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	<title>Digital Cover - Forbes Portugal: Capas e Entrevistas</title>
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	<description>A revista de líderes e de empreendedores com maior impacto no mundo dos negócios.</description>
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		<title>Daniela Ruah: Em constante evolução</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rita Meireles]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 18:02:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Jardins Proibidos”, “Filha do Mar”, “Dei-te Quase Tudo” ou “Tu e Eu” são alguns dos projetos em que Daniela Ruah já tinha trabalhado antes da sua mudança para os Estados Unidos. Mas mesmo com a carreira já estabelecida em Portugal, nada a demoveu da decisão de procurar mais. O que é, na verdade, constante na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“Jardins Proibidos”, “Filha do Mar”, “Dei-te Quase Tudo” ou “Tu e Eu” são alguns dos projetos em que Daniela Ruah já tinha trabalhado antes da sua mudança para os Estados Unidos. Mas mesmo com a carreira já estabelecida em Portugal, nada a demoveu da decisão de procurar mais. O que é, na verdade, constante na sua carreira: Daniela nunca vira a cara à oportunidade de evoluir. Seja no momento em que salta do mercado português para o norte-americano, ou quando se move entre o trabalho como atriz e realizadora.</p>
<p><strong>Em que momento percebeste que querias seguir uma carreira na representação?<br />
</strong>Talvez mais na adolescência. Antes disso eu sabia que queria ser artista, mas talvez na altura passasse mais pela parte da dança, porque eu comecei com a dança. Depois comecei a fazer aulas de teatro com a Teresa Côrte-Real, fazíamos as peças de teatro e eu adorava. Fiz as peças da escola desde pequenina, ainda nos Estados Unidos, nunca tive vergonha de estar à frente de um público. Mas eu acho que o querer uma carreira em representação foi cimentado talvez quando comecei a fazer novelas, porque aí fui um bocadinho obrigada a escolher entre uma e outra, porque tanto a representação como a dança, se não queremos fazer teatro e musical, requerem uma dedicação bastante profunda. Eu optei por manter a parte da representação. Adicionando a isso, também foi o facto de que o nosso corpo, eventualmente com a idade, vai dar de si, mesmo que queiramos continuar a dançar o próprio corpo não consegue. E na parte da representação, não, podemos representar com qualquer idade, há vários atores que podem fazer aquilo que adoram até ao último dia de vida. E eu acho que essa parte é que me puxou mais também para focar na representação, porque eu exijo que não me digam quando é que eu tenho que parar.</p>
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<p><strong>Que projetos destacas nesses primeiros anos?<br />
</strong>Obviamente a primeira novela, talvez a primeira peça de teatro. As primeiras vezes que eu fiz certos projetos. Depois, claro, o primeiro NCIS: Los Angeles, a primeira série americana que me pôs no mapa nos Estados Unidos. Não creio que tenha havido só uma experiência que tenha marcado particularmente, foram todos aqueles momentos muito importantes que abrem uma porta para outra coisa importante.</p>
<p><strong>Como é que preparaste a mudança para os Estados Unidos?<br />
</strong>A extensão do meu plano foi ir para os Estados Unidos. Sabia que queria fazer carreira como atriz lá também. A transição não foi difícil. Os meus pais, quando eram mais novos e acabaram a faculdade em Portugal, foram fazer as pós-graduações para os Estados Unidos. Toda a gente da minha família viveu fora de Portugal num ponto da vida. Ir para fora era normal, sempre foi uma coisa quase óbvia. É claro que começando a fazer novelas aqui e as oportunidades começando a surgir, poderia fazer com que eu não quisesse ir embora, mas, por algum motivo, nunca duvidei que eventualmente iria, neste caso, para Nova Iorque.</p>
<p><strong>Como é que foi a transição?<br />
</strong>Obviamente foi difícil largar uma carreira que já tinha começado para começar tudo outra vez, sem agente e num ambiente onde ninguém me conhece, e começar a fazer <em>networking </em>e a perceber como é que funciona o mercado. Há muitas coisas que são parecidas, como é óbvio, porque uma produção é uma produção. A diferença de custo é mais do que normal. Fazer uma produção em que se tem milhões para investir num projeto versus em Portugal, que temos uma audiência mais pequena e ninguém vai investir milhões e milhões numa coisa que ter um milhão de visualizações já é uma coisa fantástica. Estar numa produção em que estão 250 membros de uma equipa, por exemplo, a gravar um episódio de cada vez e não de acordo com o platô em que estamos, como é nas novelas ou nas séries, poupa-se imenso dinheiro ao gravar mais cenas possíveis de episódios diferentes no mesmo platô. Eu diria que novela, em qualquer parte do mundo, é a parte mais profunda da piscina. É uma quantidade de páginas ou de cenas por dia enormes, gravamos fora de sequência, por vezes. Comecei na parte mais difícil dentro da indústria porque novela é difícil, é um ritmo alucinante e temos muita responsabilidade como atores para com o projeto. Portanto, eu já tinha essa etiqueta, essa forma de me comportar, de chegar a horas, de pendurar a roupa depois de acabar o dia, de abraçar toda a gente e respeitar o trabalho de todos. Eu já vim para os Estados Unidos com essa experiência. Apesar de ser novata nos Estados Unidos naquela altura, não era inexperiente e isso fez muita diferença mesmo.</p>
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<p><strong>Alguma vez sentiste que lá tiveste de provar mais o teu valor, de certa forma, por não seres de lá?<br />
</strong>Não sei se isso me passou sequer pela cabeça, confesso. Na altura estava entusiasmadíssima por estar em Nova Iorque, por estar na escola de representação, conhecer pessoas novas, perceber como é que funcionava a indústria e cada passinho que pudesse ser pequeno ou grande era um entusiasmo enorme porque era a próxima coisa que eu ia descobrir. Fui com uma mente muito aberta e a minha meta naquela altura foi perceber quais é que são as agências com valor, com algum tamanho. Uma coisa que me surpreendeu, porque sempre fui fluente a falar inglês, andei no colégio inglês, é que não me tinha apercebido que há um sotaque de escola internacional que é uma mistela daquilo que apanhamos nos filmes com um sotaque britânico. Não me tinha apercebido que tinha um sotaque a falar inglês, não sei qual era, mas tinha. Eu era fluente na escrita, na parte de leitura, em comunicar, no vocabulário, mas isso não quer dizer que não tivesse sotaque que não fosse americano. Não fiz aulas nenhumas porque sinceramente quando toca a sotaques eu acho que consigo habituar-me depressa ao sotaque local, bastou viver nos Estados Unidos uns meses que o sotaque americano começou logo a entrar.</p>
<p><strong>Entre esse momento inicial e o casting para NCIS: Los Angeles passou muito tempo?<br />
</strong>Acho que é relativo porque há pessoas que demoram 10 anos a conseguir entrar na indústria a conseguir o primeiro grande trabalho e há pessoas que em meses conseguem entrar porque por acaso o timing deu certo. No meu caso eu diria que foi mais rápido. Atirei várias sementes ao vento, como faço ainda hoje, inscrevi-me em todos os <em>websites</em> que tinha visto e que me tinham dito na escola, e nesses <em>websites</em> podia haver alguém que me chamasse para fazer um casting, mesmo que fossem filmes de estudantes, e eu fiz vários porque não tinha material em inglês e precisava. Também ia encontrando castings, temos de estar abertos a fazer tudo, desde que nunca comprometam com a nossa integridade. Houve uma vez em que um ator que tinha escrito um guião e queria fazer uma leitura de mesa, que é quando os atores se sentam à volta de uma mesa para ler o guião em voz alta para os potenciais financiadores verem se é bom, disse: não te posso pagar, mas vem, faz a leitura, é num teatro e vão lá estar muitas pessoas. Não tinha nada a perder e fui. Estava lá um diretor de casting de uma novela que se chamava <em>Guiding Light, </em>demo-nos lindamente e ele disse: tens agente? E eu disse: não, estou à procura. Passadas umas semanas eu recebo uma chamada de uma agência conceituada e disseram: este diretor de casting recomendou o teu nome e gostávamos de falar contigo. Fui à reunião e assim que entrei conheci a minha agente. 18 anos depois ainda é a minha agente. Isto foi no final de um ano e depois nós temos uma coisa lá que se chama Pilot Season, que é mais ou menos entre janeiro e abril, ela começou a mandar para os castings todos que havia naquela altura e um deles foi o <em>Red Tales</em> e o outro foi o <em>NCIS: Los Angeles</em>. O <em>NCIS</em> mudou-me para Los Angeles e a partir daí lá fiquei, lá enraizei, conheci o marido, tive filhos. Foi relativamente rápido, mas dentro desse espetro de tempo houve muitas negas, muitos agentes que disseram que não, managers que disseram que não.</p>
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<p><strong>Como é que descreves a influência desta personagem, a Kensi, na tua carreira?<br />
</strong>Eu acho que a experiência de interpretar uma personagem durante tanto tempo significa que temos muito tempo para desenvolver a personagem, para ela amadurecer e crescer ao mesmo tempo que eu. Quando a comecei a fazer ela tinha 25 anos e ao fim de 14 anos obviamente ela foi amadurecendo, tendo experiências de vida, tendo interesses de vida, casar, se calhar quer ter filhos, se calhar não quer, aquelas questões todas que nos passam pela cabeça à medida que vamos amadurecendo na vida. Eu consegui viver isso um bocadinho em paralelo com a minha vida real. A diferença talvez entre as duas é que eu sempre soube que queria ter filhos enquanto a personagem duvidava no princípio se queria ou não e depois acabou por ter problemas de infertilidade, que eu achei espetacular terem escrito isso porque é uma coisa tão comum e tão real para tantas mulheres e acho que se fala pouco nas séries. Depois em 14 anos também conseguimos fazer tudo: comédia, ação, drama sermos nós os principais, sermos nós os que apoiam os outros atores, conseguimos literalmente fazer um bocadinho de tudo, um bocado como na vida. O que foi giro de interpretar a Kensi foi precisamente poder ter todas as experiências como atriz dentro daquela personagem. Uma mulher mais forte, uma mulher que é resiliente, uma mulher que mesmo que esteja magoada consegue continuar a andar em frente, que tem os seus traumas, foi uma experiência maravilhosa por isso. Mas ao mesmo tempo, o outro lado é que esta experiência é o que nós chamamos de gaiola dourada. Realmente é um privilégio, é uma coisa incrível, mas ao mesmo tempo estamos enjaulados naquela personagem e para alguém criativo às vezes destrói um bocadinho a criatividade. Portanto, não trocaria a experiência por absolutamente nada, mas ainda fiquei uns anos quase a questionar: será que eu agora ainda consigo fazer outras coisas? Felizmente aí o Leonel Vieira ligou-me e disse olha tenho aqui uma série, o <em>Grito</em>, a personagem é assim e assim, descreveu-me tudo, e eu: é isto mesmo, completamente diferente da Kensi, vamos embora, vamos fazer.</p>
<p><strong>Há algum episódio ou alguma fase da série que consideras que tenha sido um desafio maior?<br />
</strong>O desafio maior que eu tive acho que nem sequer foi uma questão de personagem, acho que foi quando engravidei as duas vezes, ter ficado fora uns meses sabendo que estavam todos a gravar. Eles organizaram-se de forma a eu gravar as minhas cenas todas primeiro, para que depois na edição eu apareça em todos os episódios. Para as pessoas de casa eu não faltei a nada, nem que fosse uma cena dela no Afeganistão ou na Síria ou em Roma. Eu sou muito irrequieta, sempre fui, gosto de trabalhar e adoro ser mãe, tive o privilégio de poder levar as crianças para o trabalho comigo, com uma babysitter claro. Jurei a mim própria que não queria fazer esperar ninguém em platô, porque por mais que me tivessem apoiado não é preciso fazer as pessoas esperar, há pessoas que podem tomar o seu direito de espaço, de tempo e tudo, mas eu não me arrependo nada, fiz mesmo questão de: vocês deram-me espaço e escreveram as coisas fora de ordem por mim, a forma de eu agradecer é conseguir ser o menos difícil possível trabalhar comigo logisticamente naquela altura. Foi um desafio, mas foi incrível.</p>
<p>E talvez o maior desafio, quando eles começaram a ir para a escola, era não ter necessariamente um horário previsível de saber que podia levá-los à escola todos os dias ou ir buscá-los todos os dias, foi uma das vantagens da série acabar, de repente ter esta disponibilidade toda para ser eu a ir buscá-los, leva-los a casa, dar-lhes lanche, fazer os trabalhos de casa com eles.</p>
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<p><strong>Porque é que foi importante manteres uma ligação a Portugal?<br />
</strong>Na altura eu nem pensei “é importante fazer isto”, foi uma coisa tão natural para mim manter aqui um pé. Para já porque tenho cá a minha família toda, logo eu sei que vou sempre ter uma presença grande em Portugal porque não vou deixar de ver os meus familiares, depois comecei a minha carreira aqui e sei muito bem onde é que é o meu berço criativo. É em Portugal, ponto. Depois, realisticamente eu acho que a minha imagem em Portugal tem uma leitura maior do que tem nos Estados Unidos, porque é maior, há muitas séries lá. Como comecei a minha carreira aqui e sempre recebi um carinho enorme do público, tenho orgulho de ser portuguesa e sinto o orgulho que as pessoas sentem de eu ter conseguido, como eles dizem, vingar lá fora, eu jamais iria deixar o nosso público. Gosto mesmo de trabalhar em português, gosto de apresentar as nossas coisas, gosto do que nós temos para oferecer. Acho que as nossas equipas técnicas fazem de uma migalha um banquete de trabalho, as pessoas aqui trabalham com tanto gosto, trabalham tão bem, nós temos pouco dinheiro para investir nestas coisas e as pessoas mesmo assim fazem coisas inacreditáveis.</p>
<p><strong>Tens uma carreira como atriz e realizadora nos Estados Unidos e quando se olha para isso do lado de cá muitas das vezes é apenas com aquela visão romântica das coisas. Há alguma conceção errada que exista dessa realidade?<br />
</strong>O glamour está nas passadeiras vermelhas, nos vestidos e nos prémios. Agora, aquilo que se faz mesmo no dia-a-dia, estar nas trincheiras de produzir, de fazer de horas em platô, então como realizadora nós nunca largamos o osso. Um ator faz o seu trabalho de casa, prepara a personagem, mas no fundo a nossa preocupação é o arco da história daquela personagem e como nós interagimos com as outras personagens à volta dessa personagem. Como realizador nós temos de ter todo o arco da história na cabeça, de ter uma continuidade que faça sentido, de contar uma história visualmente, mas ao mesmo tempo não queremos que se note a parte da realização, porque não é preciso fazer planos interessantes só por fazer, porque aí acho que tira um bocadinho o público do filme ou do episódio. Mas realmente o dia-a-dia não é essa parte do glamour. Aliás, quem vai ao <em>Walk of Fame</em>, é muito giro ver uma vez, mas não está tudo limpinho e brilhante. Só Los Angeles tem a mesma população, ou mais, de Portugal inteiro, portanto estamos a ver o que é a densidade de pessoas, o que é lixo, sujeira, tanto temos uma riqueza enorme como temos muita gente a viver na rua. Isto para dizer que eu acho que a parte glamourosa é o que mais engana porque de resto é só trabalhar o mais possível. Calças rasgadas, t-shirt velha e toca andar.</p>
<p><strong>Como é que descreves a realidade de ser um ator em Hollywood hoje em dia, tendo em conta todos os desafios que existem: a recente greve, a política norte-americana a interferir no meio artístico, inteligência artificial (IA)?<br />
</strong>Incerta, talvez. A política é temporária porque daqui a uns anos será outra pessoa a liderar o país, logo teremos políticas diferentes ou parecidas, não sei, mas acho que tudo é cíclico e conseguimos ver isso na história inteira. Pessoalmente não sinto necessidade de ficar deprimida ou chateada, claro que fico aborrecida porque há menos casting do que havia antes, mas ao mesmo tempo isso faz com que eu seja mais proativa a organizar os meus próprios projetos. Como é óbvio, a política envolver-se nos Late Night Shows, o Stephen Colbert agora terminar por causa disso, é o maior disparate do mundo. Tem de haver aqui uma liberdade artística, de alguma forma. É óbvio que descordo profundamente com o que se passa, mas, ao mesmo tempo, eu sei que é cíclico.</p>
<p>Sobre a IA, é tão novo que não temos essa história de saber se há ciclo. E aí é que chega a incerteza. Se eu acho que a IA vai substituir atores? Não, acho que esta indústria é suficientemente grande para que haja público para tudo. Há desenhos animados, que não são pessoas. Acho que mesmo que exista um filme que seja 100% com IA, haverá um público para isso. Eu pessoalmente não sinto muita necessidade de ver, não tenho muito interesse, mas isto não significa que não haja espaço para aqueles que gostam dessas coisas. Eu também não faço jogos de computador e há pessoas que adoram. Eu acho que o maior risco neste momento, pelo que eu consigo entender, é nos empregos de entrada. Por exemplo, com os escritores o que é que tipicamente acontece? Há certos trabalhos que o assistente dos escritores iria fazer e que, neste momento, põe-se aquilo na IA e em dois segundos sai logo o trabalho feito. Portanto, esses lugares de entrada vão, certamente, ser comprometidos e afetados. Só que o que é que acontece? Essas pessoas, depois, passariam a ser os escritores. O escritor, numa série de televisão americana, também fica com o papel de produtor, supervisor de história, depois passa a ser coprodutor executivo, depois produtor executivo, e, eventualmente, passa a ser o que nós chamamos de <em>showrunner</em>, que é a pessoa que gere toda a série. Ora, se nós vamos eliminar esses empregos de entrada, onde esses escritores assistentes crescem dentro de uma série ou dentro da indústria e vão aprendendo todos os papéis até conseguirem ser um <em>showrunner</em>, quem é que vai ser o <em>showrunner</em> no futuro? Não é agora que nos vamos sentir muito afetados, é no futuro, quando não houver ninguém treinado para gerir aquilo que é preciso gerir, da forma que é preciso gerir. Mas em relação aos atores não tenho receio neste momento. Tirando o uso da imagem dos atores, como o Tom Cruise, Brad Pitt, usar as vozes deles, como Morgan Freeman, isso eu acho que é um problema, não se pode usar a imagem e a voz de uma pessoa sem a autorização dessa pessoa.</p>
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<p><strong>Como é que foi a experiência de passar depois para a realização?<br />
</strong>Durante muito tempo perguntavam-me se eu queria realizar e eu dizia que não. Achava que era um trabalho demasiado avassalador, muita responsabilidade. Não sabia, na altura, se tinha autoestima, o que é ridículo porque eu tenho muita autoestima, mas não sabia se iria conseguir concretizar o trabalho da forma como eu gosto de trabalhar. Ou seja, um bocadinho perfeccionista com algumas coisas. Então dizia que não. Foi uma amiga minha que me deu o empurrão final, disse-me: tu estás a fazer uma série em que estás em família, estás em tua casa, e para teres essa experiência pela primeira vez deveria ser num ambiente confortável, em que as pessoas te querem ver fazer bem as coisas e aquilo que tu não sabes, tens pessoas lá que te vão apoiar e te vão ensinar, não te vão deixar cair nem vão deixar cair a série. Fui falar com o nosso <em>showrunner</em> na altura, ele achou ótima ideia e foi a partir daí. No primeiro dia no platô, como realizadora, estava nervosíssima. Para já fui falar com os atores todos, com os meus colegas todos. O Chris O&#8217;Donnell ficou feliz da vida por mim, ele também já tinha realizado dois episódios, o LL Cool J amou a ideia também. Aliás, eles os dois têm sido dois dos meus maiores apoiantes na parte da realização. Estava nervosíssima, mas depois do primeiro dia disse: apaixonei-me por esta profissão. E agora adoro as duas coisas, não consigo escolher entre uma e outra. Mas o facto é que agora tenho duas carreiras, quando uma esta está parada posso tentar puxar pela outra, e vou tentando equilibrar.</p>
<p><strong>De que forma a experiência com atriz foi importante na parte da realização?<br />
</strong>Muito. Para já, a técnica de estar à frente da câmara e poder aproveitar-me dessa noção para saber como comunicar com os atores. Há atores que não querem saber onde é que está a câmara, outros que gostam de saber mais a parte técnica, como foi sempre o meu caso. Por exemplo, estamos a filmar a minha cara de frente, eu depois pergunto: vais pôr a câmara atrás de mim também ou fica só de frente? Se o realizador disser que vai estar uma câmara atrás de mim sei que na minha cena posso voltar-me para trás, para dar um olhar para trás. E coisas de continuidade, para ter a certeza de que na edição a mão do ator está aqui e na próxima tem de estar com os braços cruzados, por exemplo. Ou seja, há várias técnicas de trabalhar com a câmara que eu depois posso falar com os atores. Também há um bocadinho de psicologia atrás disto, cada ator gosta da comunicação de uma forma diferente, há atores que gostam de discutir a cena durante 20 minutos, há atores que eu só preciso dizer uma palavra para eles perceberem qual é o apontamento. Eu gosto de descobrir o que é que cada ator precisa nessa situação.</p>
<p>Houve um realizador do <em>NCIS</em>, eu ia realizar um episódio do <em>NCIS</em> e ele estava a gravar e eu decidi sentar-me a pé dele e observá-lo a trabalhar, ele chama-se Michael. E ele disse: “Vou-te ensinar uma coisa. Tu tens, em qualquer produção para onde tu vás, até à hora de almoço do primeiro dia de gravação para conquistares a equipa técnica”. O que é que isso significa? Estar muito bem preparada, saber as cenas, saber o que é que é preciso fazer, ser concreta naquilo que peço, ou mesmo se eu não tiver a certeza daquilo que eu quero, dizer que não tenho a certeza com confiança. Se entrarmos já com essa confiança no trabalho, porque já sabemos o trabalho de trás para a frente, eles sentem que estão em boas mãos e funciona bem. Quando cheguei ao <em>The Equalizer</em>, para realizar um episódio no ano passado, à hora do almoço no primeiro dia, e eu não tinha contado esta história a ninguém, houve uma das raparigas da equipa técnica que me deu dois polegares. Eu disse-lhe: tu nem sabes o que é que isso significa no primeiro dia, à hora do almoço. Ela disse: porque tu chegaste aqui preparada, sabes a história, sabes os nomes de toda a gente, fizeste o teu trabalho de casa, o pessoal pode confiar em ti. E foi ótimo.</p>
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<p><strong> </strong><strong>Para esta área da realização, que objetivos profissionais tens neste momento?<br />
</strong>Quero fazer longas-metragens. Eu adoro fazer televisão, mas as séries existentes, ou mesmo aquelas novas, acabam por ter o seu formato, o seu ritmo, o que eu chamo de caixa de areia. Temos os nossos parâmetros do que a série é, o ritmo, o estilo, o género, dentro dessa caixinha podemos fazer o castelo com aquela areia, que é a parte criativa que nós podemos trazer como realizadores novos numa série. Em cinema, em princípio, o realizador consegue construir essa caixa, não é só fazer o castelo de areia, mas eu posso construir a própria caixa dentro dos meus parâmetros, daquilo que eu quero de imagem e de tudo, trabalhando com o diretor de fotografia. Há uma certa liberdade criativa que existe em fazer longas-metragens que pode não existir tanto em televisão. Mas adoro as duas, não é uma crítica a nenhuma, é simplesmente o formato. Como já fiz muita televisão, e quero continuar a fazer, gostava muito de realizar longas-metragens.</p>
<p><strong>Em que projetos estás a trabalhar?<br />
</strong>Há vários projetos que eu tenho neste momento, e já temos atores agarrados aos projetos. Financiamento é sempre um pesadelo, como é óbvio, mas ter atores agarrados com um certo renome ajuda sempre. Um deles é baseado num livro chamado <em>Nowhere Boy</em>, é a primeira longa-metragem que eu quero realizar, comprei os direitos do livro e passámos uns anos com uma escritora a desenvolver o guião, arranjámos produtor e agora temos dois atores de renome, que eu não vou revelar já. Está a correr muito bem, estou muito feliz. Depois tenho o <em>And Then She Was Gone</em>, em que sou produtora executiva, vou entrar também, mas aí é que tenho praticado mais o trabalho de produtora executiva, juntar a equipa, fazer o <em>networking </em>com os atores, é um trabalho bastante diferente. Depois há um outro projeto aqui em Portugal, para realizar uma série.</p>
<p><strong>Qual foi a lição mais importante que a tua carreira te ensinou até hoje?<br />
</strong>O gosto e a importância de colaborar. Eu cresci filha única e nunca tive de colaborar com ninguém, nunca tive de partilhar os meus brinquedos. Eu acho que nunca tive muita atitude de filha única, mas nunca tive de partilhar nada. Não é que tenha sido difícil para mim trabalhar assim antes de empregar por esta carreira, mas talvez tenha cimentado a forma de colaborar com outras pessoas, de saber ouvir, de não interromper, respeitar a opinião do outro, não ter orgulho, valorizar o que o outro tem para oferecer e fazer crescer a ideia para que a ideia seja o melhor possível, independentemente se a ideia foi minha ou não.</p>
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<p><strong>Como falámos anteriormente, quando vais para os Estados Unidos já tinhas uma carreira em Portugal. Vais começar de novo. O que é que te motiva a procurar esta evolução?<br />
</strong>É a evolução, a própria evolução inspira-me imenso. Eu acho que esta profissão é perfeita para mim porque é muito difícil eu ficar num sítio só durante muito tempo. Acho que o sítio onde fiquei mais tempo foi no meu casamento e como mãe. Ser atriz é giro porque estamos sempre a fazer personagens diferentes, nunca estamos presas a uma coisa só durante muito tempo. Fora a Kensi, claro, todos os dias. Mas lá está, eu quando me comecei a sentir um bocadinho criativamente aborrecida com a Kensi, porque naturalmente passa-se por isso, comecei a realizar e voltei a sentir o entusiasmo de trabalhar, de criar e de fazer outra vez. Um episódio começa e acaba, outro episódio de outra série começa e acaba, fazer cinema como realizadora começa e acaba. Está certo que há a incerteza de quando é que vai ser o próximo trabalho, isso acontece em tudo, mas essa constante reviravolta de criatividade, de reinventar e de conhecer pessoas novas, numa equipa nova, numa série nova, eu adoro.</p>
<p><strong>E para terminarmos, que conselho darias a um ator que esteja hoje a pensar em apostar numa carreira lá fora?<br />
</strong>Isso é uma pergunta complicada porque aquilo que se passa hoje é diferente do que se passava antes. Para eu fazer uma carreira internacional tive que me enfiar no avião e ir para fora, hoje em dia todos os diretores de casting aceitam <em>self-tapes</em> e muitas vezes até fazem questão de procurar pessoas mais diversas, com sotaque de culturas diferentes, de raças diferentes. É como se os Estados Unidos é que fossem atrás da internacionalização. Acho que há uma abertura muito maior àqueles que não são de lá que foi crescendo nos últimos 10 anos. Logo, aquilo que eu aconselharia a fazer há 10 anos, todas as coisas que eu fiz, agora as pessoas podem fazer com a <em>tape.</em> O que facilita, claro. As próprias produções internacionais vêm aos agentes em Portugal, Espanha, etc., para ir buscar atores. Nós temos imensos atores em Portugal agora que têm feito uma carreira internacional, pode não ser tanto nos Estados Unidos, pode ser mais pela Europa, não interessa: o Albano Jerónimo, a Daniela Melchior, o Diogo Morgado, que também trabalhou nos Estados Unidos, a Maria João Bastos, a Sara Matos. Há tantas pessoas a conseguir fazer uma carreira internacional, porque os próprios países parece que agora procuram cruzar um bocadinho a artisticidade e a criatividade com as plataformas. Agora nós conseguimos ver séries de todos os países. Houve uma internacionalização que aconteceu naturalmente através das plataformas e através das <em>self-tapes</em>, e por isso aquilo que eu aconselharia já não se aplica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Agradecimento ao Museu Condes de Castro Guimarães e à Câmara Municipal de Cascais<br />
Fotos: Marisa Cardoso</em></p>
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		<title>30 Under 30: Um ano depois com Afonso Maló Franco</title>
		<link>https://www.forbespt.com/30-under-30-um-ano-depois-com-afonso-malo-franco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Meireles]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 17:24:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[30 Under 30]]></category>
		<category><![CDATA[Digital Cover]]></category>
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		<category><![CDATA[Afonso Maló Franco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É provável que esta cara não lhe seja estranha, mas deixo-nos apresentá-lo de novo. Até porque já viveu várias vidas desde que entrou pela casa dos portugueses pela primeira vez. Chama-se Afonso Maló Franco e é vice-presidente na Laerdal Medical, a multinacional reconhecida como a empresa mais inovadora da Noruega, orador em conferências e apresentador [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É provável que esta cara não lhe seja estranha, mas deixo-nos apresentá-lo de novo. Até porque já viveu várias vidas desde que entrou pela casa dos portugueses pela primeira vez. Chama-se Afonso Maló Franco e é vice-presidente na Laerdal Medical, a multinacional reconhecida como a empresa mais inovadora da Noruega, orador em conferências e apresentador do Scandinavian Product Podcast, onde entrevista autores, executivos e fundadores de empresas.</p>
<p>Com a mãe e a irmã já envolvidas no mundo da televisão, a sua chegada a este meio não foi uma surpresa. Começou com dobragens, fez a série “Inspetor Max”, deu o salto para as novelas e parou. Cedo percebeu que não queria lidar com algumas das consequências desta profissão.</p>
<p>Passou pelo desporto e pelo marketing, mas foi na tecnologia que encontrou o lugar que mais o desafia. E Afonso gosta de ir atrás de novos objetivos.</p>
<p><strong>Como é que surgiu a oportunidade na representação?</strong></p>
<p>Tudo começou com dobragens para a Disney e para a Pixar. Muito porque a minha mãe estava associada à indústria e na altura a minha irmã estava a fazer a Clarinha do Super Pai. Tinha todo esse mundo ao meu redor em casa. Começo por fazer dobragens, ainda nem sabia ler, eles tinham de me dizer o que é que eu ia dizer. Depois houve um dia em que fui ver a minha irmã gravar, eles gostaram de mim e disseram: há esta nova série que vai ser feita, devias vir ao casting. Fiz o casting e acabei por ficar, foi o primeiro passo em televisão. Depois do Inspetor Max, decidi continuar e surgiu a oportunidade para fazer A Vingança, que era uma novela da SIC. Já era um bocadinho mais velho, tive uma perceção diferente do que é este mundo e daquilo que eu estava a fazer.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-188846 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6843-scaled.jpg" alt="" width="1708" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6843-scaled.jpg 1708w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6843-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6843-1281x1920.jpg 1281w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6843-768x1151.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6843-1025x1536.jpg 1025w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6843-1366x2048.jpg 1366w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6843-1200x1799.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6843-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1708px) 100vw, 1708px" /></p>
