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	<title>Carolina Vieira, Author at Forbes Portugal</title>
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	<description>A revista de líderes e de empreendedores com maior impacto no mundo dos negócios.</description>
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		<title>Uma noite num palácio (contada por uma menina de 12 anos)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carolina Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 19:03:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Life]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando a minha mãe me disse que íamos passar uma noite num hotel no Bairro Alto, imaginei um quarto bonito, um pequeno-almoço bom e, se tivesse sorte, uma piscina. Não tinha piscina. Mas já lá vamos. O hotel chama-se Palácio Ludovice e, quando entrei, fiquei entre duas emoções ao mesmo tempo: surpresa e felicidade. Foi [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando a minha mãe me disse que íamos passar uma noite num hotel no Bairro Alto, imaginei um quarto bonito, um pequeno-almoço bom e, se tivesse sorte, uma piscina.</p>
<p>Não tinha piscina. Mas já lá vamos.</p>
<p>O hotel chama-se Palácio Ludovice e, quando entrei, fiquei entre duas emoções ao mesmo tempo: surpresa e felicidade. Foi exatamente isso que senti. Daquelas surpresas boas que nos fazem querer explorar tudo antes sequer de pousarmos a mala. Mas fiquei quieta, a mão a esconder a boca espantada e os olhos a dançar por todo o lado. Ali mesmo, naquele hall, fizemos as primeiras fotos. Ora eu, ora a mamã. Ai, desculpem, parece que se deve dizer “minha mãe”. Roubei-lhe a mala. E um sorriso também.</p>
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<p>Depois subimos ao quarto. O 304. Achei que estávamos num paraíso.</p>
<p>Parecia ter saído de uma fotografia. Ou melhor, parecia ter sido criado para tirar fotografias. E o mais engraçado é que as roupas que tínhamos levado combinavam com a decoração. Tudo tinha tons de azul e branco, como se alguém tivesse planeado aquilo sem nos avisar.</p>
<p>Claro que começámos imediatamente a fotografar.</p>
<p>A minha mãe olhava para os detalhes da decoração. Eu procurava os melhores ângulos.  Somos ambas muito curiosas. Acho que foi a primeira prova de que estávamos a viver a mesma experiência de maneiras completamente diferentes.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-194044 size-full" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/Palacio_Ludovice_Lisbon_Nov_24_Paulina_Hinz_Hotel_Photography_LOUNGE-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/Palacio_Ludovice_Lisbon_Nov_24_Paulina_Hinz_Hotel_Photography_LOUNGE-scaled.jpg 2560w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/Palacio_Ludovice_Lisbon_Nov_24_Paulina_Hinz_Hotel_Photography_LOUNGE-960x640.jpg 960w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/Palacio_Ludovice_Lisbon_Nov_24_Paulina_Hinz_Hotel_Photography_LOUNGE-1920x1280.jpg 1920w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/Palacio_Ludovice_Lisbon_Nov_24_Paulina_Hinz_Hotel_Photography_LOUNGE-768x512.jpg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/Palacio_Ludovice_Lisbon_Nov_24_Paulina_Hinz_Hotel_Photography_LOUNGE-1536x1024.jpg 1536w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/Palacio_Ludovice_Lisbon_Nov_24_Paulina_Hinz_Hotel_Photography_LOUNGE-2048x1365.jpg 2048w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/Palacio_Ludovice_Lisbon_Nov_24_Paulina_Hinz_Hotel_Photography_LOUNGE-1200x800.jpg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/Palacio_Ludovice_Lisbon_Nov_24_Paulina_Hinz_Hotel_Photography_LOUNGE-600x400.jpg 600w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
<p>Enquanto explorávamos o hotel, fui descobrindo coisas que não esperava encontrar. Corredores enormes, azulejos antigos, escadas, portas, salas e pequenos recantos que pareciam esconder histórias.</p>
<p>A minha mãe contava-me que o palácio tinha sido construído no século XVIII, que sobreviveu ao terramoto de 1755 e que passou por muitas vidas antes de se transformar num hotel.</p>
<p>Eu gostava mais de imaginar quem tinha passado por aqueles corredores há centenas de anos. Era a casa de um senhor arquiteto, como o meu irmão, chamado João Federico Ludovice.</p>
