A definição da presidência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) 2027-2029 permanece num impasse, admitiu à Lusa fonte da diplomacia brasileira, um tema central na reunião em Díli, Timor-Leste, quarta-feira.
A mesma fonte defendeu que a Guiné-Equatorial “não tem credenciais democráticas” para assumir a presidência.
A par da crise política na Guiné-Bissau, a futura presidência da CPLP é um dos temas em debate na reunião do Conselho de Ministros da organização lusófona, a realizar em 19 de agosto, na capital timorense.
Na última reunião realizada na Guiné-Bissau em 2025, dois blocos dividiram-se no apoio a que a próxima presidência rotativa fosse exercida pela Guiné-Equatorial ou Brasil.
De um lado, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) defenderem a opção pela Guiné-Equatorial, sublinhando que deveria ser a próxima, seguindo a ordem alfabética. Contudo, essa determinação não consta nos estatutos da CPLP.
Do outro lado, Brasil contou com apoio de Portugal e Timor-Leste.
A reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da próxima semana será antecedida das reuniões dos pontos focais e do comité de concertação permanente, que teve início na quinta-feira.
Relativamente à Guiné-Bissau, será “apreciado um projeto de resolução” no “quadro do compromisso da CPLP com a estabilidade, a ordem constitucional e os princípios democráticos”, disse na quarta-feira o coordenador geral da Comissão para a presidência rotativa da CPLP, Joaquim Fernandes.
A Guiné-Bissau foi suspensa da organização lusófona em dezembro, após um golpe de Estado que depôs Umaro Sissoco Embaló e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de novembro de 2025.
A presidência da CPLP, que era detida por aquele país africano, passou então para Timor-Leste.
Questionado pela Lusa se os chefes da diplomacia da CPLP vão abordar a próxima presidência da organização lusófona, o responsável timorense disse, na ocasião, que o “assunto é sensível”, mas que a “reunião de Conselho de Ministros vai discutir isso também”.
Na cimeira de Bissau, em 2025, os chefes de Estado e de Governo não chegaram a consenso sobre a atribuição da próxima presidência da organização lusófona. Em entrevista à Lusa, em julho, o Presidente timorense, José Ramos-Horta, defendeu a opção pelo Brasil.
Também em julho, o secretário de África e Médio Oriente do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte Duarte, justificou à Lusa a candidatura à presidência da CPLP com o princípio da alternância regional, após sete anos consecutivos de presidências exercidas por países africanos.
A XXXI reunião ordinária do Conselho de Ministros vai discutir também a agenda estratégica da CPLP para o período 2027-2033 e a elaboração da Nova Agenda Estratégica para a Consolidação da Cooperação Económica para o período 2028-2023.
Na reunião vão estar presentes os chefes da diplomacia de Portugal, Paulo Rangel, de Angola, Téte António, de Cabo Verde, Manuel Rosa, e da Guiné Equatorial, Siméon Angue.
São Tomé e Príncipe estará representado pela ministra da Justiça, Administração Pública e Direitos Humanos, Vera Cravid, enquanto o Brasil marcará presença através do Secretário de África e Médio Oriente do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Duarte.
Moçambique vai estar representado pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Maria de Fátima Manso.
Lusa