<p><strong>Depois deixamos de te ver em televisão e quando voltamos a ouvir falar de ti é já ligado ao râguebi. Como foi esse período entre um momento e outro?</strong></p>
<p>A seguir à novela eu podia ter continuado, havia algumas propostas e ideias, mas não continuei porque, mesmo sendo miúdo, não gostei muito da parte da falta de privacidade. A fama ainda hoje é uma coisa que eu não procuro e decidi que queria preservar a minha privacidade. Depois também começou a minha jornada no râguebi, eu já jogava desde os cinco anos, mas aí as coisas começaram a ficar mais sérias, as primeiras seleções começavam a aparecer e eu sou muito competitivo. Continuei a fazer dobragens, porque gosto imenso e ainda hoje gosto desse mundo, mas, entretanto, foquei muito no râguebi. Eu sou muito assim, sou muito de fazer uma coisa e estar totalmente focado nela. Estou disposto a deixar coisas que até sou bom a fazer ou são especiais para mim. Se aparece uma coisa que realmente me desperta a atenção tenho facilidade em tomar essa decisão.</p>
<p><strong>Nesse momento o teu objetivo era seguir uma carreira no râguebi?</strong></p>
<p>Não sabia bem. Desde muito cedo, que o meu foco era chegar ao topo daquilo que eu podia chegar em termos de râguebi. Isso é uma coisa minha em tudo o que faço, se me foco em alguma coisa gosto de ir a fundo, não vou fazer só para me entreter. Para mim o que isso significa é conseguir atingir os objetivos que traço para mim próprio. O objetivo na altura era conseguir ser o melhor jogador que eu poderia ser e isso significava chegar a capitão da seleção do meu escalão. Depois tive uma fase em que me tornei capitão da seleção e foi uma fase da minha vida em que comecei a pensar duas vezes: será que posso mesmo ser jogador profissional? Considerei ir jogar para França, mas sempre tive esta ambição a nível de trabalho e sempre tive esta ideia de “não sei se quero ser desportista”, não era uma visão que tinha para mim. Chegou uma altura em que comecei a pensar: isto não é aquilo que quero fazer no futuro. Quase que do dia para a noite pus o râguebi de parte e foquei na universidade.</p>
<p><strong>Sentes que o teu foco muda assim que cumpres o teu objetivo?</strong></p>
<p>Isto por um lado leva-te a nunca estares satisfeito como ser humano, porque tens sempre um objetivo, nunca consegues viver o presente e estar grato por aquilo que tens. Por outro lado, atingir um objetivo é uma coisa boa e devias estar orgulhoso. É bom ser ambicioso, temos uma vida só e é importante fazermos aquilo que gostamos da forma que gostamos. Eu sou intenso, gosto de fazer as coisas intensamente. Eu tinha entre 16 e 18 anos, nessa altura acho que era um bocado imaturo e se calhar estava sempre focado em “qual é o próximo objetivo”, hoje em dia vejo a vida de uma forma um bocadinho diferente.</p>
<p><strong>Que valores é que aprendeste com o râguebi e de que forma eles te ajudam hoje a nível profissional?</strong></p>
<p>Há vários. Um que está sempre muito presente é o companheirismo. Há uma coisa muito especial no râguebi que é quando vais para dentro de campo, porque é um desporto com muito contacto, há aquela sensação de: tu vais para campo com os teus amigos para dares o litro fisicamente, vais quase que lutar, usando uma metáfora, vais-te sacrificar pelos teus companheiros de equipa, pelos teus amigos. Quando estou numa equipa, eu vou fazer tudo aquilo que posso para que os meus companheiros de equipa estejam bem, estejam felizes, sejam bem-sucedidos, para que como equipa estejamos a cumprir os nossos objetivos e cheguemos onde queremos. A ambição é um valor que também me foi incutido muito cedo. O respeito. Eu posso estar numa competição, mas não deixam de ser equipas de seres humanos.</p>
<p><strong>E como é que foi o teu percurso académico?</strong></p>
<p>Eu estava muito apaixonado por marketing. Estudei gestão, mas já na minha licenciatura queria muito fazer o mestrado em marketing fora. Acabei depois por conseguir entrar em Kingston Business School para fazer o mestrado em marketing e <em>brand management</em>. Na altura a minha ambição seria ser <em>chief marketing officer</em> numa empresa com produtos com que me identificava. Eu faço o mestrado ainda com essa expectativa, fui o melhor aluno do mestrado e depois começa a minha carreira.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-188847 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6793-scaled.jpg" alt="" width="1708" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6793-scaled.jpg 1708w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6793-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6793-1281x1920.jpg 1281w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6793-768x1151.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6793-1025x1536.jpg 1025w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6793-1366x2048.jpg 1366w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6793-1200x1799.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6793-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1708px) 100vw, 1708px" /></p>
<p><strong>Como é que são os primeiros passos a nível profissional?</strong></p>
<p>Eu conheço a minha agora mulher em Londres, na mesma universidade. Ela é norueguesa, decide voltar e eu decido voltar com ela, já estava a escrever a tese na altura e decido vir para a Noruega sem trabalho. Quando cheguei percebi que havia uma marca de cerveja que eu adorava, eles tinham um marketing brutal, é uma das maiores marcas de cerveja aqui na Noruega: a Lervig. Eu pensei para mim: porque não trabalhar nesta empresa? Mas eles não tinham nada em aberto portanto marquei uma reunião com o CEO para fazer um <em>pitch</em> de mim próprio para um estágio de verão em marketing. Lembro-me que fiz uma análise de todo o website deles, fiz um <em>pitch</em> do que eu poderia trazer à empresa como marketing intern. Ele gostou muito disso e ofereceu-me o trabalho, ou seja, quando cheguei quase que tive trabalho logo no dia a seguir por ter tido essa atitude.</p>
<p><strong>Mas não ficaste por aí, como é que chegas à Laerdal?</strong></p>
<p>Comecei a perceber que adoro marketing, mas aquilo que eu gosto mesmo de fazer é criar produtos na área da tecnologia. Nesse estágio começo a criar esse bichinho e a pensar: quais é que são as funções que têm essa responsabilidade de inovação, criação de produto em tecnologia, e cheguei à conclusão que seria <em>product management</em> em tecnologia. A Laerdal, que é a empresa onde estou hoje, estava à procura de um <em>product manager</em> e eu lancei-me. Tinha 21 anos e disse a amigos e mesmo familiares da minha mulher que me estava a candidatar como <em>product manager</em> para a Laerdal, que é uma multinacional, toda a gente sem exceção me disse: eu admiro a tua ambição, mas esquece, não vais entrar com 21 anos. Eu tentei na mesma e a verdade é que me lembro que foram umas quatro rondas de entrevistas, fui ficando, até que a entrevista final foi um <em>case study</em>, preparei-me muito bem e acabei por ficar. A partir daí, a minha carreira aqui na Laerdal disparou.</p>
<p><strong>E porque é que achas que ficaste tu?</strong></p>
<p>Olhando para trás e analisando em retrospetiva o meu <em>case study</em>, há uma coisa que eu tenho vindo a treinar há muitos anos que é a comunicação e o meu <em>case study</em> foi muito analítico, preparei-me mesmo muito bem para o caso e provavelmente mais do que outros candidatos, tive a capacidade de articular as ideias de uma forma clara, de uma forma confiante e é isso que a Laerdal também vê num <em>product manager</em>, uma pessoa que também tem a capacidade de interagir, de comunicar de estar confiante. Eram quatro pessoas na entrevista e eu conseguia ver que eles estavam a gostar, mas que havia ali alguma hesitação, talvez por as minhas respostas não serem tão séniores, e a dada altura lembro-me dizer: eu sei que sou muito novo e que não tenho experiência para este cargo, mas se há uma coisa que eu sei é que eu vou a fundo, vou aprender tudo bastante rápido, se há coisa que eu sei é aprender. Na altura lembro-me de ver as reações e perceber que eles gostaram da atitude e acabei por ficar. Isso foi um marco na minha carreira porque me abriu portas para a carreira gigante que tenho agora.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-188848 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6545-scaled.jpg" alt="" width="1708" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6545-scaled.jpg 1708w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6545-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6545-1281x1920.jpg 1281w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6545-768x1151.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6545-1025x1536.jpg 1025w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6545-1366x2048.jpg 1366w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6545-1200x1799.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6545-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1708px) 100vw, 1708px" /></p>
<p><strong>Fala-me sobre essa carreira, como é que foi o percurso a partir daí?</strong></p>
<p>A partir daí eu foquei, quase como obsessão, em tentar aprender tudo o que é bom<em> product management</em> em tecnologia. Eu sabia que aquilo que me iria dar as ferramentas que eu precisava. Comecei a mandar mensagens no Linkedin a <em>product managers</em> da Duolingo, Google, Amazon e outras empresas, e comecei a ter reuniões com essas pessoas quase que antes de ter reuniões na Laerdal. Comecei a aprender imenso e depois é um bocado uma bola de neve, tu começas a aprender muito, começas a ter questões, depois perguntas ainda mais refinadas, o que te leva a abrir outras portas, conhecimentos. Acho que nos meus primeiros dois, três anos na Laerdal eu li 100 livros por ano, e não estou a exagerar, foi mesmo dia e noite a tentar aprender. Comecei a trazer ideias e as pessoas da empresa começaram a ver isto como inovação quase interna a nível de formas de trabalhar e facilmente me comecei a posicionar na Laerdal como alguém que traz ideias novas e alguém com vontade de desafiar o status quo. Isso chamou à atenção do <em>chief product officer,</em> que também é dono da empresa, o John Laerdal, e eu começo a criar uma relação com ele muito próxima. Os resultados, entretanto, começaram a aparecer e então houve uma altura em que eu quase que me começo a posicionar como um diretor de product management, porque na altura a empresa não tinha esse cargo. Isso foi uma coisa que depois levou precisamente à criação desse cargo, três anos depois de eu ter entrado. Passado mais um ano e meio, derivado também a ter feito um bom trabalho, recebi então uma proposta para vice-presidente no dia em que fazia 27 anos. Foi uma coisa muito polémica porque obviamente eu ainda era muito novo, foi uma coisa muito intimidante para mim, mas acabei por aceitar no dia em que fiz anos. Acabou por não correr como eu queria, fiquei nesse cargo durante uns oito meses e acabou por ser uma posição que eu não estava a gostar muito. Coincidiu com a Easee, que era na altura uma das empresas tecnológicas que estava a crescer mais na Europa, me contactar para que eu fosse liderar o produto. Essas duas coisas, eu não estar a gostar muito do cargo e uma proposta de uma empresa que eu tinha muita curiosidade, acabou por me levar a aceitar e a sair da Laerdal. Foi uma decisão do Afonso mais imaturo, que eu não teria feito hoje. Nessa altura também comecei a partilhar aquilo que estávamos a fazer e comecei a escrever. Alguns artigos começaram a ficar virais e começo a receber propostas para ir falar nas maiores conferências de produto, inovação e design do mundo.</p>
<p><strong>O lado público de que fugiste há uns anos regressa à tua carreira.</strong></p>
<p>Exatamente. Uma carreira mais pública, a nível de partilhar conhecimento, escrever. O reconhecimento começa a aparecer.</p>
<p><strong>E neste momento estás onde?</strong></p>
<p>Voltei para a Laerdal. Entretanto saí da Easee para criar a minha própria empresa como consultor e <em>advisor</em> para fundadores e CEO. Fiz isso durante um ano, criei um podcast que chegou a número 2 na Escandinávia e podcast número 1 de produtos e <em>growth</em> nos nórdicos. É engraçado porque na altura a minha mulher perguntou-me qual era o meu objetivo com o podcast e eu disse imediatamente: número 1 em produto e <em>growth</em>, pelo menos na Escandinávia. E de novo quase toda a gente com quem eu falava dizia: Afonso, número um é o Lex Fridman ou é o Joe Rogan, isso é totalmente irreal. E a verdade é que o podcast estava número dois na Apple duas semanas a seguir ao lançamento. Isso deu-me um prazer enorme, porque eu adoro falar com pessoas, explorar tópicos, aprender.</p>
<p>Mas a certa altura senti-me um bocado sozinho como consultor independente, talvez por este espírito de equipa que o râguebi me deu, eu gosto imenso de estar rodeado de equipas, tinha muitas saudades disso como consultor independente. Quando saí da Laerdal saí bem, sempre com boas relações, com um respeito enorme pela empresa e pela família. E isto também coincidiu com uma conversa com o John Laerdal, ele queria muito que eu voltasse e eu também mostrei interesse em voltar. Acabámos por formalizar um cargo de vice-presidente para operações.</p>
<p><strong>Qual é a diferença entre este cargo e aquele que deixaste?</strong></p>
<p>O cargo passado era mais de estratégia de produto. O cargo que eu tenho agora é em parceria com o departamento de estratégia de produto, mas totalmente focado em fazer o design da organização para que nós estejamos como uma organização capaz de executar a estratégia e a visão que temos. Ou seja, a minha a minha responsabilidade é ter a certeza de que a Laerdal está preparada para o sucesso: como trabalhamos, como as equipas colaboram, as ferramentas que usam, a cultura que nós temos internamente, a nível de produto, engenharia e design. O processo, as operações, a forma como as equipas criam um produto, tudo isso é a minha responsabilidade de desenhar, melhorar, inspecionar, tentar perceber os desafios que existem das diferentes equipas, dos diferentes líderes. Além disso, estou muito próximo com o CPO e com o CTO em estratégia de produto, e, por fim, há também uma componente que nós chamamos <em>enablement</em>, que é mais a nível de trabalhar com líderes, há um bocadinho uma componente de coaching aqui, para sermos o melhor que podemos.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-188849 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6862-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1708" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6862-scaled.jpg 2560w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6862-960x640.jpg 960w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6862-1920x1281.jpg 1920w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6862-768x512.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6862-1536x1025.jpg 1536w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6862-2048x1366.jpg 2048w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6862-1200x800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/06/2VIC6862-600x400.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
<p><strong>Como é que tem sido trabalhar esta área da tecnologia numa altura em que ela muda tão rápido?</strong></p>
<p>Para mim é muito entusiasmante, porque o desafio intelectual é dez vezes maior. Se por exemplo há cinco anos, líderes com funções parecidas com a minha teriam de pensar “será que temos a estrutura da organização certa? Será que temos os processos certos? Será que temos a cultura certa?”, hoje isso é um tudo ou nada para uma organização. Tens uma disrupção muito grande a acontecer e as empresas que se adaptam rapidamente serão aquelas que irão ter sucesso no futuro. Esta questão da inteligência artificial (IA) é extremamente intelectualmente estimulante, não há um dia em que não tenha uma ideia de como fazer alguma coisa diferente, ou como adotar uma ferramenta que ainda não temos, ou como mudar um processo que já está ultrapassado. Eu costumo dizer que ninguém sabe realmente qual é o guia prático hoje. Há cinco anos existiam as melhores práticas que tu podias aprender, hoje o guia está sempre a mudar. Isto é a era de criares o teu próprio guia prático para conseguires redesenhar algo que se adapta a ti e ao teu contexto atual, com a maturidade que possuis hoje. E isso não consegues aprender de outras empresas, porque está tudo a mudar muito rápido e nem eles sabem também. Acabas mesmo por ter de experimentar coisas novas que não foram feitas nunca. E isso, para mim, é o trabalho de sonho.</p>
<p><strong>Quais são as tendências do mercado que mais te entusiasmam hoje em dia?</strong></p>
<p>Obviamente a inteligência artificial, acho que há muita gente que ainda não percebe o impacto que os agentes de IA vão ter nas organizações. No passado existiam cargos e responsabilidades muito definidas, hoje quando chegas a uma altura em que podes ter um agente de IA em parceria com uma pessoa, os cargos começam a fundir-se. Vamos ter um aumento muito grande de produtividade em empresas que conseguem adotar estas tecnologias. As empresas têm de começar a redesenhar como estruturam a informação, como interagem e tudo isso para estarem prontas para estes agentes. Isso interessa-me muito, como é que fazes o design de uma organização para que esteja<em> agent ready</em>. É importante que as pessoas percebam que os cargos vão mudar, eu não acredito num apocalipse no mercado de trabalho, em qualquer onda de inovação que tivemos na história, há sempre trabalhos que são perdidos, trabalhos que são criados e outros que são mudados. Acho que principalmente vamos ter uma mudança. Ou seja, a IA pode substituir muitas tarefas e automatizar muitas outras, mas não necessariamente profissões.</p>
<p>Outra questão é o possível fim da gestão intermédia. Tu podes criar produtos todos os dias com a tecnologia que existe, então aquilo que é mais importante é o teu julgamento sobre aquilo que, basicamente, merece existir. A ligação disto ao possível fim da gestão intermédia é que como as equipas conseguem criar de uma forma tão rápida, os líderes atualmente têm de estar muito mais próximos do contexto. Eu acho que as organizações do futuro vão ser naturalmente mais planas.</p>
<p>Por fim, outra coisa que se fala muito o fim do SaaS (software como um serviço). Eu acho que as empresas de SaaS, que resolvem um problema muito específico e muito pequenino, estão sim em risco de a morte, mas acho que o mercado de SaaS vai aumentar porque assim que começas a fazer a implementação dos agentes, eles vão trabalhar dentro dos produtos SaaS que existem, em vez dos seres humanos.</p>
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<p><strong>Ao longo da entrevista falaste algumas vezes sobre momentos em que dizias que ias fazer algo e as pessoas diziam que seria impossível. Achas que és tu que gostas de provar que as pessoas estão erradas ou as pessoas é que já deviam parar de te questionar?</strong></p>
<p>Vou ser muito honesto, eu acho que talvez no início, quando tive reações desse género, talvez houvesse essa questão de validação externa, essa necessidade de provar aos outros. E é uma coisa que tenho vindo a trabalhar, hoje sou muito mais motivado por questões internas do que externas. Os desafios que traço para mim próprio são desafios que eu sei que quero fazer e não penso muito naquilo que os outros vão pensar. A motivação não é para provar que os outros estão errados, a motivação é provar a mim próprio que eu consigo ser melhor amanhã do que era hoje. E se a pergunta é: mas será que as pessoas não acreditarem que tu consegues te motiva? Quem sabe, talvez.</p>
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		<title>Catarina Maia: Voz própria</title>
		<link>https://www.forbespt.com/catarina-maia-voz-propria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Meireles]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 19:33:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[30 Under 30]]></category>
		<category><![CDATA[Digital Cover]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A avó era modista e Catarina Maia acabou por crescer bastante próxima ao mundo da moda. Desde pequena que se lembra de folhear as revistas da avó, onde surgiam as últimas tendências para cada estação. Com o tempo, tornou-se fã de Sara Sampaio e criou contas nas redes sociais para seguir a carreiro da modelo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A avó era modista e Catarina Maia acabou por crescer bastante próxima ao mundo da moda. Desde pequena que se lembra de folhear as revistas da avó, onde surgiam as últimas tendências para cada estação. Com o tempo, tornou-se fã de Sara Sampaio e criou contas nas redes sociais para seguir a carreiro da modelo portuguesa. “Uma vez que publiquei umas fotos que eu tinha dela no meu quarto, tipo poster, e escrevi do género: <em>I love you Sara Sampaio</em>&#8220;. Tinha 12 anos, era muito pequenina, e ela respondeu-me”, conta Catarina à Forbes Portugal.</p>
<p>A resposta acabou por ser muito mais do que isso: tornou-se uma porta de entrada para o mundo da moda. “Tinha publicado umas fotos minhas. Ela respondeu-me a agradecer em primeiro lugar, mas depois também a perguntar se eu não gostava de ser modelo ou se já tinha pensado em seguir essa carreira porque gostou das fotos que viu”, lembra.</p>
<p>Através da modelo acabou por chegar à Central Models, onde ficou e continua a estar até hoje. Pelo caminho passou por diversas mudanças e desafios. Catarina Maia falou com a Forbes Portugal sobre todo o seu percurso.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-184713 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-18-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-18-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-18-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-18-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-18-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-18-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-18-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-18-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-18-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Tu eras muito nova, mas a moda já era o teu grande objetivo?<br />
</strong>Eu achava que ia ser estilista, que ia desenhar. Tenho um caderninho pequenino, antigo, onde tenho sapatos desenhados, adorava sapatos. Eu dizia que queria ser sapateira, porque queria ter uma loja de sapatos e queria desenhar sapatos. Achava que o meu percurso ia um bocadinho pelo design, não tanto pela frente das câmaras, mais pelo <em>backstage</em>. Mas depois comecei a perceber que, efetivamente, gostava também dessa parte das fotos, de vestir os modelos criados por outra pessoa e interpretar isso, porque a parte da moda também nos dá um bocado essa área mais multifacetada de podermos experimentar e de sermos mais ou menos atrizes.</p>
<p><strong>Qual foi o papel do concurso &#8220;Cabelo Pantene&#8221; na tua carreira?<br />
</strong>Foi crucial. Foi o &#8220;Cabelo Pantene&#8221; que me lançou para uma exposição que me mostrou a mais marcas, que me mostrou a mais pessoas que podiam, eventualmente, querer trabalhar comigo. Acho que foi mesmo o &#8220;Cabelo Pantene&#8221; que me deu o início da carreira. Eu marco o início da minha carreira com 18 anos, porque acho que foi aí que eu descobri também que a comunicação fazia muito parte daquilo que eu queria fazer ou por onde eu queria passar. Fiquei muito fascinada com o mundo da televisão e como concorrente eu passava horas a olhar para as câmaras, para os apresentadores e a perceber como é que aquela caixinha mágica funcionava. Ou seja, marcou-me muito pessoalmente, porque fez-me entender quem é que eu queria ser, o que é que eu queria fazer, e profissionalmente também, deu-me essa exposição de que já falei.</p>
<p><strong>O que é que te levou a escolher o curso de Ciências da Comunicação?<br />
</strong>Eu já estava em Lisboa quando o &#8220;Cabelo Pantene&#8221; aconteceu. Estava no segundo semestre do primeiro ano. Ciências da Comunicação porque eu era de Humanidades, claramente nasci para Humanidades, e percebi isso desde muito cedo, porque adorava comunicar, adorava falar, contar histórias, perceber a história dos outros. Acho que Ciências da Comunicação é o curso mais abrangente, dava-me todo o tipo de saídas. Na verdade, quando entrei para a faculdade queria ser jornalista, achava que queria ser jornalista de investigação, mas depois, com o &#8220;Cabelo Pantene&#8221;, percebi que queria era entretenimento.</p>
<blockquote><p>Vim para Lisboa especificamente porque era o melhor curso, teoricamente, o da Nova, e depois acabei por perceber que nem era pelo curso, era mesmo para trabalhar que eu queria esta cidade.</p></blockquote>
<p><strong>Não acabaste o curso?<br />
</strong>Não, faltam oito cadeiras, está congelado até hoje. Um dia, quem sabe, termino, mas a verdade é que a carreira se pôs à frente e eu priorizei continuar, porque sei que a carreira não esperaria e o curso continua até hoje ali paradinho, num cantinho à minha espera.</p>
<p><strong>Foi difícil fazer a transição do Porto para Lisboa?<br />
</strong>Foi muito difícil. Se não tivesse perdido o meu pai no ano passado, diria que essa foi a pior fase da minha vida, porque eu vim sozinha, conheço muita gente que veio com amigos, ou que tem um familiar, eu não tinha ninguém. Foi um bom teste à minha independência, até acho que à minha resiliência, porque foi preciso um ano para eu conseguir perceber que às vezes os esforços têm de ser feitos para um bem maior acontecer. Foi quando eu comecei a ver frutos no &#8220;Cabelo Pantene&#8221; e noutros trabalhos que percebi que valia a pena, porque até lá foi muito difícil para mim perceber que Lisboa me ia dar algo de bom. Achava só que não me ia conseguir integrar, que não ia conseguir fazer amigos, não estava a adorar o curso, então foi muito complicada a mudança.</p>
<p><strong>Conciliaste o curso com a moda durante quanto tempo?<br />
</strong>Fiz isso durante quatro anos, porque a partir do terceiro ano comecei a fazer só duas cadeiras por semestre, estava ao máximo a tentar conciliar tudo. Ia fazer o curso em cinco anos, depois percebi que efetivamente não dava, mas tentei conciliar ao máximo a parte do digital com a rádio, depois com a televisão. Mas foi quando surgiu a televisão que me vi mesmo obrigada a parar.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-184710 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-15-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-15-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-15-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-15-1278x1920.jpg 1278w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-15-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-15-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-15-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-15-1200x1803.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-15-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Como é que surgiu a oportunidade de ires para a Mega Hits?<br />
</strong>Fui convidada para falar sobre o meu percurso no programa que faço hoje em dia, que é o “Drive in”, são as tardes da Mega Hits, e na altura tive uma conversa muito tranquila, lembro-me da conversa ser tão natural que de repente parecia que conhecia aquelas pessoas há anos. Diverti-me tanto que pensei: bem, se calhar gostava de fazer rádio. Quando saí da Mega, o meu atual diretor, o Nelson Cunha, mandou-me uma mensagem a dizer que tinha gostado de me ouvir falar, e a perguntar se eu gostava de fazer um estágio na Mega para perceber se a rádio seria um caminho da minha carreira. Não existia um protocolo na minha faculdade, mas na altura consegui falar com professores e com a faculdade, fiz o protocolo e fiz um estágio curricular. Depois tive mais três meses a estagiar como extracurricular e tive a proposta de ficar na rádio. No fundo foi de uma forma muito natural, muito tranquila, foi importante o estágio para perceber também se era aquilo que eu e eles queriam.</p>
<p><strong>Qual é o papel da rádio na tua carreira?<br />
</strong>A rádio definiu a minha personalidade enquanto comunicadora, acho que me fez perceber aquilo que eu quero ser <em>on air</em>, seja no digital, na televisão, na rádio, ou qualquer outro meio de comunicação em que possa estar presente. Foi na rádio que descobri como é que quero posicionar a voz, como é que quero posicionar a mensagem que transmito. Acho que também me deu uma grande noção de mensagem, porque estamos constantemente a pensar no ouvinte, na pessoa que está do outro lado, o que é que a pessoa quer ouvir, o que é interessante ou o que não é. Que é tudo muito vago, na verdade, mas sabendo nós o público para que estamos a falar, na Mega Hits em específico para jovens e para estudantes, acho que acaba por nos ajudar a termos um foco e percebermos o que podemos ou não falar. E também o direto, porque dá uma boa estaleca, fazer rádio todos os dias em direto é uma boa escola para qualquer área da comunicação.</p>
<p><strong>Preparou-te para a televisão?<br />
</strong>Sem dúvida. Não falo de mim, mas de todas as pessoas com quem já falei que vieram da rádio, consegue-se perceber que existe um pezinho um bocadinho mais à frente, porque a verdade é que quando o conteúdo está garantido, a imagem depois pode existir que não faz grande diferença. O foco sendo o da rádio, sendo só o conteúdo, temos de nos focar exatamente naquilo que está a ser dito, se está a ser bem dito, de forma coerente, se a retórica está lá, e isso depois sendo automatizado, por ser feito tanto tempo e tantas vezes, na televisão acaba por nos descansar um bocado, porque sabemos que o improviso já nos sai de uma forma diferente. Essa questão de ser feito repetidamente acaba por nos criar um cérebro mais ágil.</p>
<p><strong>E como é que surgiu essa oportunidade de fazeres a transição para a televisão?<br />
</strong>O &#8220;The Voice&#8221; abriu castings para apresentador digital e na altura a minha agência disse-me. Fiz o casting no Saldanha, em Vox Pop, às 9h da manhã de uma quinta-feira, lembro-me perfeitamente, e passado uma semana ligaram-me, estava eu em Madrid em trabalho, e disseram-me: és tu. No domingo estava no ar, foi assim uma coisa que aconteceu muito rápido, nem tive tempo para respirar, para pensar, para nada. Aí dei graças a Deus por ter a escola da rádio, porque efetivamente sentia que já tinha ali um suporte de improviso diferente, o direto já me tinha dado algumas coisas. E foi assim que surgiu, fiz eu e mais 20 pessoas o casting, fiquei muito feliz. Fui muito bem acolhida pela equipa da RTP, pela equipa da Shine, que é na verdade a produtora com quem fiz tudo até agora em televisão.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-184714 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-23-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-23-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-23-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-23-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-23-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-23-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-23-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-23-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-23-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>O que é que foi mais desafiante nesse processo de transição para a televisão?<br />
