A entrada da Promendo como acionista maioritária representa um momento importante para a GirodMédias Portugal. O que muda, na prática, na estratégia da empresa a partir daqui?
Muda a estrutura acionista, mas não muda o caminho que temos vindo a construir. Vejo esta operação, acima de tudo, como um sinal de confiança na GirodMédias, na nossa equipa e na visão que temos vindo a desenvolver nos últimos anos. E essa confiança dá-nos ainda mais condições para acelerar aquilo que já estávamos a fazer.
Queremos uma GirodMédias cada vez mais inovadora, mais tecnológica, mais ágil e, ao mesmo tempo, cada vez mais próxima dos clientes. Parece simples, mas é isso que está por detrás de muitas das decisões que temos tomado.
A nova estrutura acionista veio consolidar a nossa capacidade de crescer, desenvolver novas soluções e aproveitar oportunidades que possam fazer sentido para o nosso crescimento.
O mercado português de publicidade exterior tem crescido? Em caso afirmativo, o que explica isso?
Sim, e acredito que há razões muito interessantes para isso.Vivemos rodeados de cada vez mais estímulos e, em muitos meios, captar a atenção das pessoas tornou-se muito difícil. O Out of Home tem uma característica diferente: faz parte do espaço onde vivemos. Está na rua, nas nossas deslocações, nos locais onde compramos, onde trabalhamos ou onde passamos o nosso tempo.
Enquanto outros meios se tornaram progressivamente mais invasivos na procura pela nossa atenção, o Out of Home tem feito quase o caminho contrário. Quando é bem feito, integra-se no ambiente, faz parte dele, e pode até contribuir para a experiência daquele espaço.
Ao mesmo tempo, o setor evoluiu muito. A digitalização trouxe flexibilidade, rapidez e novas possibilidades criativas, e tornou muito mais fácil ligar o Out of Home a outros meios e momentos de uma campanha.
Mas penso que o crescimento do meio não se explica apenas pela tecnologia. Explica-se também porque as marcas continuam a precisar de estar presentes no mundo real e próximas das pessoas.
O objetivo anunciado é atingir 20 milhões de euros de faturação até 2030. Esse crescimento será conseguido sobretudo de forma orgânica ou através de novas aquisições?
Através das duas coisas. Temos ainda muito espaço para crescer organicamente. Seja através da nossa cobertura geográfica, da inovação nos formatos que já temos, da digitalização, da melhoria da nossa oferta ou do desenvolvimento de novas áreas de negócio. O Retail Media é um bom exemplo de uma área onde acreditamos que existe ainda muito potencial em Portugal.
Mas também estaremos atentos a oportunidades de aquisição. Já o fizemos no passado e voltaremos a fazê-lo quando encontrarmos empresas, ativos ou competências que façam sentido para a GirodMédias e para aquilo que queremos construir.
Não queremos, no entanto, crescer apenas para atingirmos um determinado número. Os 20 milhões são uma meta, não são a estratégia.
Queremos chegar lá com uma empresa melhor, com mais capacidade, com uma equipa forte e mantendo aquilo que sempre procurámos preservar: a proximidade com os nossos clientes e a qualidade do nosso trabalho.
O crescimento financeiro será uma consequência.
O Out of Home tem vindo a reinventar-se, sobretudo através da digitalização. Como antevê a evolução do setor nos próximos cinco anos?
Acredito que a próxima grande evolução do Out of Home não seja simplesmente a digitalização. Essa transformação já aconteceu. Hoje existem suportes digitais em Portugal há mais de duas décadas e fazem parte da realidade do mercado.
Para mim, a questão mais interessante agora é outra: como conseguimos estar mais próximos das pessoas?
Perceber melhor o momento em que estamos a comunicar, o contexto em que a pessoa se encontra e a relevância que aquela mensagem pode ter naquele momento. Isso sim, será a evolução que trará valor ao meio, entre tantos estímulos.
As marcas procuram comunicar no momento em que o consumidor está mais disponível para receber a mensagem, seja na rua, durante as suas deslocações, seja no ponto de venda, quando está prestes a tomar uma decisão de compra.
É precisamente aí que o setor vai evoluir. Menos centrado no suporte e mais centrado na experiência do consumidor, na relevância da mensagem e na capacidade de integrar diferentes pontos de contacto ao longo do dia.
Na GirodMédias queremos continuar a inovar nesse sentido, desenvolvendo soluções que aproximem as marcas das pessoas e que acrescentem valor ao consumidor, em vez de apenas aumentar o número de suportes.
Que oportunidades continuam por explorar no mercado português de Out of Home e onde acredita que poderá surgir a próxima grande disrupção do setor?
Portugal ainda tem muito espaço para inovar em Out of Home.
Durante muitos anos discutimos formatos e localizações. Hoje acredito que a oportunidade está em pensar de forma diferente: como podemos estar mais próximos do consumidor?
Esta mudança parece pequena, mas muda muita coisa. Obriga-nos a pensar menos naquilo que temos para promover e mais no percurso das pessoas ao longo do dia. Onde estão? O que estão a fazer? Em que momento estão mais disponíveis para determinada mensagem?
Pode ser na rua, numa deslocação, num centro urbano, num espaço comercial ou mesmo muito próximo do momento da decisão de compra.
É precisamente por isso que olhamos para o Retail Media com tanto interesse. Não o vemos apenas como mais um canal ou mais um conjunto de suportes. Vemos uma oportunidade de aproximar a comunicação do momento em que ela pode ser mais relevante para o consumidor.
Ao mesmo tempo, existe uma enorme oportunidade para criar novos formatos, novos serviços e novas experiências. O futuro não passa apenas por disponibilizar espaço publicitário. Passa por criar soluções de comunicação mais inteligentes, mais úteis e mais integradas no quotidiano das pessoas.
Uma frase que acho muito interessante e que podemos acrescentar: durante muitos anos o setor perguntou ‘onde podemos colocar mais um suporte?’. A pergunta dos próximos anos será diferente: ‘como podemos estar mais próximos das pessoas?’. É essa mudança de paradigma que queremos liderar.





