António Horta Osório está prestes a regressar à banca portuguesa. O Jornal Económico sabe que Nicolas Namias convidou o ex-presidente do Lloyds Bank para o conselho de administração do Novobanco, que está neste momento em remodelação para espelhar o modelo de governance do BPCE. Isto é, o grupo francês está a trabalhar no novo modelo de governo do Novobanco, e a entrada do histórico banqueiro insere-se nesse contexto.
A lista dos novos membros do board do Novobanco já deu entrada no Banco de Portugal, para a respetiva análise de fit and proper (adequação e idoneidade), apurou o Económico.
O Jornal Económico sabe ainda que António Horta Osório poderá vir a ser vice-chairman do Novobanco (vice-presidente do conselho de administração), mas isso dependerá da avaliação do banco central, devido aos elevados cargos que ocupa atualmente. O cargo de chairman será desempenhado pelo próprio Nicolas Namias, segundo fontes conhecedoras do processo.
“Eventuais alterações futuras ao modelo de governação dependerão da aprovação das autoridades reguladoras competentes. Informações adicionais serão comunicadas ao longo dos próximos meses”, acrescenta o BPCE.
Contactado, o dono do Novobanco respondeu que “o BPCE está atualmente a analisar diferentes opções para a evolução do modelo de governação do Novobanco, alinhando-o de forma mais estreita com as melhores práticas de mercado em Portugal, de modo a reforçar o apoio ao desenvolvimento estratégico da instituição”.
“Este processo não terá qualquer impacto na continuidade de Mark Bourke como administrador executivo (CEO) do Novobanco”, sublinha fonte oficial do BPCE.
“Eventuais alterações futuras ao modelo de governação dependerão da aprovação das autoridades reguladoras competentes. Informações adicionais serão comunicadas ao longo dos próximos meses”, acrescenta o BPCE.
O JE contactou António Horta Osório, que se remeteu ao silêncio.
Os muitos cargos de Horta Osório
António Horta Osório, banqueiro português com a mais destacada carreira internacional até ao momento, é ainda vice-presidente não executivo do banco francês CCF – Crédit Commercial de France, detido pelo fundo de private equity Cerberus Capital Management, onde é consultor sénior. Ao mesmo tempo, é membro do supervisory board do polaco VeloBank, que adquiriu o negócio de retalho do Citigroup na Polónia.
António Horta Osório acumula ainda outros cargos na banca, como o de consultor sénior da Mediobanca e da gestora de private equity Precision Capital.
O ex-CEO do Santander UK e do Lloyds Bank, e ex-chairman do extinto Credit Suisse, chegou a explicar ao Jornal Económico, numa entrevista em 2025, que não há incompatibilidade em estar em bancos diferentes num mundo financeiro global, pois “são bancos que operam em mercados e segmentos distintos, pelo que a questão não se coloca”. Isto porque “o CCF e o VeloBank atuam no retalho em França e na Polónia, respetivamente”.
António Horta Osório é chairman da Bial, cargo que assumiu em 2021, substituindo Luís Portela. O banqueiro integra o board do Grupo José de Mello e também o conselho de administração da Fundação Champalimaud, presidido por Leonor Beleza.
Por outro lado “o Quintet Bank (da Precision Capital) é um private bank que opera no Luxemburgo, Alemanha, Holanda, Bélgica e Reino Unido, enquanto a Mediobanca é um banco de investimento europeu”, explicou.
O banqueiro, na mesma entrevista, destacava que “a minha ligação à banca e ao setor financeiro manteve-se sempre, apenas evoluiu para um papel diferente daquele que tive durante as décadas anteriores. Antes era CEO e agora sou administrador não executivo ou senior advisor”.
Disse também que não quer voltar a ser executivo porque “na vida há um momento para tudo, e o importante é fazer as coisas no momento certo e depois olhar para trás e sentir-se realizado com o que foi alcançado”.
Mas revelava que “continuo a trabalhar, em média, cinco dias por semana, 10 horas por dia, mas com 15% do stress que tinha como executivo”.
Na entrevista, chegou a elogiar a compra do Novobanco pelo BPCE. “O sistema bancário português está num dos melhores momentos de que me recordo nos últimos 30 anos”, dizia, numa altura em que via a venda do Novobanco aos franceses do BPCE como “positiva para o banco, para o sistema financeiro, para os seus clientes e para o país em geral”.
António Horta Osório é chairman da Bial, cargo que assumiu em 2021, substituindo Luís Portela. O banqueiro integra o board do Grupo José de Mello e também o conselho de administração da Fundação Champalimaud, presidido por Leonor Beleza.