</strong>Eu acho que o desafio maior é juntares a imagem, porque na rádio tu não estás preocupada com o que está a acontecer à tua volta, tu estás preocupada com aquilo que estás a dizer e com aquilo que estás a direcionar ao microfone. Na televisão existe a preocupação da postura, se falas com os braços ou não, tens que ter uma noção de ambiente que na rádio não existe, e esse desafio é grande porque tu estás a pensar, a falar e a ouvir ao mesmo tempo. Acho que essa ginástica mental é que é um bocado mais complicada. Na altura foi caótica, eu estava tão nervosa que nem me lembro bem do primeiro momento, nem do segundo, não tenho grandes memórias do primeiro dia em geral. Aconteceu tudo de uma forma tão rápida que fiquei um bocado anestesiada, diria, mas depois comecei a divertir-me e acho que essa é a parte boa do processo, quando te começas a divertir e a curtir aquilo que estás a fazer. Na televisão em específico, quando começas a descontrair e a não pensar tanto no que está à tua volta, no ambiente, na postura, é precisamente quando essa parte natural começa a surgir e começas a curtir aquilo que fazes.</p>
<p><strong>Fala-me um pouco sobre o programa que estás a fazer atualmente, “Missão: 100% Português”.<br />
</strong>O &#8220;Missão: 100% Português&#8221; surge depois do &#8220;The Voice&#8221;, numa aposta maior, aqui tive muito mais oportunidade de explorar a minha personalidade de televisão, porque foi gravado, tínhamos mais tempo. Foi uma experiência incrível porque conheci partes de Portugal e tradições que desconhecia, falei com pessoas com histórias incríveis que me ensinaram muito. Esta parte mágica da televisão, de manter vivas certas histórias e de eternizar momentos, é uma forma muito bonita de conseguirmos transpor aquilo que às vezes achamos que vai ficar algures. A tradição está a ser mantida e é muito bonito perceber que é até a nossa geração que está a fazer com que isso aconteça, que se preocupa. E a RTP faz um trabalho ótimo nessa área, acho até imprescindível, sendo um serviço público, só tem de o fazer e acho que os formatos dos programas que têm escolhido têm sido de uma boa curadoria.</p>
<p><strong>E como tem sido lidar diretamente com o público?<br />
</strong>Eu acho do melhor que há, sinceramente. Adoro falar com pessoas, adoro beber das experiências, acredito que é assim que aprendemos, que percebemos, nunca sabemos como é estar na pele de outra pessoa, mas quanto mais soubermos e quanto mais ouvirmos, melhor estaremos preparados para qualquer que seja a situação que nos aconteça na vida. Conseguimos sempre imaginar ou tentar perceber ou pôr-nos no papel de outra pessoa, sejam boas ou más situações. E é sempre bom conseguir falar com o público e entender o que é que eles têm para nos ajudar, que é tanto. Na verdade, só fazemos isto por causa do público, se não tivéssemos ninguém a ver-nos, de forma nenhuma isto faria sentido. A nossa cabecinha está sempre: ok, o que é que o público vai gostar, o que o público vai querer. É bom conseguirmos falar com eles diretamente e obtermos essas respostas na primeira pessoa.</p>
<p><strong>Podemos falar de projetos futuros?<br />
</strong>Não posso ainda, mas está para breve.</p>
<p><strong>Mas entusiasma-te?<br />
</strong>Entusiasma-me muito, é uma aposta grande na minha pessoa. Posso dizer que já está a acontecer, que já estou a gravar esse projeto e que me estou a divertir muito e estou ansiosa para poder partilhar, porque é assim um sonho meu cumprido. E o formato que é, é muito bom.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-184712 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-2-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-2-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-2-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-2-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-2-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-2-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-2-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-2-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-2-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>A rádio continua a ser o lugar que te faz mais feliz ou a televisão começa a ganhar terreno?<br />
</strong>Acho que a televisão começa a ganhar terreno, mas estão os dois ali equiparados. Não existe a rádio ou a televisão estarem acima, acho que estão os dois no mesmo nível. Com estes projetos que tenho feito na televisão, ganhei ali algum espaço e tem-me feito muito feliz, porque tenho tido também mais liberdade para ser exatamente aquilo que quero ser. E eu gosto muito da rádio precisamente por isso, porque consigo, sem capas, sem nada, ser exatamente aquilo que eu sou e entregar a minha personalidade. E na televisão era um bocado mais difícil, mas agora estou a sentir que estou a ganhar esse espaço e por isso estão os dois ao mesmo nível.</p>
<p><strong>Como é que descreves a tua evolução como criadora de conteúdo?<br />
</strong>No início olhava muito para aquilo que fazia no digital como uma coisa separada do resto: o digital era uma coisa, a rádio era outra, a televisão era outra. Neste momento gosto de juntar um bocadinho de cada área na outra e, por isso, o digital é um complemento daquilo que eu faço. Tudo é pensado como um só, ou seja, se vou fazer um programa é obrigatório que esteja presente nas minhas redes, por isso já é pensado nesse sentido. Acho que a minha <em>persona</em> no digital agora mudou um bocado porque não mostro tanto do meu dia-a-dia pessoal, mostro mais do meu dia-a-dia profissional. E é por aí que quero ir também, porque também cresci um bocado e quero começar a ter a minha privacidade. E sinto que o público gosta de perceber como é que é o <em>backstage </em>e tudo e mais. Também uso muito as redes para partilhar opiniões e para partilhar um bocado aquilo que eu sou e dos meus gostos pessoais. Mas é isso, acho que vai um bocado mais para uma vertente profissional, inevitavelmente.</p>
<p><strong>Que mensagens é que para ti são importantes transmitires ao teu público?<br />
</strong>São várias, acho eu. Também não gosto de ser muito moralista nem de, de alguma forma, querer educar alguém. Mas o meu ponto de vista é um bocado, isto é um cliché gigante, mas a verdade é essa, de procurarmos em nós aquilo que temos que pode ser bom e que de alguma forma podemos trabalhar para ser benéfico para nós e para os outros que estão à nossa volta. Eu tento praticar uma filosofia de vida tranquila, sou uma pessoa calma, que não gosta de conflito e é por aí também que tudo aquilo que eu partilho vai. Inevitavelmente partilho muita coisa sobre inclusão, porque tenho um irmão com trissomia 21, é um assunto que a mim me toca desde sempre e por isso tento passar a palavra. Não estou aqui para educar ninguém, não sei mais do que ninguém, mas vivendo a experiência que vivo diariamente com o meu irmão acho importante, tendo o público que tenho, partilhar aquilo que a mim me parece importante para que de alguma forma possa ajudar quem vive com a deficiência e quem lida com a deficiência diariamente. Também tento aparecer o mais natural possível a maior parte das vezes, porque existe hoje em dia nas redes sociais uma noção irreal daquilo que é a vida, acho eu. Ultimamente falo também muito sobre o luto, porque acho que é um tabu gigante e é importante falar sobre isso quando se sente que assim é.</p>
<p>Eu tento ser o mais transparente possível e acho que isso me aproxima de quem me segue porque acho que criamos essa relação de: eu vou ser transparente, tu vais ser comigo. E é bonita a comunidade que se foi criando, tenho algumas seguidoras que já me seguem há muitos anos e com quem, na verdade, já criei quase como uma amizade.</p>
<blockquote><p>É bonita essa comunidade digital que se cria, que a mim me assusta às vezes, mas no geral é boa.</p></blockquote>
<p><strong>E quando o conteúdo se mistura com o negócio, quais são os teus requisitos, o que não é negociável para ti?<br />
</strong>Para mim tem de estar obrigatoriamente alinhado com o facto de eu gostar da marca, tenho que consumir, tenho que usar, não me faz sentido, nem de forma nenhuma a mim me sairia natural, eu estar a falar de uma marca ou a patrociná-la sem a usar. Existe sempre um fio condutor porque nenhuma marca existe do nada no meu perfil. É engraçado porque muitas das parcerias que eu tenho hoje em dia surgiram de forma natural, foram as marcas que viram o que eu usava e de alguma forma aproximaram-se e perceberam: olha, estarias interessada em, fazia-te sentido de alguma forma juntarmo-nos. Isso torna tudo um bocado mais familiar até. Às vezes até me irrita a mim própria, mas tenho muito esta coisa de querer trabalhar sempre num ambiente familiar, gosto de conhecer os clientes, gosto de falar com eles e isso ajuda depois a que a publicidade e o negócio sejam um bocado mais transparentes. Óbvio que é negócio, óbvio que é isto que me faz pagar as contas e por isso também tem de ser visto como tal. E é a minha carreira que está em jogo também, por isso faz-me sentido associar-me a boas marcas, faz-me sentido pensar num caminho a traçar relativamente às marcas a que me associo, mas isso tem acontecido de uma forma muito natural e também muito bem gerida pela Central com quem eu já estou há mais de metade da minha vida, na verdade.</p>
<p><strong>Que projetos fizeste na digital nos últimos tempos é que gostavas de destacar?<br />
</strong>Aliei-me à Kérastase que é uma marca com que eu já gostava de trabalhar há alguns anos e por isso estou muito feliz por ter feito isso. Acho que a melhor parte do digital para mim tem sido viajar, porque estas marcas têm sempre eventos internacionais e é sempre giro conhecer os novos produtos e conhecer novas pessoas. Essa experiência que nós passamos no digital também vende a marca, para a marca faz todo sentido e para nós também. Fiz agora uma viagem com a Kérastase a Los Angeles que foi incrível. Com a Armani também, com quem já estou há três anos, tem sido bonito trabalhar porque é uma marca que eu uso diariamente e que me faz sentido. A marca acaba por fazer muito parte do meu dia-a-dia, ou seja, não é só um transmitir nas redes sociais e apresentar-me para fazer um conteúdo, são verdadeiramente marcas que entram na minha vida e que fazem parte da minha vida pessoal e profissional.</p>
<p><strong>E como é que surgiu a parceria com o Turismo de Macau?<br />
</strong>O interesse veio por parte deles e foi uma experiência incrível. E foi uma questão de duas semanas, a minha agência explicou-me o conceito, que era para fazer uma publicidade ao Turismo de Macau, mesmo com o próprio do governo e com uma equipa chinesa. O método de trabalho deles é alucinante, eles trabalham das 5h da manhã às 10h da noite sem comer, sem parar, sem beber água, então foi uma experiência engraçada porque trabalhei com uma equipa completamente diferente. Adorei conhecer Macau, adorei perceber a influência portuguesa, perceber que eles nos adoram também, o que teoricamente é um conceito estranho quando falamos de colonização, mas efetivamente eles acolheram-nos muito bem. Foi engraçado perceber a influência portuguesa na arquitetura, na gastronomia, até na língua, há alguns estrangeirismos no mandarim que depois entra um bocado português e é todo um mundo diferente que adorei conhecer. Foi mais uma incrível oportunidade que o digital me deu, sem dúvida.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-184715 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-28-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-28-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-28-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-28-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-28-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-28-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-28-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-28-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-28-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Tu és a mesma comunicadora em todas as plataformas?<br />
</strong>Não, acho que no digital há uma Catarina a 100%, a Catarina que se vê aqui, que se vê em todo lado, porque entra tudo: a rádio, o digital, a televisão, a minha vida pessoal de vez em quando, então há uma mistura de todas as Catarinas possíveis. Na rádio, acho que a minha <em>persona</em> é um bocado mais divertida, estou sempre lá em cima, sempre a rir-me, sempre feliz. Na televisão, se calhar sou um bocadinho mais séria e é engraçado perceber isso. Ou seja, cada um vai buscar um bocadinho de mim real, mas acho que nunca o bolo todo. Esse bolo todo eu guardo para a minha família, para os meus amigos e para as pessoas que me fazem sentido.</p>
<p><strong>Achas que tens uma certa responsabilidade nas redes?<br />
</strong>Sim, completamente. Eu tento não falar de assuntos que a mim não me competem, sobre os quais não tenho estudos. Tudo o que partilho, até sobre a deficiência, sei que é falado por médicos, é falado por pessoas que o vivem diariamente, por cuidadores, por quem tem mão sobre a matéria. Não me faz sentido partilhar algo só porque sim, só para querer fazer parte de uma corrente. A maior parte das vezes acho que é preciso que vejamos as fontes e que tenhamos a certeza de que elas estão corretas e sustentadas por veracidade.</p>
<p><strong>No meio de todo o teu percurso há algum momento que destaques como decisivo?<br />
</strong>Sim, acho que há um momento. Quando surgiu o casting para o &#8220;The Voice&#8221;, duas semanas antes tinha reunido na TVI com a Cristina Ferreira. Quando passei no casting, tinha as duas hipóteses na mão, estava entre RTP e &#8220;The Voice&#8221; ou TVI eventualmente, que não era nada em concreto, não tínhamos falado sobre programa nenhum, mas tínhamos falado de uma possibilidade no ano seguinte. E a minha escolha foi a RTP e o &#8220;The Voice&#8221; e acho que isso traçou a 100% a minha carreira. Não sei onde estaria hoje na TVI, nem sei o que estaria a fazer, mas identifico-me muito com os valores da RTP, identifico-me muito com a televisão pública e estou muito feliz com a decisão que tomei há quatro anos porque levou a minha carreira para um rumo que estou a gostar. Na TVI não sei, porque não cheguei a ter essa experiência, mas acredito que pudesse ser diferente.</p>
<p><strong>Tu estás em várias áreas, mas trabalhas sempre para o público, alguma vez foi difícil lidar com a exposição que isso te traz?<br />
</strong>Em trabalho não, nunca foi difícil. Acho que também tenho tido ótimas experiências, tenho tido muita sorte nos projetos para os quais tenho sido escolhida, o público não é muito exigente comigo e sou muito feliz por isso. Acho que a única vez que posso ter sido infeliz com o público, mas isso tem uma componente muito mais pessoal, foi no digital e às vezes quando partilho coisas do meu irmão. Por incrível que pareça, há pessoas que às vezes ainda comentam e dizem coisas sem sentido nenhum. Essa parte acaba por me afetar, quer eu queira quer não. Mas de resto não me posso mesmo queixar.</p>
<p><strong>Como é que garantes que chegas sempre às pessoas?<br />
</strong>Não garanto, não quero chegar sempre às pessoas. Acho que a minha mensagem não tem de chegar a toda a gente, tem de chegar a quem fizer sentido. Eu não trabalho para garantir que chego às pessoas, trabalho para entregar um bom conteúdo e se esse bom conteúdo for bem feito eu quero acreditar que vai chegar a quem tem de chegar.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-184711 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-16-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-16-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-16-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-16-1278x1920.jpg 1278w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-16-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-16-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-16-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-16-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/04/CM-16-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>De tudo o que temos estado a falar, o que é que te deixa mais orgulhosa?<br />
</strong>Eu paro pouco para olhar para trás, mas acho que o que mais me orgulha é ter sido sempre fiel ao que eu acredito e que me foi passado. Eu vi o esforço dos meus pais em formar-me, em formar o meu irmão, em quererem ter filhos que sigam os valores em que eles acreditaram a vida toda, e acho que o meu maior orgulho é esse, é ser fiel àquilo que eu acho que é ser uma boa pessoa, ser uma boa profissional. Quando essas duas coisas se juntam fico orgulhosa do meu percurso.</p>
<p><strong>E há alguma coisa que tivesses vontade de mudar?<br />
</strong>Acho que não. Independentemente de terem sido coisas boas ou coisas más, de forma nenhuma eu quereria mudar alguma coisa porque consegui sempre retirar algo de bom, seja qual for a situação. Consegui sempre ir buscar um bocadinho para aprender, um bocadinho para crescer, um bocadinho para mudar, e eu adoro mudar, adoro estar em constante mudança, estar sempre a aprender, a perceber de que forma é que posso melhorar, ou piorar para depois melhorar por consequência. Esse processo a mim fascina-me, gosto mais de me divertir pelo caminho.</p>
<p><strong>Há objetivos fora destas áreas? Como a vontade de ser designer que falavas inicialmente.<br />
</strong>Continua aqui um bichinho, mas acho que talvez quando tudo isto acalmar, se acalmar. Gosto de acreditar que sou desenrascada e, por isso, se isto não correr bem, acho que por aí irei. Mas para já a comunicação apaixona-me mesmo e gostava muito que por aqui continuasse o meu percurso.</p>
<p><strong>O que é que mais te motiva hoje em dia?<br />
</strong>Acho que é deixar os meus orgulhosos. Sempre foi na verdade. Vi o esforço dos meus pais em conseguirem melhorar a vida deles, consequentemente a minha e do meu irmão, foi um projeto de vida deles e a mim só me faz sentido ser uma boa filha e entregar aquilo que recebi.</p>
<p><strong>Que impacto é que gostarias de deixar nas pessoas que te acompanham?<br />
</strong>Gostava, obviamente, de ser lembrada como uma pessoa que de alguma forma teve alguma coisa a dar. Que não foi em branco o que quer que seja que eu esteja a fazer em qualquer área. Não quero educar ninguém, não estou aqui para pregar mensagens, nem para ser moralista. Acho que daquilo que a vida me vai dando, eu posso apenas falar das experiências que tenho e da minha forma de ver a vida. Há muita coisa que me aconteceu entretanto que me moldou e me mudou, e eu falo verdadeiramente sobre aquilo que sinto nas minhas plataformas. Se isso puder de alguma forma ajudar alguém a sentir ou a perceber melhor aquilo que sente para mim já é missão comprida.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>“Empresas com pessoas felizes não são empresas ingénuas. São empresas inteligentes”</title>
		<link>https://www.forbespt.com/empresas-com-pessoas-felizes-nao-sao-empresas-ingenuas-sao-empresas-inteligentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nilza Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 07:00:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Digital Cover]]></category>
		<category><![CDATA[Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje celebramos o Dia Mundial da Felicidade que tem vindo a ganhar relevância também no mundo empresarial. Que importância atribui hoje à felicidade no local de trabalho? Durante muito tempo as empresas acreditaram que o caminho para o sucesso passava apenas por processos, tecnologia e estratégia. Hoje sabemos que o verdadeiro diferencial competitivo são as [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Hoje celebramos o Dia Mundial da Felicidade que tem vindo a ganhar relevância também no mundo empresarial. Que importância atribui hoje à felicidade no local de trabalho?<br />
</strong>Durante muito tempo as empresas acreditaram que o caminho para o sucesso passava apenas por processos, tecnologia e estratégia. Hoje sabemos que o verdadeiro diferencial competitivo são as pessoas. A felicidade no trabalho não é um conceito romântico. É uma estratégia de gestão. Empresas com pessoas motivadas, respeitadas e envolvidas tomam melhores decisões, inovam mais e são mais resilientes nos momentos difíceis. Foi exatamente essa convicção que nos levou a construir no Grupo Bernardo da Costa uma cultura onde o bem-estar, a saúde, a segurança e o equilíbrio entre vida profissional, pessoal e familiar são prioridades.</p>
<p>Costumo dizer muitas vezes uma frase que resume a nossa visão. “Empresas com pessoas felizes não são empresas ingénuas. São empresas inteligentes.” E os resultados confirmam isso. Aquilo que começou como uma só empresa de instalações elétricas com 38 colaboradores no Norte de Portugal transformou-se num grupo com 19 empresas, 12 áreas de negócio, presença em 8 países e mais de 400 colaboradores, porque colocámos as pessoas no centro das decisões. No fundo, o que defendemos é simples. A felicidade não é o contrário da produtividade. A felicidade, alicerçada no bem-estar, na saúde, e na segurança psicológica é o motor da produtividade.</p>
<blockquote><p>&#8220;Empresas com pessoas motivadas, respeitadas e envolvidas tomam melhores decisões, inovam mais e são mais resilientes nos momentos difíceis&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>Durante muitos anos falou-se sobretudo de produtividade e resultados. Hoje fala-se cada vez mais de bem-estar. Como é que estas duas dimensões se cruzam dentro de uma organização?<br />
</strong>Durante décadas acreditou-se que produtividade exigia pressão, controlo e hierarquia. Hoje sabemos que produtividade exige confiança, empatia, autonomia e propósito. Quando uma pessoa se sente respeitada, ouvida e valorizada, não trabalha apenas por obrigação. Trabalha com compromisso. E isso muda tudo.</p>
<p>Num contexto empresarial cada vez mais complexo, com inovação permanente e mercados globais, nenhuma empresa consegue crescer sustentadamente sem equipas verdadeiramente comprometidas. É por isso que insisto numa ideia que defendo há muitos anos: a produtividade nasce da competência. Mas multiplica-se pela felicidade. No Grupo Bernardo da Costa não vemos o bem-estar como um benefício. Vemos como uma condição de competitividade. As empresas que ignorarem isto vão ter cada vez mais dificuldade em atrair talento, construir equipas de alta performance e inovar.</p>
<blockquote><p>&#8220;Nenhuma empresa consegue crescer sustentadamente sem equipas verdadeiramente comprometidas&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>O Grupo Bernardo da Costa tem sido frequentemente associado a uma cultura empresarial centrada nas pessoas. Como nasceu essa visão dentro do grupo?<br />
</strong>A cultura do grupo tem raízes muito profundas na nossa história familiar. O meu avô fundou a empresa em 1957 e logo nessa altura criou uma cultura de proximidade e família com os colaboradores. Brinco muitas vezes dizendo: quando levava os colaboradores ao fim-de-semana para a praia em Esposende ou quando os recebia, a todos, para almoçar em sua casa ao sábado, ele já tinha nessa época o seu departamento da felicidade, só não o chamava como tal. O meu pai e o meu tio deram continuidade ao projeto e a esta cultura durante décadas. Sempre houve uma relação muito próxima com as pessoas que trabalhavam connosco. Quando assumi a liderança do grupo em 2011, a minha convicção foi simples: se queríamos crescer, tínhamos de crescer com as pessoas e não apesar delas. Foi nesse momento que começámos a estruturar aquilo que hoje é uma das nossas marcas identitárias. Criámos o departamento da felicidade, implementámos práticas de participação das equipas nos processos de decisão e passámos a olhar para o bem-estar como parte integrante da estratégia empresarial. A verdade é que muitas vezes as empresas tratam a cultura como um discurso. Nós tratámos a cultura como uma prática. A cultura de uma empresa não está nas paredes. Está nas decisões que os líderes tomam todos os dias.</p>
<blockquote><p>&#8220;Quando assumi a liderança do grupo em 2011, a minha convicção foi simples: se queríamos crescer, tínhamos de crescer com as pessoas e não apesar delas&#8221;.</p></blockquote>
<p><strong>Que iniciativas concretas têm sido implementadas para promover o bem-estar e a motivação das equipas?<br />
</strong>Ao longo dos últimos anos fomos implementando um conjunto muito vasto de iniciativas com um objetivo muito claro: construir uma organização onde as pessoas possam trabalhar com motivação, orgulho e sentido de propósito. Esse caminho não foi feito sem erros. Como costumo dizer muitas vezes, nas empresas, tal como na vida, o segredo não está em evitar todos os erros. Está em aprender rapidamente com eles e transformar cada erro numa etapa de crescimento. Investimos de forma consistente na promoção da saúde física e mental, em modelos de maior flexibilidade organizacional, na formação contínua das equipas e na criação de oportunidades reais de desenvolvimento profissional. Procurámos também reforçar algo que considero fundamental nas organizações modernas: a participação das pessoas. Criámos mecanismos de escuta ativa das equipas e incentivamos uma cultura onde as ideias podem surgir em qualquer nível da organização, independentemente da função ou da antiguidade. Mas, mais importante do que qualquer iniciativa concreta, existe um princípio que considero absolutamente essencial: a coerência da liderança. Não adianta falar de felicidade nas empresas e depois liderar com medo, pressão ou desconfiança.</p>
<blockquote><p>&#8220;Não adianta falar de felicidade nas empresas e depois liderar com medo, pressão ou desconfiança&#8221;</p></blockquote>
<p>As pessoas percebem rapidamente quando os discursos não correspondem à realidade. A cultura de uma organização constrói-se todos os dias, nas pequenas decisões, na forma como tratamos as pessoas, na forma como comunicamos e, sobretudo, na forma como lideramos nos momentos mais difíceis. E há ainda outro fator decisivo: a consistência. Uma cultura organizacional não se constrói apenas quando estamos motivados ou quando os resultados são positivos. Constrói-se todos os dias, com consistência, com coerência e com exemplos vindos da liderança. Quando essa consistência existe, a cultura começa a espalhar-se naturalmente por toda a organização. No fundo, acredito profundamente numa ideia simples: o maior ativo de uma empresa não são os edifícios, nem as máquinas, nem a tecnologia. São as pessoas que todos os dias escolhem dar o melhor de si para que o projeto coletivo continue a crescer.</p>
<blockquote><p>&#8220;Nas empresas, tal como na vida, o segredo não está em evitar todos os erros. Está em aprender rapidamente com eles e transformar cada erro numa etapa de crescimento&#8221;.</p></blockquote>
<p><strong>Até que ponto a liderança pode influenciar o nível de felicidade e satisfação das pessoas dentro de uma empresa?<br />
</strong>A liderança influencia absolutamente tudo. Uma liderança inspiradora pode transformar uma empresa mediana numa organização extraordinária. Pelo contrário, uma liderança tóxica consegue destruir rapidamente qualquer cultura organizacional, independentemente da dimensão ou da história da empresa. Os líderes definem o ambiente emocional das organizações. São eles que determinam se uma empresa é um lugar de medo ou um lugar de confiança, se as pessoas trabalham apenas por obrigação ou se sentem orgulho em fazer parte do projeto. Costumo defender uma ideia que considero fundamental: as pessoas não abandonam empresas. Abandonam líderes.</p>
<p>Por isso, liderar hoje exige muito mais do que autoridade ou conhecimento técnico. Exige empatia, capacidade de escuta, visão e, acima de tudo, a consciência de que liderar é trabalhar com pessoas e para as pessoas. Durante muitos anos, muitas organizações cometeram um erro comum, e nós próprios no Grupo Bernardo da Costa também tivemos de aprender com essa realidade. A grande maioria das pessoas que chega a cargos de liderança fá-lo porque tem mais experiência, mais antiguidade ou competências técnicas muito fortes.</p>
<p>Mas liderar não é apenas gerir processos, indicadores ou procedimentos. Liderar é inspirar pessoas, criar confiança, dar sentido ao trabalho e mobilizar equipas em torno de um propósito comum. E isso exige competências que muitas vezes não são ensinadas nas escolas de gestão: inteligência emocional, capacidade de comunicação, humildade para ouvir e coragem para cuidar das pessoas. Por isso acredito que um dos grandes desafios das organizações modernas passa por investir seriamente no desenvolvimento das lideranças. Não basta formar gestores. É preciso formar líderes capazes de criar ambientes onde as pessoas possam crescer, contribuir e sentir que fazem parte de algo maior. No fundo, a verdadeira diferença entre empresas medianas e empresas extraordinárias está quase sempre na qualidade da sua liderança.</p>
<blockquote><p>&#8220;Costumo defender uma ideia que considero fundamental: as pessoas não abandonam empresas. Abandonam líderes&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>Olhando para o desempenho do grupo, como avalia a evolução do Grupo Bernardo da Costa nos últimos anos do ponto de vista financeiro e de crescimento?<br />
</strong>A evolução do grupo nos últimos anos tem sido muito significativa. Aquilo que durante muitos anos foi uma empresa com atuação essencialmente regional transformou-se, progressivamente, num grupo empresarial com presença internacional e atividade em diferentes áreas de negócio. Hoje estamos presentes em três continentes e em oito países, com um projeto empresarial cada vez mais diversificado e sólido. Em 2025 atingimos cerca de 85 milhões de euros de volume de negócios, com mais de 400 colaboradores e uma presença consolidada em vários mercados. Naturalmente que estes números são motivo de orgulho, mas acredito que os números, por si só, nunca contam toda a história. Mais importante do que o crescimento financeiro é compreender como ele foi possível. O grupo não cresceu apenas através da expansão geográfica ou da diversificação de atividades. Cresceu sobretudo porque fomos capazes de construir uma cultura organizacional forte, assente na confiança, na responsabilidade e na valorização das pessoas.</p>
<p>Tenho uma convicção muito clara: nenhuma empresa cresce de forma consistente se o líder tentar fazer tudo sozinho. O crescimento sustentável exige delegação, exige confiança e exige equipas competentes e comprometidas com o projeto. Ao longo destes anos tive a felicidade de trabalhar com pessoas extraordinárias. Foi precisamente essa capacidade de confiar nas pessoas, de lhes dar autonomia e responsabilidade, que permitiu ao grupo crescer e evoluir de forma sustentada. No fundo, acredito muito nesta ideia: as empresas crescem quando os líderes confiam nas suas equipas e criam condições para que cada pessoa possa dar o melhor de si. Costumo dizer muitas vezes que o crescimento sustentável nasce da combinação entre ambição empresarial e respeito pelas pessoas. E é exatamente essa combinação que tem orientado o percurso do Grupo Bernardo da Costa.</p>
<blockquote><p>&#8220;Foi precisamente essa capacidade de confiar nas pessoas, de lhes dar autonomia e responsabilidade, que permitiu ao grupo crescer e evoluir de forma sustentada&#8221;.</p></blockquote>
<p><strong>Quais foram os principais motores desse crescimento e que áreas de negócio têm tido maior impacto nos resultados do grupo?<br />
</strong>O crescimento do grupo assenta em três pilares fundamentais. O primeiro é a área da segurança e da tecnologia, onde temos empresas como a IBD Global e a AVPro, que trabalham com alguns dos principais fabricantes mundiais. O segundo é a diversificação estratégica, que nos levou a investir em novas áreas de negócio com grande potencial de crescimento. Disso são exemplo o KuantoKusta e a Rede Doutor Finanças. E o terceiro é a internacionalização. Recentemente, no início de 2026, reforçámos a nossa presença na área digital com a aquisição do adn group, que integra três empresas: adn digital partner, focada em marketing digital, adn tech, dedicada ao desenvolvimento de software, websites e aplicações, e a adn studio, especializada em fotografia, vídeo e produção audiovisual. A nossa ambição é clara. Humanizar o digital. Porque acreditamos que a tecnologia deve aproximar as pessoas e não afastá-las. Criámos também a BC 360, uma empresa vocacionada para apoiar startups, micro e pequenas empresas nas áreas de gestão, contabilidade, pessoas e jurídico. Queremos ser um parceiro próximo das empresas que estão a nascer e a crescer.</p>
