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	<title>Rui Nogueira, Author at Forbes Portugal</title>
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	<description>A revista de líderes e de empreendedores com maior impacto no mundo dos negócios.</description>
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	<title>Rui Nogueira, Author at Forbes Portugal</title>
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		<title>Abu Dhabi: Onde o medo é um ruído e a economia é o alvo</title>
		<link>https://www.forbespt.com/abu-dhabi-onde-o-medo-e-um-ruido-e-a-economia-e-o-alvo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rui Nogueira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2026 09:38:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Viver nas Etihad Towers tem as suas vantagens, mas ser acordado com o som de explosões, flashes no ar e o edifício a vibrar por todo o lado não é algo que me lembre de ter visto no anúncio da casa quando me mudei para cá. No passado dia 28 de fevereiro, quando o meu telemóvel &#8220;gritou&#8221; o alerta do governo a dizer que estávamos sob ataque, o meu pensamento foi curto e honesto: &#8220;F******! Queres ver que é desta?&#8221;</p>
<p>Contudo, depois de quase me ter tornado religioso por uns segundos, o lado racional bateu à porta. Olhei pela janela e não vi o caos que as televisões portuguesas e internacionais insistiam em transmitir; vi uma cidade a lidar com o que pareciam &#8220;foguetes de artifício&#8221; mais barulhentos e menos coloridos. A gestão da crise aqui é de um profissionalismo que roça o surreal. Enquanto o mundo via o fim do mundo, eu via sistemas de defesa a funcionar e uma calma institucional que raramente se encontra no Ocidente.</p>
<h3>O &#8220;Pó&#8221; no Estreito de Ormuz</h3>
<p>O meu real receio não é a segurança física. Se há lugar onde me sinto protegido pela tecnologia, é aqui. O que me tira o sono são as consequências de ter 20% do petróleo mundial a apanhar &#8220;pó&#8221; no Estreito de Ormuz.</p>
<p>Estamos a meros 300 km da costa do Irão. No ponto mais estreito, são apenas 33 km que nos separam. Para quem observa os mercados, o flash que vi no céu de Abu Dhabi traduz-se mais no flash que as pessoas vão receber na conta da luz e gás em Portugal e na Europa dentro dos próximos tempos.</p>
<p>A suspensão da negociação no ADX e no DFM (as bolsas de Abu Dhabi e Dubai) após o início dos ataques não foi pânico; foi uma manobra de contenção. As correções de 3,5% e 4,7% mostraram que o mercado estava a tentar precificar o impensável. Mas o verdadeiro problema não está no que cai, mas no que sobe.</p>
<h3>O próximo &#8220;imposto&#8221; do consumidor português</h3>
<p>A comunicação social foca-se nas sirenes e no “fogo de artifício”, mas a nossa atenção deve focar-se nas rotas marítimas. A instabilidade aqui é o &#8220;gargalo&#8221; de Suez:</p>
<ol>
<li><strong>Logística em sobrecarga:</strong> Com o aumento do risco, as rotas desviam-se para o Cabo da Boa Esperança. São no mínimo 14 dias extra de mar. Isto não é apenas tempo; é custo, é falta de contentores e é uma quebra de 9% na capacidade logística global.</li>
<li><strong>Inflação de importação:</strong> Com o Brent a namorar valores acima dos $80, a onda de choque vai chegar a Portugal com um ribatejano que chega para pegar um touro, sem pedir licença. O que acontece neste golfo influencia desde o preço do pão no Alentejo, à gasolina em Lisboa ao custo da eletricidade em Santarém.</li>
</ol>
<h3>Diplomacia à mesa</h3>
<p>Não nego a tensão. Enquanto escrevo estas linhas, o som de fundo é uma mistura de &#8216;foguetes de artifício&#8217; e a razia dos caças que cortam o céu. Mas a realidade é pragmática: se o perigo fosse o que a televisão pinta, jantares como o de há dois dias não existiam. Sentado à mesa com a minha namorada e os embaixadores da Costa Rica e de Timor-Leste, o tema não foram bunkers ou rotas de fuga; discutimos o futuro. Entre o ruído militar e o tilintar dos talheres nos restaurantes cheios de Abu Dhabi, a mensagem é clara: aqui, a resiliência não é um conceito, é o quotidiano.</p>
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<p>Os EAU (Emirados Árabes Unidos) provaram ser um porto seguro, profissional e firme. Mas, enquanto dormimos protegidos por sistemas de defesa aérea de última geração, a economia mundial pode acordar com uma &#8220;ressaca&#8221; que nenhuma tecnologia consegue travar.</p>
<p>A televisão mostra o fogo, mas eu prefiro olhar para o rasto que ele deixa nos mercados. E esse rasto diz-nos que, num mundo globalizado, não há ataques &#8220;lá longe&#8221;. “Estamos todos” na Etihad Tower, à espera que a racionalidade prevaleça sobre o ruído.</p>
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		<title>O maior erro do eCommerce português não é marketing é gestão financeira</title>
