Fundada em 2019, a Naturecan construiu a sua presença internacional em torno dos produtos à base de CBD, mas a evolução das necessidades dos consumidores levou a marca a expandir progressivamente o portefólio para áreas como a suplementação, nutrição, saúde digestiva, desempenho desportivo e envelhecimento saudável. Em Portugal, a empresa registou um crescimento de 77% face a 2025, impulsionado pela procura crescente por soluções de bem-estar e pela popularidade de categorias emergentes associadas à longevidade.
Em entrevista, Gonçalo Mosquera, Country Manager da Naturecan Portugal, analisa a transformação do mercado nacional, a crescente literacia dos consumidores em temas como CBD e saúde preventiva, as categorias que mais têm crescido e os desafios regulatórios que continuam a marcar o setor. O responsável antecipa ainda as tendências que deverão ganhar expressão nos próximos anos, num mercado cada vez mais orientado para abordagens personalizadas e sustentadas por evidência científica.
A Naturecan nasceu em 2019 associada ao CBD (canabidiol) e posiciona-se hoje como uma marca mais abrangente de saúde e bem-estar. O que vos levou a alargar a oferta?
Desde a sua criação, a missão da Naturecan sempre foi promover o bem-estar de forma abrangente. O CBD foi o ponto de entrada natural, mas rapidamente percebemos que os consumidores procuram soluções para diferentes necessidades, relacionadas com saúde, qualidade de vida e prevenção.
O alargamento da oferta surgiu de forma orgânica, acompanhando as tendências do mercado e a evolução das preocupações dos consumidores. Hoje disponibilizamos suplementos de longevidade, nutrição, saúde digestiva, desempenho desportivo, cuidados de pele e produtos para animais de estimação, sempre com o mesmo compromisso com a qualidade e transparência que nos define desde o início.
O crescimento de 77% em Portugal face a 2025 deve-se a quê?
Este crescimento resulta de vários fatores que convergem. Por um lado, temos assistido a uma maior procura por soluções de bem-estar e suplementação, impulsionada por consumidores cada vez mais informados e atentos à sua saúde. Por outro, a Naturecan tem vindo a reforçar a sua presença no mercado português através da expansão do portefólio e do investimento na educação do consumidor.
Também não podemos ignorar o impacto de categorias em forte expansão, como os suplementos de longevidade. O NMN [mononucleótido de nicotinamida], por exemplo, cresceu 518% face ao período homólogo de abril de 2025 e 63% face a março de 2026, um sinal claro de que os consumidores estão atentos às tendências científicas e dispõem de cada vez mais informação para tomar decisões fundamentadas. A confiança na qualidade dos nossos produtos tem sido igualmente um fator determinante.

O que mudou no consumidor português de saúde e bem-estar nos últimos sete anos em relação aos produtos CBD?
O principal fator foi o aumento da informação disponível. Há alguns anos, o CBD era ainda um tema pouco conhecido e frequentemente associado a ideias erradas relacionadas com a canábis. Havia muitas reservas e pouca informação acessível.
Atualmente, existe uma maior compreensão sobre o que é o CBD, como atua no organismo e qual o seu papel enquanto composto associado ao bem-estar. Os consumidores estão mais informados, procuram evidência, valorizam a transparência e fazem escolhas mais conscientes. Diria que o consumidor português passou de cético a curioso, e de curioso a utilizador regular e fiel.
“Atualmente, existe uma maior compreensão sobre o que é o CBD, como atua no organismo e qual o seu papel enquanto composto associado ao bem-estar”
Quais são as principais preocupações que motivam a procura por suplementos e soluções de bem-estar de CBD?
As preocupações mais comuns estão relacionadas com o ritmo acelerado da vida moderna. Stress, qualidade do sono, equilíbrio emocional, recuperação física e bem-estar geral são algumas das principais motivações.
Ao mesmo tempo, no caso dos suplementos de longevidade, a motivação é mais proativa. Não se trata de resolver um problema imediato, mas de investir na qualidade de vida a longo prazo: mais energia, mais vitalidade, um envelhecimento mais saudável. É uma mudança de mentalidade relevante, que reflete uma geração cada vez mais atenta ao que coloca no corpo e aos efeitos que isso tem no futuro.
Como caracterizaria o consumidor português atual em comparação com outros mercados europeus?
O consumidor português está cada vez mais próximo do perfil observado noutros mercados europeus mais maduros. É um consumidor informado, que pesquisa antes de comprar e que valoriza a qualidade e a credibilidade das marcas.
O que o distingue é uma certa prudência inicial, que depois se transforma em lealdade quando a confiança é estabelecida. Existe também uma crescente abertura para experimentar soluções inovadoras ligadas ao bem-estar e à longevidade, e o ritmo de evolução em Portugal tem sido consistentemente positivo.
“O consumidor português está cada vez mais próximo do perfil observado noutros mercados europeus mais maduros”
Quais foram os produtos ou categorias que registaram maior crescimento nos últimos anos?
