O futuro aeroporto de Lisboa acaba de ultrapassar uma das etapas mais importantes do seu desenvolvimento. A ANA – Aeroportos de Portugal entregou ao Ministério das Infraestruturas e Habitação o Relatório Técnico do Aeroporto Luís de Camões, documento que reúne as principais características da infraestrutura e confirma o avanço do projeto para as fases seguintes.
Nos próximos dias será igualmente submetido à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) o Estudo de Impacte Ambiental, permitindo que o processo avance para a avaliação pelas entidades competentes e, posteriormente, para as fases de projeto de execução e arquitetura.
Mas como será, na prática, o aeroporto que deverá substituir a Portela?
A resposta começa pela dimensão. Na abertura, o Aeroporto Luís de Camões foi concebido para receber 56 milhões de passageiros por ano, com capacidade de expansão para 85 milhões nas décadas seguintes, tornando-se uma das maiores infraestruturas aeroportuárias da Europa.

A operação arrancará com duas pistas, 64 portas de embarque, 72 pontes de embarque e um terminal de passageiros com aproximadamente 500 mil metros quadrados. Segundo a ANA, o aeroporto foi desenhado para integrar soluções digitais destinadas a otimizar as operações, reduzir tempos de espera e melhorar a experiência dos passageiros, embora os detalhes dessas tecnologias só sejam conhecidos nas fases posteriores do projeto.
A sustentabilidade surge igualmente como um dos eixos centrais. O futuro aeroporto foi concebido para funcionar como um edifício Net Zero, incorporando critérios ambientais e de eficiência energética desde a fase inicial de planeamento.
Chegar ao aeroporto em cerca de 20 minutos
Um dos aspetos mais relevantes do projeto diz respeito às acessibilidades. O Aeroporto Luís de Camões deverá ficar ligado ao centro de Lisboa através de uma ligação ferroviária de alta velocidade, complementada por um serviço shuttle que permitirá realizar o percurso em cerca de 20 minutos, utilizando a futura Terceira Travessia do Tejo.

Na componente rodoviária, está prevista a construção de mais de 250 quilómetros de novas vias, bem como a requalificação de outros 50 quilómetros da rede existente, criando uma infraestrutura desenhada especificamente para servir o novo aeroporto. Na documentação está contemplada a construção de um túnel a ligar Algés e Trafaria, hipótese que está em estudo.

Paralelamente, estão também a ser preparados os sistemas de abastecimento de água, energia, combustível e telecomunicações, bem como a reorganização do espaço aéreo nacional para compatibilizar a operação da nova infraestrutura com o restante tráfego civil e militar.
Outro passo considerado essencial será a desmilitarização faseada do Campo de Tiro de Alcochete, processo que deverá permitir libertar a área destinada ao aeroporto até 2029.
Projeto mobiliza centenas de especialistas
O desenvolvimento do novo aeroporto envolve atualmente uma equipa multidisciplinar com mais de 250 engenheiros, técnicos e especialistas, responsáveis pelos estudos de engenharia, capacidade operacional, conectividade multimodal e soluções estruturais que irão suportar a infraestrutura durante as próximas décadas. Apesar de ser um projeto historicamente atrasado e do qual se fala há década, Nicolas Notebaert, CEO da VINCI Concessions e presidente da VINCI Airports, declara que a entrega do relatório técnico demonstra que o calendário definido está a ser cumprido “Continuamos a desenvolver o programa de investimentos nas atuais infraestruturas aeroportuárias do país, com o objetivo de reforçar a capacidade, a eficiência operacional e a qualidade de serviço da rede portuguesa”, afirma.

Investimento no atual aeroporto
Enquanto decorre o desenvolvimento do Aeroporto Luís de Camões, a ANA e a VINCI Airports mantêm em curso um programa de modernização da atual rede aeroportuária portuguesa.
Em Lisboa, estão previstas a ampliação do Terminal 1, a expansão do Terminal 2, uma nova placa de estacionamento para aeronaves e melhorias na área de controlo de fronteiras.
No Porto avança a renovação integral da pista, um novo Centro de Controlo das Operações Aeroportuárias e a modernização do terminal, enquanto Faro, Açores e Madeira também beneficiam de projetos de expansão e renovação.
Segundo o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, o projeto representa a concretização de um objetivo há muito perseguido. “Sonhámos durante 50 anos com um novo aeroporto e hoje estamos a cumpri-lo”, afirmou, acrescentando que o Governo está a investir mais de 400 milhões de euros nos aeroportos atuais e no futuro Aeroporto Luís de Camões para reforçar a capacidade aeroportuária nacional e responder ao crescimento da procura.





