Há acontecimentos que ultrapassam largamente o momento em que acontecem. O 11 de setembro de 2001 é um deles. Vinte e cinco anos depois dos atentados que mataram 2.977 pessoas nos Estados Unidos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, recorda aquele dia como “o acontecimento com maiores consequências na viragem do século”, destacando o valor das alianças numa época marcada por novas ameaças e por uma crescente rivalidade entre grandes potências: “Os atentados vieram reforçar a importância das alianças e da segurança coletiva”, afirmou a presidente da Comissão Europeia. Na altura, acrescentou, “a Europa soube imediatamente de que lado estava. Estivemos ao lado da América”.
Ursula von der Leyen refere que a resposta europeia teve também uma dimensão histórica dentro da NATO. Pela primeira e única vez desde a criação da Aliança Atlântica, foi invocado o artigo 5º do Tratado de Washington, segundo o qual um ataque contra um membro é considerado um ataque contra todos: “Um ataque contra um era um ataque contra todos”, recordou Von der Leyen, numa referência a um dos princípios fundamentais da defesa coletiva da NATO.
O ataque que mudou o mundo
Os atentados foram conduzidos pela Al-Qaida. Dois aviões sequestrados atingiram as Torres Gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque, um terceiro atingiu o Pentágono, nos arredores de Washington, e um quarto despenhou-se perto de Shanksville, na Pensilvânia, depois de passageiros e tripulantes tentarem recuperar o controlo da aeronave.
As consequências foram muito além das vítimas e da destruição física. Os Estados Unidos lançaram a chamada “guerra contra o terrorismo”, iniciaram a intervenção militar no Afeganistão e alteraram profundamente as suas políticas de segurança e de combate ao terrorismo.
O impacto também se fez sentir na Europa e noutras regiões do mundo, com novas políticas de segurança, reforço da cooperação entre serviços de informações, alterações nos controlos aeroportuários e uma atenção sem precedentes à ameaça terrorista internacional.
O 11 de Setembro tornou-se, assim, um ponto de viragem no globo.
A lição que permanece
Para Von der Leyen, contudo, a principal mensagem do 11 de Setembro não pertence apenas ao passado: “Hoje, as ameaças que enfrentamos mudaram”, afirmou. “Vivemos novamente em águas geopolíticas turbulentas, marcadas pela rivalidade entre grandes potências, pela guerra e pelo confronto entre Estados.”
A referência surge num momento em que a relação transatlântica enfrenta novas tensões e em que a Europa procura reforçar a sua própria capacidade de defesa. Mas, para a presidente da Comissão Europeia, a conclusão retirada de 2001 continua válida: “Em momentos de perigo, as nossas alianças são importantes. A nossa unidade é importante. E os valores que escolhemos defender são importantes.”
Para a União Europeia, a defesa da democracia e das liberdades fundamentais continua a fazer parte da resposta às ameaças que enfrenta: “Os responsáveis pelos ataques queriam espalhar o medo muito para além de Nova Iorque, da Virgínia e da Pensilvânia”, afirmou Von der Leyen. “Vinte e cinco anos depois, sabemos que falharam. As nossas democracias resistiram. As nossas sociedades permaneceram livres.”
No local onde estavam as Torres Gémeas, duas colunas de luz são projetadas sobre o céu de Nova Iorque todos os anos, no aniversário dos atentados. Para a presidente da Comissão Europeia, são mais do que um memorial. “Desafiam o esquecimento. Guardam a memória daqueles que perdemos. E recordam-nos que a luz triunfa mesmo nos dias mais sombrios.”
com Lusa