Os suplementos de longevidade são, sem dúvida, a categoria com crescimento mais expressivo. O NMN lidera esse movimento em Portugal, tendo registado um crescimento de 518% face ao período homólogo de abril de 2025 e de 63% face ao mês anterior (março de 2026). Verificamos também uma forte procura por Urolitina A, Resveratrol, Coenzima Q10 e os nossos Packs Anti-Aging, produtos que respondem a uma visão mais integrada do envelhecimento saudável. A Urolitina A destacou-se igualmente, com um crescimento de 120% face ao mês anterior (março de 2026). Outra categoria em forte aceleração é a dos péptidos de colagénio, que cresceram 768% face ao período homólogo de 2025 e 54% face ao mês anterior, refletindo o crescente interesse dos consumidores por soluções ligadas ao envelhecimento saudável, à saúde da pele e à recuperação física.
No CBD, os óleos continuam a ser o produto de entrada por excelência, mas as gomas e os sprays têm ganho relevância junto de consumidores que procuram formatos mais práticos. Verificámos ainda uma procura crescente por suplementos relacionados com sono, recuperação e saúde digestiva.
“Os suplementos de longevidade são, sem dúvida, a categoria com crescimento mais expressivo”
Que tendências de consumo têm surpreendido a empresa?
Uma das tendências mais interessantes tem sido a velocidade com que o consumidor português abraçou os temas da longevidade e da saúde celular. Há uns anos, estes conceitos estavam mais restritos à comunidade científica. Hoje fazem parte das preocupações do consumidor comum, que procura não apenas viver mais anos, mas viver melhor durante mais tempo.
Também tem sido notável o crescente interesse pela saúde digestiva e metabólica, com consumidores cada vez mais atentos à forma como o organismo processa e aproveita o que ingerimos. Paralelamente, observamos uma forte procura por soluções relacionadas com a saúde da pele e envelhecimento saudável, com os péptidos de colagénio a crescerem 768% face ao período homólogo de 2025.
“Uma das tendências mais interessantes tem sido a velocidade com que o consumidor português abraçou os temas da longevidade e da saúde celular”
Há categorias emergentes que acredita que terão um crescimento significativo nos próximos anos?
Acreditamos que as categorias ligadas à longevidade e à saúde celular continuarão a ganhar relevância. Compostos como NMN e Urolitina A têm despertado um interesse crescente, e esperamos que essa tendência se aprofunde, evoluindo da suplementação individual para abordagens mais personalizadas e integradas. Os crescimentos recentes do NMN (+518% face ao período homólogo e +63% face ao mês anterior) e da Urolitina A (+120% face ao mês anterior) reforçam esta convicção.
Áreas como saúde digestiva, sono e bem-estar mental deverão continuar a registar uma evolução positiva. Acreditamos também que os suplementos focados na saúde da pele, articulações e envelhecimento saudável, como os péptidos de colagénio, continuarão a ganhar expressão, sustentados pelo crescimento de 768% registado face ao período homólogo de 2025. E no campo do CBD, o crescimento da literacia científica deverá abrir espaço a formatos e aplicações ainda pouco explorados. No fundo, o que está a emergir é uma visão de bem-estar muito mais personalizada e baseada em dados.
O enquadramento regulatório continua a ser um desafio para a indústria dos suplementos e do CBD?
Sim, continua a ser um tema relevante, particularmente no caso do CBD, onde existem diferenças de interpretação regulatória entre mercados e uma evolução constante da legislação.
Para uma marca como a Naturecan, que opera em mais de 50 países, navegar esta diversidade faz parte do negócio. A nossa resposta tem sido sempre antecipar os requisitos e garantir que os nossos produtos cumprem os padrões mais exigentes, independentemente do mercado. Acreditamos que uma regulamentação clara beneficia todo o setor, contribuindo para aumentar a confiança dos consumidores e elevar os padrões de qualidade.
“Uma regulamentação clara beneficia todo o setor, contribuindo para aumentar a confiança dos consumidores”
Quais são as principais metas da Naturecan para os próximos anos em Portugal?
O objetivo central é consolidar a Naturecan como referência de confiança no setor do bem-estar em Portugal. Isso passa por reforçar a educação do consumidor, expandir o portefólio com produtos alinhados com as principais tendências internacionais e continuar a promover uma abordagem baseada na qualidade, transparência e inovação.
Queremos que os consumidores portugueses nos vejam não apenas como uma loja de suplementos, mas como um parceiro de confiança nas suas decisões de saúde, ajudando-os a fazer escolhas mais informadas e sustentadas.
“Portugal tem uma dimensão cultural e linguística que nos permite servir de ponte para outros mercados lusófonos”
Que papel espera que Portugal desempenhe na estratégia internacional da empresa?
Portugal é um mercado com um potencial muito interessante e um crescimento assinalável, o que lhe confere relevância crescente na estratégia global da Naturecan. Temos assistido a uma maior abertura para temas como longevidade, saúde preventiva e suplementação, e os resultados refletem isso.
Para além disso, Portugal tem uma dimensão cultural e linguística que nos permite servir de ponte para outros mercados lusófonos. Acreditamos que o mercado português continuará a assumir uma relevância crescente dentro da estratégia internacional da Naturecan, acompanhando a evolução das tendências globais e contribuindo para o crescimento sustentado da marca na Europa.





