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	<title>Fernando Chaves, Author at Forbes Portugal</title>
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	<description>A revista de líderes e de empreendedores com maior impacto no mundo dos negócios.</description>
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	<title>Fernando Chaves, Author at Forbes Portugal</title>
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		<title>Resiliência: a lição que não podemos esquecer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Chaves]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 09:35:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma nova pandemia não é, certamente, a notícia de abertura de amanhã. Mas deixou de ser um cenário impensável ou reservado a um futuro distante. O mundo aprendeu lições demasiado duras com a COVID-19. Aprendeu quão rapidamente uma emergência de saúde pode transformar-se num choque económico, numa crise social e num teste à confiança nas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma nova pandemia não é, certamente, a notícia de abertura de amanhã. Mas deixou de ser um cenário impensável ou reservado a um futuro distante.</p>
<p>O mundo aprendeu lições demasiado duras com a COVID-19. Aprendeu quão rapidamente uma emergência de saúde pode transformar-se num choque económico, numa crise social e num teste à confiança nas instituições, ou na perda de um familiar ou de um amigo às mãos de um inimigo invisível.</p>
<p>Aprendeu também que os vírus não afetam apenas os hospitais. Afetam escolas, cadeias de abastecimento, transportes, pequenos negócios, serviços públicos e famílias. Comprometem o acesso a medicamentos, o abastecimento dos supermercados, a capacidade dos pais para trabalhar, os cuidados prestados aos mais vulneráveis e até a forma como nos despedimos de quem parte. Uma nova pandemia não esperará que outras crises estejam resolvidas.</p>
<p>Para Portugal, a questão não é viver com medo. É perceber se aprendemos verdadeiramente com a COVID-19 e se essas lições nos permitirão responder com inteligência, serenidade e organização quando surgir uma nova pandemia.</p>
<p><strong>Uma nova pandemia não seria apenas uma crise de saúde</strong></p>
<p>Quando se fala em pandemia, pensa-se imediatamente em confinamentos, picos de transmissão, máscaras ou unidades de cuidados intensivos. Tudo isso é importante. Mas a COVID-19 demonstrou que o verdadeiro impacto vai muito além da saúde.</p>
<p>Se uma nova pandemia surgisse, Portugal voltaria a enfrentar pressão simultânea sobre várias dimensões essenciais da vida coletiva. A economia seria uma das primeiras vítimas. Confinamentos ou restrições voltariam a provocar uma quebra abrupta da atividade económica. Apesar da experiência adquirida com o trabalho remoto, a procura, a oferta e as cadeias de abastecimento voltariam a sofrer fortes perturbações. A grande questão seria saber se as organizações conseguiriam suportar mais um choque sistémico, após anos marcados por crises geopolíticas, inflação e fenómenos climáticos extremos.</p>
<p>Em paralelo, hospitais, centros de saúde, laboratórios, serviços de emergência e farmácias enfrentariam uma procura excecional. O desafio não seria apenas tratar uma nova doença infecciosa, mas manter os cuidados oncológicos, cardiovasculares, maternos, de saúde mental e das doenças crónicas. A COVID-19 mostrou que, quando o sistema de saúde entra em saturação, os efeitos prolongam-se muito para além da emergência inicial, através de diagnósticos adiados, tratamentos interrompidos e do agravamento de patologias já existentes.</p>
<p>Também a educação sofreria um novo impacto profundo. Uma pandemia nos próximos cinco a dez anos agravaria as desigualdades no acesso à aprendizagem e às ferramentas digitais, aprofundando as diferenças entre regiões e grupos sociais. Este problema não se resolve apenas com investimento em inteligência artificial. Num contexto em que as empresas continuam a identificar a escassez de talento como um dos seus maiores desafios, novos impactos prolongados no ensino agravariam ainda mais essa realidade.</p>
<p>O impacto social seria igualmente profundo. Portugal continua a ser um país onde as redes familiares desempenham um papel central. Isso é uma força, mas significa também que a pressão se espalha facilmente entre gerações quando um membro da família adoece, perde rendimento ou deixa de conseguir aceder a cuidados.</p>
<p>O Global Risks Report alerta precisamente para um cenário de crescente fragmentação internacional. Num mundo menos cooperante, será mais difícil coordenar respostas, mobilizar recursos e partilhar soluções, aumentando o risco de atrasos, falhas de contenção e impactos humanos, sociais e económicos muito mais graves.</p>
