de junho, depois de uma subida superior a 3% que interrompe um verão marcado por uma evolução relativamente estagnada. A recuperação surge depois de o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar,…
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O preço do ouro acelerou esta semana e atingiu o nível mais elevado desde junho, impulsionado pelo enfraquecimento do dólar e por novas medidas de liquidez anunciadas pelo Tesouro norte-americano.
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O ouro voltou a ganhar força nos mercados internacionais. O preço do metal precioso atingiu $4.557,60 (€3.900), o valor mais elevado desde 4 de junho, depois de uma subida superior a 3% que interrompe um verão marcado por uma evolução relativamente estagnada.

A recuperação surge depois de o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar, na quarta-feira, que iria duplicar a dimensão das operações de recompra destinadas a apoiar a liquidez de títulos com maturidades entre 10 e 30 anos.

Para alguns analistas, a medida ajudou a dar novo impulso ao mercado do ouro.

Numa nota citada pela Reuters, a TD Securities afirmou que o anúncio do Tesouro deu aos metais preciosos um “novo impulso”, antecipando que o investimento em ouro poderá regressar rapidamente num contexto de maior apoio à liquidez, de uma Reserva Federal disposta a não reagir imediatamente a um choque energético e de crescentes preocupações com um cenário de estagflação.

Dólar mais fraco também favorece o ouro

A evolução da moeda norte-americana é outro dos fatores apontados para a subida. O índice do dólar recuava cerca de 0,7% na quarta-feira. Para Ole S. Hansen, responsável pela estratégia de matérias-primas do Saxo Bank, a combinação entre rendimentos mais baixos e um dólar mais fraco está a dar “um novo impulso”, reforçando a recuperação iniciada no início de agosto.

Como o ouro é negociado em dólares, uma desvalorização da moeda norte-americana tende a tornar o metal mais barato para investidores que utilizam outras moedas, contribuindo para aumentar a procura.

Um verão de pouca movimentação

A subida desta semana surge depois de vários meses de relativa estabilidade. No início de agosto, o ouro registou a melhor semana em sete meses, com uma valorização de aproximadamente 7%. A subida foi atribuída sobretudo ao enfraquecimento do dólar, à descida dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e a dados de emprego nos EUA mais fracos do que o esperado.

Antes dessa recuperação, contudo, o ouro passou grande parte do verão a negociar entre $4.000 (€3.400) e $4.200 (€3.600).

O desempenho contrastava com o início do ano. No trimestre terminado em 30 de junho, o ouro perdeu aproximadamente 16% do seu valor, naquele que foi o pior trimestre desde 2013. O preço chegou mesmo a cair abaixo dos $4.000. Na altura, os analistas apontavam sobretudo para a força do dólar — que se encontrava no nível mais elevado em mais de um ano — e para as expectativas de que a Reserva Federal pudesse voltar a subir as taxas de juro.

Prata acompanha a recuperação

A prata também registou uma subida na quarta-feira, de aproximadamente 3%, atingindo um máximo intradiário de $66,16 (€56,60). Ao contrário do ouro, porém, a prata não atingiu um máximo de dois meses. O metal chegou a aproximar-se dos $67 (€57) na semana anterior e tinha ultrapassado os $70 (€60) em meados de junho.

Ambos os metais permanecem abaixo dos máximos históricos alcançados no início do ano. Em janeiro, o ouro chegou a aproximadamente $5.600 (€4.800), enquanto a prata atingiu um recorde de $121 (€104). Desde então, a prata perdeu quase metade desse valor.

A Fed pode voltar a subir os juros?

A evolução futura dos metais preciosos poderá depender também da política monetária norte-americana. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de uma subida das taxas de juro na reunião da Reserva Federal de dezembro é atualmente de 69,2%. Para reuniões anteriores, a probabilidade é inferior: 36,6% em setembro e 49,2% em outubro.

Taxas de juro mais elevadas tendem a pressionar o ouro e a prata, uma vez que tornam relativamente mais atrativos ativos que geram rendimento.

O comportamento dos metais este ano tem sido particularmente sensível às expectativas sobre juros, às tarifas impostas pelo Presidente Donald Trump, às tensões geopolíticas e ao aumento da procura por metais associados às indústrias tecnológicas.

O ouro e a prata também registaram movimentos inversos aos preços do petróleo durante a guerra com o Irão, que provocou uma forte subida do crude. Agora, com o dólar a perder força e as expectativas sobre as taxas de juro novamente no centro das atenções, o ouro parece estar a recuperar parte do terreno perdido durante o verão.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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