<p>E gostava de pensar se ele também se teria perdido por ali como nós.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-194043" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.28.14-720x960.jpeg" alt="" width="720" height="960" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.28.14-720x960.jpeg 720w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.28.14-1440x1920.jpeg 1440w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.28.14-768x1024.jpeg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.28.14-1152x1536.jpeg 1152w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.28.14-1200x1600.jpeg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.28.14-600x800.jpeg 600w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.28.14.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /></p>
<p>Uma das minhas partes preferidas foi simplesmente andar sem destino. Sem horários, sem pressa, sem termos de ir a lado nenhum.</p>
<p>Só explorar. Aquele quadrado de hotel com um restaurante no meio que se via de qualquer janela de qualquer piso. Bastava olhar para baixo. Depois chegou a hora de jantar. No sítio com o nome do dono, até pensei que faltava um “r”, mas depois disseram-me que era assim mesmo.</p>
<p>Então, no restaurante Federico, a minha mãe ficou impressionada com pratos de que eu nunca conseguiria falar como ela fala. Quando lhe perguntam sobre a comida, ela consegue descrever ingredientes, sabores e texturas.</p>
<p>Eu consigo resumir tudo numa frase: Os ovos rotos eram ótimos. As panquecas deliciosas. E aquele cocktail de maracujá sem álcool foi perfeito para um brinde com o Hemingway que a minha mãe escolheu e aproveitou logo para me dizer que era  em homenagem ao Nobel da Literatura.</p>
<p>Mais tarde, a minha mãe foi experimentar uma massagem no spa. Quando voltou, percebi imediatamente que tinha adorado. Vinha a arrastar os chinelos. Nem precisei de perguntar.</p>
<p>Parecia ter regressado das férias dentro das próprias férias. Acho que foi essa a parte favorita dela. A minha foi outra. Uma fonte na sala de jantar. Sim, uma fonte. Incrível não e?</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-194045" src="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.27.14-720x960.jpeg" alt="" width="720" height="960" srcset="https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.27.14-720x960.jpeg 720w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.27.14-1440x1920.jpeg 1440w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.27.14-768x1024.jpeg 768w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.27.14-1152x1536.jpeg 1152w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.27.14-1200x1600.jpeg 1200w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.27.14-600x800.jpeg 600w, https://www.forbespt.com/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-21.27.14.jpeg 1536w" sizes="auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px" /></p>
<p>É estranho porque havia muitas outras coisas bonitas no hotel, mas foi aquele detalhe que ficou na minha cabeça. Talvez porque não estava à espera de a encontrar ali. Talvez porque fazia aquele som tranquilo da água a correr.</p>
<p>Ou talvez porque nem sempre são as coisas maiores que ficam na memória.</p>
<p>À noite ainda fomos ao Bar. Estava heio. Brincamos com as palhinhas de arroz e eu continuei a observar tudo à minha volta e a pensar como era estranho estar num palácio antigo no meio de Lisboa e sentir-me ao mesmo tempo numa cidade moderna, a viver uma história de outros tempos. história de outros tempos.</p>
<p>Na manhã seguinte acordei com uma prioridade muito clara. Pequeno-almoço.</p>
<p>A minha mãe estava encantada com a luz a entrar pelas janelas e com a vista para a cidade. Eu estava concentrada nas panquecas. Cada uma com as suas prioridades. Antes de nos irmos embora, a mamã fez-me várias perguntas para saber a minha opinião “profissional” sobre o hotel. Se pudesses vivias aqui? Sim, claro, só precisava de um closet onde coubesse toda a minha roupa. Afinal, a piscina não me fez falta. E no final, percebi uma coisa. Os adultos e as crianças não olham para os lugares da mesma maneira.</p>
<p>A minha mãe reparou na história, nos azulejos, na arquitetura, no vinho, no spa e em todos os detalhes que contam o passado daquele edifício.</p>
<p>Eu reparei nos recantos, no robe à minha medida ( foi o primeiro hotel que se lembrou que eu era uma criança), nos cocktails sem álcool, nos meus pedidos especiais e a possibilidade de correr como se estivesse na minha casa.</p>
<p>Mas talvez seja exatamente isso que torna uma viagem especial. Porque um hotel não é apenas o que vemos. É aquilo de que nos lembramos depois. Diz a minha mãe.</p>
<p>E eu lembro-me, vou-me lembrar sempre, de ter passado uma noite num palácio com a minha mãe, de nos rirmos enquanto tirávamos fotografias e de descobrirmos Lisboa juntas. Ah e de pular de mãos dadas na cama, como se não houvesse amanhã.</p>
<p>&nbsp;</p>
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