<p><strong>Que tipo de pandemia poderá surgir?</strong></p>
<p>A informação disponível junto de organizações internacionais demonstra que o risco permanece ativo. A primeira edição do <a href="https://www.gov.uk/government/publications/health-security-risk-assessment-hsra-2025-edition/health-security-risk-assessment-hsra-2025-edition" target="_blank" rel="noopener"><em>Health Security Risk Assessment</em></a>, publicada pela UK Health Security Agency, apresenta uma análise detalhada dos principais riscos para a segurança da saúde que o Reino Unido poderá enfrentar nos próximos cinco anos, com especial destaque para os riscos pandémicos respiratórios, que ocupam as cinco primeiras posições.</p>
<p>Entre os agentes atualmente mais acompanhados encontram-se a gripe aviária H5N1, o SARS-CoV-2 e outros coronavírus emergentes, o MERS-CoV, o Mpox e o vírus Nipah. A médio prazo, as doenças transmitidas por vetores poderão também ganhar relevância em regiões como o Mediterrâneo.</p>
<p>Nada disto significa que a próxima pandemia resulte necessariamente de um destes agentes. As alterações climáticas, a desflorestação ou o degelo poderão favorecer o aparecimento de novos riscos ainda pouco conhecidos. O essencial é não assumir que a COVID-19 foi uma exceção irrepetível nem acreditar que os planos preparados para a pandemia anterior responderão automaticamente aos desafios da próxima. A maior lição continua a ser simples: a preparação faz toda a diferença antes de a emergência começar.</p>
<p><strong>O que devem fazer as organizações portuguesas?</strong></p>
<p>As organizações devem começar por identificar os serviços que terão obrigatoriamente de funcionar durante vários meses de perturbação. Precisam igualmente de mapear dependências críticas, muitas vezes invisíveis – fornecedores tecnológicos, operadores logísticos, telecomunicações, prestadores especializados ou cadeias internacionais de abastecimento – que podem comprometer a continuidade do negócio.</p>
<p>É igualmente essencial reforçar a resiliência das equipas através de formação cruzada, planos de substituição para funções críticas, preparação para trabalho remoto, protocolos claros de recursos humanos e apoio ao bem-estar. A resiliência digital e cibernética também deve integrar este planeamento, porque uma futura pandemia poderá coincidir com ciberataques, fraude ou interrupções tecnológicas.</p>
<p>Ao nível do país, importa continuar a investir na vigilância em saúde pública, na capacidade laboratorial, na coordenação entre autoridades, proteção civil, municípios e operadores de infraestruturas críticas. É igualmente fundamental reforçar a resiliência das cadeias de abastecimento, acelerar a transformação digital da saúde, da educação e da administração pública, proteger os grupos mais vulneráveis e realizar exercícios regulares de preparação para cenários pandémicos.</p>
<p>Portugal beneficia da integração europeia, que facilita a coordenação regulatória, a aquisição conjunta de recursos e a cooperação sanitária. Mas isso não pode servir de desculpa para uma menor exigência nacional. A prontidão continuará a depender da capacidade de executar, comunicar e testar continuamente os planos existentes. Um plano de continuidade só demonstra o seu valor quando é posto à prova perante faltas de pessoal, falhas de fornecedores, restrições públicas e períodos prolongados de pressão.</p>
<p><strong>A verdadeira pergunta</strong></p>
<p>A verdadeira pergunta não é se Portugal conseguiria sobreviver a outra pandemia. Conseguiria.</p>
<p>A questão é outra: numa próxima crise, voltaremos a improvisar sob pressão ou seremos capazes de agir cedo, aplicando as lições que já pagámos caro para aprender?</p>
<p>A resiliência não é uma ideia abstrata e, infelizmente, tem sido usada em excesso e em contextos errados. Aplicada de forma prática a uma eventual nova pandemia, é a capacidade de uma enfermeira continuar a trabalhar em segurança. É a capacidade de um pai ou de uma mãe continuar a garantir o rendimento da família. É a capacidade de um pequeno negócio se manter aberto. É a capacidade de tratar os doentes urgentes sem abandonar todos os outros. É a capacidade de uma escola continuar a ensinar. É a capacidade de um porto continuar a fazer circular mercadorias. É a capacidade de um país permanecer informado e funcional sob tensão.</p>
<p><strong>Fernando Chaves,</strong><br />
<em>Head of Risk Consulting da Marsh Risk Portugal</em></p>
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