Um novo estudo realizado por investigadores de saúde pública dos Estados Unidos revela que as proibições totais do aborto em nove estados estão a obrigar médicos de várias especialidades a adiar ou a recusar cuidados habituais durante a gravidez, colocando em risco a vida das mulheres devido ao receio de consequências legais.
O estudo, realizado por cinco investigadores ligados a hospitais e universidades de renome, foi publicado na passada segunda-feira e concluiu que as proibições do aborto estão a perturbar os cuidados relacionados com a gravidez em casos que não envolvem a interrupção voluntária da gravidez.
A investigação revelou que os médicos estão a adiar o tratamento de condições como a perda precoce da gravidez, a gravidez ectópica e as que são mais complicadas por doenças maternas graves devido à incerteza jurídica, e não por uma questão de julgamento clínico.
Os atrasos no tratamento que daí resultam “colocam os doentes em risco” e “comprometem a autonomia dos doentes e a confiança entre médico e doente”, concluiu o estudo, além de imporem novas responsabilidades aos médicos, que têm de dar prioridade à mitigação do risco jurídico em detrimento da tomada de decisões médicas.
As mulheres grávidas em estados com proibições totais do aborto têm quase o dobro da probabilidade de morrer durante a gravidez, o parto ou o período pós-parto, afirma o estudo, e as pacientes grávidas negras enfrentam um risco de mortalidade mais de três vezes superior ao das suas homólogas brancas.
Os autores do estudo também alertam para potenciais consequências a longo prazo, incluindo o agravamento das desigualdades nos cuidados de saúde e uma capacidade reduzida de prestar cuidados de gravidez seguros nos estados onde o aborto é proibido.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Rita Meireles.