		<link>https://www.forbespt.com/o-maior-erro-do-ecommerce-portugues-nao-e-marketing-e-gestao-financeira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rui Nogueira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 10:52:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante anos, o crescimento do eCommerce em Portugal foi associado a uma equação simples: mais tráfego, mais vendas, mais escala. A lógica parecia funcionar e, durante algum tempo, funcionou mesmo. Hoje, o contexto é diferente. Custos de publicidade a subir de forma consistente, margens cada vez mais comprimidas e negócios que, apesar de faturarem mais, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Durante anos, o crescimento do eCommerce em Portugal foi associado a uma equação simples: mais tráfego, mais vendas, mais escala. A lógica parecia funcionar e, durante algum tempo, funcionou mesmo. Hoje, o contexto é diferente. Custos de publicidade a subir de forma consistente, margens cada vez mais comprimidas e negócios que, apesar de faturarem mais, operam com menos margem de erro do que nunca.</p>
<p>O problema? Na maioria dos casos, não está no marketing. Está na forma como os negócios tomam decisões financeiras.</p>
<p><strong>O</strong> <strong>crescimento</strong> <strong>que parece saudável, mas não é</strong></p>
<p>Ao analisar operações de eCommerce com níveis de maturidade muito diferentes, desde negócios que faturam algumas dezenas de milhares de euros até marcas que ultrapassam vários milhões por ano torna-se evidente que o problema raramente está na ambição ou na execução.</p>
<p>Em 2025, ao trabalhar com mais de 40 negócios de eCommerce e ao acompanhar, de forma direta, operações que em conjunto geraram quase 80 milhões de euros em faturação, um padrão repetiu-se de forma consistente.</p>
<p>O crescimento existe. As vendas acontecem. Mas as decisões são, muitas vezes, tomadas sem uma leitura financeira sólida. E isso é estruturalmente perigoso.</p>
<p><strong>Margens: o número que quase ninguém domina</strong></p>
<p>Um dos erros mais comuns no eCommerce é a incapacidade de responder, de forma clara, a uma pergunta simples:  “Quanto sobra, realmente, depois de vender?”</p>
<p>Depois de mais de 800 diagnósticos a negócios de eCommerce, este é o ponto onde a maioria falha.</p>
<p>Muitos negócios conhecem o preço de venda, o custo do produto e o investimento em publicidade. Poucos conseguem explicar, com rigor, a sua margem real já considerando logística, equipa, tecnologia, devoluções, impostos e custos indiretos.</p>
<p>Sem esta visão:</p>
<ul>
<li>o investimento em anúncios é feito sem referência clara de break-even</li>
<li>decisões de escala baseiam-se em suposições</li>
<li>erros pequenos transformam-se rapidamente em problemas grandes</li>
</ul>
<p>O resultado é previsível: faturação a crescer e margem a desaparecer.</p>
<p><strong>A dependência crescente da publicidade paga</strong></p>
<p>Este problema torna-se ainda mais grave quando combinado com um segundo fator incontornável: o custo da publicidade está a aumentar. Em vários setores, os custos de aquisição subiram mais de 50% nos últimos anos em alguns casos acima de 70%. Para negócios altamente dependentes de tráfego pago, esta pressão é imediata.</p>
<p>Quando as margens não estão bem calculadas:</p>
<ul>
<li>qualquer aumento de Custo Por Clique (CPC) tem impacto direto na rentabilidade</li>
<li>cada tentativa de escalar aumenta o risco</li>
<li>a publicidade deixa de ser uma alavanca e passa a ser uma dependência</li>
</ul>
<p>O crescimento continua a existir, mas torna-se progressivamente mais frágil.</p>
<p><strong>Faturar mais não significa estar melhor</strong></p>
<p>Existe um mito persistente no eCommerce: o de que crescer resolve tudo.<br />
Na prática, acontece muitas vezes o contrário.</p>
<p>Negócios que escalam sem estrutura financeira:</p>
<ul>
<li>aumentam a complexidade operacional</li>
<li>reduzem margem de manobra</li>
<li>ficam mais expostos a qualquer variação externa</li>
</ul>
<p>Escalar sem compreender onde se ganha e onde se perde dinheiro não é estratégia.<br />
É apenas velocidade.</p>
<p><strong>Um problema estrutural do mercado</strong></p>
<p>Este não é um problema isolado nem excecional. É um problema estrutural do eCommerce.</p>
<p>Durante anos, o foco esteve quase exclusivamente na aquisição e no marketing. A gestão financeira ficou em segundo plano muitas vezes tratada como consequência, quando deveria ser base.</p>
<p>Num mercado hoje mais competitivo, com custos mais elevados e menor tolerância ao erro, essa fragilidade começa a tornar-se evidente.</p>
<p><strong>O futuro pertence a quem controla os números</strong></p>
<p>O eCommerce continua a ser uma oportunidade real. Mas a próxima fase do mercado será menos indulgente.</p>
<p>Os negócios que vão conseguir crescer de forma consistente não serão necessariamente os que vendem mais, mas os que:</p>
<ul>
<li>conhecem as suas margens</li>
<li>dominam os seus números</li>
<li>sabem quando investir e quando parar</li>
</ul>
<p>Porque no fim, o problema não é escalar. É escalar sem controlo financeiro.</p>
<p><strong>Rui Nogueira,</strong><br />
<em>especialista em marketing, Forbes 30 Under 30</em></p>
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