<p><strong>Que desafios económicos ou de mercado têm marcado atualmente a atividade do grupo?<br />
</strong>Vivemos num tempo marcado por uma enorme volatilidade económica, por uma evolução tecnológica extremamente rápida e por uma competição global cada vez mais intensa. As empresas enfrentam hoje desafios muito complexos: a escassez de talento qualificado, a pressão permanente sobre os custos, a necessidade de acompanhar uma transformação digital acelerada e um contexto internacional marcado por instabilidade geopolítica em várias regiões do mundo. Tudo isto cria um ambiente de enorme exigência para qualquer organização. No entanto, acredito profundamente que os períodos de maior incerteza são também os períodos de maior oportunidade. Ao longo da história, são precisamente os momentos mais desafiantes que obrigam as empresas a reinventar-se, a inovar e a reforçar a sua capacidade de adaptação. Empresas com visão estratégica, com equipas fortes e com uma cultura organizacional sólida conseguem transformar os desafios em etapas de crescimento. No Grupo Bernardo da Costa temos uma convicção muito clara: a resiliência de uma organização nasce, em grande medida, da forma como trata e valoriza as suas pessoas. Quando existe uma cultura baseada na confiança, na responsabilidade e no envolvimento das equipas, as empresas tornam-se muito mais resilientes. As pessoas sentem-se parte do projeto e mobilizam-se para enfrentar os momentos mais difíceis. Essa resiliência organizacional tem sido um dos grandes ativos do nosso percurso. Tem-nos permitido enfrentar momentos de crise, superar desafios e sair muitas vezes dessas fases ainda mais fortes do que entrámos. No fundo, acredito muito nesta ideia: num mundo de incerteza permanente, a maior vantagem competitiva das empresas não está apenas na tecnologia ou no capital, mas na sua capacidade de adaptação e na força das suas pessoas.</p>
<blockquote><p>&#8220;Os momentos mais desafiantes que obrigam as empresas a reinventar-se, a inovar e a reforçar a sua capacidade de adaptação&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>Olhando para o futuro, quais são os principais projetos estratégicos do Grupo Bernardo da Costa para 2026?<br />
</strong>Temos neste momento vários projetos estratégicos muito relevantes que refletem a ambição de crescimento e internacionalização do Grupo Bernardo da Costa. Um dos exemplos mais claros dessa estratégia é a AVPro, empresa do grupo dedicada à distribuição de soluções tecnológicas de valor acrescentado. Nos últimos anos temos vindo a desenvolver um forte processo de expansão internacional, posicionando a empresa em mercados com elevado potencial de crescimento. Em 2025 abrimos novas delegações em Pretória, na África do Sul, e em Madrid. Já em 2026 iniciámos atividade em Luanda e em Casablanca, reforçando a nossa presença no continente africano e criando novas plataformas de crescimento. Até ao final do ano prevemos também expandir a operação para a África Oriental e para a Arábia Saudita, consolidando a nossa presença em mercados estratégicos. Com parceiros tecnológicos de referência mundial, como Genetec, Bosch, IQSight e Hanwha, o nosso objetivo é posicionar a AVPro como um dos principais distribuidores de soluções tecnológicas de segurança com presença global em África e no Médio Oriente. Paralelamente, a IBD Global vive também um momento particularmente positivo. Em 2025 a empresa teve o melhor ano da sua história, consolidando a sua posição como líder ibérico na distribuição de produtos de segurança eletrónica.</p>
<blockquote><p>&#8220;Até ao final do ano prevemos também expandir a operação para a África Oriental e para a Arábia Saudita&#8221;</p></blockquote>
<p>O próximo passo dessa trajetória passa pela entrada em novos mercados europeus, nomeadamente França e Itália, nos próximos dois anos, reforçando a presença do grupo no espaço europeu. Outro projeto de grande relevância para o futuro do grupo é o KuantoKusta. Em 2025 a plataforma registou igualmente o melhor ano dos seus vinte anos de história, reforçando o seu posicionamento como uma das principais referências do comércio digital em Portugal. Para 2026 temos uma estratégia muito clara de crescimento nesta área, com um forte investimento no desenvolvimento do marketplace e com a preparação da expansão da plataforma para o mercado espanhol. No fundo, aquilo que estamos a fazer é preparar o grupo para uma nova etapa de crescimento internacional, assente em três pilares fundamentais: tecnologia, inovação e equipas altamente qualificadas. Acreditamos que é esta combinação que nos permitirá continuar a crescer de forma sustentável e afirmar o Grupo Bernardo da Costa como um projeto empresarial cada vez mais relevante à escala internacional.</p>
<p><strong>Para terminar: que ambição tem para o grupo nos próximos anos, tanto em termos de crescimento como de cultura empresarial e impacto nas pessoas?<br />
</strong>A nossa ambição é continuar a crescer, mas crescer com propósito. Queremos consolidar a presença internacional do grupo, reforçar a nossa posição em mercados estratégicos e continuar a investir em áreas com forte potencial tecnológico e digital. Vivemos numa época de enorme transformação e acreditamos que a inovação será um dos principais motores do crescimento das empresas nos próximos anos. Mas há algo que nunca queremos perder nesse percurso: a nossa identidade. O crescimento empresarial só faz verdadeiramente sentido quando é acompanhado por valores sólidos, por uma cultura forte e por um impacto positivo nas pessoas que fazem parte da organização. Costumo dizer muitas vezes uma frase que resume bem esta forma de pensar: prefiro uma empresa que cresce com valores do que uma empresa que cresce a qualquer preço. Se daqui a dez anos disserem que o Grupo Bernardo da Costa é um grupo global, inovador e financeiramente sólido, naturalmente ficarei satisfeito. Mas ficarei verdadeiramente orgulhoso se disserem também que é um grupo onde as pessoas gostam de trabalhar, onde existe respeito, oportunidade e sentido de propósito.</p>
<blockquote><p>&#8220;Prefiro uma empresa que cresce com valores do que uma empresa que cresce a qualquer preço&#8221;.</p></blockquote>
<p><strong>Neste contexto, quer falar-nos um pouco da Associação Fernando Costa…<br />
</strong>Sim, há uma dimensão desse impacto que para mim é profundamente pessoal. Em 2025 criámos a Associação Fernando Costa, em memória do meu irmão. Foi uma decisão que nasceu de um momento difícil, mas também de uma convicção muito forte: é possível transformar a dor em algo positivo, em algo que gera impacto e muda vidas. A associação tem um propósito muito claro: apoiar jovens no acesso ao ensino superior, porque acreditamos profundamente que a educação é o maior elevador social que existe. Se há algo que verdadeiramente pode mudar o destino de uma pessoa, de uma família e até de uma comunidade, é o acesso à educação.</p>
<p>A nossa ambição para 2026 e para os próximos anos é clara: crescer este projeto, chegar a mais jovens, criar mais oportunidades e contribuir de forma concreta para uma sociedade mais justa e mais equilibrada. Porque no final do dia, o sucesso de uma empresa não se mede apenas pelos resultados financeiros. Mede-se também pelo impacto que consegue gerar na vida das pessoas.</p>
<p>E ficarei ainda mais orgulhoso se disserem que o Grupo Bernardo da Costa é um grupo que, para além do sucesso empresarial, conseguiu também gerar um impacto positivo na sociedade e no mundo, contribuindo de forma responsável para o desenvolvimento social, ambiental, cultural e para uma governação empresarial cada vez mais ética e sustentável. No fundo, a nossa verdadeira ambição é simples: crescer enquanto empresa, mas, acima de tudo, deixar uma marca positiva na vida das pessoas.</p>
<blockquote><p>&#8220;A associação [Fernando Costa] tem um propósito muito claro: apoiar jovens no acesso ao ensino superior, porque acreditamos profundamente que a educação é o maior elevador social que existe&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>Ao longo do seu percurso como empresário e líder do Grupo Bernardo da Costa, houve algum momento ou decisão que tenha sido determinante para a forma como hoje olha para as pessoas dentro das organizações?<br />
</strong>Houve vários momentos importantes, mas talvez o mais determinante tenha sido perceber que uma empresa só cresce verdadeiramente quando as pessoas crescem com ela. Ao longo do meu percurso tive a oportunidade de conhecer muitas empresas extraordinárias e também algumas culturas organizacionais muito tóxicas. Isso reforçou a minha convicção de que o sucesso empresarial não pode ser construído à custa das pessoas. Foi essa reflexão que me levou a escrever o livro “A Felicidade é Lucrativa”. Porque acredito profundamente numa ideia: O sucesso empresarial não se mede apenas pelos resultados. Mede-se também pelo impacto que temos na vida das pessoas.</p>
<blockquote><p>&#8220;Uma empresa só cresce verdadeiramente quando as pessoas crescem com ela&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>Num plano mais pessoal: o que é que, para si, define uma vida profissional verdadeiramente feliz?<br />
</strong>Uma vida profissional feliz é aquela em que sentimos que o nosso trabalho tem significado. Onde podemos crescer, aprender, contribuir e ajudar outros a crescer também. O trabalho ocupa uma parte muito significativa da nossa vida. Por isso não pode ser apenas uma obrigação. Tem de ser também uma fonte de realização. Para mim, a verdadeira felicidade profissional acontece quando conseguimos alinhar três coisas. Propósito. Pessoas. Impacto. E deixo uma última reflexão que resume aquilo em que acredito: No final da vida ninguém se lembra das folhas de Excel. Lembra-se das pessoas que ajudou a crescer e das vidas que mudou para melhor.</p>
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		<title>Júlia Palha: Regresso ao presente</title>
		<link>https://www.forbespt.com/julia-palha-regresso-ao-presente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Meireles]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 18:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Digital Cover]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se esta entrevista tivesse acontecido há cerca de dois anos, a Forbes apresentava-lhe uma Júlia Palha um pouco diferente daquela que conheceu neste momento. Hoje, falamos da atriz que valoriza mais a coesão e a longevidade do que um sucesso repentino e limitado. A dona de uma presença nas redes sociais que cuida a influência [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Se esta entrevista tivesse acontecido há cerca de dois anos, a Forbes apresentava-lhe uma Júlia Palha um pouco diferente daquela que conheceu neste momento. Hoje, falamos da atriz que valoriza mais a coesão e a longevidade do que um sucesso repentino e limitado. A dona de uma presença nas redes sociais que cuida a influência com a responsabilidade de quem tem realmente consciência de que é ouvida por muitos. E a pessoa que encontrou uma forma mais calma de viver a vida, que não acontece no passado ou no futuro, acontece no presente.</p>
<p>“Esta fase de sucesso que eu estou a viver na minha carreira é uma consequência de muito trabalho, muito respeito, muita consideração e muitas cedências no passado. Esta fase que eu estou a viver feliz, amorosamente, é consequência de ter aprendido bem as minhas lições, de ter valorizado as coisas certas nas pessoas que tenho à minha volta”, diz Júlia Palha à Forbes.</p>
<p><strong>O que é que as novelas dão a um ator que dificilmente se ganha num outro formato?<br />
</strong>Dão muita resiliência, porque são de facto projetos muito desgastantes, que duram muito tempo, com horários muito intensos e com uma certa incerteza do que é a tua vida nesses oito ou nove meses em que estás a fazer o projeto. Nós funcionamos com folhas de serviço que recebemos às sextas-feiras, fica muito difícil conciliar outras coisas, ficas muito preso a este projeto. Mas, acima de tudo, é a escola. As novelas são a escola da representação. Tu num dia fazes, às vezes, vinte e tal cenas, que é quase uma esquizofrenia emocional, dá-te, de facto, uma estaleca que nenhuma outra coisa te dá. Começas o dia às nove da manhã e a primeira cena é a chorar, a segunda é a rir, a terceira é a irritares-te, a quarta é a chorar outra vez, depois tens cinco a rir. Tudo isso, às vezes, quando estás a ter um dia bom e a última coisa que te apetece é chorar e ir para uma zona má, ou em dias em que estás em momentos maus a nível pessoal. Portanto, é uma escola emocional, onde aprendes mesmo a usar o teu corpo, a tua voz, a usar as tuas emoções como uma ferramenta. Da mesma forma que um médico que tem muita experiência é melhor do que um médico que tem menos, claro que o talento é uma coisa que existe, mas quanto mais trabalhas, mais consegues melhorar o teu trabalho.</p>
<p><strong>Nessa altura inicial já estavas certa de que era a representação que querias para a tua carreira?<br />
</strong>Não, definitivamente, representação não era uma coisa que ambicionasse. Já fazia alguns anúncios, participações em projetos, alguns trabalhos em moda, estava já habituada de alguma forma às câmaras, mas eu dizia que queria ir para a gestão. Quando apareceu o casting do meu primeiro filme [John From], acabei por ficar e foi a meio do projeto que percebi: isto é muito interessante. Não tinha formação, não tinha raízes nem bases para o que estava a fazer, trabalhava muito por intuição, também tinha 15 anos e quando és muito novo trabalhas muito com o instinto e com o que tu achas que sentirias nessa situação. Eu gostei muito e percebi logo que gostaria de explorar e fazer mais, mas se calhar só ao fim de quatro ou cinco anos a trabalhar, já com algumas novelas, séries e filmes no currículo, é que percebi que isto é o que eu quero fazer para a minha vida. Também se calhar por antigamente haver um bocadinho aquele estigma de que para este tipo de profissões tinhas que ter um plano B, eu ao início também não queria ver isto como o meu plano A, e de repente percebi: a vida está incerta para todos nós, atualmente já não há aqueles trabalhos de uma vida inteira, portanto incerteza por incerteza é realmente nisto que eu sou feliz e é realmente isto que eu quero fazer.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-175703 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8050-scaled.jpg" alt="" width="1708" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8050-scaled.jpg 1708w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8050-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8050-1281x1920.jpg 1281w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8050-768x1151.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8050-1025x1536.jpg 1025w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8050-1366x2048.jpg 1366w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8050-1200x1799.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8050-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1708px) 100vw, 1708px" /></p>
<p><strong>Mencionaste a questão da formação, foi uma coisa que, mais tarde, foste procurar, achas que é importante no percurso de um ator?<br />
</strong>Acho que sim. Como eu disse, as novelas dão-nos uma escola, uma prática que eu acho sinceramente que nenhuma escola dá. Isto para dizer que quem já trabalhou tanto como eu, isto não deixa de ser uma formação também, porque estás ali a aprender diariamente com outros atores mais velhos, mais experientes, aprendes também sobre câmaras, planos, iluminação e tudo isso é importante para a nossa profissão. Mas, efetivamente, eu já fui fazer formação depois disso, fui para Madrid viver, estive no Corazza e no Centro del Actor, que são duas escolas de teatro muito respeitadas. O que eu percebi foi: isto é uma profissão na qual eu vou ter de estar constantemente a estudar, a formar-me, porque há sempre coisas novas para descobrir. E é um conselho também que eu tento dar a pessoas que queiram entrar na área. Acho que ao longo da vida o que eu for sentindo, se acho que a minha projeção ou a minha colocação de voz está menos boa, ou acho que poderia desprender-me um pouco no corpo, vou procurando formações mais curtas e mais específicas para melhorar aquilo que eu sinto que me está em falta.</p>
<p><strong>O quão difícil é dar os primeiros passos nesta área em Portugal?<br />
</strong>Eu costumo dizer que sinto que isto é uma bolha. Diria que os primeiros passos não são fáceis, mas depois quando entras na bolha e és um bom profissional facilmente consegues mover-te e trabalhar cá. Mas, efetivamente, até se conseguir uma agência, por exemplo, não é fácil. Por acaso, o meu primeiro casting não foi através de agência, foi na altura em que os castings funcionavam melhor no Facebook e as coisas ganhavam outra dimensão. Mas eu acho que arranjar uma agência é definitivamente o essencial, porque já quase não existem estes castings públicos. Formação também é essencial. É como tudo, não é? Também ninguém vai ser médico sem ter formação.</p>
<p>Eu tenho consciência que não é fácil, principalmente para jovens que vivem fora de Lisboa, onde acabam por estar as agências principais e a maior parte das produtoras e das oportunidades. Mas eu acredito que quando uma coisa é para ser nossa e quando realmente queremos muito uma coisa, se não desistirmos, acabamos por consegui-la. Claro que não podemos correr atrás de sonhos irreais e não trabalhar em mais nada ou viver frustrados porque não estamos a conseguir entrar numa certa área, mas não devemos desistir dos nossos sonhos, devemos trabalhá-los. Se não posso neste momento, se não estou a conseguir nenhum trabalho enquanto atriz e não me posso dar ao luxo de não estar a trabalhar, vou tentar fazer ambos em paralelo. Vou arranjar um outro trabalho noutra área e vou tentar investir em formação paralelamente, ou vou investir nas minhas redes sociais porque a visibilidades ajuda, vou procurar um trabalho que seja na área do cinema, mesmo que não seja enquanto atriz, vou tentar estar dentro da área. É estar no sítio certo à hora certa e conhecer as pessoas certas.</p>
<blockquote><p>Quando nós temos um sonho, não podemos ser muito agarrados ao objetivo final, temos de saber abrir janelas perto desse sonho, que sabemos que mais tarde nos podem conduzir até lá.</p></blockquote>
<p><strong>Ao longo do teu percurso passas por vários formatos – cinema, novelas, séries. Com qual te identificas mais?<br />
</strong>Isso é uma pergunta que me fazem muito e acho que as pessoas que estão do outro lado não percebem, porque é mesmo difícil escolher. Todos te dão coisas diferentes. Definitivamente, o cinema é sempre uma zona que nos é especial na medida em que, como são projetos mais curtos, consegues entregar coisas diferentes a um personagem É completamente diferente tu teres de fazer um personagem, um grande vilão, durante um mês ou durante nove meses, que é o que dura uma novela. Tens mais margem para explorar e mais tempo até, porque temos sempre menos cenas durante o dia em cinema. Mas na novela também crias laços e relações muito mais fortes com as pessoas, porque estás lá muito mais tempo, tens uma proximidade ao público muito maior. Tenho consciência que grande parte da visibilidade que tenho de carreira vem das novelas, as pessoas que me reconhecem na rua é pelas novelas, portanto traz um retorno e um carinho do público gigantesco. As séries são um bocadinho um intermédio entre esses dois formatos. Normalmente são coisas que fazemos umas em dois meses, outras às vezes em cinco, onde se calhar tens mais espaço para explorar, mas não é uma correria tão grande como as novelas. Diria que se calhar é talvez o formato mais confortável para estar. Mas são todos muito especiais. Há pessoas que dizem: se um dia pudesse deixava de fazer novelas. Não, eu acho que vou fazer novelas uma vida inteira. Claro que se puder ter o privilégio de escolher as que realmente me desafiam e me fazem sentido, melhor. mas eu, por mim, vou sempre querer continuar a trabalhar em todos os formatos.</p>
<p><strong>Tens algum projeto que consideres que foi um ponto de viragem na tua carreira?<br />
</strong>Não sei bem. Eu costumo dizer que a minha carreira tem sido muito coerente, muito coesa, e é das coisas que eu mais gosto. Aliás, a minha agente uma vez disse esta frase e é mesmo por ela que me movo: as carreiras constroem-se a longo prazo. Eu nunca quis, de repente, ficar a pessoa mais falada ou mais conhecida, porque acho que muitas vezes estes <em>booms</em> de fama podem ser perigosos, porque se as pessoas te veem a ter muito mérito e muito sucesso um bocadinho “do nada”, podem não o valorizar tanto e tender a desmerecer a tua carreira. Eu comecei muito nova, comecei com papéis bastante pequenos, fui crescendo, fui ganhando papéis com cada vez mais importância, fui picando um bocadinho todas as áreas. Diria talvez que quando a SIC apostou em mim para fazer a minha primeira protagonista em telenovela com <em>A Serra</em>, fazia a personagem da Fátima, não lhe vou chamar um ponto de viragem, porque acho que só continuou um crescimento coerente a partir daí, mas diria que foi uma boa oportunidade para mostrar que sou uma pessoa que lida bem com muito trabalho, com situações de muito stress. Fazer uma protagonista em televisão é muito exigente e mostrei que mesmo debaixo de todo esse stress sou uma profissional altamente dedicada e educada. E não deixou de ser uma aposta de que o público gostou, o público quer ver-me nos ecrãs e isso é bom para trazer retorno e para outras produtoras me quererem chamar para os seus projetos. Digamos que foi um bocadinho uma rampa de lançamento, não propriamente uma viragem, mas uma força extra para me trazer tudo o que tem acontecido nos últimos anos.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-175707 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8326-scaled.jpg" alt="" width="1708" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8326-scaled.jpg 1708w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8326-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8326-1281x1920.jpg 1281w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8326-768x1151.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8326-1025x1536.jpg 1025w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8326-1366x2048.jpg 1366w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8326-1200x1799.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8326-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1708px) 100vw, 1708px" /></p>
<p><strong>Que outros projetos destacas?<br />
</strong>Destaco o “Podia Ter Esperado por Agosto” que fiz no ano passado com o César Mourão. Foi dos projetos onde fui mais feliz, foi uma oportunidade inacreditável poder fazer cinema português com o objetivo de chegar a todos, às famílias todas, a todas as faixas etárias. Foi de facto um filme que teve uma projeção gigantesca, chegou quase a meio milhão de portugueses, que é uma coisa que no cinema português não vemos tanto, talvez às vezes por ser um cinema mais de autor. Foi cinema que chegou às massas, que normalmente só nos acontece em Portugal com as novelas, de repente era um filme que todo o Portugal tinha visto e com o qual todo o Portugal tinha rido e chorado, foi mesmo gratificante ver este projeto a ter tanto sucesso. Posso destacar o meu mais recente projeto, que é o Lavagante. Obviamente numa escala diferente e por ser, como estava a dizer, um cinema mais de autor, pode não estar a ter tanta projeção, mas está a ser um sucesso inacreditável. Estamos a exceder as expectativas da produtora e tenho recebido feedback incrível. É um filme que se passa nos anos 60, a preto e branco, achámos que seria um filme muito mais de nicho e a verdade é que imensa gente da minha idade está a ver. Felizmente não me tem faltado trabalho nas mais variadas áreas e é muito gratificante saber que este trabalho vem também de muito esforço e dedicação ao longo dos últimos anos.</p>
<p><strong>Um outro filme que tu estreaste este ano foi “Virgens”, em Espanha. Como é que foi esse processo de chegar ao mercado espanhol?<br />
</strong>Esse processo, por acaso, foi o que muitas vezes nos acontece nesta área. Foi um projeto que me apareceu um bocadinho sem estar à espera. Foi o Lionel Vieira que sabia que eu falo muito bem espanhol. Eles precisavam de uma atriz que parecesse sueca, que tivesse cabelo claro e olhos azuis, mas que falasse bem inglês e espanhol. Como era uma composição portuguesa, ele lembrou-se logo de mim, fiz um pequeno casting e acharam que eu seria a pessoa ideal para esse projeto. Foi muito diferente e divertido gravar em Espanha, um mercado no qual eu adorava trabalhar mais. Como disse, é furar as bolhas. Agora, era um papel pequenino, numa altura em que eu estava com muito trabalho. Se calhar haveria outras pessoas que diriam: não, esse papel é demasiado pequeno para mim, não me faz sentido. Eu quis furar a bolha, é um papel pequenino, mas eu quero que este mercado me conheça, porque quem sabe algum realizador ou produtor espanhol vê este filme e lembra-se de mim para um outro projeto.</p>
<blockquote><p>Eu acho que, acima de tudo, enquanto nos mantemos humildes e abertos a oportunidades, as coisas acabam por nos chegar.</p></blockquote>
<p><strong>Este internacionalizar da carreira era um objetivo que tu tinhas definido para o teu futuro?<br />
</strong>Sim, não num lado pretensioso de que as coisas cá não são boas, eu acho que nós fazemos coisas incríveis, mas numa medida em que o grande objetivo de qualquer artista é que a sua arte chegue o mais longe possível e a mais pessoas possíveis. Obviamente, ao internacionalizar a minha carreira, mais pessoas conhecerão o meu trabalho e a mais pessoas eu posso tocar com a minha arte. É mesmo só por isso que eu gostava de poder trabalhar noutros países.</p>
<p><strong>Começar por Espanha, teve a ver com o facto de falares bem espanhol ou houve outras coisas que te atraíram?<br />
</strong>A cultura espanhola é uma cultura muito presente na minha vida, eu vejo imensas séries espanholas, ouço muita música espanhola. Sou de Vila Franca, até se costuma brincar e dizer que é a Sevilha do Ribatejo. Cresci a ouvir flamenco, vou imenso a Madrid, sempre acompanhei muitas séries e filmes deles e acho que eles têm uma garra a fazer projetos da qual eu gosto muito e com o qual me identifico. São muito intensos e eu costumo brincar que eu também sou, portanto, identifico-me com eles. Mas eu só quero é fazer filmes que façam as pessoas sentir o máximo possível e que cheguem ao máximo de pessoas possíveis, portanto, seja em Espanha, Londres, Estados Unidos, Bulgária, eu sou feliz, quero é chegar a pessoas.</p>
<p><strong>Há pouco mencionaste “Podia Ter Esperado por Agosto” e “Lavagante”. Podemos juntar também “Hotel Amor”, que foi outro filme que deu muito que falar. Em que momento achas que está o cinema português?<br />
</strong>Acho que na produção audiovisual portuguesa em geral, estou a começar a ver aqui, neste caso específico sim, um ponto de viragem. Acho que não vai ser um ponto de viragem rápido, mas que isto é o princípio de alguma coisa. Acho que também termos as grandes plataformas a começar a investir no nosso país, como a Netflix ou a Prime Video, é também o princípio disso. Séries como “Rabo de Peixe”, que foi um sucesso mundial, são um sinal de que não importa a língua em que se está a falar, importa que as coisas tenham qualidade e que sejam bem feitas, e nós podemos fazer coisas com qualidade e bem feitas. O que aqui nos falta em Portugal, muitas vezes, é orçamento, porque não temos os orçamentos certos, acho que estas plataformas começarem a investir podem, de facto, mudar a maneira como as coisas têm sido feitas. Acho que há um comentário que nós atores todos fazemos muito, que é: parece que têm medo de ser comercial. Comercial não significa mal, tu queres fazer coisas que as pessoas queiram ver, é só adaptares-te ao mercado em que estás a viver, e é isso que a cultura tem feito ao longo dos últimos anos. Estas novas plataformas vão fazer exatamente com que realizadores novos, autores novos, produtores novos que queiram fazer coisas novas, como, por exemplo, o Justin Amorim, que é o produtor do “Hotel Amor”, e o Hermano Moreira. O Justin farta-se de produzir coisas com realizadores, autores e atores novos. Há muita gente a querer fazer novo e bom, só precisam dos apoios certos. Acho que daqui a cinco anos, eu adorava que fosse antes, mas estas coisas também demoram um bocadinho, mas daqui a quatro ou cinco anos nós vamos estar a ver Portugal no mapa do cinema e das séries.</p>
<p><strong>Tu mencionaste aí o orçamento e foram anunciados cerca de 638 milhões de euros para a cultura, o que representa um aumento de 21,9%. Isto significa que a cultura fica com 0,26% da despesa total do Estado. Como é que tu olhas para estes números?<br />
</strong>Eu acho que, infelizmente, a cultura ainda não é vista como algo que importe pelo menos o suficiente para ter uma fatia maior no bolo de tudo o que é o orçamento do Estado. Quando, infelizmente, está mais do que comprovado que a cultura faz bem à saúde, à saúde mental, é importante as pessoas irem ao teatro, verem filmes. Não só é importante como é o dia-a-dia de toda a gente, acho que não há ninguém que chegue a casa e não vá ver um filme ou uma série para descomprimir depois de um dia de trabalho. Infelizmente, o nosso país ainda não consegue aceitar isso a 100%. Ter havido um aumento já é positivo, ainda que não seja o aumento que nós gostaríamos, e temos de nos agarrar a isso. Acima de tudo, dar oportunidades a pessoas novas de tentar fazer coisas novas e provar, que é o que já temos provado um bocadinho nos últimos tempos, que fazemos o melhor que podemos, que fazemos omeletes sem ovos, que com tão pouco já fazemos tão bom, que precisamos de mais porque a cultura traz retorno, traz turismo e muito mais. São aquelas pequenas migalhas que nos vão dando, é um aumento, não é significativo, mas eu acredito que nós vamos sempre continuar a fazer o melhor que podemos com o que nos dão.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-175709 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8280-scaled.jpg" alt="" width="1708" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8280-scaled.jpg 1708w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8280-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8280-1281x1920.jpg 1281w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8280-768x1151.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8280-1025x1536.jpg 1025w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8280-1366x2048.jpg 1366w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8280-1200x1799.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8280-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1708px) 100vw, 1708px" /></p>
<p><strong>Além da área da representação, tu tens também uma forte presença nas redes sociais, com quase meio milhão de seguidores apenas no Instagram. Qual é o peso deste lado do trabalho na tua carreira?<br />
