O mercado residencial de ultraluxo em Portugal conta com mais de 3.200 casas anunciadas por valores superiores a três milhões de euros. Lisboa concentra quase metade desta oferta, seguida de Faro e Setúbal, segundo dados do portal Idealista recolhidos a 1 de agosto de 2026. É um retrato de um mercado imobiliário de luxo fortemente concentrado nos principais destinos residenciais e turísticos do país. Dos 3.267 anúncios de imóveis acima dos três milhões de euros identificados pelo idealista, 1.538 encontram-se no distrito de Lisboa, o equivalente a 47,1% do total nacional.
Faro surge em segundo lugar, com 1.095 imóveis nesta faixa de preço, correspondentes a 33,6% da oferta. Juntos, Lisboa e Faro representam mais de 80% das casas de ultraluxo anunciadas em Portugal.
Setúbal ocupa a terceira posição, com 309 propriedades acima dos três milhões de euros, ou 9,5% do total. Seguem-se o Porto, com 149 anúncios (4,6%), e a Madeira, com 90 (2,8%).
A partir daqui, a oferta torna-se residual, de acordo com este levantamento. Braga conta com 13 anúncios, Aveiro com 12 e Portalegre também com 12. Beja apresenta 10 imóveis, enquanto Évora, Leiria e Santarém têm seis cada. Coimbra e Viana do Castelo registam cinco anúncios. No extremo oposto, Guarda surge com apenas um imóvel acima dos três milhões de euros, segundo esta análise. Em Bragança, Castelo Branco e Vila Real não havia qualquer anúncio nesta categoria à data da análise. Também várias ilhas não apresentavam oferta de casas acima deste patamar de preço.
Lisboa domina o ultraluxo
Segundo as contas do Idealista, Portugal tinha, no início de agosto, mais de 19.000 casas anunciadas por mais de um milhão de euros. O distrito de Lisboa representava 40,6% desse universo, seguido por Faro, com 26,5%, e Porto, com 12,9%. Setúbal representava 7,5% e a Madeira 5,8%. Ou seja, Lisboa, Faro e Porto concentravam, em conjunto, cerca de 80% das casas anunciadas acima de um milhão de euros.
Lisboa e Faro sozinhas reúnem mais de quatro quintos dos anúncios de ultraluxo identificados pelo Idealista.
Quando o preço mínimo sobe para três milhões, contudo, o mapa altera-se ligeiramente: Setúbal ganha peso e ultrapassa o Porto, enquanto Lisboa e Faro reforçam ainda mais a sua posição dominante. A explicação está, em boa medida, na concentração de alguns dos mercados imobiliários mais valorizados do país: Lisboa e os seus principais eixos residenciais, o Algarve e as zonas costeiras de maior procura, bem como territórios de Setúbal que beneficiam da proximidade da capital e de uma oferta residencial de elevado padrão.
O mercado que não aparece nos anúncios
Há, no entanto, uma ressalva importante na leitura destes números. Os dados do Idealista contabilizam anúncios publicados na plataforma, e não o universo total de propriedades de ultraluxo existentes ou disponíveis para venda em Portugal. Isto significa que o mercado real de casas acima dos três milhões de euros é necessariamente mais difícil de quantificar.
No segmento mais elevado do imobiliário, uma parte das propriedades pode nem sequer chegar ao circuito normal de anúncios. Villas, quintas, propriedades históricas ou grandes residências podem ser comercializadas através de redes privadas de consultores imobiliários, contactos diretos com potenciais compradores, family offices ou estruturas especializadas em clientes de elevado património. Em alguns casos, os proprietários preferem mesmo preservar a confidencialidade da venda e evitar a exposição pública da propriedade, do preço ou das suas características.
Por isso, os mais de 3.200 anúncios identificados pelo idealista devem ser entendidos como uma fotografia da oferta pública de ultraluxo, e não como um inventário completo do mercado português. O universo efetivo de propriedades disponíveis — e sobretudo o valor total envolvido — poderá ser significativamente superior.
Esta diferença é particularmente relevante no topo do mercado. Quanto maior é o valor de uma propriedade, mais frequente pode ser a utilização de canais de comercialização discretos e dirigidos a compradores específicos, em vez de uma colocação aberta em plataformas imobiliárias.





