O Campeonato do Mundo de 2026 não mudou apenas a hierarquia do futebol internacional. Também redefiniu o estatuto digital de vários jogadores, alguns dos quais chegaram ao torneio praticamente desconhecidos do grande público e saíram dele como verdadeiras estrelas globais graças ao impacto nas redes sociais.
Um dos casos mais impressionantes, talvez mesmo o mais, foi o de Vozinha, guarda-redes de Cabo Verde. O experiente jogador, de 40 anos, passou de cerca de 50 mil seguidores no Instagram para um milhão em apenas 24 horas, depois do empate a zero frente à Espanha, em junho. Poucas semanas depois, já ultrapassava os 29,3 milhões de seguidores, tornando-se um dos fenómenos virais do torneio. Agora está nos 29,4 milhões de seguidores.
Num vídeo publicado no Instagram, Vozinha admitiu nunca ter imaginado que a sua exibição ao serviço de Cabo Verde — o terceiro país com menor população de sempre a qualificar-se para um Campeonato do Mundo — pudesse ter um impacto desta dimensão. O guarda-redes descreveu a experiência como “muito gratificante” e prometeu que “há mais para vir”.
Outro dos grandes vencedores foi Erling Haaland. O avançado norueguês já era uma das maiores estrelas do futebol mundial e entrou no Mundial com cerca de 40 milhões de seguidores no Instagram. No entanto, a combinação entre as suas exibições decisivas, o percurso surpreendente da Noruega e a personalidade descontraída demonstrada nas entrevistas e publicações nas redes sociais valeu-lhe mais 24 milhões de novos seguidores durante a competição.
Também Tim Payne, defesa da Nova Zelândia, viveu uma transformação inesperada. Antes do torneio tinha menos de cinco mil seguidores no Instagram, mas uma campanha lançada pelo criador de conteúdos brasileiro Valen Scarsini para encontrar “o futebolista menos conhecido do Mundial” tornou-o viral. O resultado foi um crescimento até aos 5,6 milhões de seguidores — mais do que a população total da Nova Zelândia — e um contrato com o Club Olimpia, um dos principais clubes do Paraguai.
O guarda-redes Eloy Room, de Curaçau, também beneficiou do impacto do Mundial. Depois de igualar o recorde de 15 defesas numa partida frente ao Equador, viu a sua comunidade no Instagram crescer de cerca de 90 mil para 1,1 milhões de seguidores.
Já o mexicano Gilberto Mora, de apenas 17 anos, era considerado uma das maiores promessas do futebol do seu país e tinha aproximadamente um milhão de seguidores antes da competição. As exibições em campo e as comparações com lendas como Pelé fizeram disparar a sua popularidade, elevando a audiência para 7,3 milhões de seguidores.
Entre os brasileiros, o defesa Douglas Santos foi outro dos grandes beneficiados. Uma campanha promovida pela CazéTV e por vários influenciadores digitais fez aumentar a sua presença no Instagram em quase 1.200%, passando de cerca de 190 mil para 2,6 milhões de seguidores.
E as maiores estrelas?
Mesmo os jogadores que já eram fenómenos globais reforçaram significativamente a sua presença digital durante o Mundial. Desde o início da competição, Cristiano Ronaldo, que continua a ser a personalidade mais seguida do Instagram, ganhou mais 10 milhões de seguidores. Tem agora 677 milhões de seguidores. Neymar somou mais 6,5 milhões, Jude Bellingham acrescentou 6 milhões, Lionel Messi conquistou mais 5,8 milhões e Kylian Mbappé viu a sua audiência crescer em 4 milhões de seguidores.
O valor económico dos seguidores
Hoje, o número de seguidores nas redes sociais é um dos principais indicadores do valor comercial de um atleta. Para as marcas, estas audiências representam acesso direto a milhões de potenciais consumidores, traduzindo-se em contratos de patrocínio, ações publicitárias, vendas de produtos, presenças em eventos e outras oportunidades de negócio que aumentam significativamente os rendimentos fora das quatro linhas.
Os atletas mais mediáticos utilizam também as suas plataformas para desenvolver negócios próprios, desde marcas de roupa e produtos de fitness até projetos nos media e investimentos empresariais.
No caso de Cristiano Ronaldo, a presença nas redes sociais terá gerado 176 milhões de dólares (154M€) em valor mediático para os seus patrocinadores durante o último ano, incluindo 36 milhões de dólares (34M€) apenas para a Nike.
Um guaxinim que esgotou uma loja
O poder de influência destas estrelas vai muito além do futebol. Um exemplo insólito aconteceu esta semana, quando Erling Haaland foi fotografado à chegada a Oslo com um dos souvenirs mais improváveis do Mundial: um guaxinim empalhado, segurando uma garrafa vazia de gin, comprado por 750 dólares (657€) numa loja em Dallas.
Após a divulgação das imagens, as pesquisas no Google pelo termo “taxidermied raccoon” aumentaram mais de 5.000%, enquanto o artigo esgotou rapidamente. A loja já anunciou que está a preparar uma nova reposição de stock.
Quanto valem estas estrelas?
Segundo as estimativas da Forbes, Cristiano Ronaldo continua a ser o atleta mais bem pago do mundo, independentemente da modalidade, com um património líquido estimado em 1,2 mil milhões de dólares (1,05M€) e rendimentos de cerca de 300 milhões de dólares (263M€) nos últimos 12 meses.
Lionel Messi, também ele multimilionário, possui uma fortuna estimada em 1,1 mil milhões de dólares (964M€). Entre os futebolistas mais bem pagos presentes no Mundial de 2026 destacam-se ainda Kylian Mbappé, Erling Haaland, Vinícius Júnior e Mohamed Salah.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.