</strong>É bastante, sendo racional e constatando o mundo em que vivemos agora, tenho consciência que as redes sociais são uma ferramenta importantíssima e a minha mentalidade na vida sempre foi: espertos são os que se adaptam. Se o mundo vive com redes sociais e precisamos das redes sociais, eu adapto-me, faço tudo o que me faz sentido e associo-me a marcas, trabalho e exponho o quanto a mim me faz sentido e o quanto eu acho que é preciso. Apesar de ter uma plataforma muito grande, são raras as coisas que exponho da minha vida pessoal. Não publico fotografias da minha família, do meu noivo, não faço vídeos a contar como é que está a ser o meu dia-a-dia. É muito pontualmente que eu decido comunicar algum tipo de coisa e se calhar 95% são coisas do meu trabalho, são muito raras as que são de nível pessoal. Temos de nos adaptar, de saber usar esta ferramenta que são as redes sociais e que não deixa de ser uma forma de comunicação. Eu ainda há pouco tempo falei disso, já não me lembro onde, mas eu estava a dizer: agora o “Lavagante” está no cinema, se eu tenho uma plataforma que tem praticamente meio milhão de seguidores e eu tenho o privilégio de poder usá-la para todos os dias partilhar o meu filme e lembrar as pessoas que o filme está nos cinemas, porque se a minha produtora, por algum motivo, não tem dinheiro suficiente para isso estar todos os dias a passar na televisão ou nem sempre consegue os apoios certos para isso, que sorte que eu tenho esta plataforma que chega diariamente à casa das pessoas. Eu vejo até as redes sociais muito mais como uma forma de comunicação de trabalho e é a postura que eu tenho tentado manter. Acho que também seria errado só querer partilhar o meu trabalho e nunca partilhar nada da minha vida pessoal, porque as pessoas se gostam de ti, gostam de te acompanhar, querem saber algumas coisas, e eu tento encontrar o equilíbrio certo.</p>
<p><strong>Que percentagem dos teus rendimentos tem origem nas redes sociais, no trabalho com as marcas, e que percentagem vem do lado da representação?<br />
</strong>Depende muito, sabes porquê? Porque quando eu estou a gravar, acabo por ter muito menos disponibilidade para conseguir fazer coisas do lado das marcas, e quando não estou a gravar, acabo por fazer mais. O que acontece muitas vezes é que muitas das coisas que chegam de Instagram, de parcerias de marcas, também vêm porque eu sou a atriz Júlia Palha e não porque eu estou só a influenciar, tanto que a escolha que eu faço das marcas é muito seletiva. Qualquer pessoa que vá ao meu perfil vai ver que se eu publicitei um creme, durante o próximo ano eu não vou publicitar outro creme, porque sei que a marca me escolhe como uma prova de credibilidade e, isto não censurando quem não o faz, mas a verdade é que as marcas querem-se associar à Júlia Palha porque ela é atriz e as pessoas a conhecem, portanto veem credibilidade naquela figura. Eu também tento fazer uma escolha do que é que aceito ou não aceito para também não perder essa credibilidade, porque a verdade é que, não tenho problema nenhum em responder a isto, se eu aceitasse tudo o que me é proposto, definitivamente, a percentagem do meu rendimento seria muito maior da parte das redes sociais, porque as redes sociais estão a movimentar muito dinheiro nesta fase.</p>
<blockquote><p>Como eu tento fazer uma gestão equilibrada, diria que é um 50/50, depende muito dos meses e das coisas que eu vou ou não aceitando.</p></blockquote>
<p><strong>E que Júlia procuras ser nas redes sociais?<br />
</strong>Procuro ser discreta, acima de tudo, gosto de manter algum misticismo, as grandes atrizes que eu acompanho lá fora, como a Zendaya, por exemplo, também só vão publicando muito raramente. As redes sociais vieram fazer perder-se esse mistério que havia, que nós tínhamos, quando éramos miúdas e a pessoa era quase inalcançável, as redes sociais vieram fazer com que tu vejas a cara desta pessoa diariamente e perde-se um bocadinho esse misticismo e eu gosto de manter isso. Portanto, tento ser discreta, tento e sou autêntica, sempre, acho que não há nada que venda melhor ou que seja melhor para uma carreira que sermos genuínos. Eu não estou aqui para ser a mais rica ou a mais conhecida, eu estou aqui para ter a oportunidade de fazer o que eu gosto até ao fim da minha vida e para isso é preciso construir uma carreira sólida e para construir uma carreira sólida é preciso dizer muitos não. Às vezes há orçamentos incríveis para marcas, às vezes há projetos que me dariam imensa visibilidade, mas que não são a escolha certa para a minha carreira naquele momento. Eu penso muito a longo prazo, penso que quero poder ser velhinha e ainda fazer filmes e para isso há que construir uma coisa sólida, genuína, coerente e que não se expõe demasiado, porque vivemos numa geração onde as pessoas estão um bocadinho nervosas na internet, há muitas opiniões, muita coisa a acontecer e quanto mais tu te fores conseguindo proteger e salvaguardar, acho que melhor te vais dar no futuro.</p>
<p><strong>Ao mesmo tempo que tens essa proteção contigo própria, tens uma segunda conta mais pequena onde publicas coisas que tu escreves e acabas por partilhar uma perspetiva um pouco mais pessoal. O que é que te levou a criar essa conta?<br />
</strong>Essa minha conta – <em>Kindly Julia</em> – surgiu porque eu escrevo muito e gosto muito de escrever, é quase uma terapia para mim, é das melhores formas de muitas vezes eu me expressar e perceber coisas que estava a sentir e que até as escrever não percebia bem que estava a sentir. E outras muito fictícias, eu escrevo ali muita coisa que não é sobre mim, que são situações que eu ouvi de amigas e adaptei, ou que eu vi num filme e adaptei. Mas vem acima de tudo de eu ter começado a partilhar alguns textos meus na minha página oficial, já há alguns anos, e de receber muitas respostas de muitas pessoas a identificarem-se, a agradecer pela partilha, a dizer que aquele texto específico as tinha ajudado a sair de um relacionamento tóxico, ou a sentir-se melhor em relação às suas estrias. Situações muito específicas, de repente, em que realmente os meus textos tinham ajudado outras pessoas. Pensei: se calhar às vezes não partilho tantos dos meus textos aqui na página, porque de facto isto tem que ser um bom equilíbrio entre o meu trabalho e não pode de repente só textos, vou fazer uma página à parte que seja dedicada a isto e que se calhar há pessoas que vão querer seguir. Achei que era uma zona que merecia ter um destaque especial, porque a escrita tem esse lugar especial para mim. Já não escrevo lá há alguns meses, tenho que voltar. Eu continuo a escrever para mim, nos meus cadernos, nas minhas notas, mas depois tenho preguiça, confesso, ou esqueço-me de passar para a página. E mesmo assim, sempre que me cruzo com alguém que elogia o meu trabalho, das primeiras coisas que elogiam é a página de textos. Isso é muito gratificante.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-175710 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8473-scaled.jpg" alt="" width="1708" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8473-scaled.jpg 1708w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8473-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8473-1281x1920.jpg 1281w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8473-768x1151.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8473-1025x1536.jpg 1025w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8473-1366x2048.jpg 1366w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8473-1200x1799.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2025/11/2VIC8473-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1708px) 100vw, 1708px" /></p>
<p><strong>Há ainda um outro projeto em que estás a trabalhar, o podcast “Geração 90”. Segundo a descrição, o podcast fala sobre a geração que cresceu com a revolução digital e que vive ansiosa em relação ao futuro. A revolução digital trouxe-nos mais coisas boas ou más?<br />
</strong>Eu acho que o objetivo da revolução digital era trazer-nos coisas boas, mas não sei se neste momento não nos trouxe mais coisas más. Quem sou eu? Não estudo sobre isto, não sou cientista, não faço sondagens, mas a verdade é, e é o que eu tenho percebido também nestas conversas com os meus entrevistados que nasceram nos anos 90, não há nada como nós termos crescido na rua, a brincar com os nossos amigos, a jogar ao peão, a jogar <em>gameboy</em>. Eu não sou mãe, e é uma coisa que às vezes me assusta quando penso como é que vou gerir as coisas com os meus filhos, todos temos vidas muito ocupadas e em que trabalhamos muito e nem sempre é fácil gerir as energias e o que os miúdos precisam, eu não imagino o que isso será, mas é muito assustador ver já miúdos muito pequenos agarrados a tablets a toda a hora. Mas o que me assusta ainda mais é nas idades mais para a frente, em que começa o <em>bullying</em>, em que começa o acesso gratuito a tudo o que há de perigoso na internet, que é um mar de coisas perigosas. Realmente preocupa-me, tenho a certeza de que o mundo digital é altamente pertinente, que nos trouxe coisas ótimas e foi para isso que ele foi criado, só que nós estamos demasiado agarrados a ele e focamos nas coisas menos boas que ele tem, que é estarmos completamente adictos. Contra mim falo, é a nossa geração. Estamos completamente presos aos telemóveis, dependendo das opiniões alheias, viciados em seguir tendências que mudam de mês e meio em mês e meio. Isso faz-nos viver muito ansiosos, a ansiedade e depressão são as doenças do século, quando tenho a certeza que se não houvessem tantos telefones, não o seriam.</p>
<p>O meu podcast é também um bocadinho para isso, para alertar, tanto que a pergunta que eu faço no final é: acreditas que o agora é a melhor e mais importante altura da tua vida? E as pessoas vão dando respostas diferentes, mas é um bocadinho para tentar alertar que o agora tem de ser a melhor altura das nossas vidas, independentemente de tudo o que de maravilhoso venha no futuro. Nós temos de estar presentes, temos de estar a jantar com os nossos amigos sem estar a mexer no telefone a preparar a reunião de segunda-feira ou a comparar-nos com a rapariga que está no hotel em Miami. Se tens o privilégio de ter saúde, de ter um trabalho, de estar num jantar com amigos, desliga-te e aproveita.</p>
<blockquote><p>A vida é agora e amanhã podemos morrer todos, mas até lá temos que viver e nós vivemos demasiado preocupados e ansiosos em relação ao futuro, somos uma geração muito consumida por isso e eu tento ao máximo relembrar, com o poder da minha voz, que temos de tentar combater isso.</p></blockquote>
<p><strong>E pegando na segunda parte da descrição do podcast, o que é que te deixa mais ansiosa em relação ao futuro?<br />
</strong>Se me tivesses feito esta pergunta há dois anos, antes de eu fazer terapia, eu dizia-te: a minha grande preocupação é eu não conseguir ter a grande carreira internacional ou atingir todos os projetos ou fazer um filme em Hollywood. Eu realmente vivia presa a isso, eu limitava imensamente as minhas escolhas e as minhas decisões em função disso. Hoje, eu realmente quero viver o presente. Quando eu mudei o <em>chip</em> e comecei a viver o presente, que foi há cerca de dois anos, todos os grandes projetos começaram a surgir. Surgiu o “Podia Ter Esperado por Agosto”, surgiu a parceria com o Novo Banco. Eu tenho 27 anos e dou a cara por um banco, não há maior exemplo de credibilidade e confiança de imagem do que isto. Fecho parcerias com qualquer marca de que eu realmente gosto e me identifico no Instagram, faço protagonistas em cinema e em televisão. Ou seja, parece que realmente só quando tu deixas de viver ansioso e com medo de não conseguir as coisas, é que deixas fluir a energia certa para as coisas certas te chegarem, porque quando estás muito ansioso, é porque ainda não estás pronto para recebê-las. E depois quando finalmente encontras paz naquilo que já tens e te tornas uma pessoa agradecida, porque nós também somos muito pouco agradecidos, nós estamos o tempo todo tão preocupados com a nossa próxima conquista, que quando de repente conquistamos&#8230; Isto é uma situação hipotética, agora vou dar um exemplo fútil, mas eu há dois meses queria muito comprar um secador e de repente no dia em que compro o secador eu já estou tão focada em inscrever-me no ginásio que para mim a conquista de comprar um secador ficou esquecida. Isto é um exemplo completamente absurdo, mas isto para dizer que nós vivemos constantemente atrás de novas e novas conquistas e esquecemos completamente do que já conquistámos até agora. Cada um na sua área, mas tem tudo imenso mérito.</p>
<p><strong>E essa mentalidade, o estar mais no presente e não focar tanto no futuro, anula algumas das ambições que possas ter ou tu continuas a ambicionar chegar a um papel em específico, um projeto em específico?<br />
</strong>Sim, completamente, temos que ser pessoas com objetivos. A ambição e os objetivos são o que nos move na vida e nos faz querer ser mais e melhor. Mas o segredo está mesmo em encontrar a paz e saber que o que é para ser teu, se tu trabalhares e lutares por isso, vai chegar. Eu digo aqui: eu quero e vou fazer um filme em Hollywood, eu quero e vou fazer uma grande série de uma destas grandes plataformas. Só que há dois anos eu vivia presa à ideia de conseguir isso até aos 30 anos, porque não sei quem lá fora já conseguiu. Não, se eu conseguir só o meu papel em Hollywood aos 60, aos 70 ou aos 80 anos, eu vou cumprir o meu sonho. Porque é que a nossa geração quer cumprir os sonhos logo com 20 anos? Antigamente, os nossos pais e avós quando tinham um sonho, era exatamente isso: eu tenho o sonho de um dia comprar aquela casa, eu tenho o sonho de um dia conseguir isto. E o sonho era uma coisa tão bonita pela qual tu lutavas e construías a tua vida inteira. E nós somos altamente ansiosos e impacientes, achamos que se não conseguirmos os sonhos até aos 30, que vamos ser uns inúteis e que não somos bem-sucedidos. Porquê? Porque vivemos diariamente a comparar-nos com as realidades que vemos nas redes sociais. Claro que há pessoas multimilionárias que estão muito melhor que nós profissionalmente ou amorosamente, ou o que seja, no mundo. Mas tu antigamente comparavas-te com as pessoas da tua rua, agora comparas-te com aquelas pessoas que decides seguir. E se por algum motivo alguém só decide seguir esse tipo de pessoas, vive diariamente a achar que a sua vida é miserável quando não. Há vidas que ainda não estão no patamar que queremos alcançar. Trabalho, paciência e resiliência e tudo se consegue.</p>
<p><strong>Para terminarmos, que projetos teus poderemos ver em breve?<br />
</strong>Estou agora a começar a gravar a nova novela da SIC, “Páginas da Vida”, que era uma história da Globo que a SIC comprou. Estamos a gravar, deve estrear para janeiro. Continuo com o meu podcast “Geração 90”. Felizmente, muitos castings estão a ser feitos. Muita coisa, como estava a dizer há bocado, através das plataformas que estão a chegar a Portugal. Tenho a certeza de que estou na fase certa de vida e estou com a energia certa para muitas coisas acontecerem. E se, quando a entrevista sair, já tiver coisas novas que agora não tinha ainda para contar, melhor sinal.</p>
<p><em>(Agradecimento: CineSociety &#8211; Carmo Rooftop)</em></p>
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		<title>Como Camila Coelho construiu um império&#8230; sem diploma</title>
		<link>https://www.forbespt.com/como-camila-coelho-construiu-um-imperio-sem-diploma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nilza Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2025 10:44:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Digital Cover]]></category>
		<category><![CDATA[Forbes Life]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Encontramo-nos em Lisboa. Camila Coelho, que conheço desde sempre pelas redes sociais, eu e mais de dez milhões de seguidores, já estava quase pronta para o photoshoot marcado com a Forbes, quando cheguei ao Corinthia Hotel e a espreitei pela porta entreaberta. Kayo, o make up artist, a dar os últimos retoques. Tatiana a filmar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Encontramo-nos em Lisboa. Camila Coelho, que conheço desde sempre pelas redes sociais, eu e mais de dez milhões de seguidores, já estava quase pronta para o photoshoot marcado com a Forbes, quando cheguei ao Corinthia Hotel e a espreitei pela porta entreaberta. Kayo, o make up artist, a dar os últimos retoques. Tatiana a filmar o making off e a Marisa a escolher os slots ideais na suite Fado. É o ambiente das grandes influencers mundiais. É o ambiente de Camila, esse nome incontornável no mundo da beleza e do lifestyle. Abraçamo-nos para não estragar make-ups, mas apartir daí a conversa foi sem batons, sem rímel, sem disfarçar sentimentos e de coração aberto.</p>
<p>Para lá das câmaras e das redes sociais, longe do brilho das passerelles, das sessões fotográficas e dos filtros digitais, esconde-se uma história de raízes humildes, de desafios de saúde e de uma coragem diária que inspira milhões de pessoas em todo o mundo.</p>
<p>“Sou uma rapariga que veio do interior de uma pequena cidade de Minas Gerais, no Brasil, cresci numa família numerosa, muito ligada à natureza”, contou-me com a simplicidade de quem não esquece de onde veio. “A minha maior felicidade até hoje é regressar às minhas origens e perceber que a verdadeira felicidade está nas coisas mais simples da vida.”</p>
<p>Camila nasceu no Brasil, mas aos 14 anos acompanhou a família numa mudança radical para os Estados Unidos. Instalou-se na Pensilvânia, sem falar inglês e enfrentou um choque cultural profundo. “Foi difícil no início, principalmente porque quase não havia latinos onde vivíamos. Mas sempre gostei de mudanças e descobri cedo que me adapto com facilidade. Sou uma pessoa positiva e isso ajuda muito.”</p>
<blockquote>
<p data-start="1360" data-end="1687"><strong>“Nunca foi apenas maquilhagem. Era algo que vinha de dentro, um exercício de empoderamento.”</strong></p>
</blockquote>
<p data-start="1360" data-end="1687">Contudo,  Camila nunca deixou o Brasil para trás. “Tenho 37 anos e passei a maior parte da minha vida fora, mas continuo profundamente ligada ao meu país. A comida, a música, as pessoas… nada substitui o calor humano brasileiro. É por isso que digo sempre: nunca me tornei estrangeira.”</p>
<p data-start="1689" data-end="2177">Se a sua ligação às origens é inquebrável, o percurso profissional foi marcado por escolhas corajosas. Camila terminou o ensino secundário nos Estados Unidos, mas não seguiu para a universidade. “Durante muito tempo senti-me inferior por não ter um diploma universitário. Achava que nunca seria respeitada. Até que a própria <em data-start="2014" data-end="2022">Forbes</em> nos EUA destacou esse facto e foi aí que percebi que seguir o coração pode ser tão válido quanto qualquer título académico.”</p>
<p data-start="2179" data-end="2638">O seu percurso é o de uma cinderela da vida real. Trabalhou num balcão de maquilhagem na Macy’s, representando a Dior, e foi aí que descobriu a paixão pela ligação humana através da beleza. “As mulheres sentavam-se na cadeira e saíam de lá empoderadas. Esse sentimento de autoestima e confiança foi o que me conquistou.” Daí ao YouTube foi um passo natural: partilhar tutoriais, dicas e sobretudo criar comunidade. “Nunca foi apenas maquilhagem. Era algo que vinha de dentro, um exercício de empoderamento.”</p>
<p data-start="2640" data-end="3047">A sua ascensão foi pioneira, numa altura em que as redes sociais ainda eram vistas com ceticismo. “Em 2011, quando comecei, tínhamos de provar que isto não era futilidade, mas sim o futuro. Foi difícil, mas aos poucos ganhei respeito e comecei a trabalhar com grandes marcas.” O reconhecimento internacional trouxe capas de revista, colaborações e, mais tarde, o desejo de criar os seus próprios projetos.</p>
<p data-start="3049" data-end="3490">Em 2019 lança a sua <a href="https://camilacoelho.com/pt-br/" target="_blank" rel="noopener">marca de roupa,</a> seguindo-se, já em plena pandemia, pela marca de beleza <em data-start="3138" data-end="3146">Elaluz</em>. “Poderia ter usado o meu nome, mas queria algo Maior. <em data-start="3202" data-end="3211">Ela</em><em>l</em><em>uz</em> significa ‘ela é luz’. Todas nós temos uma luz interior, só precisamos de a reconhecer. Quando conseguimos deixá-la brilhar, não há limites.” Hoje, a marca está presente em mais de 500 lojas da Ulta, nos Estados Unidos, e Camila sonha expandi-la para o Brasil e para a Europa.</p>
<blockquote>
<p data-start="3049" data-end="3490"><strong>Camila Coelho “Foi o dia mais terrível da minha vida. Percebi que não podia lutar contra quem eu era. Desde então nunca mais descuidei o tratamento e passei a ser grata pela minha vida todos os dias.”</strong></p>
</blockquote>
<p data-start="3492" data-end="3903">Talvez o capítulo mais marcante da sua vida não esteja no sucesso empresarial, mas na coragem de partilhar uma fragilidade. Diagnosticada com epilepsia aos 9 anos, viveu anos em silêncio, com receio do estigma. “Guardei isso durante muito tempo. Tomar a decisão de revelar foi assustador, porque ainda existe preconceito. Mas percebi que tinha de dar visibilidade e mostrar que a epilepsia não me define.”</p>
<p data-start="3905" data-end="4221">Na adolescência, Camila Coelho chegou a interromper a medicação, tentando esconder a doença. O resultado foi uma crise em público, na escola. “Foi o dia mais terrível da minha vida. Percebi que não podia lutar contra quem eu era. Desde então nunca mais descuidei o tratamento e passei a ser grata pela minha vida todos os dias.”</p>
<p data-start="4223" data-end="4641">Hoje é embaixadora da campanha END EPILEPSY e membro do conselho da Epilepsy Foundation, usando a sua plataforma global para combater o estigma. Ao mesmo tempo, equilibra a carreira com a maternidade, sempre consciente das adaptações que a condição lhe exige. “Quando quis engravidar, sabia que teria de planear, porque tomo medicação. Foi um processo difícil, mas que me ensinou ainda mais sobre fé e resiliência.”</p>
<p data-start="4643" data-end="4940">Camila Coelho é muito mais do que uma influenciadora digital. É empresária, criadora de marcas, mãe e, acima de tudo, uma mulher que transformou vulnerabilidade em força. Entre raízes brasileiras e uma vida global, prova que autenticidade e coragem podem ser as maiores ferramentas de liderança.</p>
<p data-start="4942" data-end="5163">Como me disse, com a convicção de quem aprendeu a encontrar sentido nas adversidades: “Todas nós somos especiais, capazes de ser e fazer o que quisermos. O segredo é acreditar, encontrar a nossa luz e deixá-la brilhar.”</p>
<p data-start="4942" data-end="5163"><strong>Fotos:</strong> Marisa Cardoso<br />
<strong>Hair styling e Make up:</strong> Kayo Henriques</p>
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		<title>Tatiana Pinto: “O futebol feminino é um fenómeno e quem não se juntar vai ficar para trás”</title>
		<link>https://www.forbespt.com/tatiana-pinto-o-futebol-feminino-e-um-fenomeno-e-quem-nao-se-juntar-vai-ficar-para-tras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Meireles]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jul 2025 16:30:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Digital Cover]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Olhar para o percurso de qualquer jogadora de futebol coloca a modalidade em perspetiva, o que faz com que dificilmente se consiga fugir às comparações com o lado masculino. Apesar de ser algo que não pode ser ignorado, ou não estivéssemos a falar de uma questão de igualdade de género, necessária em qualquer área de [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://www.forbespt.com/tatiana-pinto-o-futebol-feminino-e-um-fenomeno-e-quem-nao-se-juntar-vai-ficar-para-tras/">Tatiana Pinto: “O futebol feminino é um fenómeno e quem não se juntar vai ficar para trás”</a> appeared first on <a href="https://www.forbespt.com">Forbes Portugal</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Olhar para o percurso de qualquer jogadora de futebol coloca a modalidade em perspetiva, o que faz com que dificilmente se consiga fugir às comparações com o lado masculino. Apesar de ser algo que não pode ser ignorado, ou não estivéssemos a falar de uma questão de igualdade de género, necessária em qualquer área de atividade, olhar para o futebol feminino hoje em dia é olhar para um fenómeno por si só.</p>
<p>Segundo um estudo conduzido pela Nielsen Sports e PepsiCo, prevê-se que a base global de fãs do futebol feminino cresça 38%, passando de 500 milhões para mais de 800 milhões até 2030. 60% dos adeptos serão do género feminino até 2030, criando um dos poucos desportos em que as mulheres representam a maioria do público. 47% dos adeptos estão entre os que ganham mais dinheiro a nível global e 50% têm entre 25 e 44 anos, um grupo demográfico comercial de excelência.</p>
<p>E é por isso que esta é uma história apenas sobre o futebol feminino. Sobre uma das jogadoras que leva Portugal aos grandes palcos da modalidade dentro e fora de campo.</p>
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<p>Na última <a href="https://www.forbespt.com/tatiana-pinto-o-futebol-feminino-esta-a-voar/">entrevista da Forbes com Tatiana Pinto</a>, a jogadora vestia as cores do Brighton, clube de uma das melhores ligas femininas do mundo. Mas entre essa época e a que terminou na primavera passada, muita coisa mudou.</p>
<p>“Na altura, ir para Inglaterra era uma coisa que eu realmente queria que tivesse acontecido e consegui esse meu objetivo. A minha passagem pelo Brighton a nível desportivo foi fantástica. Apesar de, como equipa, termos ficado em lugares um pouco mais abaixo, foi um ano de muita aprendizagem, tive a oportunidade de enfrentar equipas muito boas, muito competitivas, com jogadoras acima da média. Inglaterra está no meu top 2 das ligas mais competitivas e poder experienciar isso em primeira mão era realmente uma coisa que eu queria muito”, conta Tatiana.</p>
<p>27 jogos e cinco golos depois, num dos momentos em que a vida troca todas as voltas e nos confronta com a finitude do tempo, a jogadora portuguesa decidiu contrariar opiniões e voltar, sim, ao lugar onde já tinha sido feliz. Em agosto do ano passado, foi apresentada no Metropolitano, casa do Atlético de Madrid, em frente a 30 mil pessoas. Foi o seu regresso a Espanha.</p>
<p>“Foi um ano em que perdi uma grande amiga minha com cancro e isso fez-me repensar o que é que pesava mais na minha vida, o que é que eu valorizava mais, e sinceramente cheguei à conclusão de que prefiro estar onde me sinto feliz e onde tenho as pessoas que eu gosto e que trabalham comigo mais perto. Não é segredo para ninguém que eu já tinha trocado contactos com o Atlético em outros anos. Quando terminou o campeonato no Brighton e houve esta oportunidade, não pensei duas vezes. Primeiro porque voltar a Espanha, para mim, significava encontrar de novo a felicidade, o prazer em jogar e voltar a ter este lado fora das quatro linhas que eu não tive em Inglaterra. Foi mesmo uma decisão muito fácil, sabia que era por aí que ia voltar a sorrir de novo”, conta.</p>
<p>A sua primeira época em Madrid terminou com um terceiro lugar para o Atlético, atrás de Real Madrid e Barcelona. &#8220;Não começámos da melhor forma, tivemos uma fase de adaptação, tínhamos jogadoras muito novas, a equipa precisava de se conhecer, de criar ligações, de cimentar as ideias novas do treinador. Isso demora tempo. Apesar de tudo, foi uma época positiva, porque atingimos os objetivos propostos pela equipa, que era o apuramento para a Champions League. E conseguimos também a final da Copa de la Reina, não é uma competição fácil e nós conseguimos chegar à final&#8221;, diz.</p>
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<h3>Duas realidades</h3>
<p>O salto para Espanha levou-a ao país das atuais campeãs do mundo, onde jogam alguns dos maiores nomes da modalidade e a mais uma liga profissional. O crescimento da carreira de Tatiana continua, assim, a acompanhar a evolução da modalidade. “O futebol feminino a nível global está em ascensão já há alguns anos. Inglaterra, Estados Unidos, Espanha, França, são ligas que têm ido um bocadinho mais à frente do que o resto das outras ligas, mas claramente há aqui um avanço gigante. Acho que o futebol feminino é um fenómeno em crescimento a passos largos e quem não se juntar vai ficar para trás, sem dúvida”, diz Tatiana.</p>
<p>E estará Portugal a acompanhar ou a ficar para trás? “Eu acho que Portugal está numa fase um pouco estagnada”, afirma a jogadora.</p>
<p>Por cá a liga BPI continua a não ser uma liga profissional. Problemas que já necessitavam de uma resolução urgente há vários anos continuam uma realidade, como é o caso da falta de condições de alguns campos e balneários. Além de que são poucos os clubes onde o forte investimento é visível, o que compromete a competitividade da liga: no final da última época, oito pontos separavam o primeiro e o segundo classificados e 20 pontos separavam o primeiro e o terceiro.</p>
<p>“Vemos obviamente o Benfica com uma capacidade de investimento muito grande, a dominar completamente a liga. Salvo este ano que o Torreense ganhou a taça, normalmente sabemos que aqui em Portugal a luta é a solo ou com o Sporting. Fico triste em perceber que as coisas não estão a avançar muito, gostava muito que a liga se tornasse profissional. Acho que há poucas equipas a investir de verdade. Acho que estamos nesse ponto e tenho alguma pena porque sei que temos potencial e qualidade”, diz.</p>
<h3>A marca Tatiana Pinto</h3>
<p>Ao mesmo tempo que existem estas dificuldades naquela que é a realidade da liga, foi-se tornando impossível questionar o talento e a qualidade do jogo da jogadora portuguesa, que neste momento tem lugar em qualquer liga do mundo. “A jogadora portuguesa tem cada vez mais valor, chega mais bem preparada, as suas condições físicas já são acima da média”, defende Tatiana. O que faz com que comece, também, a não passar despercebida a quem não quer ficar para trás nisto que é o crescimento do futebol feminino: as marcas.</p>
<p>Tatiana é um dos casos de sucesso quando olhamos, também, para o lado comercial. Hoje, é embaixadora global da Pepsi e uma das atletas da Puma, citando apenas algumas. Um jogador é uma marca e, apesar de este lado do trabalho são ser o que a deixa mais confortável, a jogadora portuguesa sabia que não o poderia ignorar.</p>
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<p>“Eu tenho tido uma especial preocupação em investir o meu tempo em criar conteúdos. Não gosto muito de perder tempo com essa parte, a minha função é jogar, mas não vou ser hipócrita ao ponto de dizer que esta vertente comercial e de marketing não é importante para o futebol feminino. Também é uma rentabilidade extra e toda a gente sabe que o futebol feminino não se pode equiparar ao futebol masculino em termos financeiros. Portanto, todas estas oportunidades são importantes para nós”, afirma, realçando que nesta área sente que os valores que tem vindo a encontrar têm sido os justos.</p>
<p>E é esta vertente do trabalho que permite às jogadoras ter uma visão para o futuro que nem sempre pode existir quando se vive apenas do futebol em determinadas ligas. O aumento dos seus rendimentos permite que possam pensar em investimentos que antes não seriam uma realidade. Em particular, como vemos em ligas mais desenvolvidas como a dos Estados Unidos, o investimento no próprio desporto.</p>
<p>“Vê-se muito as jogadoras a investir nos clubes e em outras empresas ligadas ao desporto. Cria aqui um círculo interessante, porque tu aportas toda a tua experiência e carreira no futebol para o pós-futebol e podes investir numa coisa em que acreditas. Infelizmente em Portugal é muito complicado”, diz, realçando que, acontecendo, este seria o melhor dos cenários para a profissão, que teriam pessoas que realmente conhecem o futebol feminino a desenvolver e fazer crescer a modalidade.</p>
<p>Apesar de esse pós-carreira ainda não ser um pensamento constante, Tatiana tem consciência da importância de estar preparada para quando o momento chegar. “As nossas carreiras são curtas e imprevisíveis, por isso vou tomando decisões no presente com o futuro em mente”, conta. Dedica parte do seu tempo a aprender sobre o mundo dos negócios, lê bastante e já fez vários cursos e <em>workshops</em> sobre a área.</p>
<p>“Já tenho alguns investimentos no ramo imobiliário”, diz, mas quando pensa nas oportunidades que pode vir a criar no futuro, são outras áreas que lhe chamam à atenção: “gosto de café, de desporto, bem-estar e saúde. Transformar estas paixões em projetos sustentáveis pode ser uma opção”.</p>
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<h3>Por Portugal</h3>
<p>Enquanto esse momento não chega, os seus objetivos passam inteiramente por dar o seu melhor em campo, desfrutar e manter-se ao mais alto nível. Exatamente o que está a fazer na Suíça, onde está neste momento a representar Portugal no Euro 2025.</p>
<p>Já habituada a marcar presença nos grandes palcos do futebol mundial, a seleção viajou para a Suíça com uma mala cheia de ambição. “Eu estou muito contente com a nossa preparação, sou sincera. Um Euro é um Euro, é uma experiência espetacular e qualquer equipa que esteja lá está pronta para ganhar. E nós não somos a exceção. Aquilo que levo para a Suíça é ambição. Ambição de continuar a fazer história como esta seleção nos tem habituado, ambição de mostrar a nossa melhor versão e ambição de fazer sempre o melhor por Portugal. Acima de tudo, deixar os portugueses orgulhosos”, afirma.</p>
<p>Tudo isto com a certeza de que um mau momento não faz deste grupo uma má equipa. Os últimos resultados não foram positivos nem correspondem àquilo a que esta seleção já habitou os adeptos, e as jogadoras são as primeiras a reconhecer isso mesmo. “Eu sei que estes últimos jogos não fomos nós. Não fomos a versão a que habituámos os portugueses e isso também nos criou alguma mossa, porque não é só a derrota que pesa, é aquilo que as derrotas trazem. Nós próprias questionamos muita coisa: O que é que se passa? O que é que eu posso fazer? Onde é que eu posso ajudar mais ou menos? Eu sei que as derrotas foram muito pesadas e posso garantir que não há ninguém que as tenha sentido mais na pele do que as jogadoras e o <em>staff</em>. E foi muito duro, mas nós também podemos agarrar esses resultados e criar combustível para o que aí vem”, diz.</p>
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<p>O desafio é enorme. Na fase de grupos, Portugal tem pela frente a Espanha, a seleção campeã do mundo com quem já perdeu o primeiro jogo, a Itália, que defronta esta segunda-feira (7/07) e a Bélgica, a 11 de julho. Tatiana acredita que Portugal estará à altura: “Tenho a certeza que agora o nosso percurso no Euro vai ser completamente diferente e tentaremos ao máximo limpar aquilo que ficou para trás. Felizmente esta nossa seleção também já nos deu mais sorrisos do que derrotas ou lágrimas”, afirma Tatiana.</p>
<p>Um título por Portugal é, aliás, a primeira coisa em que pensa quando questionada sobre os títulos que gostaria de conquistar antes do final da carreira. “Era dos meus maiores sonhos”, garante. Mas o principal é deixar a modalidade num lugar bonito. “Gostava que o futebol feminino estivesse mais sólido e mais profissionalizado em todos os níveis. Que as jogadoras tivessem condições reais para viver do futebol, com estabilidade e respeito. E, acima de tudo, que as novas gerações crescessem a acreditar que podem sonhar alto, porque existe um caminho viável. O futebol feminino tem dado passos largos, mas ainda há muito por conquistar”, conclui.</p>
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		<title>Morgan Jay: “Fico feliz pelas pessoas se poderem expressar de forma livre nos meus shows”</title>
		<link>https://www.forbespt.com/morgan-jay-fico-feliz-pelas-pessoas-se-poderem-expressar-de-forma-livre-nos-meus-shows/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Marmé]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Jun 2025 10:00:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Digital Cover]]></category>
		<category><![CDATA[Forbes Life]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Líderes]]></category>
		<category><![CDATA[Life]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O comediante e músico norte-americano Morgan Jay, 38 anos, passou por Portugal para dar três espetáculos em Lisboa. Inicialmente, as datas previstas eram 28 e 29 de abril (no Teatro Maria Matos), mas como o “show” do dia 28 de abril não se realizou devido ao “apagão”, esse espetáculo passou para 15 de junho. Com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O comediante e músico norte-americano Morgan Jay, 38 anos, passou por Portugal para dar três espetáculos em Lisboa. Inicialmente, as datas previstas eram 28 e 29 de abril (no Teatro Maria Matos), mas como o “show” do dia 28 de abril não se realizou devido ao “apagão”, esse espetáculo passou para 15 de junho. Com estas remarcações, quem ganhou foram os portugueses, já que tiveram uma data extra, 17 de junho, para descontraírem e se rirem com Morgan Jay, na histórica sala do Coliseu dos Recreios.</p>
<figure id="attachment_165421" aria-describedby="caption-attachment-165421" style="width: 1707px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-165421 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9101-scaled.jpg" alt="" width="1707" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9101-scaled.jpg 1707w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9101-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9101-1280x1920.jpg 1280w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9101-768x1152.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9101-1024x1536.jpg 1024w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9101-1365x2048.jpg 1365w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9101-1200x1800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9101-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1707px) 100vw, 1707px" /><figcaption id="caption-attachment-165421" class="wp-caption-text">Morgan Jay, numa sessão fotográfica para a Forbes feita no Hotel Mama Shelter, em Lisboa. Foto: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p>Entre o espetáculo de 15 de junho (no Maria Matos) e o de dia 17 de junho, a Forbes entrevistou este artista de cerca de 12 milhões de seguidores nas redes sociais (7 milhões no TikTok, 3.5 milhões no Instagram e 1,8 milhões no Youtube). O registo foi informal, entre uma fatia de pizza e uma Coca-Cola, à mesa do restaurante do Hotel Mama Shelter, em Lisboa, cujas instalações coloridas, recantos e rooftop serviram de cenário perfeito para a sessão fotográfica de um comediante que brinca com os coloridos e “suspeitos” relacionamentos entre as pessoas.</p>

<a href='https://www.forbespt.com/morgan-jay-fico-feliz-pelas-pessoas-se-poderem-expressar-de-forma-livre-nos-meus-shows/0e9a9125/'><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="600" src="data:image/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=&#039;http://www.w3.org/2000/svg&#039;%20viewBox=&#039;0%200%20600%20600&#039;%3E%3C/svg%3E" class="attachment-bricks_medium_square size-bricks_medium_square bricks-lazy-hidden" alt="" data-src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9125-600x600.jpg" data-type="string" data-sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" data-srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9125-600x600.jpg 600w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9125-150x150.jpg 150w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9125-60x60.jpg 60w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9125-1200x1200.jpg 1200w" /></a>
<a href='https://www.forbespt.com/morgan-jay-fico-feliz-pelas-pessoas-se-poderem-expressar-de-forma-livre-nos-meus-shows/0e9a9141/'><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="600" src="data:image/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=&#039;http://www.w3.org/2000/svg&#039;%20viewBox=&#039;0%200%20600%20600&#039;%3E%3C/svg%3E" class="attachment-bricks_medium_square size-bricks_medium_square bricks-lazy-hidden" alt="" data-src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9141-600x600.jpg" data-type="string" data-sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" data-srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9141-600x600.jpg 600w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9141-150x150.jpg 150w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9141-60x60.jpg 60w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9141-1200x1200.jpg 1200w" /></a>

<p>O que diferencia Morgan Jay é, de resto, o género de comédia que criou: mistura stand-up assente em piadas sexuais, música (com o seu violão a cantar “Lol or Hahaha or LMFAO or Jajaja”), arte performativa que usa distorções vocais (através de auto-tune) e se conecta com o espetador, colocando-o a partilhar as suas experiências e a intervir no “show” que se torna, por vezes, uma sorridente sessão de terapia (individual ou de casal) ao vivo. E quem quiser pode filmar à vontade o espetáculo!</p>
<figure id="attachment_165485" aria-describedby="caption-attachment-165485" style="width: 864px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-165485 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/nova-foto-1.jpg" alt="" width="864" height="855" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/nova-foto-1.jpg 864w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/nova-foto-1-768x760.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/nova-foto-1-60x60.jpg 60w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/nova-foto-1-600x594.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 864px) 100vw, 864px" /><figcaption id="caption-attachment-165485" class="wp-caption-text">O brincalhão Morgan Jay, pendurado numa estrutura para trotinetes elétricas, existente em frente ao Mama Shelter, em Lisboa, onde a entrevista foi realizada. Fotos: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p>Filho de mãe brasileira e pai italiano (que perdeu quando tinha 6 anos de idade), Morgan Jay fala português de forma praticamente perfeita (ainda que a sua mãe discorde desta nossa opinião e ache que o português do filho não é suficiente!!). Terminada a entrevista à Forbes, que foi uma mistura de inglês e português com sotaque do Brasil (mais até em português do que inglês), Morgan Jay referiu que ouve podcasts em português e está agora a ler Harry Potter em português, pois como conhece a história “fica mais fácil entender”.</p>
<figure id="attachment_165449" aria-describedby="caption-attachment-165449" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-165449 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9035-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9035-scaled.jpg 2560w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9035-960x640.jpg 960w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9035-1920x1280.jpg 1920w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9035-768x512.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9035-1536x1024.jpg 1536w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9035-2048x1365.jpg 2048w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9035-1200x800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9035-600x400.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-165449" class="wp-caption-text">Foto: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p>A entrevista foi feita num dia de imenso calor. Morgan Jay, que é conhecido também como “The Goofy Guy”, estava vestido como se fosse atuar dali a uns minutos, de t-shirt branca e calças de ganga azul Levi&#8217;s, o estilo de roupa que usa nos seus espetáculos. E, na realidade, quase se pode dizer que atuou para nós, já que a bem-disposta conversa que tivemos foi temperada com momentos de improviso aos quais foi impossível resistir sem largarmos umas gargalhadas!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Forbes:</strong> Olá, Morgan!<br />
<strong>Morgan Jay: </strong>Olá! Vou misturar português e inglês, pode ser?</p>
<p><strong>Claro! Como foi o espetáculo ontem [domingo, no Teatro Maria Matos]?<br />
</strong>O show ontem foi ótimo. Tivemos uma ovação de pé. Acho que foi melhor do que o outro. No primeiro show tivemos alguns problemas com o som e com a iluminação e isso já não aconteceu agora. Ontem foi o nosso segundo espetáculo de três em Portugal neste tour.</p>
<p><strong>Os teus espetáculos para Portugal esgotaram em menos de um dia…</strong><br />
Acho que todos ficamos surpreendidos!</p>
<figure id="attachment_165442" aria-describedby="caption-attachment-165442" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-165442" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8915-960x640.jpg" alt="" width="960" height="640" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8915-960x640.jpg 960w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8915-1920x1280.jpg 1920w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8915-768x512.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8915-1536x1024.jpg 1536w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8915-2048x1365.jpg 2048w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8915-1200x800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8915-600x400.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /><figcaption id="caption-attachment-165442" class="wp-caption-text">Foto: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p><strong>Que imagem tinhas de Portugal antes de tudo isto?<br />
</strong>Eu não tinha ideia. Vi fotos da cidade do Porto, mas não de Lisboa. Acho esta cidade de Lisboa uma das mais lindas da Europa. O povo aqui é muito humilde, amigável e caloroso. Em Portugal, a comida tem sabor, tem sal! Noutras partes do mundo não existe isso: fizeram guerras para temperar, mas não colocam isso na comida!</p>
<p><strong>Há </strong><strong>surpresas preparadas para os shows portugueses? </strong><br />
Há uma pessoa que conheci no Tiktok. Chama-se Daniel Silva e toca violão. É alguém muito talentoso, de Bossa Nova, de funky e vamos tentar misturar a minha música com a dele, num tipo de Bossa Nova. Acho que os portugueses vão gostar.</p>
<p><strong>Falas português muito bem. Que diferenças engraçadas que te fazem rir entre o português e o brasileiro?<br />
</strong>O sotaque português é muito fechado. O sotaque brasileiro, que eu prefiro, é mais cantado, mais fácil para eu entender. O português daqui parece uma língua completamente diferente, para mim. Mas acho que os portugueses são também um pouco mais tímidos.</p>
<figure id="attachment_165451" aria-describedby="caption-attachment-165451" style="width: 1707px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-165451 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9282-scaled.jpg" alt="" width="1707" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9282-scaled.jpg 1707w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9282-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9282-1280x1920.jpg 1280w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9282-768x1152.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9282-1024x1536.jpg 1024w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9282-1365x2048.jpg 1365w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9282-1200x1800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9282-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1707px) 100vw, 1707px" /><figcaption id="caption-attachment-165451" class="wp-caption-text">Foto: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p>Por exemplo, ontem, havia uma pessoa do Brasil na audiência e era ela que tinha a voz que se ouvia mais, quem projetava mais alto a voz, era quem gritava mais no teatro! Estava cheia de entusiasmo. Mas gosto de Portugal e até estou pensando comprar um lugar [<em>uma propriedade. n.d.r.</em>] aqui!</p>
<p><strong>Quando é que percebeste que querias ser comediante?<br />
</strong>Provavelmente no ensino secundário. Eu assistia bastante stand-up no Comedy Central e ao ver televisão, pensei que gostaria de fazer isso. Achei muito impressionante somente uma pessoa no palco a falar e a fazer as pessoas a rir. Na primeira semana da universidade havia uma iniciativa de “open mic”, de microfone aberto, e eu inscrevi-me e fiz cinco minutos de stand-up. Gostei. Tinha 18 anos, mas realmente eu só comecei, de forma consistente, depois dos 20 anos. Depois da universidade, eu fui fazendo mais e mais performances.</p>
<figure id="attachment_165452" aria-describedby="caption-attachment-165452" style="width: 1707px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-165452 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8948-scaled.jpg" alt="" width="1707" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8948-scaled.jpg 1707w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8948-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8948-1280x1920.jpg 1280w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8948-768x1152.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8948-1024x1536.jpg 1024w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8948-1365x2048.jpg 1365w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8948-1200x1800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8948-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1707px) 100vw, 1707px" /><figcaption id="caption-attachment-165452" class="wp-caption-text">Foto: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p><strong>Começaste como ator, estudaste arte. E depois decidiste seguir stand-up comedy. Quando é que decidiste que o teu estilo era uma mistura de auto-tune, tocar guitarra e deixar o público falar? Essa é a tua fórmula…<br />
</strong>Quero tentar explicar isso em português: para mim, a coisa mais importante não é ser o melhor comediante do mundo. Para mim, a coisa mais importante é evoluir o mais que eu posso. Por exemplo, se você chega no topo da sua carreira, você só tem uma direção: descer. Mas se pensar de outra forma, se tiver uma filosofia de querer sempre ir mudando, pode apresentar coisas diferentes e evoluir<em> [entretanto, levanta a mão e pede uma Coca-Cola e começa a cantar um anúncio, perguntando se já ouvimos o jingle, retomando de seguida a nossa conversa!]</em>. Portanto, para mim, sempre foi mais importante evoluir para me realizar.</p>
<blockquote><p>&#8220;Para mim, a coisa mais importante não é ser o melhor comediante do mundo. Para mim, a coisa mais importante é evoluir o mais que eu posso&#8221;.</p></blockquote>
<p>Nos primeiros seis anos, eu estive a fazer somente stand-up. E eu não me estava a divertir. Então, eu tive de olhar ao espelho para ver se eu queria continuar a fazer isso. Durante esse tempo, eu mantive-me a tocar violão e a cantar. Então, eu experimentei num verão fazer um show com músicas. Escrevi duas canções e testei o modelo em cada espetáculo, porque em Los Angeles há espaços em que se pode testar atuações. E eu gostei e as audiências foram boas. Adoraram mesmo. Então, disse para mim, que eu tenho uma coisa aqui para continuar.</p>
<figure id="attachment_165422" aria-describedby="caption-attachment-165422" style="width: 1707px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-165422 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9108-scaled.jpg" alt="" width="1707" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9108-scaled.jpg 1707w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9108-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9108-1280x1920.jpg 1280w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9108-768x1152.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9108-1024x1536.jpg 1024w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9108-1365x2048.jpg 1365w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9108-1200x1800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9108-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1707px) 100vw, 1707px" /><figcaption id="caption-attachment-165422" class="wp-caption-text">Foto: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p><strong>Depois veio a pandemia e aí veio o auto-tune.</strong><br />
Por causa da pandemia, eu incluí o auto-tune no Zoom e fiz shows para empresas no Zoom. Depois da pandemia, como as pessoas gostaram, decidi tentar introduzir isso num espetáculo ao vivo. E arrasou! Foi muito bom e as pessoas gostaram. Foi sensacional! Eu não inventei o auto-tune. Mas utilizei uma forma diferente. Os vídeos no TikTok foram virais. E eu percebi que não podia negar isso nos meus espetáculos. Concluí que as audiências iam gostar e que eu ia incluir isso, tal como outras coisas que eu já fiz na minha carreira, misturando tudo. E essa evolução foi muito natural. E eu fiquei a surfar a onda. Para mim, agora, fica mais divertido para fazer isso.</p>
<p><strong>Estavas a dizer que gostas de adaptar…</strong><br />
Exato, de introduzir sempre novos desafios, pois, assim, o desafio vai-se modificando.</p>
<p><strong>… e nesse contexto, já estás a pensar em novidades e mudanças para os teus próximos espetáculos?</strong><br />
Já estou preparando, sim. Já testei nos EUA atuar com uma banda completa, pelo que vou ter uma banda completa.</p>
<figure id="attachment_165460" aria-describedby="caption-attachment-165460" style="width: 1707px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-165460 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9256-scaled.jpg" alt="" width="1707" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9256-scaled.jpg 1707w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9256-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9256-1280x1920.jpg 1280w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9256-768x1152.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9256-1024x1536.jpg 1024w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9256-1365x2048.jpg 1365w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9256-1200x1800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9256-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1707px) 100vw, 1707px" /><figcaption id="caption-attachment-165460" class="wp-caption-text">Foto: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p><strong>Vai ser a próxima novidade?</strong><br />
Exato. Porque as minhas audiências estão a crescer e o show tem que evoluir para acompanhar e ir ao encontro da audiência. Temos de ajustar e adaptar o show para o tamanho da audiência e sala de espetáculos. Porque se eu fizer o mesmo espetáculo que fiz ontem <em>[no Teatro Maria Matos, cuja capacidade ronda as 500 pessoas, n.d.r.]</em> para 10 mil ou para 20 mil pessoas não vai dar certo.</p>
<p><strong>Uma pergunta relativamente à Inteligência Artificial: estás a pensar em utilizá-la também em algum espetáculo?<br />
</strong>Eu já estou utilizando. Por exemplo, eu estou a traduzir algumas piadas e canções no Chat GPT. Recorro depois a pessoas do Brasil para olharem para a tradução e me ajudarem a ajustar, a adaptar, a alterar para ficar do jeito que os brasileiros, por exemplo, entendam. Eu canto com muitos palavrões e a minha música às vezes é sobre sexo e relacionamento de pessoas. E o Chat GPT ‘censura’ isso. Então tenho que pedir ajuda a outras pessoas para ajustar tudo.</p>
<figure id="attachment_165453" aria-describedby="caption-attachment-165453" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-165453 size-medium" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8998-640x960.jpg" alt="" width="640" height="960" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8998-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8998-1280x1920.jpg 1280w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8998-768x1152.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8998-1024x1536.jpg 1024w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8998-1365x2048.jpg 1365w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8998-1200x1800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8998-600x900.jpg 600w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8998-scaled.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /><figcaption id="caption-attachment-165453" class="wp-caption-text">Foto: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p><strong>Nalgumas interações afirmaste que tinhas poucos talentos, mas, na realidade, cantas, tocas guitarra, fazes piadas. Por que dizes isso?</strong><br />
Às vezes eu tenho insegurança que eu não faça uma coisa perfeitamente espetacular. Mas, numa carreira, cada pessoa usa tudo o que sabe e aprende. E o meu show é um reflexo disso [do que sei fazer e da mistura que faço entre comédia e música, n.d.r.]. As audiências não prestam muita atenção durante muito tempo [se o espetáculo for sempre igual, n.d.r.]. E por isso eu vou mudando: uso auto-tune, viola, faço piadas, uso piano. Então as audiências podem mudar e vão mudando. Acho que é bom ter alguns talentos. Não é problema se você não é um profissional.</p>
<blockquote><p>&#8220;Às vezes, tenho insegurança que eu não faça uma coisa perfeitamente espetacular. Mas, numa carreira, cada pessoa usa tudo o que sabe e aprende&#8221;.</p></blockquote>
<p><strong>Qual foi a reação mais inesperada que tiveste num show com o auto-tune?</strong><br />
Eu agora estou a fazer uma parte do meu espetáculo em que escolho um casal na audiência, trago-o para o palco, coloco uma música de R&amp;B, sensual, e eu digo para o homem ler uma mensagem para a mulher e, às vezes, ele não precisa da minha ajuda e já sabe o que fazer e as audiências ficam loucas. Só isso. Eu fico muito feliz e cheio de alegria quando eu encontro uma pessoa que eu posso tirar da sua concha. Elas são muito tímidas, mas podem ficar comigo no espetáculo de forma mais aberta, mais livre para se expressar mais, pois não há muitos espaços que as pessoas encontrem onde podem agir como uma criança, sem problemas, sem julgamento de outras pessoas.</p>
<blockquote><p>&#8220;Eu fico muito feliz quando encontro uma pessoa que posso tirar da sua concha&#8221;.</p></blockquote>
<figure id="attachment_165454" aria-describedby="caption-attachment-165454" style="width: 1707px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-165454 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8920-scaled.jpg" alt="" width="1707" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8920-scaled.jpg 1707w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8920-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8920-1280x1920.jpg 1280w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8920-768x1152.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8920-1024x1536.jpg 1024w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8920-1365x2048.jpg 1365w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8920-1200x1800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8920-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1707px) 100vw, 1707px" /><figcaption id="caption-attachment-165454" class="wp-caption-text">Foto: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p><strong>E qual foi o momento mais embaraçoso que tiveste na tua carreira?</strong><br />
Aconteceu há dois anos [em 2023] quando fiz um show no Ano Novo, em Chicago. Nos EUA, existe comédia para brancos, para negros e comédia para os dois juntos. Na minha experiência, eu tenho muito apoio da comunidade negra, pois eu canto R&amp;B. Eu fiz um espetáculo para mil pessoas num lugar em Chicago. No alinhamento dos artistas eu era o menos conhecido e fui logo o primeiro a atuar. Na primeira noite, não houve problema. Na segunda noite, eu mudei algumas coisas na sequência do meu espetáculo e, ao fim de oito minutos, começaram a vaiar. Não gostaram. As audiências quando te adoram, mostram o maior amor que sentes na tua vida. Mas se não gostam, vão mostrar isso também. É normal.</p>
<blockquote class="tiktok-embed" style="max-width: 605px; min-width: 325px;" cite="https://www.tiktok.com/@morganjay/video/7183920283726794026" data-video-id="7183920283726794026">
<section><a title="@morganjay" href="https://www.tiktok.com/@morganjay?refer=embed" target="_blank" rel="noopener">@morganjay</a> Replying to @voguenikki <a title="♬ original sound - Morgan Jay" href="https://www.tiktok.com/music/original-sound-7183920316400421674?refer=embed" target="_blank" rel="noopener">♬ original sound &#8211; Morgan Jay</a></section>
</blockquote>
<p><script async src="https://www.tiktok.com/embed.js"></script></p>
<p>Nesse espetáculo, só alterei a ordem de algumas canções, nada mais. Depois saí do palco, fui para o meu <em>dressing room</em>, fechei a porta, não chorei, mas sentei-me a pensar, pois foi um momento difícil. Mas o que foi interessante foi que esse ano, o de 2023, foi um dos melhores anos da minha carreira. Então, esse dia foi o ponto final do ano para me fazer mais humilde, porque há muito tempo que não tinha um dissabor. Assim, foi uma espécie de bênção porque agora estou a fazer teatros. O que eu aprendi foi que não podemos estar sempre confortáveis.</p>
<blockquote><p>&#8220;[Os assobios que recebi num espetáculo em Chicago] fizeram-me mais humilde&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>Nos teus espetáculos, quando procuras alguém com quem falar, o que te leva a escolheres uma pessoa em vez de outra, um casal em detrimento de outro?<br />
</strong>Quando eu vejo uma pessoa mais tímida, eu gosto de a escolher. Elas precisam mais disso do que outras pessoas. Com as pessoas que levantam os braços e pedem para serem escolhidas, normalmente essa interação vai ser terrível, porque, em inglês dizemos <em>‘he’s doing too much’</em>: a pessoa vai dar tudo e é demasiado. Às vezes, também, não tenho muito tempo e tenho de escolher alguém rápido. No último de quatro espetáculos que dei em Amesterdão, Países Baixos, fiquei a escolher pessoas e elas não me deram nada! É a cultura do povo lá. Eu diria que, normalmente, a pessoa mais tímida é melhor.</p>
<blockquote><p>&#8220;Quando eu vejo uma pessoa mais tímida, eu gosto de a escolher. Elas precisam mais disso do que outras pessoas&#8221;.</p></blockquote>

<a href='https://www.forbespt.com/morgan-jay-fico-feliz-pelas-pessoas-se-poderem-expressar-de-forma-livre-nos-meus-shows/0e9a9005/'><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="600" src="data:image/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=&#039;http://www.w3.org/2000/svg&#039;%20viewBox=&#039;0%200%20600%20600&#039;%3E%3C/svg%3E" class="attachment-bricks_medium_square size-bricks_medium_square bricks-lazy-hidden" alt="" data-src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9005-600x600.jpg" data-type="string" data-sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" data-srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9005-600x600.jpg 600w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9005-150x150.jpg 150w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9005-60x60.jpg 60w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9005-1200x1200.jpg 1200w" /></a>
<a href='https://www.forbespt.com/morgan-jay-fico-feliz-pelas-pessoas-se-poderem-expressar-de-forma-livre-nos-meus-shows/0e9a9026/'><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="600" src="data:image/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=&#039;http://www.w3.org/2000/svg&#039;%20viewBox=&#039;0%200%20600%20600&#039;%3E%3C/svg%3E" class="attachment-bricks_medium_square size-bricks_medium_square bricks-lazy-hidden" alt="" data-src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9026-600x600.jpg" data-type="string" data-sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" data-srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9026-600x600.jpg 600w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9026-150x150.jpg 150w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9026-60x60.jpg 60w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9026-1200x1200.jpg 1200w" /></a>

<p><strong>A expressão “Suspicious as F***” que usas de forma divertida no espetáculo, surgiu como?</strong><br />
Estava nos EUA a fazer “Crowd work” <em>[“Crowd work” é quando um comediante improvisa ou inventa piadas não ensaiadas com a plateia, n.d.r.]</em> com uma viola e eu fui dizendo “Suspicious as f***” e foi tão popular que as pessoas ia sempre rindo <em>[ele usa a palavra ‘risando’ e dizemos que é antes rindo, ao que Morgan Jay se aproxima do micro do smartphone que usámos para a gravação da conversa, para agradecer a correção, referindo ‘todo o mundo aqui a me ajudar e a me corrigir; preciso isso, cara; eu quero melhorar o meu português; eu quero conectar com vocês; eu adoro vocês’]</em>. Então, as pessoas acharam graça à expressão “Suspicious as f***” que eu decidi escrever uma canção com este refrão e foi exatamente com a canção “LOL ahahah”. E embora eu não tenha utilizado nesta tour, há outra expressão que uso com o termo Goofy [“<em>pateta”, em inglês</em>], porque as pessoas conhecem-me como o ‘Goofy Guy’. Relativamente a essa expressão, que tenho noutra canção e que usarei numa próxima tour, eu percorro a audiência a perguntar se alguém é goofy. Então, peço a alguém que faça uma coisa goofy. Se faz, eu pergunto depois às pessoas se acham que essa pessoa é goofy e elas respondem. [nos meus espetáculos) eu converso com a audiência. Se vejo que algo é apreciado, eu vou reforçar isso.</p>
<blockquote><p>&#8220;Converso com a audiência. Se vejo que algo é apreciado, vou reforçar isso&#8221;.</p></blockquote>
<figure id="attachment_165428" aria-describedby="caption-attachment-165428" style="width: 1707px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-165428 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9084-scaled.jpg" alt="" width="1707" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9084-scaled.jpg 1707w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9084-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9084-1280x1920.jpg 1280w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9084-768x1152.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9084-1024x1536.jpg 1024w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9084-1365x2048.jpg 1365w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9084-1200x1800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A9084-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1707px) 100vw, 1707px" /><figcaption id="caption-attachment-165428" class="wp-caption-text">Foto: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p><strong>Há alguma linha vermelha entre o “Morgan Jay artista” e o “Morgan Jay pessoal” que tenha sido ultrapassada alguma vez? Algo que tenhas revelado sem querer no espetáculo? Como é que geres essa separação entre o espetáculo e a tua vida mais pessoal?<br />
</strong>Ainda não falo muito da minha vida pessoal. Comecei a falar um pouquinho sobre a minha mãe, mas acho que vou deixar isso para uma próxima evolução do espetáculo. A linha entre o meu jeito de estar no palco e eu [no dia-a-dia] não é muito diferente.</p>
<blockquote><p>&#8220;O Morgan Jay que está no palco e o Morgan Jay fora do show é quase igual. A única diferença é que eu canto mais no espetáculo&#8221;</p></blockquote>
<p>A única diferença é que eu canto mais no espetáculo, apenas isso. O Morgan Jay que está no palco e o Morgan Jay fora do show é quase igual e eu acho isso o melhor, porque se tem sucesso e todo o mundo gosta, mas você não gosta, tem que fazer isso para o resto da sua vida; isso vai ser difícil e miserável. Mas se puder fazer uma coisa que você gosta e que as pessoas também gostam, vai ficar muito mais fácil para fazer o seu show todos os dias.</p>

<a href='https://www.forbespt.com/morgan-jay-fico-feliz-pelas-pessoas-se-poderem-expressar-de-forma-livre-nos-meus-shows/0e9a8973/'><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="600" src="data:image/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=&#039;http://www.w3.org/2000/svg&#039;%20viewBox=&#039;0%200%20600%20600&#039;%3E%3C/svg%3E" class="attachment-bricks_medium_square size-bricks_medium_square bricks-lazy-hidden" alt="" data-src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8973-600x600.jpg" data-type="string" data-sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" data-srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8973-600x600.jpg 600w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8973-150x150.jpg 150w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8973-60x60.jpg 60w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8973-1200x1200.jpg 1200w" /></a>
<a href='https://www.forbespt.com/morgan-jay-fico-feliz-pelas-pessoas-se-poderem-expressar-de-forma-livre-nos-meus-shows/0e9a8985/'><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="600" src="data:image/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=&#039;http://www.w3.org/2000/svg&#039;%20viewBox=&#039;0%200%20600%20600&#039;%3E%3C/svg%3E" class="attachment-bricks_medium_square size-bricks_medium_square bricks-lazy-hidden" alt="" data-src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8985-600x600.jpg" data-type="string" data-sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" data-srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8985-600x600.jpg 600w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8985-150x150.jpg 150w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8985-60x60.jpg 60w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8985-1200x1200.jpg 1200w" /></a>

<p><strong>Embora isso pudesse mudar por completo o teu estilo, a comédia política não está no seu pensamento, no futuro?</strong><br />
Para mim ainda não, porque a verdade é que eu não acho que seja alguém tão inteligente assim. Eu sou uma pessoa de mais empatia; eu conheço mais os sentimentos das pessoas e os temas políticos são tão complicadas, com tantas nuances, mas ninguém quer saber dessas nuances. Neste momento, ou se é de um lado ou se é de outro lado, e não há espaço para alguém ter uma opinião mais aberta. Mas quem sabe, no futuro, estou a ficar mais velho e está a ficar difícil ficar sossegado relativamente a certos temas. A minha mãe, por exemplo, que é emigrante e eu fico nauseado e dececionado, entre muitas outras palavras negativas que poderia usar, porque aquilo que eu vejo nas notícias revejo a minha mãe.</p>
<blockquote><p>&#8220;A minha mãe é emigrante e eu fico nauseado e dececionado [com o que se está a passar nos EUA, com as deportações e a política anti-emigração] porque revejo a minha mãe&#8221;.</p></blockquote>
<p>Se isto que estamos a viver tivesse sido há 21 anos, talvez eu não tivesse tido as mesmas oportunidades. Na realidade, está a ficar difícil ficar sem falar destes assuntos. Eu moro em Los Angeles e é terrível ver o que está a acontecer. Mas eu também gosto do meu espetáculo no meu lugar seguro para tudo. Se for a um espetáculo meu, verá todas as pessoas de todos os géneros, aproveitando e rindo. E isso tem o seu valor.</p>
<figure id="attachment_165447" aria-describedby="caption-attachment-165447" style="width: 1707px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-165447 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8970-scaled.jpg" alt="" width="1707" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8970-scaled.jpg 1707w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8970-640x960.jpg 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8970-1280x1920.jpg 1280w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8970-768x1152.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8970-1024x1536.jpg 1024w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8970-1365x2048.jpg 1365w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8970-1200x1800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/0E9A8970-600x900.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1707px) 100vw, 1707px" /><figcaption id="caption-attachment-165447" class="wp-caption-text">Foto: Cristina Bernardo</figcaption></figure>
<p><strong>Se tivesses de escrever uma canção sobre Portugal ou um título de uma canção sobre Portugal, há alguma coisa que te inspirasse?</strong><br />
[<em>Começa a cantar, de improviso. Aqui está o áudio deste pequeno improviso feito por Morgan Jay</em>]: “Estou cansado de: de caminhar, subir e descer, subir e descer; escada aqui, escada para lá; olha eu: tem, tem de parar, para relaxar, para beber um pouquinho, cervejinho”&#8230; uma coisa assim! [risos e aplausos nossos] Você gostou da minha canção?</p>
<p><strong>Forbes: Muito bom, muito bom!</strong></p>

<a href='https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Morgan-Jay-a-cantar-para-a-Forbes-Portugal.mp4'>Morgan Jay a cantar para a Forbes Portugal</a>

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			</item>
		<item>
		<title>30 Under 30 2024: Um ano depois</title>
		<link>https://www.forbespt.com/30-under-30-2024-um-ano-depois/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Meireles]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jun 2025 17:36:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[30 Under 30]]></category>
		<category><![CDATA[Digital Cover]]></category>
		<category><![CDATA[Líderes]]></category>
		<category><![CDATA[Listas]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arquitetura &#38; Design Inês Ayer Há anos que sigo um fio invisível &#8211; aquele que entrelaça ideias, lugares e pessoas com um sentido maior de propósito. Esse fio chama-se design. E foi ele que guiou este último ano de expansão, impacto e muitos quilómetros. Fui embaixadora da Grace Farms Foundation no One Young World, em [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3><span style="text-decoration: underline;">Arquitetura &amp; Design</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164864 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Ines-Ayer_MM_br_0045-1.png" alt="" width="1000" height="1500" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Ines-Ayer_MM_br_0045-1.png 1000w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Ines-Ayer_MM_br_0045-1-640x960.png 640w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Ines-Ayer_MM_br_0045-1-768x1152.png 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Ines-Ayer_MM_br_0045-1-600x900.png 600w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></p>
<p><strong>Inês Ayer</strong></p>
<p>Há anos que sigo um fio invisível &#8211; aquele que entrelaça ideias, lugares e pessoas com um sentido maior de propósito. Esse fio chama-se design. E foi ele que guiou este último ano de expansão, impacto e muitos quilómetros. Fui embaixadora da Grace Farms Foundation no One Young World, em Montreal, e mentora de mais de 20 jovens no maior comboio de empreendedorismo do mundo, atravessando a Índia em busca de soluções reais nas áreas da saúde, cultura e sustentabilidade. Recebi o prémio de Outstanding Young Alumni da Nova SBE, onde também fui oradora na cerimónia de graduação. Em Davos, representei os Global Shapers como uma das 50 jovens no Fórum Económico Mundial. Dei a minha primeira TED Talk sobre o papel invisível, mas essencial, do design na transformação do mundo. Saí da Pentagram para abraçar novos desafios em projetos para a Google, na Instrument. Hoje escrevo do Japão, onde o passado sussurra e o futuro já acontece. Um ano depois, continuo a desenhar com a convicção de que o design pode ser semente de mudança, ponte entre mundos e ferramenta de impacto real.</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Arte</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164493 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5871-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5871-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5871-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5871-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5871-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5871-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5871-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5871-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5871-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Maria Francisca Gama</strong></p>
<p>Em julho de 2024, no evento dos 30 Under 30 da Forbes, “A Cicatriz” chegava à sua 4.ª edição. Desde essa data, atingiu a sua 9.ª edição (com mais de 30 mil exemplares vendidos), sagrando-se o livro português mais vendido em 2024 do grupo Penguin Random House Portugal. Recentemente, foi considerado o Livro do Ano de Ficção Lusófona, pelos leitores, no âmbito dos prémios das Livrarias Bertrand. Em maio de 2025, chegou às livrarias o meu terceiro romance, “Filha da Louca”.</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Ciências &amp; Educação</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164865 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/CarlosGuimaraes-1-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/CarlosGuimaraes-1-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/CarlosGuimaraes-1-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/CarlosGuimaraes-1-1278x1920.jpg 1278w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/CarlosGuimaraes-1-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/CarlosGuimaraes-1-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/CarlosGuimaraes-1-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/CarlosGuimaraes-1-1200x1803.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/CarlosGuimaraes-1-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Carlos Guimarães</strong></p>
<p>Este ano foi de novos saltos. Uma principal conquista foi ter atraído novo financiamento de cerca de 250 mil euros para o meu primeiro projeto como investigador principal com o objetivo de explorar novos biomateriais para modelos avançados de doenças — uma base para testar terapias mais eficazes contra o cancro e outras patologias complexas. Fui também promovido a Investigador Auxiliar (equivalente a Professor Auxiliar), num novo mecanismo português que se assemelha ao <em>tenure-track</em> americano, reforçando o meu compromisso com ciência de ponta, de Portugal para o mundo. O nosso trabalho acaba de ser aceite numa das revistas de materiais mais prestigiadas do mundo, da família Cell, pelo que terei mais novidades em breve. Com a certeza de que ser Forbes Under 30 teve um impacto importante em tudo isto, ver estas ideias a ganhar tração global dá-me motivação renovada para continuar a fazer pontes entre biologia, engenharia e medicina. E transformar como enfrentamos as doenças do futuro.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164898 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/JosePedroFerreira-2-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/JosePedroFerreira-2-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/JosePedroFerreira-2-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/JosePedroFerreira-2-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/JosePedroFerreira-2-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/JosePedroFerreira-2-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/JosePedroFerreira-2-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/JosePedroFerreira-2-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/JosePedroFerreira-2-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>José Pedro Ferreira</strong></p>
<p>Neste último ano, a ciência e a engenharia foram o meu foco principal. A minha investigação revelou uma possível relação entre a desintegração de lixo espacial na atmosfera e os impactos ambientais na camada do ozono. Tal fez eco na comunidade, com a minha contribuição a ser referenciada e divulgada por vários órgãos de comunicação social. Colaborei de perto com a Organização das Nações Unidas (UN Environmental Program e UN Office for Outer Space Affairs), tendo participado como palestrante em sustentabilidade espacial no Summit of the Future. Neste período, editei a minha primeira edição especial de uma revista científica. Assumi a coordenação dos grupos de investigação na organização sem fins lucrativos Space Generation Advisory Council, liderando onze equipas de investigação no setor aeroespacial com centenas de jovens voluntários espalhados por todo o globo. Recentemente, voltei aos palcos com o meu piano e amigos. Conclui ainda o meu primeiro triatlo em distância olímpica, representando as cores da minha universidade.</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Desporto</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164494 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6008-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6008-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6008-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6008-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6008-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6008-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6008-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6008-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6008-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Lucas Fink</strong></p>
<p>Depois do Forbes Under 30 de 2024 deixei logo Portugal para ingressar na temporada do campeonato mundial de skimboard e conquistei o meu tetracampeonato mundial. Depois fiz uma temporada incrível, a minha quarta temporada na Nazaré, onde surfei provavelmente as maiores ondas da minha vida. Ainda consegui viajar para outros locais icónicos do surf de ondas grandes, como Jaws, no Havaí, e Mavericks, na Califórnia. Nos negócios as coisas também continuam a fluir, devagar e sempre em evolução constante. Agora estou no momento do Mundial e de planeamento de grandes projetos que vão surgir no final de 2025 e em 2026. Será uma nova fase da minha carreira.</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Finanças</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164866 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AnaOliveira-1-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AnaOliveira-1-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AnaOliveira-1-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AnaOliveira-1-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AnaOliveira-1-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AnaOliveira-1-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AnaOliveira-1-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AnaOliveira-1-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AnaOliveira-1-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Ana Oliveira</strong></p>
<p>O último ano foi, sem dúvida, um dos mais transformadores e gratificantes da minha vida, tanto a nível pessoal como profissional. Tive o privilégio de contribuir para a evolução da Fenix Capital Partners, empresa que co-fundei, e que deu passos decisivos na sua consolidação como parceiro de confiança do tecido empresarial em Portugal. Durante o último ano, a Fenix Capital concluiu com sucesso seis operações de angariação de investimento, financiamento e venda para os seus clientes empresariais, totalizando mais de 50 milhões de euros em transações. Este resultado é reflexo do trabalho árduo, da resiliência e da dedicação diária da nossa equipa, sempre motivada por contribuir para o crescimento e desenvolvimento do ecossistema empresarial nacional. Este ano trouxe-me também o privilégio de partilhar a minha paixão por finanças, empreendedorismo e liderança feminina como oradora em diversas conferências. Foram momentos de intensa aprendizagem, partilha e impacto, que reforçaram o meu compromisso com a promoção do papel da mulher no mundo dos negócios. Acredito profundamente que as mulheres desempenham um papel fundamental na construção do futuro do empreendedorismo e da liderança. E é com essa convicção que continuo empenhada em impulsionar esta missão.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164906 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoBaptista-1-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoBaptista-1-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoBaptista-1-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoBaptista-1-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoBaptista-1-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoBaptista-1-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoBaptista-1-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoBaptista-1-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoBaptista-1-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Diogo Baptista</strong></p>
<p>Como previsto o mercado das criptomoedas explodiu, o que beneficiou tremendamente a nossa performance. Gerámos cerca de 10 milhões de receitas para os nossos clientes (5 vezes o crescimento), aumentámos o número da equipa para 10 pessoas a tempo inteiro e tencionamos, no mínimo, triplicar a receita este ano. Essencialmente foi isso: um foco total em otimizar os nossos processos e <em>performance.</em> Como <em>side project</em>, criei um fundo de investimento para investimentos em startups tecnológicas em fase inicial.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164905 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LuisTavares-4-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LuisTavares-4-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LuisTavares-4-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LuisTavares-4-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LuisTavares-4-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LuisTavares-4-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LuisTavares-4-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LuisTavares-4-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LuisTavares-4-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Luís Tavares</strong></p>
<p>Em 2024 fui novamente consultor número 1 em Portugal, com um crescimento da faturação superior a 30% face ao ano anterior. Um ano de criação de mais e melhores relações, incluindo com outros Under 30, que acabaram por proporcionar ainda mais negócios e novas oportunidades. Este último ano viu também um <em>re-branding</em> da marca TAVARES, o aumento da equipa com um responsável de comunicação, já tendo em vista um crescimento da estrutura no futuro, dentro do ramo imobiliário e fora do mesmo. 2024 foi também um ano de manter o plano de negócio, mantendo uma estrutura “leve”, garantindo margens operacionais elevadas. Acredito que a relação com a Forbes se venha a intensificar no futuro e que as relações se estendam às próximas gerações de Under 30!</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Gastronomia</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164867 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AlvaroMeyer-1-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AlvaroMeyer-1-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AlvaroMeyer-1-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AlvaroMeyer-1-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AlvaroMeyer-1-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AlvaroMeyer-1-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AlvaroMeyer-1-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AlvaroMeyer-1-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/AlvaroMeyer-1-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Álvaro Meyer</strong></p>
<p>O último ano trouxe grandes conquistas nas minhas duas empresas. Lançámos a Volup em Madrid, levando o nosso <em>marketplace</em> de alta gastronomia além de Lisboa, e tornámos a operação em Portugal rentável. Fomos ainda a única startup portuguesa selecionada para o programa de aceleração Lanzadera, em Espanha, um dos mais reconhecidos da Europa. Em paralelo, fizemos crescer a Ubimov de uma equipa de 15 para mais de 80, e de 500 mil euros de faturação anual para mais de 3 milhões de euros. Foi um ano de crescimento intenso, tanto pessoal como profissional, onde conseguimos assentar as bases para crescer ainda mais nos próximos anos. Graças ao prémio do ano passado, conseguimos abrir portas que nos têm ajudado a atingir estes objetivos. Obrigado, Forbes!</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Healthcare</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164868 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/FranciscoNogueiraFredericoStock-2-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/FranciscoNogueiraFredericoStock-2-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/FranciscoNogueiraFredericoStock-2-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/FranciscoNogueiraFredericoStock-2-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/FranciscoNogueiraFredericoStock-2-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/FranciscoNogueiraFredericoStock-2-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/FranciscoNogueiraFredericoStock-2-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/FranciscoNogueiraFredericoStock-2-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/FranciscoNogueiraFredericoStock-2-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Francisco Nogueira &amp; Frederico Stock</strong></p>
<p>No último ano, liderámos a Glooma, agora CleoCare, numa trajetória de forte crescimento e impacto. A equipa duplicou de tamanho, passando de 6 para 13 pessoas, publicamos um artigo científico e um estudo de valor, submetemos uma nova patente e avançámos com o <em>rebranding</em> da Glooma para CleoCare, preparando a entrada no mercado norte-americano. Estamos a preparar um estudo clínico nos EUA, já com investigadora principal definida, e conseguimos captar 735 mil euros em investimento público. Realizámos um piloto com a SONAE e, com um segundo piloto com a PLMJ já a arrancar, demos início ao desenvolvimento de um novo produto que visa complementar o trabalho que temos vindo a fazer na deteção precoce do cancro da mama. O ano ficou também marcado pela projeção internacional, participação em programas globais e aproximação ao mercado dos EUA, incluindo reuniões com a FDA. Continuamos empenhados em tornar a deteção precoce do cancro da mama mais acessível, guiados pela ciência, inovação e impacto social.</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Indústria</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164495 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6015-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6015-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6015-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6015-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6015-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6015-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6015-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6015-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_6015-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Marta Andrade</strong></p>
<p>Sou parte da terceira geração da ADA, uma empresa familiar portuguesa que, há 50 anos, produz compressas, ligaduras e outros dispositivos médicos que chegam diariamente a hospitais em toda a Europa. Mas a ADA é muito mais do que indústria, é uma história de cuidado, resiliência e propósito. Fundada pelo meu avô, fortemente impulsionada pelo meu Pai e abraçada por mim e pelas minhas irmãs como o sonho de continuar a elevar uma empresa que salvasse vidas com mãos portuguesas. Tornou-se num verdadeiro legado de amor ao próximo. Hoje, esse sonho vive em mim. Em tudo o que faço, guia-me a missão de continuar esse legado, eternizando a visão com que a ADA nasceu: provar que é possível manter uma indústria ética, humana e 100% europeia, mesmo num setor cada vez mais pressionado pela deslocalização e pelos atalhos do lucro rápido e fácil. 2024 foi, sem dúvida, o ano em que sentimos mais intensamente o reconhecimento desse compromisso. Continuamos a apostar na inovação, na automatização, e mais do que tudo continuámos a cultivar a alma da ADA: uma cultura de entreajuda, profundamente humana, apaixonada, onde o orgulho em servir é genuíno e contagiante. Continuarei a liderar com verdade, a servir com propósito, e a acreditar que estamos a construir algo verdadeiramente nobre.</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Marketing &amp; Publicidade</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164928 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/RuiNogueira-1-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/RuiNogueira-1-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/RuiNogueira-1-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/RuiNogueira-1-1278x1920.jpg 1278w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/RuiNogueira-1-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/RuiNogueira-1-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/RuiNogueira-1-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/RuiNogueira-1-1200x1803.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/RuiNogueira-1-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Rui Nogueira</strong></p>
<p>No último ano, consolidei a DDUA como um eCommerce Hub de referência, gerando mais de 50 milhões de euros para os meus clientes. Mudei-me para o Dubai para escalar internacionalmente, lancei o ProScaleHub, focado em performance, gestão e simplificação de dados, e estruturei equipas em Portugal e Dubai. Criei formações internas, workshops estratégicos e novas metodologias de gestão de tráfego e performance. Trabalhei com marcas como Care To Beauty, Suits inc, Portugal Jewels e Selflove. Lancei a IA do DDUA para ajudar negócios a diagnosticar a sua performance em tempo real e tomar decisões mais inteligentes. Reforcei ainda a minha presença com a iniciativa “Ambition by Rui”, e trabalho para me tornar uma referência na interseção entre negócios digitais, performance e gestão financeira focado em ecommerce.</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Moda</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164897 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/WhatsApp-Image-2024-04-09-at-14.30.43.jpeg" alt="" width="1213" height="1617" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/WhatsApp-Image-2024-04-09-at-14.30.43.jpeg 1213w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/WhatsApp-Image-2024-04-09-at-14.30.43-720x960.jpeg 720w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/WhatsApp-Image-2024-04-09-at-14.30.43-768x1024.jpeg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/WhatsApp-Image-2024-04-09-at-14.30.43-1152x1536.jpeg 1152w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/WhatsApp-Image-2024-04-09-at-14.30.43-1200x1600.jpeg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/WhatsApp-Image-2024-04-09-at-14.30.43-600x800.jpeg 600w" sizes="auto, (max-width: 1213px) 100vw, 1213px" /></p>
<p><strong>Maria Miguel</strong></p>
<p>O último ano foi profundamente marcado por transformações pessoais e decisões importantes que mudaram, de forma significativa, o rumo da minha vida. Em outubro casei, e neste momento estou à espera de bebé, dois marcos muito felizes e transformadores que vieram acompanhados de uma inevitável redefinição de prioridades. Criar um lar, planear a chegada de um filho e estabelecer as bases para uma vida familiar estável tornou-se, no último ano, o meu principal projeto. Apesar de ter mantido alguma atividade profissional, com colaborações e trabalhos pontuais, a verdade é que o trabalho deixou de ser o centro da minha vida, como sempre foi até aqui. Esta mudança foi natural, motivada não só pelo contexto pessoal, mas também porque há dois anos decidi investir na minha formação académica. Estou, neste momento, a começar o último ano de licenciatura em Gestão. Esta escolha surge não apenas por interesse, mas também como uma estratégia consciente para reorientar a minha carreira para um contexto mais estável e compatível com a nova fase da minha vida. Quero continuar a crescer, e a fazer projetos com impacto. Tenho uma ambição profissional muito clara e um grande interesse em seguir uma carreira sólida na área de gestão, onde possa aplicar o que tenho aprendido ao longo destes 10 anos na moda, e construir um percurso com significado, estabilidade e ser um contributo relevante para as organizações com quem colaborar.</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Retalho &amp; Ecommerce</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164896 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoDesiderio-1-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoDesiderio-1-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoDesiderio-1-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoDesiderio-1-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoDesiderio-1-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoDesiderio-1-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoDesiderio-1-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoDesiderio-1-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DiogoDesiderio-1-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Diogo Desidério</strong></p>
<p>Depois de mais de uma década dedicada à alta relojoaria, o último ano foi de verdadeira consolidação e reconhecimento do meu percurso. A distinção na lista Forbes 30 Under 30 funcionou como uma validação, um apoio, que abriu novas portas, deu visibilidade ao trabalho da RPN – Atelier de Relojoaria e reforçou a minha missão de dar a conhecer este universo de precisão e arte. A exposição nas redes sociais cresceu de forma orgânica, surgiram convites para podcasts e entrevistas, e o interesse do público pelo mundo da relojoaria aumentou, principalmente uma maior sensibilidade pela vertente técnica.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164895 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LaraDantas-3-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LaraDantas-3-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LaraDantas-3-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LaraDantas-3-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LaraDantas-3-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LaraDantas-3-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LaraDantas-3-1362x2048.jpg 1362w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LaraDantas-3-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/LaraDantas-3-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Lara Dantas</strong></p>
<p>O ciclo de 2024 para 2025 marca uma viragem estratégica para o Quintal de Flor. Este ano, decidimos apostar na força da colaboração e na expansão da nossa rede, tanto em termos comerciais como criativos. O nosso foco passou a incluir, de forma mais estruturada, a revenda de produtos. Começámos a trabalhar com o grupo Jerónimo Martins, levando milhares de exemplares da Andorinha até às mãos de um público mais vasto. Este passo demonstrou que é possível levar o que é feito com alma até ao grande consumo, sem perder identidade. Expandimos também a nossa presença no setor da hospitalidade, ao desenvolver uma coleção exclusiva para os hotéis Six Senses. Em paralelo, nasceu uma colaboração com a marca Las Kasas. Este espírito de parceria reflete-se também no tema que norteia o nosso trabalho este ano: colaboração. E, como qualquer semente que cresce, o Quintal de Flor precisou de mais espaço: abrimos um novo armazém em Esposende, e demos um passo histórico com a inauguração da nossa primeira loja de revenda fora da Europa: em Moçambique.</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Social Media</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164497 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5976-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5976-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5976-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5976-1278x1920.jpg 1278w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5976-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5976-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5976-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5976-1200x1803.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5976-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Jone Conde</strong></p>
<p>Há algo que une as celebridades e as pessoas comuns: todos queremos que aquilo que somos por dentro se pareça com o que mostramos por fora. Mas nessa busca por coerência, às vezes espera-se algo impossível: não mudar. A quem estudou Publicidade, ensinaram-nos que uma boa marca encontra o seu nicho, mantém uma voz coerente e tem uma proposta de valor clara. Isso faz sentido no mundo das marcas, mas aplicado às pessoas pode tornar-se uma armadilha. Este ano compreendi que ser autêntico nem sempre parece uma coisa arrumada por fora. Às vezes é contradizeres-te, experimentar o que antes rejeitavas ou desmontar a personagem que tu própria criaste. É abrires-te a novas plataformas, formatos ou formas de te expressares. A IA trouxe-nos novas ferramentas, mas a disrupção mais real tem a ver com a atitude. Com ajustar o processo, sem certezas. Porque isto não é só sobre quem tem milhões de seguidores. Também se aplica quando és uma assalariada como eu. E que, tal como elas, se expõe sempre que decide mostrar-se diferente.</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Sustentabilidade &amp; Inovação Social</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164863 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/ConstancaSantosSilva-3-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/ConstancaSantosSilva-3-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/ConstancaSantosSilva-3-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/ConstancaSantosSilva-3-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/ConstancaSantosSilva-3-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/ConstancaSantosSilva-3-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/ConstancaSantosSilva-3-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/ConstancaSantosSilva-3-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/ConstancaSantosSilva-3-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Constança Santos Silva</strong></p>
<p>Depois de um ano que soube quase a irrealismo, e depois de uma vida cheia de projetos e conquistas, o meu pós 30 Under 30 foi simples. E bom! Comecei este período por ser uma das vencedoras do melhor pitch Under 30 2024 e, depois, decidi desacelerar e fui para a universidade de St Gallen, onde fiz parte de um dos melhores mestrados de gestão do mundo. Continuei a ajudar o Thirst Project Portugal a construir furos de água potável como Presidente da Board of Advisors, reencontrei paixões antigas como o Taekwondo e Stunt Doubling, e fiz um mochilão pelo Sudeste Asiático. Fiz 24 anos, entreguei as minhas teses, acabei os mestrados, e agora vou aproveitar o verão porque em breve rumo à Irlanda, onde vou viver. Saí com os meus amigos, passei muito tempo com a minha família e, talvez pela primeira vez desde que me lembro, deixei-me viver uma vida característica da idade que tenho. Este último ano foi muito especial. E que bom que é fazer este caminho de vida com a Forbes.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164498 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5917-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5917-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5917-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5917-1278x1920.jpg 1278w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5917-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5917-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5917-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5917-1200x1803.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/DSC_5917-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>João Maria Botelho</strong></p>
<p>No decurso do último ano, consolidei de forma significativa a minha voz e o meu contributo ativo na conceção de soluções orientadas para a transição climática. Integrei a equipa de Ambiente, Energia e ESG de uma sociedade de advogados internacional (Top Tier), com presença em Portugal. Coordenei, com a editora Almedina, a elaboração do primeiro Manual de Sustentabilidade &#8211; uma obra coletiva sobre o ESG e o Direito, cujo lançamento será este verão. Realizei uma TEDx Talk sobre &#8220;Sustentabilidade com Propósito e Impacto&#8221;, criei o podcast “Tomorrow Talks”. Fui orador e participei em vários fóruns nacionais e internacionais de reconhecido interesse, incluindo nas Nações Unidas; debati no Parlamento Europeu sobre a juventude e inteligência artificial. Concluí uma especialização em Regulação das Alterações Climáticas e em Economia Azul, e fui destaque na Forbes US sobre a evolução do ESG no Continente Europeu. No Summer Camp da Comissão Europeia, tive a oportunidade de discutir o futuro da Europa, com o Presidente Marcelo R. de Sousa. E a Generation Resonance cresceu enquanto plataforma internacional de jovens em prol da agenda da UN nos ODS.</p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">Tecnologia &amp; Inovação</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164894 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/PedroCabaco-1-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/PedroCabaco-1-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/PedroCabaco-1-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/PedroCabaco-1-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/PedroCabaco-1-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/PedroCabaco-1-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/PedroCabaco-1-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/PedroCabaco-1-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/PedroCabaco-1-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Pedro Cabaço</strong></p>
<p>Nos últimos 12 meses desde a nomeação para a lista Forbes 30 Under 30, vivi momentos transformadores. Tornámos a Volt Games numa empresa lucrativa, com margens de 10% ao mês, e expandimos a equipa para 20 pessoas, contratando para quatro novos cargos. Fechámos ainda uma parceria de sonho, que nos tem permitido desenvolver um jogo com a Disney. A nível pessoal, tive o maior privilégio da minha vida: no dia 10 de abril de 2025, tornei-me pai, descobrindo um amor que ultrapassa tudo o que conhecia. Ser Under 30 é isto: crescer profissionalmente, mas, acima de tudo, como pessoa.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164903 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/SaraTeixeira-6-scaled.jpg" alt="" width="1703" height="2560" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/SaraTeixeira-6-scaled.jpg 1703w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/SaraTeixeira-6-639x960.jpg 639w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/SaraTeixeira-6-1277x1920.jpg 1277w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/SaraTeixeira-6-768x1154.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/SaraTeixeira-6-1022x1536.jpg 1022w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/SaraTeixeira-6-1363x2048.jpg 1363w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/SaraTeixeira-6-1200x1804.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/SaraTeixeira-6-600x902.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1703px) 100vw, 1703px" /></p>
<p><strong>Sara Teixeira</strong></p>
<p>Crescimento e transformação são as palavras que definem os últimos 12 meses da minha vida. Desde que fundámos a Impossible Cloud Network (ICN), onde assumi o cargo de Diretora de Marketing de Web3, temos trabalhado intensamente para criar uma infraestrutura descentralizada que desafie a supremacia dos gigantes tecnológicos centralizados. A ICN gerou mais de 5 milhões de dólares em receita anual recorrente (ARR), mais de 1000 clientes empresariais reais e mais de 40 parcerias no ecossistema blockchain. A nossa comunidade já conta com mais de 250 mil membros e geramos cerca de 31 milhões de dólares. Mas, apesar de todos esses números, o melhor ainda está por vir: o nosso produto será lançado em breve e o nosso <em>token</em> será listado em grandes<em> exchanges</em> até final de 2025. Este foi um ano de grandes conquistas, mas também de muito trabalho e construção. Fui oradora e educadora em conferências ao redor do mundo. Além disso, o meu livro, “O Poder da Web3 e dos Mundos Virtuais para as Empresas do Futuro”, continuou a ser um sucesso, com apresentações por todo o país.</p>
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		<title>Lionel Richie: &#8220;Quero fazer parte da família. Apesar de não estar em casa, estou em casa das pessoas todos os dias com a música&#8221;</title>
		<link>https://www.forbespt.com/lionel-richie-quero-ser-alguem-que-faz-parte-da-familia-apesar-de-nao-estar-em-casa-estou-em-casa-das-pessoas-todos-os-dias-com-a-musica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Marmé]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 May 2025 09:30:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Digital Cover]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Líderes]]></category>
		<category><![CDATA[Life]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hits. História. Coração. Estas três palavras descrevem Lionel Richie. O icónico artista está em digressão pela Europa e atuará no dia 29 de julho na MEO Arena, em Lisboa, naquela que será a reta final da sua tour &#8220;Say Hello to the Hits&#8221;. Entre concertos, o cantor, agora com 75 anos, arranjou tempo para falar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Hits. História. Coração. Estas três palavras descrevem Lionel Richie. O icónico artista está em digressão pela Europa e atuará no dia 29 de julho na MEO Arena, em Lisboa, naquela que será a reta final da sua tour &#8220;Say Hello to the Hits&#8221;.</p>
<p>Entre concertos, o cantor, agora com 75 anos, arranjou tempo para falar com a Forbes Portugal, que foi o único meio de imprensa escrita português com quem conversou, a cerca de dois meses da sua atuação em solo nacional.</p>
<p>Na entrevista por zoom, para além de fazer a antevisão do espetáculo de julho, Lionel Richie abriu o coração para, num tom sempre afável e sorridente, explicar o que ainda o move, abordar questões humanitárias da atualidade e falar da química que o une a um público que vai atravessando gerações e que está à espera dele, novamente, de braços abertos, em Lisboa, em julho.</p>
<p>Entrevista, &#8220;Say You, Say Me&#8221;, com Lionel Richie:</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-163637" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/unnamed-2-1-960x905.png" alt="" width="960" height="905" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/unnamed-2-1-960x905.png 960w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/unnamed-2-1-768x724.png 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/unnamed-2-1-1200x1131.png 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/unnamed-2-1-600x566.png 600w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/unnamed-2-1.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /></p>
<p><strong>No dia 29 de julho, vai dar um concerto em Lisboa, na MEO Arena.<br />
Lionel Richie:</strong> Estou ansioso por vir cá. Devo dizer que, sempre que vou a Portugal, é muito divertido. E, para além disso, é o fim da digressão [Lisboa é o antepenúltimo concerto da tour europeia; depois de Lisboa, o cantor segue para a Corunha, onde atua a 31 de julho, e para Madrid, a 2 de agosto]. Por isso, estou ansioso!</p>
<p><strong>O que é que o público português pode esperar da digressão “Say Hello to the Hits”? O que é que nos pode dizer?</strong><br />
Bem, venham preparados para cantar [<em>risos</em>]. É só isso que vos digo, porque o que é fantástico no concerto é que não é um daqueles concertos calmos em que eu saio e canto canções de amor o resto da noite. É barulhento. E eu tive de me habituar a isso!</p>
<p>Durante anos, costumava pensar, ok, agora a multidão vai acalmar-se e eu vou cantar verdadeiramente. Vou cantar “Hello”. Não, é o oposto!</p>
<blockquote><p>&#8220;As pessoas estão de pé nas cadeiras e estão a cantar comigo. E é disso que eu gosto mais. O concerto está cheio de energia&#8221;.</p></blockquote>
<p>É o concerto mais barulhento que já vi na minha vida <em>[risos]</em>, porque as pessoas estão de pé nas cadeiras e estão a cantar comigo. E eu digo, espera aí, tu pagaste o teu dinheiro! [<em>risos</em>]</p>
<p><strong>As pessoas querem substituí-lo! [<em>risos</em>].</strong><br />
As pessoas querem substituir-me [<em>risos</em>]! <em>‘É a minha canção! Espera aí! [risos]’</em>. Mas é realmente um concerto muito enérgico. E é disso que eu gosto mais. Está cheio de energia.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-163619" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Wynn_8_9_19_1386_V1-960x640.jpg" alt="" width="960" height="640" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Wynn_8_9_19_1386_V1-960x640.jpg 960w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Wynn_8_9_19_1386_V1-1920x1280.jpg 1920w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Wynn_8_9_19_1386_V1-768x512.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Wynn_8_9_19_1386_V1-1536x1024.jpg 1536w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Wynn_8_9_19_1386_V1-2048x1365.jpg 2048w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Wynn_8_9_19_1386_V1-1200x800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Wynn_8_9_19_1386_V1-600x400.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /></p>
<p><strong>Há alguma coisa especial preparada para este concerto em Portugal da digressão europeia?</strong><br />
Há sempre. Mas não posso dizer-vos, porque se vos disser, quando chegarem lá, vão dizer, <em>‘ah, ele disse isso, então é disso que estamos à espera!’. </em>Não, tenho de vos surpreender um pouco. Mas devo dizer que vai ser&#8230; A apresentação sempre foi o ponto em que gosto de levar para o próximo passo, porque, como sabem, não é só a música, não são só as canções, mas também tem de ser o visual. Por isso, acredito que o concerto no seu todo vai ser muito, muito entusiasmante.</p>
<p><strong>Pode detalhar um pouco mais o conceito que querias transmitir com isto?</strong><br />
O que eu mais gosto é que quando algumas pessoas vêm ter connosco e dizem <em>‘O Lionel vai agir assim ou vai ser assim’</em> as consigamos surpreender. Eu gosto sempre de apanhar o público desprevenido. A reação de que não estavam à espera! Muitos artistas cantam as suas canções, falam muito pouco e depois abandonam o palco. Desse modo, não se estabelece uma conexão; a única coisas que existe é ver alguém cantar canções.</p>
<blockquote><p>&#8220;Há um pequeno vidro entre o público e o palco. E se partirmos esse vidro e o público sentir que os conseguimos ver, dá-se a conexão&#8221;</p></blockquote>
<p>No meu caso, gosto de estabelecer uma ligação total com o público e de o reconhecer. Por isso, usamos a frase “partir o vidro” [<em>“break the glass”</em>]. Há um pequeno vidro entre o público e o palco. E se partirmos esse vidro e o público sentir que os conseguimos ver, dá-se essa conexão.</p>
<p>Quando o público se apercebe de que eu o posso ver, faz um espetáculo que nunca experimentou antes na sua vida.</p>
<p>Porque a partir daí eu posso falar com eles, eles podem falar comigo, e torna-se muito íntimo porque, nessa altura, é um concurso de partilha. Essa é a parte que eu digo que muitos públicos não estão habituados, porque a maioria dos artistas sobe ao palco e apenas canta. E por isso nunca deixam o público entrar. Mas eu sou exatamente o oposto. Adoraria deixá-los entrar. Cá vamos nós!</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-163616" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/SHOT_12_1479-copy-2-1.jpg" alt="" width="8736" height="11648" /></p>
<p><strong>Tem uma carreira cheia de êxitos. Quando escolhe o alinhamento de canções que vai cantar, há sempre uma canção que tem absolutamente de ser incluída?</strong><br />
Uau, isso é engraçado e é difícil porque há toda uma lista de canções que têm de ser incluída. Por exemplo, consegue imaginar-me a entrar em palco e não cantar “Hello”? Ou “All Night Long”. Ou não cantar “Easy Like Sunday Morning” ou “Stuck On You”. Se eu não cantar estas e outras canções, as pessoas vão perguntar <em>‘bem, o que é que se passa com o Lionel? O que é que ele está a pensar?’</em>. Frank Sinatra disse-me uma coisa que é uma história que eu adoro contar por que ele tem razão no que diz: <em>‘Se tiveres uma canção que o público queira que cantes vezes sem conta, tens uma carreira’</em>. Ele disse, <em>‘tu, meu amigo, não só tens mais do que uma, como as escreveste todas!’</em>. Por isso é que isto é tão especial, é difícil deixar canções de fora nesta lista de canções porque toda a gente quer ouvir todas as canções.</p>
<p><strong>Referiu-se agora a alguns dos seus êxitos, mas deixou ainda outros de fora. “Say You, Say Me” é só mais outro…</strong><br />
Sim. É isso que eu dizia há pouco: não se pode sair do palco sem dar às pessoas essas canções que elas querem.</p>
<p><strong>Alguma delas tem um significado mais pessoal depois destes anos ou uma história que ainda mexe consigo? Pode partilhar alguma coisa?</strong><br />
Durante muito tempo alguém me dizia: <em>‘Quando é que vais escrever um livro? Diz-me, não vais escrever as tuas memórias? Não me vais falar sobre esta ou aquela música?’</em> Isso porque cada uma destas canções destaca basicamente um período da minha vida. Por exemplo, “Easy Like Sunday Morning” fala dos primeiros anos de mim e dos The Commodores.</p>
<blockquote><p>&#8220;Cada uma das minhas canções destaca um período da minha vida. Tem um período e uma história por trás&#8221;</p></blockquote>
<p>Essa canção, por exemplo, tem muito significado para mim porque foi a primeira vez que começámos a fazer digressões e o nome da canção chamava-se “Leave Me Alone”. E quando as pessoas começaram a dizer, <em>‘do que é que estás a falar?&#8217;</em>, deram-me um livro com 366 páginas. Dessas 366 páginas, 365 páginas eram de onde íamos estar e atuar no ano seguinte, todos os dias do ano seguinte. E escrevi num papel: <em>‘Why in the world would anybody put chains on me?/ I&#8217;ve paid my dues to make it/ Everybody wants me to be what they want me to be/ I&#8217;m not happy when I try to fake it’/ I wanna be high, so high/ I wanna be free to know the things I do are right’ (</em>&#8220;Porque é que alguém me acorrentaria? Paguei as minhas quotas para o conseguir. Toda a gente quer que eu seja o que eles querem que eu seja. Deixem-me em paz”) que é, a letra de “Easy Like Sunday Morning”.</p>
<figure id="attachment_163649" aria-describedby="caption-attachment-163649" style="width: 894px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-163649" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/livro-lionel-richie.jpg" alt="" width="894" height="935" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/livro-lionel-richie.jpg 894w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/livro-lionel-richie-768x803.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/livro-lionel-richie-600x628.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 894px) 100vw, 894px" /><figcaption id="caption-attachment-163649" class="wp-caption-text">O livro &#8220;Truly&#8221; vai ser publicado a 30 de setembro.</figcaption></figure>
<p>A partir daí, apercebi-me que as minhas canções, na verdade, marcam onde eu estava numa determinada fase da minha vida. Por isso, cada uma destas canções tem um período e uma história por detrás. Outro exemplo é “All Night Long” que representa trabalhar toda a noite. Eu poderia passar por cada uma das minhas músicas e contar-vos uma história. Mas é uma era. É uma parte da minha vida que agora vai resultar na publicação de um livro, tendo por detrás todas essas histórias.</p>
<p>O <a href="https://lionelrichie.com/book/" target="_blank" rel="noopener">livro chama-se &#8220;<em>Truly&#8221;</em></a> [traduzido livremente para português será algo como &#8216;Verdadeiramente&#8217;]. E é tão interessante que, agora, podemos ter o concerto, as canções e as histórias para incluir no livro. Portanto, está a sair. <em>[o livro está previsto ser publicado a 30 de setembro de 2025 via HarperOne, numa <a href="https://www.harpercollins.com/products/truly-lionel-richie?variant=43214322696226" target="_blank" rel="noopener">edição da HarperCollins</a>].</em></p>
<p><strong>Ficamos ansiosos! O Lionel é alguém que canta com a alma. É isso que cria a forte ligação entre si e o público. É esse o segredo da sua química com o público de diferentes gerações? </strong><br />
Sim. A parte mais importante de se ser um escritor, um artista, é conseguir relacionar-se com o público. <em>‘Será que eles se relacionam comigo? Será que eu me identifico com eles?’</em> E o que acontece muitas vezes é que a palavra que define a resposta a essas questões é “real”. <em>‘És uma pessoa real ou és uma personagem?’</em> Eu não quero ser uma personagem. Quero que as pessoas cheguem ao pé de mim e digam: <em>&#8220;Meu Deus, Lionel, casei-me ao som da tua canção, ‘Hello’</em>. Ou, então, <em>‘Oh meu Deus, Lionel, a minha canção favorita é All Night Long’</em>. E assim sucessivamente. E com isso podem aproximar-se de mim.</p>
<blockquote><p>&#8220;Quero que as pessoas cheguem ao pé de mim e digam: &#8220;Meu Deus, Lionel, casei-me ao som da tua canção, ‘Hello’. Ou, então, ‘Oh meu Deus, Lionel, a minha canção favorita é All Night Long’&#8221;</p></blockquote>
<p>Quando viajo e aterro em qualquer país do mundo, dizem-me: <em>“Bem-vindo a casa”</em>. Sou um cidadão de cada país, cidade, vila. E consideram-me como um membro da família. Isso é mais importante para mim do que qualquer outra coisa. Não quero ser uma personagem que representa e que as pessoas pensem que <em>‘ele é um desenho animado que volta para a lua logo depois de terminar o concerto’</em>. Não quero ser esse tipo de pessoa. Quero ser alguém que faz parte da família e que me conhece há muito tempo. Apesar de não estar em casa, estava em casa todos os dias com a música. E é isso que importa.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-163618" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Oakland_1129_V2_crop-960x597.jpg" alt="" width="960" height="597" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Oakland_1129_V2_crop-960x597.jpg 960w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Oakland_1129_V2_crop-1920x1195.jpg 1920w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Oakland_1129_V2_crop-768x478.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Oakland_1129_V2_crop-1536x956.jpg 1536w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Oakland_1129_V2_crop-2048x1274.jpg 2048w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Oakland_1129_V2_crop-1200x747.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/Lionel_Oakland_1129_V2_crop-600x373.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /></p>
<p><strong>Este ano assinala-se o 40º aniversário de “We Are The World”, uma canção que escreveu em conjunto com Michael Jackson. Nos tempos que correm, uma nova edição desse movimento de solidariedade através da música é algo que está a planear ou que gostaria de fazer?</strong><br />
Não sei dizer quantas vezes as pessoas vieram ter comigo e me disseram: <em>&#8220;Meu Deus, tens de escrever outro We Are The World porque estamos numa altura em que precisamos disso&#8217;</em>. E a minha resposta é: vou tocar essa canção outra vez para vocês.</p>
<p>Porque as palavras aplicam-se hoje a tudo o que estamos a passar. <em>‘We are the world/We are the children/We are the ones who make a brighter day”</em> (<em>‘Nós somos o mundo. Nós somos as crianças. Nós somos aqueles que fazem um dia mais brilhante’</em>). ‘Estamos a salvar as nossas próprias vidas’ (<em>‘We&#8217;re saving our own lives’</em>) é uma ótima frase. Estamos agora numa fase em que há refugiados vindos de todo o lado. Há imigrantes que vêm de todo o lado. Mas o que é que é comum a todos eles? São pessoas. São seres humanos. São famílias. E querem o melhor para as suas famílias.</p>
<blockquote><p>&#8220;Digo sempre às pessoas que, antes de começarem a criticar e a darem nomes às pessoas, pensem na vossa própria família&#8221;.</p></blockquote>
<p>E eu digo sempre às pessoas que, antes de começarem a criticar e a dar-lhes nomes, pensem na vossa própria família. Agora, se fossem uma pessoa que tivesse de deixar a vossa casa, a vossa comunidade, para ir para um lugar mais seguro, gostariam de ser rotulados como uma espécie de alienígena? Ou quereriam ser olhados como um ser humano? Por isso, para mim, se ouvirem mais uma vez estas palavras de ‘We Are The World’ compreenderão que são tão atuais hoje como eram há 40 anos, quando as escrevemos. Sinto a falta do Michael. Se eu pudesse gostava que ele estivesse aqui para o poder explicar comigo. Foi uma altura muito mágica na minha vida quando escrevemos aquela canção.</p>
<p>E só posso dizer que ambos partilhávamos o facto de que queríamos mudar o rumo do mundo e torná-lo um lugar melhor. Por isso, falo em nome dele, mas gostava que estivesse aqui.</p>
<blockquote><p>&#8220;Se ouvirem mais uma vez estas palavras de ‘We Are The World’ compreenderão que são tão atuais hoje como eram há 40 anos, quando as escrevemos&#8221;.</p></blockquote>
<p><strong>Nos últimos anos, tem sido um juiz regular no American Idol. O que é que procura num verdadeiro talento musical para além da voz?</strong><br />
Ainda bem que refere isso, porque acho que o que as pessoas por vezes se enganam é dizer: <em>‘Meu Deus, essa pessoa era uma ótima cantora. Porquê, por que é que a expulsaram?’</em> Ou perguntam-me <em>‘porque é que a tirou do programa?’</em> E eu respondo, <em>‘porque não ando à procura de cantores’.</em> Não estamos à procura de cantores. Estamos à procura de estilistas (‘stylists’). E isso remete para aquilo de que nos lembramos acerca de alguém: <em>‘Que caraterísticas é que essas pessoas têm de que nos lembramos?’</em> Esse é o talento.</p>
<blockquote><p>&#8220;As qualidades únicas de alguém é o que fazem com que tenha talento e tenha uma carreira&#8221;</p></blockquote>
<p>E vejamos o caso de ‘We Are The World’, por exemplo. A Tina Turner não soava como o Michael Jackson, e o Michael Jackson não soava como a Dionne Warwick. E a Dionne Warwick não soava como a Diana Ross. Quando se tem apenas meia linha para cantar, nem sequer um verso, o que faz com que a tua voz se destaque é a tua identificação. O teu ADN. É isso que estou à procura no American Idol. Não é o facto de atingires as notas perfeitas. Não são as notas perfeitas. É se tens um traço identificável que leve as pessoas a dizer: <em>&#8220;Meu Deus, é o Bruno Mars’</em>. <em>‘Oh meu Deus, é a Lady Gaga’</em>. <em>‘Oh meu Deus, é a Beyoncé’</em> e por aí adiante. Em ‘We are the World” Stevie Wonder soa como o Stevie Wonder. Bruce Springsteen em duas notas, sabe-se que é o Bruce. Essas são as qualidades únicas que estamos a procurar. Porque se tiveres isso, então tens uma carreira.</p>
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<p><strong>Há alguma parte do seu percurso que gostasse de explorar: voltar ao cinema ou colaborar com novos artistas? Há algum aspeto da sua carreira que gostasse agora de desenvolver?</strong><br />
Acho que o que vai acontecer agora, é que vão ver muito mais colaborações. Vão ver muito mais escrita de canções. Julgo que já passou tempo suficiente entre a velha forma como o negócio da música costumava ser e agora este novo mundo de streaming da Internet. Parece-me que está na altura de voltar a identificar e colaborar com alguns destes artistas incríveis que andam por aí. Na verdade, estou bastante apaixonado por algumas das vozes que existem.</p>
<blockquote><p>&#8220;Vou colaborar com alguns destes artistas incríveis que andam por aí&#8221;</p></blockquote>
<p>Como sempre digo, ainda não terminei. Tenho mais alguns sonhos e ideias sobre o que quero introduzir porque, no fundo, para mim, ainda sou o escritor. Acho que vou voltar a tocar com alguns destes artistas.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-163651" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/lionel-richie_3-960x565.jpg" alt="" width="960" height="565" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/lionel-richie_3-960x565.jpg 960w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/lionel-richie_3-768x452.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/lionel-richie_3-1200x706.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/lionel-richie_3-600x353.jpg 600w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/lionel-richie_3.jpg 1229w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>The post <a href="https://www.forbespt.com/lionel-richie-quero-ser-alguem-que-faz-parte-da-familia-apesar-de-nao-estar-em-casa-estou-em-casa-das-pessoas-todos-os-dias-com-a-musica/">Lionel Richie: &#8220;Quero fazer parte da família. Apesar de não estar em casa, estou em casa das pessoas todos os dias com a música&#8221;</a> appeared first on <a href="https://www.forbespt.com">Forbes Portugal</a>.</p>
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